May - Parte VII
11 A Outra May
Notas iniciais
Após toda aquela confusão de futuro e passado, fiquei quieta em minha sala fria e estúpida, eu nem chegava a atacar Jean ou Ororo quando elas entravam, mas também não conversava com elas. Sim, agora eu sabia o nome delas, elas me disseram.
– Espera, eu já vi essa garota — ouvi um homem dizer.
Olhei para o lado e vi o homem entrar. Me levantei, era o Logan, aquele Logan que conheci no futuro que fora transportado como eu.
– Mas espera, você não... — comecei a dizer.
– Não. Foi o outro lá que morreu.
Eu dei uma risada, aquela conversa era louca, tudo era uma loucura.
– Concordo — ele respondeu ainda me olhando com um sorriso.
– Você me ouviu? — ele assentiu devagar e eu achei aquilo estranho, mas muito interessante.
Logan e eu fizemos amizade rapidamente. Ele me ensinou novos golpes, lutávamos todos os dias até que um dia ele dissera que eu estava preparada para sair daquela sala, eu não queria sair, eu estava com medo do que podia me aguardar lá fora, mas Logan me encorajou, ele disse que estaria ao meu lado e não deixaria nada acontecer.
– Mas você morreu, como posso confiar que vai me proteger? — perguntei.
– Vamos May, não há nenhum robô idiota e se tudo deu certo, nunca haverá.
Fiquei meio receosa e depois de três dias decidi sair do quarto. Logan e eu caminhávamos e treinávamos lutas todos os dias, até que um dia nos beijamos pela primeira vez, pensei no outro garoto que tanto me protegera no futuro, qual era o nome dele mesmo? Não conseguia pensar muito bem nele depois de um tempo, eu amava Logan, nós compartilhávamos os mesmos problemas, desde matar nossos pais, ser experimento do governo, ser imortal e ainda ter viajado no tempo. Ele me entenderia melhor nesse tempo, sem dúvida.
Vampira, uma garota que sugava poderes, nos deu um pequeno problema, pois Logan acidentalmente a matou e ela sugou os poderes dele para se curar, então ela enlouqueceu com alguma coisa e fugiu. Logan e eu fomos atrás dela primeiro, pois ela era amiga de Logan e acabou se tornando a minha. Quando chegamos na estação de trem, um homem que manipulava o metal havia derrubado Logan facilmente e pegado a Vampira. Tentei impedir, mas ele me olhou com um sorriso. Achei aquilo muito estranho, mas ele não me machucou e eu nem tentei machucá-lo.
Depois que descobrimos onde Vampira estava, fomos até a Estátua da Liberdade para salvá-la. Eu estava determinada em salvá-la, ela não merecia aquilo, ser morta por outro mutante? Eles estão fazendo tudo errado, isso só nos trará problemas.
Chegando na Estátua, uma mulher de pele azul começou a lutar comigo, ela se transformou em mim mesma e começou a me socar com força, ela conseguia copiar até meus ossos de adamantium, o que a deixava bem forte.
– É, você é mesmo fraca e estúpida — ela começou a rir.
– Como ousa dizer isso? Quem é você para falar algo assim?
Ela me deu outro soco quando tentei levantar.
– Alguém que conheceu a "você" que lutava melhor.
E então vi Logan perfurar o estômago dela e ela voltar a ser azul.
– Ela estava te incomodando? — ele disse jogando-a pro lado.
– Como sabia que não era eu?
– Ela lutava bem.
Ele me ajudou a levantar.
– Engraçadinho.
Por fim, depois de outras longas lutas, conseguimos salvar a Vampira, mas para isso, quase Logan morreu, o que me deixou muito preocupada. Depois disso decidimos sair para uma viagem, Logan queria descobrir coisas sobre seu passado, eu não queria muito saber do meu passado porque eu lembrava de tudo, afinal, do passado e do futuro, mas fui assim mesmo.
