Notas iniciais
O mundo está completamente diferente, completamente destruído e no caos. Porém, ele está mais perigoso para os mutantes, principalmente para os rebeldes, como May.

Humanos. Como podem ser tão patéticos ao ponto de destruir a própria terra em que habitam? Humanos são egoístas e covardes e eles me dão nojo a cada dia que passa.

Estou na janela de um apartamento velho e mal pintado. A cidade toda parece velha e mal pintada. A Estátua da Liberdade está meio derretida e chega a estar vermelha de tanta poluição que há no ar. Quando lembro de minha primeira missão lá, penso que foi há muito tempo, num tempo onde tudo era tranquilo e eu achava que estava terrível.

Também estou diferente, não sou como aquela May de antes, não posso mais ser a May que um dia fui com John. Agora minhas roupas se baseiam em uma calça jeans escura, uma camiseta branca colada, luvas nas mãos que já estão muito gastas e uma jaqueta preta e um tênis, nesses tempos não era possível ter sapatos com salto, eles me atrapalhavam a fugir dos Sentinelas. Meu cabelo também está curto, está batendo nos ombros, assim reduz a chance de algum deles me pegar pelo cabelo.

Sentinelas são aqueles robôs gigantes que apareceram no casamento do meu Max, eles são programados para destruir os mutantes, todos eles. Muitos já foram mortos, porém, alguns covardes se entregaram e agora possuem um tipo de coleira que os impede de usar os poderes. Eu sou classificada como rebelde, jamais me entregaria, com meu poder da imortalidade, eles com certeza me usariam para conseguir a imortalidade, afinal, é o que o ser humano procura há anos.

Pietro e eu andamos juntos por aí, já fomos em algumas cidades, outros países, mas não foi muito bom, preferimos ficar onde conhecemos as ruas e esconderijos, pois o mundo todo está nessa onda contra mutantes. Vocês devem estar se perguntando por Max, ele foi morto há dois ou três anos atrás por esses robôs estúpidos, algo que me deixou completamente arrasada e me fez perder ainda mais o meu lado calma, o meu lado mais humano. Não sei o que dizer das outras pessoas, nunca mais as vi. Nunca mais vi John, Nick, Page, Melissa, Clarisse, Logan, Orono, Magneto, Pyro. Não sei se morreram ou não e estou ocupada demais com minha sobrevivência para ficar pensando neles.

Pietro chegou por trás de mim e me abraçou suavemente. Eu gosto quando ele faz isso.

– No que está pensando? — ele perguntou.

– Nada demais. Conseguiu contactar alguém?

– Consegui saber, através de uma pessoa, onde meu pai está.

– Seu pai? Ele está vivo?

– Por incrível que pareça sim. Ele foi capturado.

– Seu pai se rendeu? — dei uma risada. — Isso não é típico de Eric.

– Com certeza ele tem planos em mente.

– Espero que sim.

Me virei de frente para ele e sorri. Pietro sorriu de volta, eu o amava como sempre amei e agora poderia amá-lo sem culpa nenhuma. Por mais que ele me lembrasse Max, eu sabia que ele não era Max, era impossível pra mim confundi-los, meu corpo reagia de maneira diferente. Seus deliciosos lábios tocaram os meus e nos entregamos. Nosso relacionamento era intenso e tinha amor nele, ele era como uma mistura de Logan e John, ele era mesmo o meu par perfeito. Pietro era sedutor, selvagem na cama e romântico com gestos e palavras, além do carinho e da atenção enorme que me dava. Não pensem que eu era fria com ele, nós nos divertíamos a nossa maneira quando podíamos. Sempre que conseguíamos fingir que não haviam Sentinelas, nós fazíamos, como agora. Estávamos tomando banho juntos, mais um daqueles banhos deliciosos que fazem meu corpo arrepiar só de lembrar. O cabelo dele molhado era a coisa mais gostosa do mundo, além de sentir aquele corpo definido.

De repente escuto um barulho que não me é estranho. Pietro continua a me encher de beijos.

– Espere um minuto — eu disse.

