Notas iniciais
May levará sua decisão em frente, ela irá embora, mas antes ela decide se despedir de uma pessoa, deixá-la ciente de que irá partir, como será a reação desse indivíduo?

Não contei a ninguém minha decisão sobre ir embora naquela noite, mas essa decisão me incomodou a respeito de uma pessoa. Tanto que não consegui dormir.

Max estava deitado, dormindo como um anjinho. Me levantei do lado dele com cuidado para não acordá-lo. Saí do quarto devagar para não acordar Remi. Andei no corredor até chegar na porta de frente para Remi. Hesitei um pouco antes de bater, mas eu precisava, precisava falar com essa pessoa pela última vez. Bati duas vezes na porta. Ela demorou um pouco para abrir.

- May? — ele esfregava os olhos, ele acabou de acordar com as batidas.

- Oi Claus. Posso entrar?

- Claro.

Ele abriu a porta mais um pouco e passei para dentro do quarto de Claus. Seu quarto era um pouco mais arrumado que o de Remi e não tinha uma mulher na cama praticamente nua, o que me deixou um pouco mais confortável. Ele fechou a porta.

- Algum problema May?

- Não — respondi imediatamente me virando pra ele.

- Eu vi você lutando, foi incrível. E eu achando que estava te protegendo — ele riu e olhou pro chão enquanto passava as mãos em seus cabelos.

- Na verdade eu nunca ganhei dele numa luta, foi a primeira vez que consegui — eu disse meio sem jeito.

- Peraí, você lutava com esse cara? — ele disse meio surpreso.

- É... quando eu era ingênua e estúpida.

Eu ri e ele me acompanhou.

- Claus... preciso te contar uma coisa.

- Pode contar.

Ele me olhou atentamente.

- Eu... vou embora — esperei uma resposta mas ele me olahava atentamente ainda, ele não expressava nada. — Amanhã de manhã — ele ainda não respondia nada, estava ali parado. — Claus?

- Por que? — ele disse com muita dificuldade. Quando ia começar a responder ele me interrompeu. — É por causa daquele cara? Juro que se for por causa dele eu o mato! — ele ficou nervoso.

- Não! Não é por causa dele — claro que era por causa dele, mas Logan não era minha razão principal e sim eu mesma e eles, todos eles, mas não queria Claus envolvido com Logan. — É só que... Max precisa de um lugar menos agitado pra crescer sabe... Você viu o que ele fez hoje.

- Então eu vou com você!

- Não Claus, você ficará aqui. Ficar comigo não é ma boa opção, acredite.

- Pôxa cara, você não pode ir embora — Claus olhou em meus olhos, parecia implorar.

- Desculpe Claus, eu realmente...

Então algo inesperado aconteceu, num piscar de olhos vi o rosto de Claus perto do meu, perto demais, seus olhos estavam fechados e seus lábios haviam tocado os meus. Sua mão segurava minha nuca e outra a minha cintura. Senti sua língua procurar a minha, mas não soube exatamente o que fazer, aquele movimento foi surpreendente demais. Ele então afastou seus lábios dos meus e me olhou nos olhos, eu ainda estava assustada.

- Desculpe — ele afrouxou as mãos da minha cintura e da minha nuca.

Eu ainda estava olhando-o. Ele parou, mas não queria que parasse, meus lábios pediam por mais. Por que? Meus lábios queriam os lábios de Claus, minha cintura queria sua mão. Mas não podia continuar, isso só tornaria a minha decisão mais difícil.

- Claus, pode me prometer uma coisa?

- Qualquer coisa.

- Finja que não lhe contei nada. Gambit ficará chateado se achar que contei só pra você.

- Ninguém saberá dessa conversa May.

Claus parecia triste. Ficamos olhando para o outro constantemente, meu corpo ainda desejando sentir aquele beijo novamente. Então passei por ele e fui em direção a porta, ele ficou de costas. Coloquei a mão na maçaneta, mas algo me dizia para não ir, eu precisava ainda resolver uma coisa que me incomodaria para sempre. Olhei para trás e Claus estava olhando pra mim. Andei até ele rapidamente, peguei em sua nuca e o beijei. Senti seu toque, seus lábios, sua língua. Aquele beijo foi intenso, ele dizia muita coisa, significava muita coisa, tanto para mim quanto para Claus, era uma forma de agradecê-lo, por tudo o que ele fez por mim, por toda a alegria que me dera.