Logan conseguiu descobrir onde fomos criados e em seguida voltamos para o Instituto. Não gostei muito de retornar, pois Logan estava muito de olho em Jean Grey, a garota do cabelo vermelho, o que me irritava muito, pois ele disse que estaria comigo sempre e como ele ficava comigo e pensava nela? Droga, era o meu corpo infantilizado que estragava tudo.
Naquela noite, ele foi colocado como a babá do Instituto, fiquei com raiva dele por causa dos pensamentos dele com a Jean, mas logo fizemos as pazes dando uns amassos fortes. Porém, naquela noite fomos atacados, eles estavam levando os mutantes para fazer experimentos. Salvamos o máximo de pessoas que pudemos e quando estávamos para nos salvar, vimos Stryker, aquele vadio.
Stryker tentara seduzir Logan dizendo que era o criador dele e que sabia o passado dele e tudo o mais, eu também sabia o passado e ele não era nada amigável, afinal, queria me manter por muito tempo como ratinho de laboratório, onde todas as experiências acabavam em mim, o que foi fruto da minha possibilidade de comunicar com Logan pela mente e meu adamantium, ele era terrível e eu não podia deixar Logan ir até ele assim.
Então, Bob fez uma parede de gelo para separá-los, Logan ficou com raiva, mas tentei fazer o máximo para que ele saísse de perto de Stryker pois ele não era bom homem, quem sabe fora ele que fez a iniciativa daqueles robôs? Afinal, como alguém descobriria as fraquezas minha e de Logan a ponto de conseguir nos matar.
Escapamos para a casa dos pais de Bob, eu, Logan, Vampira, Bob e Pyro. Na casa dos pais de Bob fomos recebidos com muito preconceito, o que me deixou muito nervosa e ao mesmo tempo com medo de ser aquilo um pensamento que levaria à criação dos Sentinelas. A polícia veio até a casa e atirou em Logan, achando que ele era perigoso. Nós nos abaixamos em pânico, não queríamos causar alarde, mas Pyro, em sua completa idiotice, começou a colocar fogo no carro dos policiais, eu queria matá-lo naquele momento, pois aquilo traria uma má impressão do que somos, ele estava estragando tudo o que a “eu” do futuro veio resolver, que otário.
Antes que as coisas pudessem piorar, Jean chegou em uma nave do Instituto para nos salvar. Ao mesmo tempo que agradeci, fiquei com muita raiva, pois lá estava Jean Grey outra vez. Logan se recuperou do tiro rapidamente e fomos caminhando até a nave. Dentro dela havia um cara azul, ele era esquisito, mas parecia inofensivo. No meio do caminho, a nave foi destruída na sua parte traseira por Magneto, o cara que ficou me encarando no trem e que quase matou Vampira. Ele fez com que a nave caísse, enquanto Vampira, por não prender o cinto, saiu voando para fora da nave. Ela foi resgatada pelo homem azul que se chamava Noturno. A nave então foi se reconstruindo e notamos que fomos salvos também por Magneto e a mulher azul que debochava de mim.
– Olá May, é bom vê-la novamente – ele sorriu para mim e eu virei a cara. Ele era do mau e estava fazendo muitas coisas que poderia trazer a construção dos Sentinela.
Ele e a mulher azul olharam para mim e cochicharam. Fiquei curiosa para saber do que estavam falando, mais ao mesmo tempo queria ignorá-los para sempre. Magneto e os outros planejaram um modo de salvar as crianças, claro que Magneto tinha outros planos, eu tinha certeza, ele não era bonzinho assim como notei na missão da Estátua da Liberdade e agora.
Entramos na represa seguindo os planos e notei que aquela represa era onde Logan e eu servimos como experimento. Foi terrível estar lá outra vez, ainda mais depois que vi Logan e Jean se beijarem na noite passada. Aquilo foi terrível, tudo o que eu queria era sumir dali, eu não podia mais confiar em Logan, ele gostava da outra, ele me enganou. Tínhamos tanto em comum, como pôde?
Nessa fuga, Stryker me encontrou.
– Olá May, quanto tempo – ele sorriu.
– Fique longe de mim! – deixei meus instintos felinos fluírem e fui atacá-lo.