– O que foi? — ele perguntou.

Fiquei atenta, fechei os olhos e me concentrei no barulho.

– Temos que ir.

– O quê? Mas, agora?

– Agora Pietro.

O som estava se aproximando, eram aqueles passos pesados de metal dos Sentinelas. Saí do banho correndo e Pietro logo atrás de mim, coloquei minha calça sem me enxugar, coloquei a camiseta que ficou meio transparente e baguncei meu cabelo. Coloquei minhas luvas gastas e quando fui pegar o meu casaco, uma grande explosão aconteceu, destruindo a parede do nosso apartamento. Pulei atrás da cama enquanto sentia aquele vento forte da explosão cheio de concreto.

– Mutantes detectados. Entreguem-se ou morram — dizia o Sentinela.

Me levantei de trás da cama meio impaciente, me limpei da poeira da explosão e comecei a caminhar para o meio do quarto, olhando para o robô de maneira sedutora e selvagem, a cara que eu sempre fazia numa luta de bar.

– Mutante detectada. Classificada como rebelde.

– Exatamente — disse sorrindo e deixando meus instintos felinos fluírem.

Eu adorava esse momento onde meu corpo todo estava vibrando numa adrenalina incontável, era muito reconfortante. O Sentinela apontou a mão para mim. Sua arma de destruição que era como um raio, que lembrava até um pouco a armadura do Homem de Ferro, estava pronta para me destruir. Eu sorria ainda mais e quando ele atirou, Pietro me pegou antes que pudesse me atingir e me lançou em direção ao braço do Sentinela. Não poderei dizer o que aconteceu com Pietro nesse momento porque não posso vê-lo, mas direi o que eu fiz. Escalei o braço do Sentinela e ele repetia sem parar "Mutante rebelde. Destruir". Ele balançava o braço para que eu pudesse cair, mas eu fincava as minhas unhas e era impossível me deter. Cheguei no ombro e ele tentou me tirar com a mão, quando percebi a mão se aproximando, eu pulei para perto da cabeça, um salto que quase foi um erro. Me agarrei em seu capacete até chegar em seus olhos, chegando em um deles, enfiei minhas unhas saindo muitas faíscas, comecei a destruir cada vez mais rápido e quando vi fios comecei a puxá-los e arrancá-los, até que o robô começou a dar uns baques estranhos e caiu. Me agarrei em seu capacete durante a queda e quando bateu no chão eu estava de pé, olhando- com insignificância.

Eu estava ofegante e Pietro apareceu perto de mim. Olhei para o prédio destruído e vi algumas pessoas na janela fazendo comentários assustados.

– Vão demorar a encontrar um que consiga me pegar seus desgraçados! — gritei para eles.

Pietro deu um sorriso e mostrou-lhes o dedo do meio. Dei um soco muito forte na cabeça do robô fazendo com que ficasse bem amassado e então começamos a caminhar lado a lado para outro lugar enquanto apareciam mais dois Sentinelas ao norte. Estavam vindo para ajudar o outro derrotado. Me agarrei no pescoço de Pietro e ele me pegou pela cintura e ele começou a correr muito rápido.

Corríamos até que fomos parados por algo que bateu em nossas cabeças, fazendo com que escorregássemos no chão. Eu rolei bruscamente pelo chão cheio de restos de prédios e caí de bruços. Tossi um pouco e me levantei rapidamente, mesmo com a cabeça doendo, eu sei que a dor logo passaria. Fiquei preparada para lutar.

– Fera? — vi um homem grande e azul.

– Sim May, sou eu — me preparei para lutar. — Calma, eu só quero conversar e precisa ser rápido, antes que um Sentinela apareça.

Pietro então lhe deu um soco na cara.

– Pietro, não! Ele quer conversar — eu disse.

Pietro não relaxou muito, mas veio ficar ao meu lado. Confesso que também não guardei meu lado felino.

– Belo soco garoto, sorte sua que não posso revidar — disse Fera mostrando o colar inibidor.

– Então, o que você quer? — perguntei.

– Quero lhe fazer uma proposta.