Maybe We Can Be Each Other's Company
8 Are You In Love With Me?
Notas iniciais
A semana seguinte passou em um piscar de olhos. Na segunda-feira os meninos tomaram juntos seus cafés da manhã e foram juntos para o trabalho. Por algum motivo indecifrável aquele foi o último dia em que eles se falaram.
De terça a sexta, que seria hoje, eles se viram em reuniões e trataram de coisas de seu trabalho, mas em nenhum momento falaram sobre si. Blaine ficou um pouco chateado, pois ele tentou mais de uma vez falar com Kurt e o castanho simplesmente o ignorou.
Claro que o Anderson não entendeu nada, mas preferiu não perguntar o motivo daquilo estar acontecendo. Porém agora, após o horário do almoço, Blaine decidiu simplesmente ir resolver isso, pois já está começando a irritá-lo.
— Agora chega de me ignorar. O que está acontecendo? – Blaine perguntou ao entrar na sala de Kurt, que organizava a agenda do moreno. – Larga essa agenda e me responde.
Kurt o encarou incrédulo, como se tivesse escutado uma ordem de seu pai. Na verdade, essa foi a única maneira que Blaine encontrou de fazer o castanho parar o que estava fazendo e prestar atenção nele.
— Não aconteceu nada. Eu só estou estressado. – Kurt disse em um tom calmo.
— E por que me ignorou a semana inteira? Pensei que eu tivesse feito algo errado. – Blaine disse, se sentindo um pouco melhor por estar ali falando com Kurt.
— Porque eu pensei que me demitiria caso eu dissesse que não quero me envolver no álbum do Colin. – Kurt olhou para baixo e Blaine se escorou na mesa dele, o puxando para mais perto.
— Não vou te demitir. Se não quer fazer isso, não precisa. – Kurt se abraçou no moreno, o agradecendo. – Tenho um convite. O que vai fazer essa noite?
— Depende do que você vai sugerir. – Kurt disse com um sorriso malicioso.
— Meu convite não tem nenhuma segunda intenção, não se anime muito. – Kurt fingiu um olhar decepcionando, levando Blaine a rir. – Eu vou jantar na casa dos meus pais. Quer vir comigo?
— Hum, quer me apresentar para os seus pais, é? – Kurt perguntou ainda rindo e nesse momento o moreno ficou sério. – Desculpa, eu não deveria ter insinuado isso. Desculpa.
Kurt se afastou de Blaine, mas foi puxado pelo mesmo para um beijo que começou desajeitado. Um beijo calmo, sem nenhuma pressa, que logo foi aprofundado.
— Não posso te apresentar como nada além de um amigo mesmo que eu queira. – O Anderson falou um pouco triste. – Eles não sabem que eu sou gay.
— Oh... – Foi a única coisa que Kurt disse e um silêncio permaneceu entre eles durante certo tempo. – Eu vou com você... Pode me liberar hoje um pouco mais cedo para eu poder me arrumar?
— Claro que posso, Sr. Hummel.
— Isso provoca, não faz isso quando estamos no horário de trabalho. – Pediu Kurt, fazendo Blaine rir.
— Na verdade... – Blaine encarou Kurt sugestivamente. – As pessoas recém estão voltando do almoço... Apenas não podemos nos arriscar muito...
— Vamos para o banheiro. — Sugeriu Kurt, logo saindo de sua sala, com Blaine vindo atrás dele certo tempo depois.
Os dois entraram no banheiro em meio a risadinhas, se trancaram em uma das cabines e não perderam tempo para começarem a se beijar ardentemente.
Blaine apertava o corpo de Kurt contra o seu o máximo que conseguia, mantendo suas mãos fixas na cintura do castanho que, por sua vez, estava com as mãos entrelaçadas no cabelo do Anderson.