O beijo demorou mais tempo que imaginei. Assim que consegui parar o beijo, saí do quarto dele e fui direto para o de Remi que dava acesso ao meu pequeno espaço. Max ainda estava ali, do mesmo jeito. Me deitei ao lado dele, passei a mão em meus lábios. Era algo novo, um sentimento diferente de todos os outros que tive, não sei explicar muito bem.

Assim que a manhã chegou, acordei Max, peguei minha mochila com meus pertences e de Max, coloquei nas costas, coloquei Max no colo e saí cuidadosamente para não acordar ninguém. Na saída, vi Claus sentado numa cadeira, sozinho, com um copo de uísque na mão. Nos olhamos e me despedi dele com o olhar. Claus rapidamente levantou da cadeira e barrou a porta. Ia começar a falar mas ele me interrompeu me mostrando a chave da moto dele. Ele não disse nada, apenas ficou me olhando nos olhos. Peguei a chave, ele parecia que ia chorar. Peguei a nuca dele com a mão livre que segurava a chave e o beijei novamente. Aquele beijo também demorou, encostamos nossas testas e ele não queria abrir os olhos, ele agora chorava mesmo. Fui andando em direção a porta e fui até a moto de Claus.

Sua moto nem chegava perto da minha antiga Harley Davidson, mas era muito bonita, era uma moto grande e meio alaranjada, mas era um laranja bem escuro, quase dourado. Coloquei Max sentado na minha frente, usei minha mochila como sinto para segurá-lo, dei a partida e parti rumo ao desconhecido. Sim, eu não tinha ideia para onde iria.

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Estou parada numa rua onde há belas árvores na calçada gramada. As calçadas são brancas e a única coisa que há nelas são as folhas das árvores que acabam caindo com o vento. Estou com uma calça de couro marrom discreta e uma camiseta branca bem colada. Meu cabelos estão soltos e ondulados como sempre. Estou usando óculos escuros RayBan, apoiada na moto de Claus que está estacionada.

Um sinal toca, escuto murmúrios e então um monte de crianças começam a sair da escola em frente. Os pais estão vestidos como dignos pais e vêm pegar seus filhos em seus carros completamente seguros, às vezes me sinto uma mãe irresponsável perto deles, mas não vejo diferença no meu filho. Mentira, vejo uma enorme diferença. Ele sorri mais que os outros. Não sei se vejo isso porque sou mãe dele, mas que ele parece se divertir mais, isso é verdade.

E lá vem meu pequeno Max, que não está mais tão pequeno. Max está com sete anos agora, seu cabelo liso está bagunçado de uma maneira encantadora, seu rosto cada vez mais se parece com Pietro. Ele vem conversando com um amigo. Seu amigo tem cabelos castanhos bem escuros, quase pretos. Uma garota passa ao lado dele e ele dá um sorriso pra ela. Ela sai tímida e ri com sua amiguinha. Então seus olhinhos encontram os meus. Coloco meu RayBan pra cima, ele sorri. Obviamente ele não tem vergonha de mim, a maioria das pessoas acham que sou irmã de Pietro, ele me disse isso. Isso não me irrita, pelo menos não agora. Ele se despede do amigo e vem correndo em minha direção. Desencosto da moto e vou abraçá-lo.

- E aí rapazinho, como foi a aula hoje? — pergunto passando a mãos em seus cabelos macios.

- Foi ótima, como sempre — ele diz com o ar metido que Pietro costumava ter. — Sabe como é... vida de garoto popular é assim mãe.

Rimos juntos. Claro que ele era popular, eu também era. Subi na moto de maneira bem sexy e firmei para que ele pudesse subir atrás de mim, desci os óculos e dei partida na moto.

