Notas iniciais
Fera apareceu com um bom plano afinal, mas para que ele fosse revelado por completo, May precisava se entregar, ela suspeita das intenções de Fera até saber que Eric é a mente por trás de todo o plano. Ela só espera não entrar em uma emboscada.

– Que proposta? — perguntei o encarando.

– Não posso dizer tudo aqui porque poderemos estar sendo vigiados. Mas tudo se baseia em acabar com essa destruição. Acabar com os Sentinelas.

Me interessei pelo assunto.

– Como?

– Não posso dizer aqui, você terá que vir comigo como prisioneira.

– O quê? — dei uma risadinha. — Acha que poderá me entregar fácil assim? Com uma conversa estúpida dessas? — comecei a ficar nervosa e meus instintos felinos voltaram a fluir intensamente.

– Não May, acalme-se. Não vou te entregar a ninguém, mas precisamos de você para o plano dar certo e tudo já está sendo feito lá. Por favor May, acredite em mim. Por que eu te entregaria?

– Não sei. Ninguém do Instituto gostou de mim ou era de confiança, porque eu deveria acreditar em você? Ainda mais agora...

– Porque Eric está no comando desse plano.

Parei para pensar. Eric odiava humanos assim como eu, ele presava pela existência dos mutantes, claro que presávamos de maneiras diferentes já que ele presava como uma raça superior e eu queria viver igualmente. Mas se ele estava no comado, ele não ia querer me ver nas mãos dos humanos e isso fez com que eu colocasse créditos de confiança nas palavras de Fera.

– Se você estiver mentindo Fera, se você me colocar em alguma emboscada, sua cabeça será a primeira a rolar.

– Combinado — ele respondeu.

Pietro e eu o seguimos até uma moto que era quase do tamanho de um carro. Ele pediu para que deitássemos dentro de coisas que pareciam caixões frios de metal. Assim que me deitei, Pietro se deitou ao meu lado.

– Permaneçam abaixados.

Assim que ele terminou de dizer, uma grade elétrica nos prendeu. Confesso que estava um pouco com medo, eu não queria ser um animal de laboratório para que eles possam me furar e me cutucar até descobrir como tirar meu fator de cura e vendê-la. Afinal o ser humano gosta é disso, não é? Descobrir e vender.

Andamos por um longo tempo e então paramos, vi a cabeça enorme de um Sentinela nos observando dentro do caixão de grades elétricas.

– Trago prisioneiros. Mutantes rebeldes que pretendem se entregar.

Um tempo depois voltamos a andar, percebi que passamos pelos portões e então a moto parou de novo e a grade eletrônica sumiu.

– Podem sair, mas finjam que estão algemados, por favor — disse Fera.

Pietro saiu primeiro e depois me ajudou a descer, mesmo que eu não precisasse de ajuda. Saímos e juntamos as mãos fingindo estar algemados. Fera pediu para seguirmos ele e foi o que fizemos. Passamos por um longo corredor e dos lados, num campo muito aberto e verde, haviam túmulos, muitos túmulos de pessoas que infelizmente eu conhecia. Dentre eles, o que mais me machucou ler foi Gambit e Vampira. Meu irmão havia morrido e eu não sabia disso, só agora soube e aquilo me atingiu de certa forma que fez meu coração doer e tudo o que eu queria era deitar no chão e chorar. Como o teriam matado? Foram agressivos ou foi uma morte rápida? E meu sobrinho? Cada pensamento que invadiu minha mente doeu como uma facada, pareciam pedaços tirados de mim. Respirei fundo e tentei não demonstrar essa dor até que vi um túmulo que me deixou completamente destruída, Lá estava o nome, com as três letrinhas: MAX. Aquilo foi o máximo pra mim, o meu limite. Dessa vez não consegui dar nenhum passo e as lembranças de sua morte vieram à minha cabeça, eu tentava afastá-las mas elas me atacavam. Dessa vez me ajoelhei no chão e fiquei olhando para minhas mãos falsamente algemadas. Eu queria chorar, eu queria gritar, queria destruir todos os Sentinelas e todos os humanos responsáveis por isso, mas eu não podia, não podia fazer nada sem que fosse pega naquele lugar.

– May? — Pietro se ajoelhou ao meu lado.

Olhei para ele e nenhuma lágrima aparecia em meu rosto. Eu aprendi a guardar a minha dor só pra mim durante todos esses anos de destruição, afinal, a dor não me ajudava em nada, ela só atrapalhava minha concentração.

– Eles fizeram um túmulo pra ele — eu disse olhando para os olhos de Pietro.

Pietro olhou para a direção do túmulo e pude sentir que ele também não gostou de ter visto o nome de Max ali. Pietro se apegou mais a Max depois que fugimos no casamento. Eles treinavam juntos e até mesmo planejavam muitas formas de ataque em combo. Eles contavam casos de mulheres, sobre conquista e tudo o mais, eram momentos divertidos onde eu gostava de observar pai e filho se dando bem, mesmo que Max estivesse parecendo mais velho que Pietro eu não conseguia ver ao contrário. Nós dois sentimos o pesar daquele túmulo, a tamanha tristeza que ele representava pra nós. Ele então parou de olhar, abaixou o rosto e respirou fundo. Ele também aprendera a segurar as lágrimas.

– Temos que ir May, se há uma chance de consertar isso, devemos pegá-la.

