Notas iniciais
Era a noite da festa de aniversário da Melissa e Pietro parece causar um reboliço entre as mulheres da vizinhança. Como será que May lhe dá com essa situação?

Quando Pietro e eu voltamos para casa, John já havia chegado. Coloquei minha sacola na cadeira e o recebi com um beijo bem gostoso. Ele gostava quando eu fazia isso e mostrava animação e, claro, ele não deixava passar nem um momento de minha libido.

No dia seguinte, nos arrumamos para a festa de aniversário da Melissa. Max chegou em casa e ele estava elegante. Nick também apareceu com Page, o que foi estranho já que raramente vinha para festas fora da família. Coloquei a roupa que comprei com Pietro, era um vestido branco com um sinto delicado de cor bege. Ele era bem comportado, tampando o colo e deixando os braços de fora. Coloquei um colar delicado, passei minha maquiagem de costume, deixei meus cabelos levemente anelados como de costume, coloquei saltos altos e perfume.

– Uau, você está... maravilhosa! — disse John ao me ver.

Sorri e agradeci. Max disse que eu estava estonteante e Nick e Page também me elogiaram. Confesso que Max que escolheu o vestido quando eu nem tinha olhado para ele , o agradeci mentalmente por isso.

Saímos de casa e fomos até a casa de Clarisse. A frente da casa pareci calma, mas atravessando-a e chegando ao quintal, o som da festa aumentava, se escutava risadas e conversas. Haviam muitos jovens da idade de Melissa, eu não sabia a idade dela exatamente mas, acredito, que ela estava comemorando seus vinte e sete anos, ou perto disso. Melissa estava radiante e ria com algumas amigas, mas quando ela viu Max ela sorriu, seus olhos brilharam e ela veio em direção a ele. Eles se abraçaram e deram um leve beijo. Eles ficavam tão lindos juntos. Melissa então cumprimentou todos e também ficou surpresa de ver Nick e Page ali. Ah, e ela comentou que eu estava linda também. Entramos e nos sentamos perto de alguns amigos vizinhos. Os que sabiam sobre mim não me olhavam estranho, mas os que não sabiam, não entendiam como eu conseguia ficar com o velho do John e pensavam que eu era uma daquelas jovenzinhas oportunistas. Não ligo para o que pensam, afinal, deixei de me importar com a opinião das pessoas há muito, muito tempo.

Algumas mulheres me chamaram para conversar com elas, como um clube de mulheres. Então de repente elas direcionaram o rosto para a porta e ficaram vidradas, quando olhei também, lá estava Pietro, de terno, com as mãos no bolso e o sorriso sedutor que tinha, confesso que seus olhos brilhavam mais que o normal. Ele olhou por toda a festa e olhou em minha direção, desviei o olhar na mesma hora e olhei para meu drinque. Ele andou em direção a Max e a mulheres voltaram a atenção ao nosso pequeno clube.

– Nossa, ele é uma delicinha — disse Morgan, uma das garotas.

– É, mas sabemos pra quem ele tem olhos na vizinhança, não é mesmo? — disse Bridget me encarando.

Levantei o olhar para elas.

– Parem com isso, somos amigos, nos conhecemos a muito tempo e ele é pai do meu filho, o que eu posso fazer — respondi.

– É, não tem como negar que ele é pai do Max — disse Susan.

– Será que ele fica com mulheres mais velhas também — perguntou Morgan devorando Pietro com o olhar. Dei uma risadinha bem discreta pela cena.

– Eu acho que sim, Morgan — respondi. — Pietro é muito difícil de dispensar mulheres bonitas.

– Você o conhece bem, não é? — disse Bridget me analisando.

– Acho que o conheço melhor agora do que quando namorávamos — eu disse sinceramente.

– É mesmo? Por que? — perguntou Bridget.

– Estávamos com... problemas naquela época. Instabilidade domiciliar, eu estava com raiva de algumas pessoas, fugindo de um cara que eu gostava e me decepcionou e ele ficava querendo alguma coisa comigo e eu estava fugindo de sentimentos e ainda tinha que resolver umas coisas com o pai dele... acho que nunca tivemos chance de ser amigos como somos agora.

Elas me olhavam tentando compreender as coisas já que expliquei tudo de maneira bem vaga. Senti que elas queriam fazer mais perguntas e me retirei para pegar mais bebida. Pietro conversava com algumas amigas de Melissa e nessa única vez que olhei ele também olhou pra mim e deu uma risada. Arg! Que graça tem em ter certeza se estou com ciúmes? Que saco. Não estava com raiva, estava rindo da situação.

– Mas esse pai do seu filho arrasa corações hem — disse Clarisse se aproximando da mesa de bebidas.

Ri.

– Ai Clarisse...

– É sério. Ele é imortal também?

– Sim.

– Vai ficar essa delícia pra sempre? Hummm...

