Notas iniciais
May começa o dia bem, até receber um telefonema da escola pedindo para comparecer à diretoria imediatamente. O que será que aconteceu?

No dia seguinte, meus meninos saíram para suas tarefas e eu fiquei cuidando da casa, eu gostava de cuidar do meu lar. Depois de arrumar algumas coisas, fui par minha pequena academia e comecei a malhar até que o telefone toca.

Ando até ele e o atendo.

- Alô? — digo de bom humor.

- Olá, gostaria de falar com a Senhora Maximoff — dizia a voz do outro lado.

Maximoff? Eu não sou Maximoff, sou Senhora Parker, mas provavelmente é porque tem a ver com meu Max e começo a ficar mais atenta.

- Sim, é a mãe do Max — respondi.

- A Senhora poderia comparecer à diretoria da escola imediatamente?

- O que houve?

- Podemos contar com sua presença Sen...

- Sim, claro, estou indo!

Coloquei o telefone no gancho, coloquei uma calça jeans, joguei o cabelo, passei meu batom vermelho e fui com minha nova moto. Sim, não podia mais usar a de Claus, ela estava ficando velha e nã queria mudar as peças, se eu mudasse ela não seria mais a moto de Claus, apenas por fora e eu não quero perder aquela moto em sua essência. Para que John não se desfizesse dela, eu disse que ela foi do meu irmão e que ela é muito importante pra mim.

Minha moto nova era grande e verde, era uma de ultima linha e ótima para andar em alta velocidade, super macia, com rodas grandes.

Cheguei na escola de Max, quando entrei vi um conjunto de armários meio amassados, arregalei os olhos, ai meu Deus, o que aconteceu? Comecei a correr até a sala do diretor e lá estava Max, sentado numa poltrona na secretaria do lado de fora da sala do diretor. Ele mexia as mãos e estava de cabeça baixa olhando pra elas.

- Max — chamei enquanto me aproximava.

- Oi mãe — ele me olhou, parecia assustado.

Percebi que tinha um garoto sentado na poltrona de lado oposto, era um garoto amorenado, com olhos verdes e cabelos pretos, bem pretos. Ele ficava me olhando de esguelha.

- Tá tudo bem querido? — fiz carinho na cabeça de Max e comecei a passar a mão em seus cabelos.

- Mãe... eu... — ele parecia em pânico.

- Senhora Maximoff? — uma mulher perguntou.

Virei para trás, era uma senhora meio gorda e velha, não tã velha, mas o suficiente pra ter cabelos brancos. Ela não parecia uma má pessoa, ela sorria e em sua mesa haviam alguns potes de balas.

- Senhora Parker, por favor — eu disse. — Maximoff é do pai dele.

- Claro, claro, me desculpe. O diretor está aguardando, se puder entrar? — ela apontou para a porta escrito "diretor".

Assenti, olhei pra Max, sorri e entrei na sala. O diretor era um homem com cabelos apenas dos lados, cabelos pretos ainda mas meio careca, ele era moreno, quase negro, ele sorriu e seus dentes são muito brancos. Haviam quadros pela sala, eu não prestei muita atenção neles, admito que eu estava um pouco assustada, afinal, para chegar no ponto de chamar os pais era uma coisa séria, pelo menos pelo que eu me lembre da minha época de escola.

- Bom dia Senhora Maximoff — sua voz era grave.

- Senhora Parker por favor. Maximoff é do pai de Max — respondi.

- Oh sim, claro, desculpe-me. Sente-se — ee apontou para a cadeira à frente da mesa dele. — Sou o Senhor Goyle, diretor da escola — é eu percebi lendo a plaquinha em cima da mesa dele e pelo escrito na porta.

Ele esticou a mão para me cumprimentar e eu correspondi. Sentei numa das poltronas pretas e ele se sentou em sua grande cadeira cinza reclinável e giratória.

- Então, o que aconteceu? — perguntei tentando parecer a mais séria possível.

- Vamos aguardar a Senhora Kyllan, o assunto diz respeito ao filho dela também — assenti e respirei fundo. — Desculpe mas, a Senhora é mesmo mãe do Max?

- Por que não seria? — perguntei ainda séria.

- A Senhora é bem jovem para ser mãe de um garoto de quinze anos.

- Mas eu sou — respondi cortando o contato visual.

