Maya e os Mistérios de Castelobruxo
15 Capítulo 15 - A passagem secreta
Vários dias se passaram, os enigmáticos mantiveram sua rotina normal de participar das aulas de feitiços e depois se reuniam na biblioteca ou na aldeia, envolta da fogueira. Leram e pesquisaram em vários livros, porém nenhum deles descobriu alguma pista a respeito do que aconteceu com Rebecca Garcia.
— Soube que era uma excelente professora de defesa contra as artes das trevas — comentou Maya — e tinha uma personalidade calma e muito gentil. É difícil acreditar que uma pessoa assim praticasse artes das trevas.
— As vezes as pessoas que aparentam serem gentis e amáveis são as que escondem sua verdadeira personalidade, muitas vezes sombria. — disse Hugo.
Maya achou as falas do amigo profundas e ao mesmo tempo assustadoras. Tentou imaginar a professora Rebecca como uma pessoa que usasse uma máscara e escondesse sua verdadeira natureza.
— Onde está Joana? — perguntou ao perceber que a colega não estava presente fazia alguns minutos.
— Deve ter ido la sala de porçons. Ultimamente ela tem estado demasiadamente obcecada em criar una porçon que la ajude a se tornar una animago. Por sua causa! — disse Juan apontando para Maya.
— De mim? — perguntou espantada.
— Ya! Ela ficou admirada como usted se transforma em una onça e acredita que se virar una animago vai poder se tornar una gatinha.
Maya e Hugo riram da ingenuidade da menina e voltaram as debater a respeito de Rebecca Garcia. Enquanto folheava um grande livro sobre lendas e segredos de castelobruxo, Maya foi surpreendida pela aparição de Joana.
— Amigos. Creio ter encontrado algo fascinante. — disse a garota empolgada.
— O que descobriu? — perguntou Hugo com estranheza, acreditando se tratar de algo bobo.
— Estive conversando com uno novo amiguinho, seu nombre é Pulex.
— Pulex? O elfo doméstico? — Perguntou Hugo revirando os olhos.
— Não existem elfos domésticos — disse Maya — desde que a Ministra Hermione do ministério Inglês assinou o decreto abolindo a escravidão dos elfos.
— Verdade! — disse Hugo envergonhado — Quis dizer, o elfo empregado de castelobruxo?
— Non precisa chamar assim — contradisse Joana — La escravidon de los elfos foi abolida mas ainda son chamados de domésticos.
— Alguns consideram chamar os elfos de domésticos uma referência a escravidão. Por isso melhor chama-los apenas de elfos ou empregados.
— TUDO BEM! NAO IMPORTA SE SAO DOMESTICOS, EMPREGADOS, LIVRES OU SECRETARIOS. EU QUERO SABER O QUE JOANA DESCOBRIU. — berrou Hugo esquecendo completamente que estava na biblioteca.
Um feitiço o atingiu forçando-o a ficar calado e incapaz de abrir a boca.
— Hugo Santos — disse a bibliotecária enfurecida — Você passou dos limites. Ficará com a língua travada até o momento que deixar esta biblioteca. Se voltar a gritar desse jeito aqui dentro irei manda-lo para a detenção.
O pobre garoto não teve nem a chance de se desculpar pela reação impulsiva. O grupo riu baixinho e voltaram a atenção para Joana que tornou a contar a história.
— Enton, estava conversando com Pulex que como devem saber, habita Las dependências deste templo há muitos anos. Ele me contou que existem muitas passagens secretas e me deu una pista sobre onde estaria una delas.
— E qual foi a pista? — perguntou Maya agora se inclinando para mais perto da garota.
— Ele me disse que lo grande felino vigia lo ouro e la prata.
— O grande felino? Que grande felino?
— Non sei. Ele disse que non podia falar mais.
Todos do grupo começaram a pensar a respeito e folhearam alguns livros em busca de algo que fizesse sentido. Hugo foi o primeiro a encontrar a resposta, mas como não podia falar, passou o livro para Maya e lhe apontou o local exato da informação.
Lendas contam que a estátua do jaguar foi erguida para guardar duas passagens. Uma foi fechada com ouro para guardar a sala do rei e outra foi fechada com prata para guardar os antigos calabouços.