– Clarisse! — lhe dei uma leve cutucada no ombro.

– O quê? — ela riu. — Não é só você que pode olhar ok?

– Eu nem fico olhando. Se eu olhar ele começa a me provocar.

– Provocar como? — perguntou Clarisse interessada.

– Ele fica olhando pra ver se eu estou com ciúmes.

– E você está?

– Não — menti e dei um gole em minha bebida olhando para a direção oposta de Pietro.

– Ele não tira os olhos de você — Clarisse riu. — Pobre John...

– Não! Nunca trairia John com Pietro. Não tem lógica.

– Sei... — Clarisse me olhou com suspeita e saiu para cumprimentar mais convidados.

Andei em direção a John, mas se não bastasse as mulheres me atacarem com perguntas sobre Pietro, os homens me atacavam com elogios. Homens casados, e isso me incomodava. Foi só eu chegar perto de John que eles começaram a dizer: "chegou a bonequinha de ouro do John", "Então, o John ainda dá cona do recado?", "Nossa, suas pernas estão lindas, May", "Não vai dançar, May? Queremos ver você rebolando um pouco". Joh os mandava parar, mas eles não levavam John a sério, então eu saía de perto e John me acompanhava e pedia desculpas. Eu o beijava, a culpa não era dele. E então, quando só nós dois conversávamos, era a melhor parte dessas festas que envolviam a vizinhança, quando conversávamos sobre nós, nossos filhos, relembrávamos coisas e éramos românticos com o outro.

– Com licença — disse Pietro se aproximando de nós dois. — Como vai John?

– Pietro — respondeu John apertando a mão de Pietro.

– Poderia chamar May para dançar?

John olhou para mim e eu olhei para ele sem expressar nada.

– Claro — ele respondeu.

– John, não precisa concordar só por...

John me abraçou e sussurrou em meu ouvido: vai dançar com os jovens e divirta-se. Ele me dei um beijo e me deixou com Pietro. Pietro pegou a bebida da minha mão e colocou numa mesa, ele pegou minha mão e começou a me levar para a pista de dança.

– Achei o beijo exagerado — ele disse e eu ri.

– Deixa de bobagem Pietro. Não me sinto confortável vindo dançar com você.

– Por que não esquece e dançamos como dançamos na sua casa quando John não está e te faço companhia?

Nos encaramos e uma das músicas que gostamos de dançar começou a tocar (recomendo que escutem Energetic da cantora BoA para entrarem no clima da festa).

– Não acredito que trouxe as músicas — eu disse e ele sorriu daquele jeito.

Ele começou a dançar pra lá e pra cá e eu comecei a sentir a música mas ainda de leve. Vários amigos de Melissa e até Melissa e Max também dançavam. Mas na hora do refrão Pietro me pegou e começamos a fazer os passos que fazíamos em casa. Nossos passos acompanhavam as batidas da música, nosso rosto ficava bem próximo quando a música dava umas paradas, eu ainda estava com vergonha, mas na hora que Pietro pegou minha nuca e fez ela girar eu esqueci do resto das pessoas e senti só a música, estava tudo uma delícia e me entreguei à música, à festa e a Pietro. Eu sorria e dançava de um lado para o outro e comecei a cantar com a música e Pietro também. Nossos passos eram bem grudados e quando eu percebia que estávamos perto demais eu o afastava um pouco com a desculpa de dançar. Nós dançávamos como os outros jovens, era muito difícil dizer que éramos pais do Max naquele momento. Ele tirou o terno e foi ficando cada vez mais sexy, estava só de gravata e camisa social. Ele me virou de costas pra ele e seguimos ainda mais o ritmo da música. Eu balançava a cabeça e sentia a música por completo. Nos sentimos como as únicas pessoas na festa e fazíamos uns passos acompanhando as partes que eram picadas (como a parte do abo-abo- above the clouds) que ficou muito legal e em um momento que percebi que tinham mais pessoas na pista de dança, notei que tentavam pegar nossos passos e eu adorava dizer a parte "report to the dance floor" da forma mais sexy e me entregando. Houve algumas vezes em que Pietro entusiasmava e pegava na minha bunda, eu tirava sua mão rapidamente e então ao final da música ele me deu um puxão que colocou meu corpo completamente ao dele, ficamos nos olhando por um momento e então, como a música havia acabado eu me separei dele.

– Obrigada pela dança — eu disse saindo da pista.

Pietro pegou minha mão e me fez olhar pra ele.

– Só mais uma, May. A última dança, por favor.

– Não sei, Pietro

Então uma outra música que dançamos começou a tocar, eu conhecia bem aquela música e sabia muito bem porque ele gostava dela e confesso que eu também.

– Só mais essa, hem — respondi voltando a ele no ritmo da música.

Não tinha como resistir a essa música especificamente.