Stryker havia criado uma outra garota e essa era mais forte que eu, também por ser mais adulta e as unhas dela ficavam bem maiores que as minhas, foi difícil lutar contra ela e eu acabei perdendo. Stryker então pingou algo em meu pescoço e eu só lembro que tudo o que eu queria era matar Logan naquele momento.
Stryker e a outra garota me levaram até onde Logan estava, onde era a sala onde fomos “criados”. Eu queria atacá-lo, degolá-lo, estraçalhá-lo, por todas as mentiras que me contou, por ter beijado a Jean e foi o que eu fiz, ou pelo menos tentei, eu o ataquei da maneira mais agressiva que podia, eu ganhei em algumas vezes, pois a fúria e estar com meus instintos felinos completamente à solta, me davam maior força para derrotá-lo. No fim, eu acabei batendo a cabeça e recuperando meus sentidos, ajudando ele a destruir a outra mutante criada por Stryker. Logan e eu a matamos juntos.
– Desculpe May, se eu pudesse escolher entre você e a Jean, eu escolheria a Jean.
Aquilo me feriu muito e eu acabei chorando, o que me deixou ainda mais com raiva, enxuguei as lágrimas com força e me levantei para ajudar os outros a salvar as crianças, mas de repente senti uma dor de cabeça muito forte, parecia que minha cabeça ia explodir, eu e Logan caímos no chão e nos contorcemos de tanta dor que sentíamos. Pensei que aquela fosse a nova arma que criaram para nos destruir, uma arma mais rápida e mais silenciosa que os Sentinelas. Então acabaria ali, a história acabaria ali, apenas adiantaram nossa morte.
Breves minutos depois a dor se foi e eu agradeci em meu íntimo por poder viver mais um pouco. Saímos da represa com as crianças, por fim, vimos Stryker preso por correntes na parede da represa.
– Por favor, não me deixe morrer aqui – ele pediu. – Por favor Logan, eu sei muitas coisas sobre seu passado, posso te contar.
Ele estava mentindo e eu sabia disso, foi um passado horroroso para nós dois. Logan então arrancou seu colar de identificação e jogou aos pés de Stryker com raiva. Fiquei olhando-o enquanto Logan ia embora.
– É isso que quer pra você May? Um animal?
Coloquei a mão na minha identificação, não podia arrancá-la, de alguma forma eu gostava dela, ela me lembrava daquele momento em que sofri, escapei e encontrei Tom na estrada.
– Adeus Stryker – disse e fui embora.
Stryker começou a gritar, implorar para que voltássemos e o libertasse e nós o ignoramos.
– Vai mesmo voltar com eles? – Magneto me perguntou.
– Melhor do que não ter para onde ir – eu disse determinada.
– Você sempre terá um lugar para ir May. Estarei te esperando.
Magneto sorriu e me olhou com interesse. A mulher azul também me olhou da mesma forma e então segui meu caminho de volta ao Instituto e vi Pyro ir embora com Magneto e a mulher azul. Enquanto estávamos para partir, a represa estava se rompendo e a nave não queria decolar. Todos nós entramos em pânico e quando notamos, Jean estava do lado de fora parando a água e fazendo com que a nave decolasse. Todos ficaram preocupados, principalmente Logan e Scott. Eu? Eu estava torcendo para que ela morresse, assim Logan seria apenas meu e foi o que aconteceu, assim que ela nos deixou a salvo, ela deixou ser levada pela água. Adivinhem quem ficou desesperado? Scott, berrando e Logan aos prantos tentando se fazer de forte. Eu apenas sorri.
Minha vida desde então ficou excelente, Logan era todo meu, mas Scott estava muito depressivo e eu gostava dele como amigo e um dia, Scott saiu do Instituto e foi onde Jean tinha morrido. Charles sentiu algo estranho e nos mandou para o lago para ficarmos ciente do que havia acontecido.
