Notas iniciais
Agora com tudo resolvido, May quer voltar para casa e rever seu filho, ela espera que tudo tenha saído como o planejado.

>Quarto no Instituto — Passado

– Mãe? — ouvi a voz de Max me chamar.

– Max? — eu não conseguia vê-lo. Não era sua voz de adulto, era sua voz de criança, na época em que vivíamos apenas nós dois no subúrbio. Tive vontade de chorar, pois eu iria vê-lo novamente, então, tudo funcionou?

– Mãe! — ele continuou me chamando.

Eu queria responder mas não conseguia falar nada, queria dizer a ele que eu estava indo, que estava chegando para abraçá-lo forte, mas quando abri meus olhos, tudo que vi foi uma luz forte e branca. Meus olhos arderam e comecei a piscar constantemente.

– Ufa, ela está bem — ouvi a voz de Jean.

– Pela velocidade que você matou achei que fosse matá-la — disse Ororo.

– Você sabe como ela é difícil de parar... — disse Jean na defensiva.

– Ah não... — comecei a chorar ao vê-las, eu não tinha voltado, nada havia mudado ainda, eu não tinha encontrado meu Max, eu não iria abraçá-lo de novo. Levei o braço até meus olhos e comecei a chorar.

– May, o que foi? — perguntou Ororo com delicadeza.

– Eu não voltei... e se nada disso deu certo? Se tudo isso foi em vão? Por que não me levam de volta? Por que não posso ver meu filho de novo? É tudo o que eu quero, o meu filho.

Eu chorava muito, eu estava em choque por até agora estar naquele lugar, eu estava com medo de não ter conseguido mudar nada.

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>Rua Qualquer — Futuro

Eu estava completamente em pânico, eu tremia.

– Eu não quero morrer, não quero morrer, não quero morrer Pietro.

– Calma, tudo vai ficar bem, a May daqui está lá e...

– E nada! Olha... ainda estou aqui! Eu quero voltar pra casa, quero voltar para o meu tempo onde não tem nada disso. Ai meu Deus, ai meu Deus.

Eu estava enlouquecendo, tudo o que eu queria era ficar naquele quarto frio e estúpido do Instituto, longe de toda essa confusão e torcer para que nada disso venha acontecer novamente. Eu estava andando de um lado para outro, olhando em todas as direções sem saber para onde olhar e de repente eu parei. Fiquei olhando para algo que vinha em minha direção. Era eu quem estava vindo, era a "eu" do futuro e eu me senti aliviada e meu corpo caiu nos braços de Pietro.

– May!

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— Quarto no Instituto — Passado

Eu chorava muito, deitada na cama ainda. Então eu parei de chorar e fiquei olhando para o teto e lá eu vi meus olhos, meus olhos infantis e amedrontados, era a hora de voltar para casa e automaticamente eu fechei os olhos, eu estava feliz por voltar, tudo o que eu queria era ver meu Max.

...

Abri os olhos de repente e dei um salto da cama. A mulher do cabelo branco e a outra do cabelo vermelho estavam no quarto. Elas deram um salto assustadas.

– Calma May, está tudo bem — disse a moça do cabelo branco.

E então eu me lembrei de que ela morrera tentando derrotar aqueles robôs terríveis e comecei a chorar. Chorei porque tudo aquilo era terrível e nenhum deles tinha ideia de como era, nenhum deles vira ninguém ser morto daquela maneira cruel e covarde.

– May? — a moça do cabelo vermelho perguntou tentando se aproximar.

– Podem me levar para a minha sala? Por favor? — minha voz estava completamente embargada.

A moça do cabelo vermelho pegou em meu ombro e começou a me guiar de volta para o meu quarto estúpido e frio. Ela abriu a porta blindada para que eu entrasse e assim que entrei, a primeira coisa que fiz foi deitar no chão de bruços. Eu olhava para a parede mas não a enxergava, toda hora as cenas de morte passavam em minha cabeça e aquilo me fazia chorar.

– May, você não...

– Me deixa sozinha — eu cortei a moça do cabelo branco antes que ela terminasse de falar.

Tudo o que eu sabia fazer agora era chorar. Eu não queria que chegássemos àquele ponto e torci para que a "eu" do futuro tenha resolvido tudo.