O moreno passou a beijar o pescoço de Kurt enquanto ambos retiravam as partes de baixo de suas roupas, agilizando seu trabalho, já que não tinham tanto tempo quanto gostariam. Quando estavam parcialmente nus, Blaine puxou Kurt mais para si e o fez entrelaçar as pernas em sua cintura, o prendendo assim contra a parede.
O moreno beijou novamente aqueles lábios sem os quais não vivia mais e lentamente colocou sem membro no castanho, que mordeu fortemente o próprio lábio inferior para reprimir um gemido.
Enquanto Blaine se movimentava, lentamente e depois mais rápido, Kurt se segurava ao máximo para não fazer nenhum barulho, enquanto o moreno estava beijando o pescoço do Hummel para a mesma finalidade do outro.
Movimentos e mais movimentos são feitos, levando ambos a loucura. Blaine levou sua mão até o membro de Kurt e passou a "massageá-lo", indo e vindo até que ambos chegassem aos seus devidos ápices e voltassem a se beijar mais lentamente.
Ambos se soltaram com muito custo e novamente se vestiram. Blaine saiu sozinho da cabine e verificou se ninguém estava presente no banheiro, então avisou Kurt e os dois saíram dali, voltando imediatamente aos seus trabalhos.
O resto do dia se passou mais rápido do que todos poderiam imaginar e logo todos já estavam liberados. Kurt foi para seu apartamento, assim como Blaine. Os dois se combinaram de encontrarem-se dentro de uma hora, então o moreno tinha tempo de se arrumar perfeitamente para o jantar que teria com seus pais. Os avisou que levaria um amigo e os pais disseram que não tinha problema algum.
O problema mesmo seria se eles soubessem que Kurt não é apenas um amigo. Quer dizer, em definição livre, essa é a única denominação dos dois, mas Blaine via Kurt como algo muito mais grandioso do que como um simples amigo.
Blaine pegou o carro após vestir-se socialmente e completamente de preto e arrumar seus cabelos e se dirigiu para o prédio de Kurt, onde o aguardou por quase vinte minutos. Quando o castanho entrou no carro, qualquer palavra sumiu dos lábios de Blaine.
Kurt vestia uma calça vermelha extremamente colada e uma camisa branca, com uma gravata borboleta também vermelha em seu pescoço.
— Você está lindo. – Blaine o elogiou, o fazendo corar.
— Você também. Como sempre. – Tais palavras aqueceram o coração do moreno, o fazendo também corar. – Me perdoa pelo atraso, eu não sabia o que vestir.
— Eles já sabem que você vai comigo e mesmo sem eu mencionar eles disseram que é legal conhecer alguém do meu trabalho. – Blaine disse, revirando os olhos em seguida.
— Por que nunca contou a eles? – Kurt perguntou depois de um certo tempo enquanto observava de canto o moreno a dirigir.
— Expulsaram meu irmão de casa porque ele engravidou uma menina e disseram que pior que isso só se ele fosse gay. Tive medo de me rejeitarem, então nunca contei nada. Talvez eles saibam e prefiram fingir que não... Sei lá... Minha relação com eles sempre foi muito confusa. Nunca sei quando estão sendo irônicos ou quando realmente querem dizer algo. – Blaine falou observando o caminho, porém logo encarando Kurt ao parar no semáforo.
— Entendi. – Kurt sorriu largamente para o moreno, que logo voltou a dirigir.
— Olha, essa música combina com nós. – Blaine disse repentinamente, aumentando o volume do carro e começando a cantar por cima da canção original.
Let's set each other's lonely nights (Vamos acabar com as noites solitárias um do outro)
Be each other's paradise (Ser o paraíso um do outro)
Need a picture for my frame (Eu preciso de uma foto para colocar na minha moldura)
Someone to share my ring (Alguém com quem dividir minha aliança)
Tell me what you wanna drink (Diga-me o que você quer beber)
I tell you what I got in mind (Eu te digo o que estou pensando)
Oh, I don't know your name (Oh, não sei o seu nome)
But I feel like that's gonna change (Mas sinto que isso vai mudar)
Blaine cantava com animação e Kurt apenas ria da cena, olhando sem parar para o moreno. Um sentimento agora aquecia o peito do castanho e ele não entendia se não sabia o significado de seus atuais sentimentos ou se simplesmente não queria entender. Era muito confuso para ele.