Chegando no lago, descobrimos que Scott morrera após encontrar seus óculos flutuando junto cm várias pedras e folhas. Também encontramos Jean, infelizmente. Aquele foi o pior dia da minha vida, digo, depois do dia do adamantium e o dia em que descobri meus poderes.
Voltamos para o Instituto com Jean. Charles queria contê-la dentro dela mesma, pois ela havia se transformado em algo conhecido como a Phoenix. Por mim ela podia explodir até a morte.
Um dia, enquanto procurava Logan para dar uma aula aos novos mutantes, o encontrei sem camisa e com a calça aberta, deitado em cima de Jean e beijando-a. Aquele cena foi terrível, foi pior do que ver o beijo deles na noite na represa.
– May...
Balancei a cabeça e saí correndo. Não havia nada mais para eu fazer ali, eu não queria estar ali para ser trocada de novo.
– May! – Logan gritou para que eu parasse, mas eu não ia parar, eu não queria parar.
Corri chorando pela rua, eu não sabia exatamente para onde eu iria até que de repente meu corpo parou de se mover, olhei para o lado e vi Magneto.
– O que você quer? – disse nervosa.
– Por que a pressa querida?
– Eu quero embora, quero sumir, para longe disso tudo – eu disse chorando.
– Lembra quando eu te disse que você poderia sempre vir comigo?
– Mas... você quer destruir os humanos e...
– Do que você tem tanto medo? A May do futuro já resolveu tudo, não?
Olhei para ele surpresa.
– Como sabe disso?
– Mística.
– Quem é Mística?
– Vocês se encontraram tantas vezes e você ainda não sabe quem é ela?
– A mulher azul?
– Ela mesma. Mas agora ela não é mais azul, é apenas uma mulher comum.
– Mas e se vier algo pior do que aqueles robôs e...
– Se matarmos todos os humanos ou todos eles se transformarem em um de nós, não teremos mais esse problema e o mundo todo será nosso.
– E se falharmos?
– Não pretendemos falhar, minha querida May.
Pensei na idéia de Magneto, era bastante atrativa e fazia sentido, sem humanos, sem Sentinelas e poderíamos viver para sempre aqui sem nenhum problema e sem precisar nos esconder. Decidi ir com Magneto para a Irmandade, fui bem recebida e gostei do ambiente, os mutantes pareciam mais livres e ali eu não teria problemas amorosos, não me apaixonaria mais, isso apenas me machucava.
Foi então que conheci um garoto de cabelos brancos e olhos azuis, como ele era charmoso e como ele me lembrava alguém. De onde eu o conhecia?
– Oi, você é nova por aqui, não é? – ele perguntou com um sorriso lindo e encantador.
– Sou... – respondi ainda tentando descobrir de onde eu o conhecia.
– Me chamo Pietro – ele esticou a mão para me cumprimentar.
– Pietro... – repeti devagar olhando para a mão dele e foi aí que me lembrei. Pietro, o cara que me protegeu no futuro, eu tinha um colar com o nome dele, não é mesmo? Olhei para ele e respirei fundo, sem dar pinta de que eu o conhecia do futuro, a história seria muito complexa pra ele e eu poderia estragar alguma coisa e eu sabia que ele estaria lá para me proteger, diferente de Logan. Apertei a mão dele – Olá Pietro, sou May.
Sorrimos para o outro, ele era muito diferente do Pietro do futuro, não fisicamente, mas de comportamento, ele parecia livre, feliz e moleque, enquanto o outro parecia preocupado e mais maduro. Eu e a outra May devíamos ter uma grande diferença também que com certeza ele percebera.
Pietro me encarava muito e eu acabava ficando meio acanhada quando encontrava seu olhar, mas isso não me desconcentrava da missão principal que era derrotar os humanos para que não chegássemos àquele ponto de ter Sentinelas nos caçando.
Fomos então atrás de uma mutante level cinco para ficarmos ainda mais fortes, só quando cheguei lá que notei que a mutante era Jean Grey, o que me deixou muito nervosa. Magneto disse para impedir qualquer um do Instituto entrar e foi exatamente o que fiz, lutei contra Logan como nunca havia lutado antes, com um ódio ainda mais verdadeiro e ele retribuía praticamente da mesma forma, mas ainda com um pouco de pena, o que eu não tinha mais.