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— Rua Qualquer — Futuro

– May? May! — era a voz de Pietro.

Abri os olhos devagar e percebi que estava caída em seus braços. Ele estava chorando, mas ele sorriu ao ver que havia acordado. Como ele era bobo, tão bobo que me fez sorrir de volta.

– É você mesma? — ele perguntou.

– Sim, sou eu — sorri meio desanimada por nada ter mudado ainda. — O que aconteceu? — Pietro começou a chorar ainda mais e me apertar. Ele me olhava nos olhos e eu sabia que haveriam más notícias ali. — Pietro, o que aconteceu?

– Nada.

Me sentei e comecei a chorar com ele. Nada havia acontecido, nenhuma mudança, tudo ainda continuava o inferno.

– Eu não acredito! Depois de tudo o que eu fiz, droga! Eu fui lá, eu salvei a porcaria daquele Senador, pra chegar aqui e não ter acontecido nada? Nada... — comecei a chorar muito e a socar e a chutar as coisas ao meu redor.

Pietro estava de pé e ainda chorava e me olhava. Foi então que eu percebi que só estávamos nós dois ali quando haviam mais pessoas antes.

– Onde estão todos?

Pietro fechou os olhos e voltou a chorar. Morreram? Todos? Levei a mão à boca e aquela foi uma das maiores dores que senti em minha vida, até mais do que quando colocaram adamantium em meus ossos. Comecei a querer cair e Pietro veio até mim me segurar, eu o abracei e comecei a chorar em seu peito enquanto ele chorava e fazia carinho em meu cabelo.

– Então... porque eu ainda estou viva?

– O que? — Pietro estranhou minha pergunta.

– Não tenho mais razões pra viver, não é mesmo? Todos estão mortos.

Pietro me afastou um pouco dele e olhou para mim.

– Eu estou aqui May, com você, isso não importa?

– Então vamos morrer e acabar com isso de uma vez.

– May! O que aconteceu com você? Não é essa a solução!

– Claro que é. Como vamos viver nesse mundo com todo esse caos? Vamos viver fugindo?

– Conseguimos até agora, não foi?

– Pietro...

– Não, May, por favor! Eu te perdi uma vez, não quero te perder de novo — ele voltou a chorar.

Fiquei olhando para ele. Seus lindos olhos verdes brilhavam no meio de tanta poeira e sujeira em seu rosto. Como eu sou egoísta. Eu perderia aqueles olhos, jamais os veria novamente se eu morresse, nunca mais teria aquele toque, nunca mais teria aquele carinho. Eu amo Pietro, porque estou fazendo isso? Medo? Porque estou com medo? Não costumo sentir medo. Eu ainda tinha uma razão para viver e era meu Pietro. Ele disse que me perdera uma vez, mas no entanto, fi eu quem o perdi e agora que estou com ele, estou jogando tudo fora por medo. Como o medo é ridículo.

Eu então o beijei e isso me fez acordar. Suas palavras, seu toque, seus lábios, seus olhos, eu amava tudo em Pietro, eu amava Pietro e era por ele que eu viveria. Eu não fugiria, não dessa vez. Dessa vez eu pensarei nele ao invés de mim. Por mais doloroso que seja viver em um mundo sem meu filho, eu ainda tenho o pai dele, que voltou para mim, a quem Max deu sua imortalidade. Parei de beijá-lo e o olhei nos olhos, fazendo carinho em sua nuca.

– Vamos encarar juntos essa — eu sorri e ele sorriu de volta.

Começamos a caminhar lado a lado, abraçando o outro pela cintura. Éramos mutantes rebeldes em meio aquele caos e com certeza, em alguma ápoca, aqueles Sentinelas desapareceriam, até lá, defenderemos um ao outro.

– O que você acha que deu errado? — perguntei.

– Bom... como entendo de velocidade, acho que sei pouca coisa a respeito do tempo e pelo pouco que sei, corre o risco de você ter criado uma dimensão paralela.

– Isso quer dizer que a outra May terá uma segunda chance? Quer dizer que ela poderá não passar por isso aqui, nunca?

– Se tudo der certo... sim.

Me senti melhor de saber que pelo menos a outra May teria a chance de viver bem, que ela poderia encontrar o outro Pietro e ter um outro Max e que esse Max viveria.

– Espero que a outra May seja feliz.