May - Parte VII
4 O Casamento
Notas iniciais
Estavam todos muito animados com a notícia. Os pais de Melissa vieram me abraçar e de acordo com as pessoas, foi a melhor festa de aniversário de todos os tempos, com direito a pedido de casamento.
Bom, depois disso teve toda uma cerimônia de coisas que me eram desconhecidas. E o pior de tudo era que eu estava incluída, eu tinha que participar daquelas escolhas que não fiz nem para o meu casamento. Escolhemos bolo, escolhemos flores, escolhemos o local do casamento, o bom de tudo era que eu não estava sozinha. Pietro me acompanhou já que é pai do noivo e um dos padrinhos. Ele fazia as coisas ficarem mais divertidas, fazia gracinha na hora de experimentar o bolo, me fazia comer pedaços do dele e chegamos a um ponto que eu nem sabia mais qual sabor estava em minha boca, as flores ele falava as que pareciam de velório, de pessoas doentes, ele dava o pior palpite de todos, até que pararam de pedir e de ouvir a opinião dele. O pior momento pra mim foi ir ver o vestido de Melissa. Ela experimentou vários e eu comecei a ficar meio entediada. Assim que ela escolheu um tomara que caia cheio da cintura pra baixo e ficou parecendo uma princesa de contos de fadas, Clarisse começou a chorar e a irmã de Melissa também. Eu não chorei, não consegui sentir a emoção que elas sentiam, mas sorri de verdade porque ela estava bonita e radiante e me chamou para um abraço. Nosso abraço foi longo, era como se ela me agradecesse por permitir que ela se casasse com o Max e eu retribui esse gesto dando um abraço mais ou menos forte. Não chorei ainda, mas senti que ia chorar se pensasse que agora ela cuidaria do meu Max, meu menininho, que já não era tão menininho assim.
Depois desse monte de escolhas cansativas o casamento finalmente iria sair. Max estava nervoso e animado e arrumava com pressa em casa. Eu ajeitava um pouco a gravata, um pouco o terno, arrumava o cabelo, Pietro ajudava em algumas coisas, Nick também ajudava e até mesmo John. O casamento seria no quintal de nossa casa, Melissa pediu que fosse por ser um lugar bonito e por ser o local onde eles se conheceram e também o local onde criei Max numa segunda parte de sua vida. Era um local cheio de significados que teriam ainda mais significados.
Os arranjos do casamento estavam belíssimos, tudo estava branquinho, haviam banquinhos dos dois lados para os dois lados da família, claro que o de Melissa estavam mais cheios, mas fiquei feliz ao ver Remi e Vampira ali. Remi veio me abraçar e disse que estava muito feliz em ver seu sobrinho se casar, ele me perguntou como ele envelheceu e contei rapidamente a história de passar a imortalidade ao Pietro e ele finalmente conhecera o pai de Max, ele ficou impressionado com a semelhança como todos costumam ficar. Ah, esqueci de um detalhe, Vampira e Remi tinham um garotinho de dois anos que se chamava Frederick, eles disseram que ainda não sabem se ele tem poderes ou não, mas torcem para que ele não venha com os poderes da Vampira. Estava uma casamento todo perfeito.
Eu estava no quarto com Max, pq ia entrar com ele e observava o casamento pela janela. Max veio por trás e me abraçou.
– Eu te amo, mãe.
Fiz carinho no braço dele.
– Eu também te amo, meu filho.
Sorrimos e eu estava pronta para levá-lo ao "altar" como ele me levou. A única diferença é que ele estava bem maior que eu e eu estava do mesmo jeito que antes. Respirei fundo e o acompanhei até o altar. A maioria sorria, os outros cochichavam e Max me disse baixinho que alguns convidados se perguntavam se eu era a irmã e a mãe tinha morrido e outros, mesmo os que sabiam, respondiam que não sabiam exatamente e eu e ele demos um breve riso leve. Lhe dei um beijo na testa e agora sim eu chorei, era muito emocionante toda aquela transição. E então ocupei meu lugar ao lado de John e John ao lado de Remi e Vampira com Frederick no colo. Estávamos na primeira fileira. As madrinhas e os padrinhos estavam em pé de cada lado e Pietro sorriu pra mim com orgulho e eu sorri de volta. Então foi a vez de Melissa entrar, ela estava mais divina do que o dia que a vi experimentando o vestido. Max sorriu emocionado, muito emocionado. O pai de Melissa a levava e ele também se emocionou. Ele a entregou para Max após lhe dar um beijo na testa e eles caminharam juntos ao altar.
