May - Parte V
16 Parte VI
Notas iniciais
Olá, me chamo May. May Parker. Existo desde não sei que ano mas fisicamente pareço ter vinte e dois anos. Eu sei, você já me conhece, mas as vezes preciso lembrar a mim mesma a May meio humana que sou.
Acabo de abotoar minha camisa branca, coloco minha jaqueta de couro, uma calça jeans e minhas botas longas e pretas de salto. Arrumo meu cabelo jogando-o pros lados. Passo meu batom vermelho. Olhando no espelho, respiro fundo.
Olho pra trás e vejo John. Ele está dormindo, num sono profundo. É a primeira vez que não o vejo sorrir enquanto dorme. Tento não chorar mas minhas lágrimas não me obedecem e eu também não as seguro. Quero tocá-lo, quero beijá-lo, quero acordar e poder cheirar seu cabelo e sentir seu abraço. Quero me sentir inocente, quebrável, totalmente frágil em seus braços. Mas não posso mais. Não enquanto não encontrar meu Max.
Comecei a sair do meu quarto. Olhei para a casa. Eu sentiria tanta falta dessa casa, acariciei a parede enquanto andava. Eu estou com medo. Com medo de não voltar a tempo de ver meu querido John com vida, de não poder viver no meu querido subúrbio novamente. Peguei a chave da moto. Não poderia usar a de Claus, ela não aguentaria. Dei a partida e fui embora sem me despedir de mais ninguém. John foi o mais doloroso de todos e acho que não aguentaria mais dar adeus às pessoas que deixaram a minha vida mais perto do normal possível, as pessoas que me aceitaram com a minha imortalidade, com a minha diferença genética.
Comecei a dirigir para fora do subúrbio. Eu sabia para onde eu iria. Infelizmente aquele lugar seria de grande ajuda. Eu precisava do Instituto Xavier. Lá há o Cérebro, uma máquina que nos ajuda a encontrar mutantes e ela me ajudaria a encontrar meu Max.
Era uma longa distância até lá. Fiz algumas paradas, me banhei em alguns lagos limpos e belos que haviam pela estrada. Me maquiava em algum banheiro de lanchonete e toda vez que olhava minha aliança, me lembrava do meu querido John. Queria perguntar como foi o seu dia, lhe fazer um lanche e depois beijá-lo como se não houvesse amanhã. Fechei os olhos e deixei o vento bater em meu rosto e com ele veio as lembranças e com as lembranças veio as lágrimas. Gritei no meio do nada, eu precisava disso. Gritei e me sentei, chorei como nunca havia chorado antes e meu coração doía tanto. Eu quero voltar para os braços de John, quero ser sua garota frágil, quero ficar pra sempre ao lado dele, mas não posso. Não posso deixar meu filho em um lugar estranho, ou não. Não sei o que houve com ele e preciso sempre me lembrar disso para não voltar para John.
Finalmente cheguei no Instituto. Confesso que fiquei olhando para a porta. Ali estava meu passado, o passado que parecia tão distante de mim, um passado quase já esquecido, quase atribuído a uma outra vida que tive. Ali dentro estava Logan, Orono, Vampira, Bob e... e apenas eles. Scott, o irritante do Pyro, Charles, até a estúpida da Jean Grey, não estavam mais ali. Como estariam? Quais rostos novos teria de ver? Quero ir embora. Não quero ficar nesse lugar cheio de lembranças ruins. Mas não tenho o luxo mais de pensar só por mim. Eis algo que vem com a maternidade.
Me aproximei e o portão se abriu. Haviam vários novos alunos se divertindo no jardim. Eles paravam para me olhar, mas eu continuei. Estacionei minha moto em frente a entrada do Instituto. Andei lentamente até a porta. Respirei fundo. Eram as portas que me levariam de volta ao meu passado. Bati três vezes. A mansão pareceu ficar em silêncio, pareciam saber que era eu mas não sabia se abririam ou não.
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