Maya e os Mistérios de Castelobruxo

14 Capítulo 14 - Rebecca Garcia


Assim que chegaram a Castelobruxo, os enigmáticos se reencontraram e conversaram sobre as aventuras que tiveram nas férias. Maya e Hugo contaram sobre a festa junina e os passeios que fizeram pela Bahia, Juan e Joana contaram sobre as viagens e aventuras que tiveram com sua família na Argentina. Após colocarem as novidades em dia, Maya finalmente revelou sobre o Alberto e sua conversa no porto.

— Rebecca Garcia? — perguntou Juan confuso — Creio que nunca ouvi falar dessa bruxa.

— Vamos colocar lo nombre dela na folha e descobrir quem é — disse Joana empolgada.

Os outros concordaram e os quatro correram para a oca onde fica o dormitório de Maya. A garota destrancou o baú utilizando a varinha e retirou a folha guia de dentro dele. Pegou uma pena e tinteiro e escreveu:

Rebecca Garcia

A folha se dobrou várias vezes até assumir a forma de um pássaro de papel e voou. O grupo o seguiu, porém ao sair da oca o pássaro ficou voando em círculos no céu.

— O que estás faziendo? — perguntou Juan.

— Eu não sei — respondeu Maya — parece que está confuso.

— Você escreveu o nome corretamente? — perguntou Hugo.

— Eu não sei dizer. Ele apenas me disse Rebecca Garcia. Não sei se escrevi certo.

— É muita coincidência que aja duas Rebecca Garcia na escola, independente da forma como se escreve. — comentou Hugo.

— Mas usted no estais viendo? — perguntou Juan com o sotaque gritando em voz alta — la folha estás loca. Ou será que la moça és falecida?

Accio! — disse Hugo apontando a varinha para o pássaro de papel que foi puxado até sua mão — precisamos fazer um teste. Desfeito! — ordenou para o pássaro, que se desdobrou voltando a ser uma simples folha de papel.

Hugo pegou a pena e o tinteiro e começou a escrever na folha. O nome de Rebecca havia sumido com o desfeito. Os outros ficaram olhando curiosos. Hugo havia escrito o nome do amigo falecido, João Boto, mas não deixou que Maya visse.

— Era o que eu imaginava — comentou Hugo pensativo.

— O que? — perguntou os outros três quase que instantaneamente.

— A folha não se transformou. O nome que escrevi desapareceu.

— Qual nome escreveu? — perguntou Maya curiosa.

— O nome de meu avô — mentiu Hugo. Pois achou que colocando o nome de uma pessoa mais próxima da escola seria mais prático — ele já faleceu. A folha simplesmente apagou o nome dele. O que podemos concluir que ela não assume a forma de um pássaro quando a pessoa não está viva.

— Mas isto só prova que la Rebecca Garcia estas viva, si? — perguntou Joana.

— Sim. E está aqui próxima. — respondeu Hugo — A folha reconhece a presença dela. Mas por alguma razão não consegue encontra-la.

— O que faremos agora? — perguntou Maya.

— Você fará! — disse Hugo apontando para a amiga — a pessoa mais velha conhecida nessa escola é sua avó, além de também ser a diretora. Se Rebecca Garcia está aqui, ela com certeza sabe quem é.

Todos olharam para Maya em concordância com a teoria de Hugo, e Maya também concluiu que a ideia fazia todo o sentido.

— Pois bem — disse a garota de cabeça erguida — irei falar com ela.

Maya temia que tocar no nome de Rebecca com a avó, pudesse desencadear o interesse da diretora em saber sobre a folha guia e no caminho até a diretoria, foi pensando em algumas desculpas para inventar, embora não fosse seu forte. Ao passar pela estátua de jaguar e atravessar a porta de ouro, Maya avistou sua avó, sentada na grande cadeira atrás da mesa, como de costume.

— Olá minha querida — cumprimentou a diretora — As caiporas me avisaram quando você estava na travessia do rio a caminho da escola. Conte-me sobre a viagem. Como foi visitar outro estado pela primeira vez? E você se sentiu bem em conviver entre os trouxas nas últimas semanas?

— Sim. Foi tudo ótimo — disse Maya um pouco ansiosa — Os trouxas fazem festas divertidas nessa época do ano. Tem muita comida gostosa, música e dança.