Ah, esqueci de contar a vocês uma coisa interessante que descobri em Max recentemente. Um dia, em nossa nova casa, quando Max estava se arrumando pra ir à escola, ele tropeçou e caiu do topo da escada de cara nos degraus da escada. Então algo incrível aconteceu, ele passou direto por ela. Exatamente! Ele entrou nas escadas e aquilo me assustou, gritei chamando-o e ele simplesmente colocou a cabeça para fora em um dos degraus com uma cara que não compreendia o que aconteceu. "Você não me viu?", ele perguntou. Respondi que não, ainda meio histérica de susto. "Eu consegui te ver lá da escada, é como se eu estivesse debaixo d'água, eu consigo ver tudo e ficar flutuando aqui", ele olhou para baixo, parecia olhar seu corpo que estava dentro da escada ainda. Mandei ele sair dali e ele simplesmente continuou a caminhar pra frente, seu pé pousou no primeiro degrau e ele foi saindo como se realmente tivesse saindo de um tanque de água, uma cachoeira, ou seria tipo saindo de uma gelatina? Não sei explicar muito bem, foi bizarro. Mas desde então ele fica fazendo umas brincadeiras em casa, como "nadar" pelos cômodos e me surpreender. É... brincar de esconde-esconde com Max não tem graça. Ele não faz nada disso na escola, eu disse para que tomasse cuidado com esse lado, pois se as pessoas soubessem, teríamos que ir embora dali.

Bom... falando em nossa nova casa, cheguei e estacionei com a moto, ela tinha uma vasta grama verde na frente e uma pequena garagem ao lado da entrada. A garagem era grande para a moto. Meu jardim tem algumas flores vermelhas perto da cerca que divide meu terreno com os dos meus vizinhos. Nossa casa é branca e a porta é marrom escura com alguns vidros. Sim, vim morar em um subúrbio quase no fim do mundo. Max entra correndo em casa abrindo a porta e deixando-a aberta. Cumprimento minha vizinha que adora ficar de olho em minha vida. Ela sabe que não envelheço, disse a ela que foi uma benção genética, mas ela acha que tenho vinte e cinco anos, logo, tive Max com dezoito anos, ela diz ter pena de mim e eu não ligo, ela não sabe e nunca saberá a verdade.

Vocês devem estar se perguntando como consegui essa casa. Arranjei um emprego, não é o melhor emprego do mundo e Max é a única pessoa que sabe dele. Participo de lutas em um bar longe do subúrbio. Levo Max comigo às lutas, não é toda noite que vou e sim quando meu dinheiro está para o fim. As apostas das pessoas estão mais fortes em mim e isso faz com que eu ganhe mais dinheiro, o que me ajuda muito. Observação: eu sempre ganho as lutas.

Nós não temos TV em casa e nada de jogos eletrônicos, minha diversão e de Max é brincar de luta no porão. tenho sacos de areia, cordas para malhar e muitas outras coisas, até mesmo bonecos de borracha para chutar e socar. É muito bom para aprender a controlar meus instintos felinos, pois não posso liberá-los nas lutas de bar. Max está ficando muito bom em lutas.

Estou muito feliz morando nesse subúrbio, ele é tranquilo e, mesmo as pessoas gostando de cuidar de nossas vidas, eu adoro viver aqui, Max é muito feliz e eu também. Mas ainda penso o que deve ter acontecido com Remi quando descobriu que eu não estava mais lá, o que será que ele deve ter feito? E Claus? Quando penso em Claus, lembro de nosso beijo e de como foi doloroso pra ele me ver partir, por isso não tenho coragem de desfazer da moto, é o presente de Claus pra mim, é a lembrança que tenho dele e que vou guardá-la pra sempre.

- Mãe! — Max aparece deslizando o corrimão da escada. — Sabe o Nick?

- Não, não sei — eu realmente não tinha ideia de quem era.

- O meu amigo da escola mãe — Max me disse como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Sua voz não era mais fina, mas ainda não era grossa, fico imaginando como será a voz de Max grossa.

- Aquele com quem você sai todo dia? — Max assentiu sentando na bancada da cozinha onde comecei a pegar panelas para fazer uma comida para nós. — Então o nome dele é Nick ham...

- Eu não tinha te dito?

- Não.

- Então mãe... sabe o Nick?

- Agora sei — comecei a cortar a carne.

- Então, posso ir na casa dele amanhã?

Olhei para Max e ele estava com um sorriso no rosto e uns olhos que imploravam minha aceitação. O que eu diria? Max na casa de alguém? E se ele sem querer mostrar os poderes dele? O que fariam com ele? Não consigo imaginar Max na casa daquelas mães certinhas, brincando na casa certinha deles com os filhos certinhos deles, meu filho não era certinho, era hiperativo e atrevido como o pai, sim, ele tinha mais características de Pietro do que minhas.

- Mãe? E aí? Posso?