Foi então que vi Jean transformar Charles em milhões de fragmentos e acreditei ser eu a culpada pela morte dele, aquilo me perturbou tanto que tive que correr para esquecer. Pietro veio atrás de mim e me apoiou enquanto eu chorava pela morte de Charles, afinal, de todos os mutantes, Charles era o que mais merecia viver e o pior foi que deixei que Jean fizesse isso. Fiquei chorando no peito de Pietro, embaixo da Golden Gate Bridge, até o dia seguinte.
Assim que acordei, percebi que havia amassado Pietro e perturbado ele com bobagens da minha cabeça. Pedi desculpa várias vezes até que ele me segurou pela nuca.
– Cala a boca, May, está tudo bem – ele sorriu e me beijou.
Nos beijamos durante um longo tempo, era nosso primeiro beijo desde que nos conhecemos, meu Deus, como ele beijava bem, entendi porque fico com ele no fim de tudo. Voltamos para a Irmandade e continuamos nosso beijo no quarto dele, foi uma noite maravilhosa, seu beijo era bom, seu toque era bom, Pietro era perfeito e foi assim, rapidamente que me apaixonei por ele.
Nós fizemos amor naquela noite e ele me acordou com um café da manhã lindo e gostoso. Dei umas pequenas mordidas e fizemos amor de novo, como eu podia me apaixonar por ele tão rápido assim? E foi nesse momento em que ganhei o colar com o nome dele gravado, tudo estava indo bem, eu estava feliz por tudo aquilo e ele também tinha um escrito o meu nome que eu não me lembro de ter visto nele no futuro, talvez ele guardara dentro da blusa, não é mesmo? Estava tudo tão rápido e tão perfeito que me deu medo, as coisas não costumavam ser sempre boas para mim.
A Irmandade ia crescendo e com isso nosso espaço se tornou menor, mudamos de espaço e comecei a sentir umas coisas estranhas como enjôo, dor de cabeça, entre outras coisas. Eu não sei como era possível eu ficar doente e então eu entendi que eu não estava doente, eu estava grávida. Meu Deus, que momento horrível para se ficar grávida, durante uma batalha para destruir os humanos e sua “cura” para os mutantes.
Batalhamos fácil no início, mas quando os X-men chegaram tudo ficou mais complicado e eu fui lutar, tomando muito cuidado com a pessoinha que estava dentro de mim, afinal, eu não sabia que isso era possível e eu estava feliz que o filho fosse de Pietro, será que a May do futuro também teve essa sorte?
Durante a luta vi Logan matar Pietro, meu ódio por Logan aumentou ainda mais, mas eu não podia lutar contra ele, agora eu só tinha o nosso bebê para me lembrar dele.
– Pietro! – coloquei a cabeça dele sobre meus joelhos e comecei a chorar.
– May... eu... – Logan começou a falar preocupado comigo.
– Cala a boca! Não quero te ouvir, seu monstro! Eu te odeio Logan, pra sempre!
Chorei mais ainda, Pietro não chegaria no futuro comigo, ele não adotaria seu rosto preocupado pois agora ele morrera. Logan estragou meu futuro, estragou minha vida. E Pietro nem sabia que ia ser pai, então decidi contar pra ele em meio ao caos.
– Você vai ser pai Pietro, vai ser pai – as lágrimas brotaram mais rápido do que de costume em meu rosto e a dor que eu sentia em meu peito era grande demais.
Peguei o colar dele para que não se perdesse na terra ou fosse queimado como algo sem importância. Além de ser mais uma lembrança que teria dele além de nosso bebê. Pietro não estaria lá comigo, eu nunca mais o veria, porque teve que ser tudo tão rápido? Tudo estava flutuando, Jean estava destruindo tudo ao redor e Logan estava prestes a matá-la e assim que ele o fez, tudo voltou ao normal. Beijei a testa de Pietro chorando muito.