- Oh, olá Senhora Kyllan — disse o diretor se levantando para recebê-la da mesma forma quando cheguei.

- Olá Senhor Goyle — ela sorriu.

- Senhora Kyllan, essa é a Senhora Parker.

Nos cumprimentamos assim que ela se sentou. A única coisa que ela tinha igual ao filho eram os cabelos bem pretos, seus olhos eram castanhos e ela tinha uma cara de cavalo.

- Bom Senhoras, chamei vocês aqui para relatar uma briga que houve entre seus filhos, James e Max.

- James? Meu James? Desculpe diretor mas não consigo imaginar meu James brigando, ele é um anjo.

Anjo? Seria esse tal James o garoto que implicou com Max e Nick no primeiro dia de aula?

- Com certeza esse garoto começou tudo.

- O QUÊ? — olhei pra ela com a cara mais incrédula possível. — Meu Max? Desculpe mas Max evita brigas desde quando era criança, ele jamais bateria no seu filho se não tivesse uma boa razão pra isso. Com certeza seu filho fez alguma coisa pra ele.

- Que absurdo! James...

- Bom Senhoras, tudo o que vi, foi James voando em direção aos armários e amassando-os e do outro lado estava Max...

- Esse tal James implica com meu filho desde o primeiro dia de aula, com certeza ele implicou com Max de novo, deve ter batido nele o que você queria? Que Max apanhasse calado? Desculpe mas não é isso que se faz na minha família ok? Não apanhamos calados, nós nos defendemos e não deixamos ninguém nos tornar inferiores — gritei.

- Desculpe Senhora Parker, mas ele machucou o outro garoto e seu filho está intacto.

- É claro que ele... — gritei e parei no meio da frase, não podia falar que meu filho tinha fator de cura rápida.

- Bom, Senhora Parker, infelizmente terei que suspender Max por duas semanas.

- O quê? E o garoto? — apontei para a Senhora Kyllan.

- Ele foi quem sofreu os danos, então não vejo razão para suspendê-lo.

Revirei os olhos nervosa. Senti meus dentes começarem a crescer, com certeza meus olhos não estavam nada amigáveis.

- Com licença.

Me levantei nervosa e saí da sala. Me deu vontade de bater a porta mas com certeza eu a quebraria, então fechei devagar. O tal James idiota estava olhando, ele realmente estava machucado e por um momento me deu vontade de socá-lo ainda mais. Olhei pra ele fuzilando-o e ele se sentiu intimidado, com certeza meus olhos estavam mudados.

- Vem Max — disse meio grossa saindo.

Max estava meio atordoado, pegou a mochila e veio correndo atrás de mim.

- Mãe, mãe, o que houve?

Eu não respondi e continuei andando e controlando minha força para não quebrar nada dessa maldita escola. Sentei na moto e mandei Max sentar, ele foi rapidamente. Comecei a dirigir em direção a nossa casa, mas passei direto por ela.

- Mãe... você passou da nossa casa — ele disse.

- Eu sei — respondi aumentando a velocidade da moto.

Ali "perto" tinha um lugar de brigas vale-tudo, aquelas brigas onde há um ringue e pessoas apostando em volta, o ringue fica num nível mais baixo, como aquelas brigas de galo. Não gosto de participar dessas para ganhar dinheiro, gosto das típicas de bares de luta mesmo, mas hoje eu queria algo diferente, eu estava com muita raiva acumulada e precisava me aliviar.

Paramos em frente ao bar, mandei Max descer da moto e entrei no bar. Max me seguia ainda meio atordoado, ele parecia assustado. Entrei e pedi uma bebida forte no maior copo que ele tivesse. Depois ele perguntou o que Max queria e eu respondi por ele que era água. O atendente riu e trouxe água pra ele, ele me olhou com uma cara irônica.

- Mãe, o que estamos fazendo aqui? — ele perguntou.

- Só arranjar uma briguinha — sorri como uma criança sorri ao saber que vai ganhar um picolé que pediu o tempo todo pra mãe.

Depois de três copos enormes da bebida mais forte do bar — bebi os copos direto, ou seja, estou muito louca agora -, perguntei ao atendente onde que lutava, ele me mostrou o caminho. Era um lugarzinho apertado e cheio de homens feio e fedidos, o lugar fedia à cachaça e sangue e aquilo me animou. Dei um pulinho de animação ao ver o ringue, um cara socava a cara do outro no ringue e sangue respingava seu rosto.

