Notas iniciais
Tudo estava diferente e melhor na vida de May. Ela agora vivia uma nova vida e uma nova vida estava a caminho para transformar ainda mais a sua vida.

Uma vida normal. Sim, agora eu vivia uma vida mais próxima do normal. As pessoas passavam por mim e não me olhavam torto, me aceitavam como uma delas.

Nesse momento eu estava em uma padaria comprando pães para o café da manhã. Quem me acompanhava era Claus. Claus era um rapaz bonito e muito galanteador, paquerava todas as mulheres bonitas da padaria. Isso fez com que várias mulheres começassem a ir maquiadas e mais arrumadas à padaria. Com o tempo, pude ver algumas mulheres passarem por esse processo para ter a atenção de Claus.

- Você não fica com ciúmes?

A mulher atrás do balcão perguntou para mim enquanto pegava minha cesta de pães. Ela olhava para Claus que estava na sessão de frios, falando com uma mulher com o rosto bem próximo do dela. Ela não parava de sorrir.

- De Claus? — dei uma risadinha.

- Claus... então esse é o nome dele — ela colocava os pães nas sacolas. — Ele é seu irmão? — ela ainda não me olhava.

- Não. É amigo do meu irmão.

- E... não tem como você me arranjar um encontro com ele não? — ela me entregou as sacolas de pão com um sorriso.

- Vá ao Snooker Bar às oito horas. Ele com certeza estará lá.

Sorri de volta e comecei a andar em direção ao caixa. Chamei Claus no caminho e ele se despediu da mulher que ficou aos suspiros. Ele se aproximou de mim, me abraçou pela cintura e me deu um beijo na testa. Eu o afastei com os cotovelos.

- Dá pra não fazer isso? — eu ria.

- Ah vamos lá May. Você também é uma gatinha — ele falava perto do meu ouvido.

- Pelo amor de Deus — eu o afastei novamente.

Ambos rimos. A fila estava meio grande mas, graças à minha barriga que agora estava no quarto mês, conseguíamos passar na frente. O atendente no caixa que também era dono da padaria, adorava nos receber. Dizia ele que quando começamos a frequentar a padaria, o número de clientes aumentou.

Quando voltamos, fui direto para o quarto de Remi. Abri a porta tranquilamente, afinal, eu tinha uma cópia da chave pois dormia numa extensão do quarto que Remi usava para as garotas poderem dormir quando levava muitas garotas para o quarto em uma só noite. Quando entrei, Remi estava embaixo das cobertas no meio das pernas de uma mulher.

- Meu Deus, são oito da manhã.

Eu disse. Coloquei nossos pães em cima da mesa e fui em direção à geladeira. Remi saiu de debaixo das cobertas e veio até mim.

- Não existe hora para se amar minha irmã! — ele riu.

Ele pegou uma cerveja na geladeira.

- Cerveja?

- O que foi? Está com inveja é? — ele balançou a cerveja na minha cara, afinal não estava bebendo cerveja.

- Não — eu disse pegando uns ingredientes para colocar no pão. — Não estou bebendo por uma boa razão — fiz carinho em minha barriga.

- Será que é menino ou menina?

- Eu não sei.

- Podia ser uma menina — ele disse animado. — Aí os carinhas afim dela ficariam com medo de enfrentar o Titio Gambit aqui — ele riu e eu o acompanhei.

- E se for menino?

- Aí ele será sedutor como o Titio Gambit — ele riu e deu um gole na cerveja. — Vai aprender a pegar as garotas, será garanhão.

Ri ainda mais e terminei de preparar meu pão. Gambit terminou a cerveja e voltou para a mulher em sua cama. Para não ouvir os gemidos de ambos preferi ir para meu quarto e terminar meu café lá.

Pela manhã, arrumávamos o bar. Ele era bem calmo pela manhã. Alguns ficavam responsáveis por limpar os copos, os pratos, as mesas de sinuca, outros ficavam responsáveis por limpar as mesas e organizá-las, até mesmo montá-las, pois as vezes haviam brigas por causa de apostas em jogos. Eu ajudava o máximo que podia.