E então a cerimônia teve início, todos emocionados e felizes. Um momento que todo o mundo parecia perfeito. Mas então o sorriso de Max se desfez um pouco e percebi que ele ouvia alguma coisa diferente. Uma coisa que eu ainda não conseguia ouvir. Max tentou voltar para o momento do casamento mas o barulho o perturbava de alguma forma. E então eu finalmente consegui ouvir, eram uns barulhos meio metálicos e pesados. Ouvi pássaros voando rapidamente. Senti uma leve tremida no chão e graças ao murmurio das pessoas, acredito que elas sentiram também.
– Você sentiu isso? — perguntei baixo para John ao sentir o segundo tremor.
– Sim — ele respondeu começando a ficar preocupado.
O tremor começou a ficar mais fortes e alguns convidados começaram a gritar. Max olhou para trás e arregalou um pouco os olhos, Melissa fez o mesmo e Pietro logo em seguida. Decidi me levantar e olhar para trás e percebi uma coisa estranha e alta, estava vindo em nossa direção. Observando um pouco mais, percebi que era um robô gigantesco.
– Mas o que é aquilo? — perguntei.
Alguns convidados começaram a correr para dentro da casa para sair e ir embora. O chão tremeu ainda mais. Remi mandou Vampira ir se abrigar e proteger Frederick, ela não queria deixá-lo para trás.
– Vá Remi, cuide de sua família! — eu disse a ele.
Ele demorou um pouco a responder.
– Mas você também é minha família...
– Eu não morro Remi. Vá, eu ficarei bem.
Remi demorou mais um pouco e eu o mandei ir novamente. O robô estava se aproximando e a casa tremendo cada vez mais. O senhor responsável pela cerimônia já havia fugido há algum tempo. Melissa estava desesperada.
– O que é isso? — ela perguntou abraçando Max.
– Mãe? — ele recorreu a mim.
– Eu não tenho ideia do que seja, Max! — respondi.
Olhei para trás e Pietro ainda estava lá, com meu olhar ele sabia que o que importava ali era Max, afinal, ele devia a vida dele ao filho, literalmente. "Eu não iria fugir de qualquer forma, May. Você também está aqui", ele pensou. O robô se aproximava e ficava cada vez mais alto, as casas grandes batiam em seus "joelhos".
– Mutantes encontrados. Exterminar — dizia a voz robótica.
– Exterminar? — repeti.
Robôs construídos para nos matar?
– Corre Melissa! Se esconda! Vá! — disse Max empurrando Melissa.
– Max, eu não posso deixar você...
– Pode sim Melissa, infelizmente. Não quero que se machuque por minha causa, eu não me perdoaria, vai, vai. Proteja-se, por favor.
Melissa atende ao pedido e sai correndo com seus pais. Max fala pra Nick e Page saírem dali também.
– John, você tem que ir.
– May...
– Você tem que ir John...
– Você vai voltar pra mim?
– Eu não sei John. Tem seres enormes querendo exterminar pessoas como eu. Não sei se sabem como me matar, não sei se poderei deixar você correr esse risco de viver comigo...
– Minha vida vai acabar um dia mesmo...
– Não John, não quero que acabe desse jeito — lhe dei um beijo. — Salve-se, por favor. Eu te amo e não quero que morra assim, não por minha causa.
John demorou um pouco a aceitar e então me deu um beijo longo e gostoso. Ele disse que me amava e correu para junto de Nick e Paige. Ele me olhava a todo o momento enquanto o robô gigante pisava na casa de Pietro sem remorso algum.
Me posicionei de frente para ele e vi Max e Pietro se aproximarem de mim.
– Max, corra...
– Não mãe, eu vou ficar!
– Max, você não é imortal! — gritei com ele nervosa.
– Não sabemos se você e o papai também são contra esse robô.
Eu o olhei e ele me encarou sério. Respirei fundo e me concentrei em meus instintos felinos que estavam guardados há muito tempo. O robô estava perto agora e parou de caminhar, parecíamos insetos perto dele agora.
– Rendam-se, abram mão do uso de poder ou morrerão — ele dizia naquela voz robótica.