- Ah! Isso é demais — disse animada, meus olhos brilhavam.

- Mãe — Max me alertava. — Mãe, mãe, o que você vai fazer? Você não vai...

- Olá — disse pra moça que registrava os lutadores. — Gostaria de entrar — sorri.

Ela riu.

- Querida, isso é um vale-tudo, ou seja, vale até matar o adversário se ele não se render — ela disse.

- Eu sei — sorri ainda mais.

- Desculpe mas, você é uma garota muito magrinha e sensível e...

- Coloca meu nome aí oras — disse sem paciência. — Prometo matar meu primeiro adversário ok?

A mulher riu e colocou meu nome. Ela não acreditou em mim, ninguém acreditaria, mas mal eles sabem quem sou. Sou May, a garota rejeitada pelos pais, rejeitada pelos amigos depois que descobriu seus poderes, a garota que matou o pai e levou a mãe ao suicídio, a garota que é um experimento do governo, uma arma, a garota que participou da guerra mutante contra a cura, a garota que deteve Magneto na Estátua da Liberdade, a garota imortal.

Era minha vez de lutar, o cara era enorme. Na hora que ele me viu ele revirou os olhos e começou a rir.

- Estão de brincadeira comigo não é? Mandem um homem de verdade!

- Tá com medinho de perder pra uma garota é? — eu disse rindo.

Max assistia tudo, ele não tinha nenhuma reação. Ele parecia preocupado comigo, acho que o deixei longe de lutas tempo demais e agora ele está desacostumado.

- Ok, não me responsabilizo por nada em gatinha — ele disse. — Pode vir. Vem com tudo! — ele riu.

- Tudo bem — eu disse delicadamente.

Corri em direção a ele, dei um salto, pronta para dar um soco, ele colocou a mão para deter meu soco mas... pensem comigo, o que acontece quando um objeto é lançado no ar? Ele volta com mais velocidade, aumentando sua massa, certo? Foi o que aconteceu, meus ossos de adamantium ficaram mais pesados e quando soquei a palma da mão do homem, seu osso do braço rasgou sua pele, saindo pelo cotovelo. Caí no chão na pose mais heroica possível, foi clássico, foi épico, foi incrível, poderia passar esse momento em câmera lenta. O homem começou a gritar, as pessoas começaram a ficar espantadas comigo e eu sorri ao ver as expressões deles. Mas eu acabei? Não, ainda não, ele não se rendeu. Dei um chute super forte em sua coluna e a senti quebrar, agora ele estava paraplégico e depois ainda dei um soco na cara dele.

Ele estava morto, era o fim da luta. Dei um pulinho de excitação, os caras começaram a gritar animados também. Max estava com olhos arregalados. Agradeci a todos e mandei beijos. Quando saí da arena para a próxima luta, Max se encontrou comigo em desespero e pegou meus ombros, ele era um pouco mais alto que eu.

- Mãe, você tá louca? Você matou alguém!

- Eu sei — sorri.

- Você nunca fez isso antes.

- Nunca? Tem certeza querido? — comecei a rir.

Max não riu. Pobre Max, vendo a mãe no auge de sua loucura e raiva, mal sabe ele as pessoas que já matei, que fiz sofrer, meu currículo não é perfeito. Comecei a andar pra ver a próxima luta mas Max me parou de novo.

- Mãe, por que você tá fazendo isso? — ele me olhou nos olhos.

Respirei fundo.

- Porque estou com raiva! Muita raiva e preciso liberá-la! Sabe porque estou com raiva Max? — me aproximei dele e ele pareceu assustado. — Porque aquele seu diretor desgraçado culpou só você!

- O quê? — ele perguntou baixo sem acreditar.

- Sim, James saiu imune, enquanto você vai ficar suspenso por duas semanas da escola!

Tudo pareceu se encaixar na cabeça de Max, ele respirou fundo e ficou nervoso, ele fechou o punho e o levou à boca.

- Por que não tenta bater um pouco nos outros que estão dispostos a apanhar até a morte? — perguntei sorridente à Max e apontei para a arena.

Max fechou a cara e andou até a moça que faz as inscrições.

- Eu quero entrar — ele disse determinado.

Sorri ao ver aquela cena, agora sim ele estava parecendo ser meu filho.