– Eu te amo Pietro – sussurrei e fiz carinho em seu cabelo e o abracei.
O deixei ali no chão e saí correndo antes que alguém pudesse me ver, eu iria me encontrar com meu irmão, que me dissera onde estava através de uma carta. Andei muito até chegar ao local e quando cheguei era um bar bem barulhento.
– Olá, estou procurando Gambit – eu disse ao cara do balcão.
Ele me levou até Gambit, que não era o nome verdadeiro do meu irmão, o nome dele era Remi, mas ele me recomendara que chamasse ele de Gambit ao chegar no bar. O cara do balcão bateu na porta e ele parecia estar com outra mulher, mas quando disse o meu nome a ele, ele abriu a porta rapidamente e me abraçou.
– May, como é bom te ver – ele disse ainda me abraçando forte.
– Eu também acho, Remi – lágrimas começaram a sair dos meus olhos novamente.
Fiquei morando com Remi durante minha gravidez e fiz muitos amigos novos, todos humanos com exceção de Remi e naquele momento eu percebi que não havia necessidade de humanos matarem mutantes, podíamos conviver muito bem com o outro desde que não houvesse nenhum preconceito.
Meu bebê quis nascer bem no meio do bar e então pedi que não chamassem a ambulância e Remi, Claus e outros amigos me levaram para o quarto onde eu ficava com Remi. Ficamos só eu e Remi no quarto durante o parto. Foi uma dor imensa, pois meu fator de cura havia abaixado para que eu pudesse gerar bem o meu filho e com isso eu também envelheci fisicamente, o que gostei muito.
Depois de uma longa dor escutei o choro do bebê, sorri de alegria.
– É um menino – disse Remi feliz e entregando-o em meus braços.
– Olá garotinho – eu disse super feliz por ter um pedacinho de Pietro comigo – fiquei observando-o enquanto fazia carinho no rostinho dele.
Remi se sentou ao meu lado e ficou encantado.
– Olá sobrinho – ele deu um oi, mesmo com meu filho ainda com os olhos fechados. – Que nome dará a ele?
– Christopher... Christopher Maximoff.
Fiquei muito feliz de ter Christopher e todos do bar me ajudaram a cuidar dele. Claus queria se casar comigo para que Chris tivesse uma imagem de pai, mas não vejo ele vendo outra pessoa como pai sem ser Pietro. Entreguei o colar que estava escrito o meu nome para Christopher e disse a ele que fora do pai dele, ele ficou super feliz, ele amava o pai mesmo sem conhecê-lo e isso me deixava muito feliz.
Quando Christopher estava um pouco mais crescido, comecei a levá-lo ao parquinho, ele era muito parecido com Pietro, com exceção dos olhos, que eram castanhos como os meus. Porém, um dia, recebi a visita indesejada de Logan. Peguei Christopher e o deixei longe enquanto batia em Logan ali mesmo no parquinho. Eu e ele lutamos e Christopher ficou desesperado, com medo de estarem me machucando, mas acabei ganhando a luta para defender o meu pequeno.
– Você acha que vai tirar os dois de mim? É isso?
– Não May, vim apenas conversar...
– Não quero conversar com você, quero você longe da minha vida, você é um monstro – peguei Christopher no colo e comecei a andar em direção ao bar.
– Mas May...
– Não Logan, por mim você poderia morrer, como isso não é possível, tudo o que desejo é que você desapareça da minha vida. Esqueça que um dia existi em sua vida.
– Não posso May.
– Claro que pode, é fácil. Ah, é verdade, agora você está sem Jean, não é? Quer saber Logan, foda-se.
Me virei e voltei para o bar determinada. Christopher não chorou, ficou em silêncio e com um pouco de raiva dele por ter batido em mim.
Depois daquele ocorrido, não senti que viver ali seria seguro e então decidi ir embora com Christopher sem avisar ninguém, mas durante minha fuga Claus me surpreendeu, ele ficou triste por eu ir embora, mas eu disse a ele que nunca daria certo entre a gente porque, de certa forma, eu ainda amava muito Pietro. Ele compreendeu e me deu sua moto para que eu partisse.