Blaine por outro lado tinha certeza do que sentia. Estava completamente apaixonado sem saber nem por onde começar a falar para Kurt o que realmente sentia.
You ain't gotta be my lover for you to call me baby (Você não precisa ser minha amada para você me chamar de amor)
Never been around no press, ain't that serious (Eu nunca estive em algum lugar sem a imprensa, isso não é sério?)
Blaine não sabia nem se deveria mesmo falar sobre os seus sentimentos. Talvez essa fosse uma promessa destinada a ser quebrada por ele. Talvez ele devesse permanecer em silêncio e guardar seus pensamentos para si.
Mas será que ele deveria mesmo fazer aquilo? Será que o silêncio era a sua melhor opção? Parte de seu consciente duvidava que fosse certo omitir seus sentimentos, porém outra parte – talvez a mais sábia – o mandava permanecer sem nada falar.
Can we, we keep, keep each other company? (Nós, nós podemos fazer, fazer companhia um pro outro?)
Maybe we, can be, be each other's company (Talvez podíamos, podíamos ser, ser a companhia um do outro)
Oh, company (Oh, companhia)
Blaine permanecia cantando animado, ainda que seus sentimentos agora o estivessem tirando dos eixos. Tudo que ele mais queria era chamar Kurt de seu. Mas será que Kurt também iria querer isso? Na cabeça de Blaine essa opção era pouco provável e isso novamente o deixava em um péssimo dilema.
Falar ou não falar? Só de pensar sobre o assunto ele já sentia que iria enlouquecer com tais sentimentos. Era por isso que ele chegava a conclusão de que amar era sofrer.
It ain't about the complications (Não é sobre as complicações)
I'm all about the elevation (Só quero saber de nos elevarmos)
We can keep it goin' up (Podemos continuar subindo)
Oh, don't miss out on us (Oh, não nos perca)
Just wanna have a conversation (Só quero ter uma conversa)
Forget about the obligations (Esquecer das obrigações)
Maybe we can stay in touch (Talvez possamos manter contato)
Oh, that ain't doin' too much (Oh, isso não vai funcionar muito)
Espera... Amar? Blaine gostava tanto assim de Kurt? Não... Claro que não. Amar é um sentimento muito forte para alguém que sequer queria se apaixonar.
É óbvio que nós não podemos escolher se iremos ou não nos apaixonar. E, diga-se de passagem, seria bem melhor se pudéssemos. Pelo menos Blaine pensa assim, pensa que seria melhor se não tivesse se apaixonado por Kurt.
You ain't gotta be my lover for me to call you baby (Você não precisa ser minha amada para eu te chamar de amor)
Never been around no press, ain't that serious no (Eu nunca estive em algum lugar sem a imprensa, isso não é sério?)
Kurt continuava a observar Blaine com um sorriso estampado em seu rosto. Ele queria fingir que não se entendia, mas a resposta para ele estava bem óbvia. De que adiantaria enganar a si mesmo?
Não faria sentido se enganar. Mas e faria sentido chegar no moreno e lhe falar o que estava sentindo? Talvez não fosse a melhor das ideias, talvez fosse melhor checar se tinha possibilidades de uma reciprocidade.
Can we, we keep, keep each other company? (Nós, nós podemos fazer, fazer companhia um pro outro?)
Maybe we, can be, be each other's company (Talvez podíamos, podíamos ser, ser a companhia um do outro)
Oh, company (Oh, companhia)
A música terminou e Kurt aplaudiu Blaine, que fez uma reverência estranha em forma de brincadeira, levando ambos a rir.