— O jaguar da sala do diretor — disse Maya surpresa — então a passagem é através dele. A porta da sala de minha avó é feita de ouro, então além dela existe também uma porta de prata.
— Usted ja a viu alguna vez? — perguntou Juan.
— Eu nunca ouvi falar disso. Não fazia ideia de que existe uma porta de prata e nem como acessar. A porta de ouro é revelada através de uma frase secreta. Será que existe uma frase para revelar a porta de prata?
— Talvez — disse Joana — o que mais diz neste livro.
— Nada! — respondeu Maya desapontada — Não há informação alguma sobre como revelar a porta de prata. Precisamos descobrir. Talvez as respostas para o que aconteceu com Rebecca esteja lá.
- Vamos na estátua enton? — perguntou Juan ansioso.
- Não. Ainda está claro e muitos alunos, professores e fantasmas estão circulando pelo templo. Principalmente próximo a sala de minha vó. Devemos esperar até anoitecer.
- Mas lo acesso ao templo fica fechado en la noche. E também fica sob virgília.
- Não se preocupe Hugo. Já entrei nesse templo a noite inúmeras vezes, conheço um jeito de entrar sem sermos vistos. Estejam prontos ao anoitecer.
Ao anoitecer, os enigmáticos se encontraram em frente a aldeia do terceiro ano. Todos com capas e de pose de suas varinhas. Se afastaram discretamente da grande fogueira onde outros alunos estavam reunidos.
Maya os guiou por entre os arbustos até as proximidades da grande escadaria principal.
-Quietos! — sussurrou Maya alertando sobre um fantasma vagando próximo a escadaria — Existe uma passagem secreta abaixo da escada. Precisamos nos aproximar com cautela.
O grupo obedeceu as ordens da amiga e a seguiram até o local onde Maya havia dito. Maya tocou com a varinha em três tijolos que se afastaram e revelaram uma passagem. O grupo entrou rapidamente no local e a porta se fechou.
-lummus!
Maya e hugo acenderam a ponta de suas varinhas e seguiram pelo caminho estreito e escuro, Juan e Joana os seguiram.
Após chegar a uma longa e estreita escada, o grupo subiu e atravessaram uma parede como se a mesma não existisse.
-Como ninguém nunca descobriu essa parede antes? — perguntou Hugo perplexo ao notar que a passagem os deixou no corredor principal do templo.
-não pode ser acessada pelo corredor. A passagem foi enfeitiçada para saída apenas. Foi feita para entradas de emergência, a saída obrigatoriamente é a porta principal. — explicou Maya — Agora sigam-me em silêncio. Ainda existem fantasmas e vigias por aqui. Precisamos ter cuidado até chegarmos ao Jaguar.
O grupo obedeceu e após despistar alguns vigias finalmente alcançaram a estátua do jaguar.
-Enton Maya. Sabes como passar? — perguntou Juan.
-Pensei em algumas palavras. Vamos testar e ver se funciona. — disse corada.
-Non descobriu como passar pelo Jaguar? — perguntou Joana perplexa.
-Eu tenho algumas ideias okay? Podem parar de pressionar?
Quando todos ficaram em silêncio Maya tentou sua primeira ideia para tentar abrir a passagem da estátua.
-Edrev Agnam!
Todos ficaram ansiosos com as palavras mágicas, porém nada aconteceu. Maya ficou mais corada do que já estava.
-Nunca ouvi essa palavra mágica. De onde a tirou? — perguntou Hugo surpreso.
-Eu usei a senha para liberar a passagem da sala de minha vó. Só que ao contrário.
-Manga Verde? — perguntou Hugo chocado após pensar por alguns segundos — Você achou que a senha era manga verde ao contrário?
-Eu pensei que já que a senha abria a porta de ouro, ao contrário talvez abrisse a porta de prata. Ora bolas!
Juan riu, porém sua irmã analisou a estátua mais de perto como se procurasse alguma pista.
-Vejam! — apontou Joana para a pata da estátua — La ponta desta unha és vermelha.
Todos olharam e analisaram mais de perto.
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