Christopher e eu fomos morar num subúrbio, onde ele acabou descobrindo seus poderes de entrar em lugares sólidos e de regeneração assim como eu. Christopher freqüentava a escola e nela ele fez um amigo, Jake. O pai de Jake, John, era muito simpático e nos aproximamos como amigos por causa dos garotos, porém, com o passar do tempo, John acabou confessando que me amava e naquele momento contei a ele sobre meus poderes e tudo o mais e ele não se importou, assim eu me entreguei no amor de John. John era completamente perfeito.
Muitos anos depois, quando Christopher e Jake estavam crescidos, decidimos nos casar, os meninos adoraram a idéia, pois assim se tornariam irmãos. Nos casamos numa praia isolada no Havaí, foi a cerimônia de quatro pessoas mais linda do mundo e daquele dia em diante eu sabia que o amaria até que ele morresse. Imaginei toda a minha vida, até o ponto em que eu pareça mais a filha dele do que a esposa e não me importei.
Mudamos para uma outra parte do subúrbio, para uma casa maior, e então Christopher percebeu que não conseguia mais sair da sua idade de dezessete anos, assim como aconteceu comigo um dia. Christopher não se agradou com a notícia, pois July, nossa vizinha, estava crescendo e ele a amava, mas ela não queria ficar com um garoto que tem sempre dezessete anos.
Um belo dia, enquanto estava terminando de lavar a louça e colocar minha aliança de volta,me lembrei de uma coisa. Me lembrei de que eu usava essa aliança no futuro e nela também estava escrito John. Fiquei pensativa naquele momento. Eu tinha a aliança mas estava com Pietro, como isso era possível se ele não tinha fator de cura? Será que era desse jeito mesmo que as coisas deveriam ser? Isso quer dizer que não mudou nada? Quer dizer que ainda pode existir os Sentinelas?
Comecei a ficar com medo, mas meu medo logo passou ao estar nos braços do meu querido John. Porém, tempos depois Christopher sumiu, fiquei completamente enlouquecida, eu precisava encontrá-lo. Saí em busca do meu filho e comecei a procurar no Instituto, chegando lá encontrei Remi, que estava com Vampira e que chorou e me xingou por ter ido embora sem avisar e ainda me disse que Christopher poderia ter feito o mesmo.
– Não, não, meu filho não pode ser tão idiota como eu.
Eu estava em pânico de saber dessa possibilidade. Saí no dia seguinte atrás do meu Christopher e fui seguida por Logan, detestei a ajuda dele, dispensei, mas ele não me deu ouvidos. Nessa jornada reencontrei Claus e Tom. Claus estava feliz com uma família e nos tornamos grandes amigos, Tom era divorciado e quase tive uma recaída com ele, mas me lembrei de John e acabei evitando-o.
Após muito tempo de busca, decidi participar de uma festa na praia que estava acontecendo na cidade onde estávamos e lá, ou eu estava bêbada demais ou estava pirando de saudades do meu filho, mas consegui ver Pietro e desmaiei.
Acordei meio tonta e me vi nos braços de Pietro, me levantei rapidamente.
– Mas... como? – comecei a tocar no rosto dele para ter certeza de que ele era real.
– Sou eu mesmo May, estou de volta.
Naquele momento meus olhos se encheram de lágrimas de felicidade. Dei um sorriso enorme e me joguei nos braços dele lhe dando um beijo. Ele retribuiu o meu beijo. Como era bom o beijo de Pietro e o quanto eu senti saudades daquele beijo, ele estava de volta, estava de volta e tudo ficaria bem porque eu teria ele ao meu lado até o fim. Mas depois eu pensei uma coisa.
– Como você está vivo? – perguntei parando de beijá-lo.
– Não sei, de verdade, eu não sei... mas, como pode estar andando por aí com meu assassino? – ele olhou para Logan.
– Na verdade, ele está andando comigo, eu não pedi a companhia dele, mas ele veio mesmo assim – revirei os olhos e não pude parar de abraçá-lo.