O restante do caminho permaneceu em um completo silêncio que os incomodava um pouco. Mesmo incomodados, nenhum dos dois conseguiu quebrar o gelo. Não tiveram coragem e nem entenderam o motivo disso.
Uma meia hora mais tarde eles finalmente estavam estacionando em frente à casa dos pais de Blaine. O moreno só tinha os visitado naquela casa umas cinco vezes, pois ela era recente. Ele e Kurt saíram do veículo e andaram até a porta, batendo na mesma em seguida e logo sendo recebidos pelos pais do moreno.
Blaine apresentou Kurt para Pam e Henry Anderson e vice-versa. Logo os quatro já estavam arrumados para o jantar, conversando tranquilamente sobre tudo que os viesse em mente. Quando todos já tinham jantado, comido sobremesa e conversado, se arrumaram para dormir, já que estava muito tarde e os pais de Blaine não permitiram que ele e Kurt fossem embora naquela hora.
Blaine iria dormir no sofá e Kurt em um colchão no chão. É óbvio que o moreno disse a Kurt que o sofá era mais confortável, mas o castanho teimoso disse que não via problema algum em ficar no chão naquela noite, mesmo estando frio.
No meio da noite, porém, alguém começou a cutucar diversas vezes Blaine, o tirando de seu sono em um susto.
— Você me assustou, K. – Blaine disse enquanto coçava os olhos. – Aconteceu alguma coisa?
— Estou morrendo de frio. – A voz do castanho era um pouco manhosa.
— Deita aqui comigo. – Sugeriu o moreno.
Blaine levantou suas cobertas para o castanho deitar-se com ele, logo cobrindo os dois novamente. Kurt dormiu em questão de poucos minutos, abraçado em Blaine e com a cabeça no peito do mesmo.
Os dois dormiram tranquilamente, sentindo o melhor perfume do mundo que era um o do outro.
[...]
— Bom dia, K. – Blaine disse com um pequeno sorriso para o castanho.
— Bom dia, Blaine. – O castanho se espreguiçou e novamente se aconchegou nos braços do Anderson. A casa estava um silêncio só, então não virão problema algum em permanecerem deitados.
Blaine passou a acariciar a cabeça de Kurt, logo o vendo encará-lo com um pequeno sorriso. Os dois trocaram alguns beijos e mais sorrisos.
— Que merda é essa? – Henry e Pam chegaram juntos na sala, encarando os meninos se beijando.
— Eu posso explicar... – Começou Blaine, já pensando que esse seria o melhor momento para contar a verdade.
— Eu posso muito bem perceber o que está acontecendo sem nenhuma explicação sua. Fora daqui. Os dois. – Henry disse rígido enquanto os meninos levantavam-se.
— Eu sou seu filho. Eu tenho quase trinta anos e você está me expulsando da sua casa? Isso é ridículo. – Blaine argumentou, vendo seu pai rir fraco.
— Fora. Agora.
Kurt tentou defender o moreno e Blaine também tentou falar algo, mas acabou que ambos foram embora daquela casa com a promessa de que nunca voltariam. No carro Blaine estava nervoso como nunca. Kurt até perguntou se isso era culpa dele e o moreno prontamente negou.
Eles foram diretamente para a casa de Blaine e continuaram conversando sobre o ocorrido. Blaine estava chorando de raiva, não pensou que as coisas fossem ficar tão fora de controle quanto estavam.
— Você podia ter mantido a ideia de que éramos apenas amigos. – Sugeriu Kurt, vendo o moreno negar com a cabeça.
— Estávamos nos beijando, Kurt. E nós não somos apenas amigos. – O moreno disse sem nem pensar. Já estava tudo perdido mesmo.
— O que você quer dizer com isso?
— E-eu... Não quis dizer nada. – Atrapalhou-se o moreno.
— Blaine, você por um acaso está apaixonado por mim?
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