— Que maravilha! — disse a diretora contente — São as famosas festas juninas não é mesmo? E a família de seu amigo, Hugo Santos, como eles são?

— São ótimas pessoas. Na verdade, a senhora deve conhecer a mãe dele. Ela disse que estudou aqui.

— Qual o nome dela?

— Célia Santos.

— Não me recordo desse nome — disse a diretora pensativa — me lembro de uma aluna chamada Célia, que me dava muita dor de cabeça. Ela costumava subir uma trilha atrás das cataratas para roubar ovos dos pássaros multicores, juntamente com outros colegas. Mas seu sobrenome não era Santos.

— Sim era ela — disse Maya lembrando da história da mãe de Hugo — Santos é o nome de casada, o sobrenome dela na época com certeza era outro.

— Ah sim, sim. Lembro-me dessa jovem. E quais outras novidades você tem pra me contar?

— bom — Maya corou — Ah. Ela me falou sobre uma amiga que ainda está aqui. E queria que eu a encontrasse para lhe dá um recado.

— Uma amiga? — A diretora ficou pensativa — Mas essa mulher se formou faz uns vinte anos. Que amiga ela teria que ainda estuda aqui?

— Na verdade não é bem uma estudante — disse Maya mais corada — eu não sei bem como ela é, por isso queria saber se a senhora conhece. Se me lembro bem a pessoa se chama Rebecca Garcia.

— Ela era amiga de Rebecca Garcia? — perguntou a diretora agora olhando fixamente nos olhos da neta — Que tipo de bruxa a mãe desse menino é?

— Ela trabalha no ministério pelo que soube — respondeu Maya apreensiva — Mas o que houve? A senhora sabe quem é Rebecca?

— Sim — disse a diretora séria — na verdade eu não sabia. Quando descobri, já era tarde.

— Do que a senhora está falando? — perguntou Maya aflita.

— O que vou te contar agora é altamente sigiloso. Você nunca deve contar isso a ninguém — disse a diretora — Rebecca Garcia foi professora dessa escola. Ensinava defesa contra as artes das trevas, antes do professor Tiago assumir o cargo. Ela cometeu um crime terrível. Exerceu uma prática de magia das trevas altamente proibida e perigosa por todos os ministérios da magia do mundo. Mas não conseguiu controlar o poder que tava conjurando e acabou se matando. Seu corpo foi destruído.

— Então. Rebecca está morta?

— Obviamente. Quem poderia viver sem um corpo?

— Que tipo de magia ela estava tentando conjurar? — perguntou Maya.

— Isso não importa. Basta que você saiba que era uma magia das trevas. Agora vá. Você terá aula de herbologia daqui a pouco e sabe que o professor Robert ainda não perdoou por você ter destruído a estufa no começo do ano.

Maya saiu da diretoria totalmente apreensiva e correu para contar aos amigos o que havia descoberto. Marcaram de se encontrar no pátio após as aulas, mas os avisou que Rebecca estava morta, o que fez com que Hugo passasse a aula inteira pensativo sobre o assunto.

No final do dia, os enigmáticos se encontraram no pátio, próximo a tribo de Maya e sentaram próximos da fogueira. Hugo havia levado alguns livros para pesquisa.

— Alguns desses livros mencionam sobre magia das trevas altamente proibida. A maioria fala sobre cruciatus e a maldição da morte, mas existem menções a magias que não citam. — comentou Hugo folheando um grosso e velho livro.

— O que la diretora disse mesmo? — perguntou Juan — Que la Rebecca faleceu após usar la magia das trevas?

— Disse que não conseguiu controlar e seu corpo foi destruído — disse Maya.

— Talvez ela seja um fantasma — disse Hugo — pense bem. O corpo dela foi destruído, mas a folha guia se move em círculos como se sentisse a presença da Rebecca. Talvez sinta sua alma.

— Ótima ideia Hugo — disse Maya pegando a folha guia e a pena com tinteiro — Vamos escrever o nome de um fantasma da escola e ver o que acontece.

Todos ficaram empolgados com a ideia e ansiosos pelo resultado. Maya escreveu o nome do velho Candiru, um fantasma indígena que vaga pela escola, mas seu nome foi apagado da folha logo após ser escrito.

— Enton... Non é uno fantasma. — disse Joana.

O resultado trouxe mais confusão do que soluções para o grupo. Se Rebecca está morta porque o origami é formado quando seu nome é escrito? E porque não voa para direção alguma?