Concordei com a cabeça e me coloquei de pé ainda com dificuldade. Fechei os olhos, me concentrei por alguns minutos, respirei fundo, abri os olhos e continuei o caminho, seguindo Fera.

Chegamos até um local que parecia uma sala secreta e lá vi Ororo, Colossus e Kitty, eles estavam velhos, principalmente Kitty, a conheci muito nova, então foi um choque maior para mim. Haviam mais pessoas, mas esses três eram os únicos que eu conhecia. E então me lembrei:

– Onde está Eric? — perguntei para Fera.

– Estou bem aqui, querida.

Olhei para trás e lá estava ele, velho numa cadeira de rodas.

– Decidiu imitar seu "amigo" Charles? — disse.

– Cheia de graça, como sempre.

– Cala a boca. E então, que plano é esse afinal?

– Acalme-se May, estamos esperando mais uma pessoa — ele sorriu e olhou em meus olhos. Eu deveria saber de quem ele está falando?

– Que pessoa?

– Pietro, vejo que não foi capturado. Claro que não, andando com uma companhia excelente e com dons excelentes...

– Que pessoa? — eu o interrompi.

– Quer contar a ela Ororo? — ele ainda me encarava com um sorriso.

– May, estamos procurando pelo Logan.

– Logan? — repeti.

– Sim. Vocês dois são os únicos que suportariam algo do porte que estamos planejando. Vocês sobreviveram ao adamantium nos ossos e isso não chega nem perto desse experimento.

Assenti. Depois de tanto tempo eu me encontraria com Logan novamente.

Pietro e eu ficamos lá durante dois dias até encontrarem Logan. Logan chego na sala e parecia calmo. Ele estava charmoso, charmoso de uma maneira que eu nunca vira antes. Sua barba estava mal feita, seu cabelo estava pra trás bem charmoso e como sempre com aqueles músculos incríveis. Quando olhei para o rosto dele novamente, ele estava me olhando. Droga, ele leu meus pensamentos.

"Não me disseram que você estava aqui", ele disse mentalmente sem olhar pra mim.

"Também esconderam essa informação de mim", respondi.

– Então, agora posso explicar o plano — disse Eric e nos aproximamos dele. — Logan trouxe uma chave que fará com que possamos tirar essas coleiras estúpidas e assim teremos nossos poderes de volta. Assim que obtivermos os poderes, nossa amiga psíquica vai fazê-los viajar no tempo. May e Logan, vocês irão para o passado para consertar esse problema dos Sentinelas. Podíamos mandar só um de vocês, mas May já estará no Instituto, as pessoas a conhecem e será mais fácil convencê-las. Logan, você trabalhará por fora, ajudará May, mas você não conseguiria convencer Charles e seus alunos.

– Você acha mesmo que eles gostam de mim naquela época? — perguntei com ironia.

– Você era um brinquedo novo May, todos se interessam por brinquedos novos. Além de você ser inexperiente nas coisas, isso tornará mais fácil a invasão mental.

Me senti um pouco desconfortável.

– Você está dizendo que essa viagem é mental e não física? — perguntou Logan.

– Exatamente. Bom, não podemos perder muito tempo, enquanto a chave é instalada, direi a vocês o que aconteceu e o que terão que fazer no passado. Estamos contando com vocês.

Colossus instalou a tal chave de Logan e eles conseguiram se livrar dos colares inibidores. May estava se preparando psicologicamente para a viagem no tempo e então Pietro apareceu.

– May, estou meio nervoso com esse plano.

– Por que?

– E se as coisas mudarem?

– As coisas vão mudar...

– Eu quero dizer em relação a nós. E se você não me conhecer?

– Pietro — coloquei uma mão em seu rosto — Será difícil eu não te conhecer. Eu preciso te conhecer — sorri. — Independente do que acontecer eu ainda vou me decepcionar com o Logan, vou fugir, seu pai vai me encontrar e você me verá na Irmandade e eu vou me apaixonar por você.

Ele me beijou, nosso beijo pareceu quase que de despedida e então ele me acompanhou até uma sala com dois colchões. Me deitei em um e Logan se deitou no outro ao meu lado.

– Hey, Logan — o chamei.

– Sim.

– Espero que você do passado não beije a minha eu do passado aqui no futuro — dei uma risadinha.

– Não posso garantir nada — ele respondeu rindo.

Nós rimos antes de fecharmos os olhos.

– Boa sorte May — ele disse.

– Boa sorte Logan.

E então eu não ouvia mais nada, só conseguia ver, ouvir, sentir o vazio. Me senti estranha, não sei distinguir esse sentimento, mas foi uma coisa realmente muito estranha.

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–Instituto Xavier — Quarto fechado de May-

Eu estava deitada no chão frio do quarto e aquelas duas de cabelos coloridos ainda me observavam. Elas faziam uns comentários mas tudo o que eu queria era que elas desaparecessem. De repente eu vi algo estranho e me assustei. Me levantei do chão e me sentei, o que era isso? Tudo estava ficando escuro.

– Olá? Garota? Está tudo bem? — gritava uma delas batendo no vidro.

Então não consegui mais ouvir as batidas e nem a voz irritante de uma delas, tudo o que vi foram meus próprios olhos, até que de repente um vento bateu em meu rosto e me senti no vazio, um vazio que dava uma sensação estranha, como se eu estivesse perdida.