Eu, como a May que sou, vocês já sabem, eu nunca me entregaria. Não serei mais um experimento e meu filho não passará por isso, então, deixei minhas unhas crescerem e fui em direção ao robô, atacando-o.
– Mutantes rebeldes. Exterminar.
O robô tentou me atingir mas eu já estava perto o suficiente para me agarrar em sua perna e tentar escalar. Não sei muito bem o que Pietro e Max estavam fazendo, mas meu objetivo era arrancar a cabeça daquele robô gigante. Comecei a escalar com um pouco de dificuldade na cintura, já que ele se movia sem parar e tentava me atingir com alguns socos e ferramentas de corte gigantes que com certeza matariam qualquer um, mas não tenho certeza se me mataria, mas também não estava disposta a testar.
Quando consegui escalar o ombro, veio uma coisa em minha direção que me fez escorregar, comecei a gritar ao cair, mas enfiei minha unha no peito do robô e escorreguei mais alguns centímetros rasgando seu peito. Eu estava pendurada e a distância do chão era grande.
– May! Você está bem? — perguntou Pietro.
– Sim! — gritei lá de cima.
Não o olhei para ver como estava, confesso que estava com medo do que poderia encontrar se olhasse na direção dele e então continuei minha escalada até a cabeça do robô. Quando finalmente cheguei à cabeça e estava pronta para estraçalhá-la, vejo as luzes do robô piscarem como se estivessem falhando. Fico meio sem saber o que está acontecendo e então ele começa a cair. Subo rapidamente para a nuca do robô e finco ainda mais minhas unhas. O impacto foi um pouco doloroso e ele destruiu metade da minha casa. Quando me levantei, vi Pietro olhando para o robô meio ofegante e depois olhando para mim.
– O que você fez? — perguntei também ofegante.
– Nada — ele respondeu, — Eu só estava distraindo ele no chão com algumas coisas...
– Cadê o Max? — perguntei desesperada.
– Estou aqui — disse Max saindo das costas do robô gigante como se estivesse saindo de uma piscina.
– Você estava...
– Dentro do robô — ele completou. — Procurei algo que funcionasse como o coração do robô e então destruí.
Max subiu até as costas do robô e então sorrimos ao ver o que fizemos com o robô gigante.
– Que porcarias são essas? Desde quando querem exterminar os mutantes? Aposto que isso tem a ver com o seu pai — disse a Pietro.
– Não sei dizer... talvez...
– Somos uma família incrível, hem? — disse Pietro olhando para mim e Pietro.
– Somos sim — sorri para ele e ele me correspondeu.
– E parece que temos companhia — disse Pietro olhando para o norte.
Eu e Max olhamos também e vinham mais três robôs.
– Devem ter descoberto que derrotamos esse aqui — disse Max se levantando rapidamente.
Max estava com a camisa amassada, Pietro estava com a calça meio destruída e a roupa meio moída pelo atrito de sua velocidade e bem... meu vestido estava rasgado nas pontas e sujo. Meu cabelo estava bagunçado mas os deles estavam nas condições que sempre estiveram.
– Vamos ter que sair daqui se quisermos proteger nossos amigos — eu disse.
– Não vou me casar, não é? — disse Max meio deprimido.
– Eu sinto muito querido — eu disse.
– Vamos logo, antes que seja tarde para todo mundo.
Pietro saiu e correu para a rua. Max e eu olhamos para a casa destruída. Ele me deu a mão e olhamos para o outro. Nossa vida humana, nossa vida feliz, fora completamente destruída, só havia destroços e ruínas. Não haveria mais John, não haveria Melissa, haveria apenas Max, Pietro e eu. O que na verdade era pra ser há muitos anos. Mas agora, voltamos a esse ponto de uma maneira brutal. Descemos do robô gigante e fomos até Pietro.
– Segurem-se em mim.
Max e eu seguramos nos ombros de Pietro e ele começou a correr na velocidade de costume. Corríamos para longe do subúrbio, para longe da nossa felicidade. Uma lágrima escorreu de meus olhos, mas não era momento de lágrimas, agora eu não podia ser fraca, teremos que sobreviver a esse ataque e é isso o que pretendo fazer. É hora de dizer adeus à May sensível e humana que me tornei e voltar a ser... May.
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