Quando a noite chegava e as pessoas chegavam junto com ela, o bar ficava com uma aparência melhor. Eu trabalhava como garçonete, não por obrigação mas sim porque achava divertido e mesmo estando grávida haviam alguns homens que davam em cima de mim. Alguns tentavam pegar na minha bunda mas eu segurava a mão deles de maneira forte e eles pareciam gostar mais. Homens, vai entender. Teve uma vez, em que um deles me disse que o pai do meu filho era estúpido por me abandonar e continuou a chamá-lo de um monte de coisas horríveis e assim que ele parou de falar, eu lhe disse que o pai do meu filho havia morrido e por isso não estava comigo. O homem se calou e tentou me evitar desde então. Eu fazia questão de atendê-lo todas as noites para vê-lo constrangido, era divertido.

O mais divertido de minha gravidez era que os meses passavam normalmente e meu corpo envelheceu um pouco para se adaptar à gravidez, eu agora parecia ter vinte e dois anos, o que me deixou muito feliz, agora eu não era uma eterna adolescente estúpida. Seria uma nova etapa em minha vida. Os rapazes do bar gostavam de conversar com o bebê na minha barriga e ficavam tentando adivinhar se seria menino ou menina. A maioria torcia para que fosse uma menina, falavam que seria o xodó do Snooker Bar, a mascote, que ela seria a garota mais respeitada do mundo pois o rapaz que se engraçasse pro lado dela teria que se dar conta com cada um deles. E se fosse um menino, cada um dizia o que iria ensiná-lo. Isso seria uma cena horrível para qualquer mão sensata, mas para mim era divertido pois eu tinha certeza de que eles cuidariam do meu filho.

Mais meses passaram e uma noite, enquanto estava servindo, senti uma dor muito grande em meu útero e parei de repente segurando minha barriga. Respirei fundo pois a dor durou pouco tempo. Continuei a andar com a bandeja na mão. A dor veio novamente e dessa vez foi muito forte, tão forte que acabei me sentando no chão e deixando a bandeja tombar.

- May!

Claus saiu da bancada, onde estava rodeado por quatro garotas e veio correndo em minha direção. Eu estava ofegante, a dor não passava.

- May! Tá tudo bem?

- Chame... o... Gambit — a dor era tanta que estava difícil até falar.

- Gambit! — ele gritou no meio do salão. — Gambit! Alguém pode chamar o Gambit?

Remi apareceu correndo e então fechei os olhos. A dor estava muito forte.

- May! — ele estava ao meu lado me ajudando a ficar sentada.

- Vai nascer! Gambit... — gritei de dor.

- Vai nascer! Oh meu Deus! Eu vou ser tio! Vou ser tio!

- Gambit! — gritei.

- Claus, Louis, Tyler, Michael. Me ajudem a levar May para o quarto!

Meus olhos ainda estavam fechados e pude sentir dificuldade ao me carregar. Eles chegaram ao quarto e me colocaram em minha cama. Eu gritava de dor. Era uma dor quase equivalente às da injeção de adamantium.

- Vou ligar para uma ambulância! — não consegui reconhecer de quem era a voz.

- Não! — respondi imediatamente.

- Não chamem uma ambulância — disse Remi.

- Mas Gambit, ela vai ter um bebê!

- Vai ficar tudo bem cara. Agora vão lá embaixo e avise os outros para não chamar uma ambulância.

Houve um silêncio repentino e então pude ouvir Remi fechar a porta e voltar para mim.

- Pronto, estamos só nós dois. Você vai ficar bem mesmo não é May?

Assenti com dificuldade. Ainda estava muito ofegante, a dor aumentava cada vez mais, se tornava cada vez pior. Eu fazia força para que o bebê saísse. Remi estava olhando o que estava acontecendo.

- Ai meu Deus! É uma cabeça! Uma cabeça! Meu Deus do céu, como isso...

- Remi! — gritei para que ele focasse em me ajudar.

- Desculpe.

Eu fazia mais força, chegava a dar alguns gritinhos de tanta força que estava fazendo.

- Vamos, tá saindo mais dele e... o que é isso? Eca. Eca! Tá saindo uma coisa junto e... eca! Que coisa mais nojenta...

- Remi!

- Desculpe, desculpe.

Continuei a fazer força até que finalmente senti que ele saíra por completo. Deitei na cama ainda ofegante, estava muito cansada.

- Saiu! Nasceu! — Remi se alegrou.

Então ouvi um choro forte. Era meu bebê chorando. Me sentei procurando por ele.

- Cadê, cadê meu bebê?

- Está aqui. É um menino!