Eu não perdoara Logan, por mais legal que ele tentava ser comigo.
– Pietro, estou procurando o nosso filho.
– Nosso filho? – Pietro ficou meio assustado com a notícia repentina.
– Sim, dois dias antes da batalha final eu estava grávida, mas estava esperando tudo passar para te contar, não sabia que você iria morrer.
– Nós temos um filho? Sério? – Pietro ficou animado e eu assenti.
Pietro continuou a me beijar.
– Assim vão ter mais um – disse Logan impaciente.
Ainda de olhos fechados e beijando Pietro, estiquei a mão e mostrei o dedo do meio à Logan.
Naquele mesmo dia encontramos Pyro e obrigamos ele a nos dizer onde estava meu Christopher. Muito covardemente ele nos levou até o local e eu encontrei um Christopher adulto, mais adulto que eu. Magneto me dissera que ele transferira sua imortalidade à Pietro, trazendo-o de volta à vida e ornando-o um imortal como eu. Naquele momento fiquei neutra, não sabia se ficava feliz por ter Pietro para sempre ou se ficava triste porque um dia eu poderia perder Christopher.
Christopher estava feliz por ser mortal. Quando voltamos para casa ele foi logo falar com July e July ficou muito feliz com a notícia, mas agora eu tinha um grande problema, eu tinha dois amores agora, meu coração estava dividido entre John e Pietro. Decidi ficar com John até que ele morresse, afinal, Pietro agora era imortal e teríamos um ao outro para sempre.
Pietro freqüentava a casa como pai de Christopher e ele e John acabaram se tornando amigos, mas às vezes John ficava com ciúmes, pois estava ficando velho e Pietro ainda era jovem. Isso não afetava em nada, pois eu amava John de qualquer maneira e sempre amarei.
Com o tempo Christopher se casou com July, a cerimônia foi maravilhosa, confesso que chorei muito e agora eram apenas eu, John e Pietro que acabou vindo morar conosco a pedido de John, ele achava que como não dava mais conta de me dar prazer, eu precisaria de Pietro, mas ele se enganara, pois nunca dormi com Pietro até o dia em que John morreu.
Quando John morreu, nos reunimos e chorei nos braços de Cristopher e Jake que agora já eram pais também, sim, eu era avó e via meu neto com freqüência, até a idade de que ele não conseguia mais entender como o pai dele podia ser tão velho e eu não, ele não conseguia encaixar as coisas.
Como as coisas estavam muito confusas para os garotos, decidi me afastar por um tempo e avisei a Christopher, ele compreendeu e pediu para que eu sempre escrevesse ou telefonasse contando-o as minhas aventuras e do pai dele. Muitos diriam que era estranho ter pais que pareciam mais novos que você, mas nunca enxerguei Christopher de outra maneira além de filho, por mais que seu cabelo estivesse começando a ter pequenos fios brancos.
Pietro e eu viajamos pelo mundo com a super velocidade dele. Foi muito bom viver como um casal de humanos normais por muito tempo. Demorei cinco meses para conseguir fazer amor com Pietro, ele dizia não entender como agüentei segurar por tanto tempo. Eu também não conseguia entender, mas acredito que foi uma forma do meu corpo respeitar John, porque, gostando ou não, eu o amava muito, de verdade.
Mesmo com John morto, não tirei minha aliança, apenas troquei de mão. Pietro compreendia completamente e assim vivemos. No momento estamos na África, brincando de sobreviver no meio da vida selvagem. Era divertido quando um leão tentava nos atacar, ele acabava ficando com mais medo de mim do que eu dele. Pietro e eu nos divertíamos sempre e sempre mandávamos cartões com fotos para Christopher e ele sempre me respondia e apenas depois da resposta dele é que mudávamos de local.
Não sei quando exatamente era para o ataque dos Sentinelas acontecer, mas que eu estou adorando aproveitar a vida ao máximo como uma pessoa... hum... não vou me rotular, não é mesmo? Gosto de viver como... May.
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