May - Parte V

15 Onde ele está?


Notas iniciais
Muitos anos se passaram, muitas coisas novas aconteceram e Max, após uma revolta com sua genética de anti-envelhecimento, parece ter desaparecido. May sente que há alguma coisa errada nisso.

Então as duas semanas de Max passaram e ele parece ter voltado com a bola toda, as garotas grudaram ainda mais nele, ele voltou mais confiante e mais parecido comigo, aquela luta fez bem a ele. Ele voltou com um sorriso ainda mais sedutor e Melissa, filha da vizinha, começou a voltar com ele e Nick da escola.

Clarisse falava que depois que ela começou a andar com os garotos está menos rebelde, isso foi muito bom de ouvir. Com o passar do tempo, John e eu tínhamos vários amigos na vizinhança, íamos a churrascos e tudo o mais.

Nick estava com vinte anos e foi para a faculdade de engenharia. Max ficou nervoso uma noite por não poder ir à faculdade, ele não estava envelhecendo mais, Nick parecia bem mais velho que ele e ele parou em seus dezessete anos. Melissa também acabou passando, mas não parecia mais velha que ele. Melissa e Max começaram a namorar, parecia sério, mas Max tem medo de que ela o abandone por ele não envelhecer e ela ficar eternamente com uma criança.

Uma noite ouvi Max chorar em seu quarto. Ele ficou com raiva e começou a quebrar as coisas. Entrei no quarto, o abracei e ele chorou em meus braços. Ele não queria mais parecer ser tão jovem, ele queria envelhecer, ir pra faculdade e envelhecer ao lado de Melissa. Não havia nada que eu pudesse fazer a não ser pedir desculpas por ter lhe passado a minha genética; Ele dizia que a culpa não era minha, ele sabia que eu não sabia que podia engravidar.

O tempo estava passando e os únicos que ainda permaneciam jovens era eu e Max, chegamos num ponto em que estamos parecendo irmãos, alguns até já nos confundiram como um casal. Max ficava nervoso quando falavam isso, afinal, ele tinha vinte e um anos e estava preso no corpo de um garoto de dezessete. Me lembro bem dessa sensação. Sei bem como é estar preso num corpo que não corresponde à sua idade mental, já sofri muito no meu corpo de dezessete anos. Então algo me veio à cabeça: como Logan pode parecer mais velho que nós dois? Será porque ele nasceu antes da Primeira Guerra Mundial? Isso significa que, algum dia, distante, Max e eu pareceremos mais velhos?

Porém, um dia, quando tudo estava normal, Max não voltou pra casa a noite. Fiquei preocupada. John me disse que ele devia ter ido dormir na casa de Melissa e então decidi ligar pra ela. John me impediu, já era muito tarde para incomodá-los e eu podia ligar amanhã. Não consegui dormir. Max nunca deixa de me avisar onde está e aquilo me perturbou a noite inteira. Assim que amanheceu — e eu nem fechei os olhos -, corri para o telefone e liguei para Clarisse.

- Não, ele não está aqui.

Foi a resposta que ganhei. Desliguei o telefone, fiquei ainda mais preocupada. John tentou me acalmar, ele disse que ele já passou a noite fora outras vezes, mas insisti que aquela vez estava estranha, ele não me ligou. Sei que meu filho é imortal assim como eu, mas não deixo de me preocupar, ele ainda é meu bebê, ele é tudo o que tenho de permanente, sei que é meio egoísta pensar dessa forma, mas ele é tudo o que tenho pra sempre.

John foi trabalhar e eu fiquei sozinha em casa, olhava pela janela a cada minuto, a tarde chegou e nada de Max aparecer. Melissa foi lá em casa perguntar por ele e eu a disse que nenhuma notícia dele. Nós não temos celulares, não gosto de celulares para exatamente isso, não ser encontrada. Será que era isso o que Max queria? Não ser encontrado? Mas eu precisava encontrá-lo, não, Max não iria embora sem me avisar para onde iria. Aconteceu alguma coisa e eu posso sentir.

Me levantei e comecei a caminhar pela sala. Pensei em todos os lugares que ele poderia estar. Ele voltou para o bar? Era o único lugar que ele conhecia além dali, ele não sabia que Magneto era seu avô, seria impossível ele ir até lá. Eu precisava encontrá-lo, ele está perdido, ele não me deu nenhuma ligação e já está de noite.

John chegou em casa e me viu andar pela sala. Eu ainda estava vestindo o pijama.

- Querida, você ficou com essa roupa o dia inteiro? — ele perguntou.

- John, eu não consigo me acalmar. Onde está o Max? — perguntei com o olhar desesperado.

- Ele não deu notícias?

- Nenhuma!

- Isso é estranho — ele começou a tirar a gravata e pareceu preocupado também. — Ele não está com Nick?

- Já liguei. Nick não tem nenhuma notícia de Max.

- Então temos que chamar a polícia.

- Enlouqueceu? — gritei. — Polícia? Comigo? Querido, eu não quero a polícia perto de Max, somos ilegais, você sabe disso, iam nos usar de alguma forma e...

- Tudo bem, tudo bem. Não vou chamar a polícia.

Fechei meus olhos, eu precisava fazer aquilo, eu não queria, mas precisava e então, falei com John.

- John — respirei fundo, ele percebeu que eu não estava bem e logo se preocupou ainda mais. — Eu preciso ir atrás dele.

- May...

- Eu precisos aber onde ele está John. E se ele estiver em perigo? Eu preciso salvá-lo!

- Então nós vamos atrás dele.

- Não John — respirei fundo de novo. — Não tem nós dessa vez. Eu preciso ir sozinha.

- May, estou com você na alegria ou na tristeza lembra?

- Eu sei querido, mas eu tenho medo de que machuquem você, não sei onde Max pode estar e dependendo do que acharmos, pode machucar você. E eu jamais me perdoaria se te machucassem.

- May — ele fez carinho em meu rosto -, eu não quero perder você.

- Você jamais irá me perder John. Eu existo pra sempre, lembra?

Dei um sorrisinho. Ele não retribuiu, mas me beijou. Era aquele momento, o momento da despedida. John percebeu que deve me deixar ir, percebeu que se eu estou aflita é porque Max não está bem. Lágrimas começaram a sair dos meus olhos, era doloroso abandonar meu marido por não sei quanto tempo. Não tenho ideia de onde Max está e não sei daqui quantos anos irei voltar. Não quero imaginar que estou abandonando-o, ele é o amor da minha vida e eu queria mesmo ficar ao lado dele até sua morte. Mas meu filho precisava de mim mais do que John agora.

Aquela era a noite de despedida e ela seria completamente inesquecível. Foi a primeira vez que fizemos amor chorando, era como se cada toque, cada cheiro, cada beijo, fosse o último de nossas vidas.