May - Parte V
8 Dia Solitário
Notas iniciais
No dia seguinte, estava novamente esperando Max encostada na moto. Ele apareceu ao lado do garotinho Nick. Max me chamou com a mão e fui até ele. Não gostava muito de ir até onde os pais perfeitos ficavam. Elas me olhavam com a cara torta. Não que eu me importasse, mas não quero chamar muita atenção para não ter que sair do subúrbio rápido.
- Mãe, esse é NIck, meu amigo.
- Oi Nick, tudo bem? — estiquei a mão para cumprimentá-lo.
Nick assentiu, pegou minha mão e a apertou meio tímido. Dei uma risadinha.
- Onde está seu pai? — Max perguntou para Nick.
- Bem ali.
Nick apontou para um lugar e começou a andar naquela direção. Max o seguia e eu ia atrás dos dois. Esse era o combinado que fiz com Max, precisava conversar com os pais de Nick, conhecê-los, para então saber se o deixaria ir ou não.
O que eu esperava do pai de Nick: ele seria um homem de terno, daqueles super bem-sucedidos e ocupados demais com o trabalho, ele estaria com pressa, um mal-humor incrível, olharia para um relógio no pulso a cada segundo. esperava que ele puxasse Nick e nem desse tempo de conversar. Porém, quando chego perto do pai de Nick, é exatamente o contrário que vejo.
O pai de Nick o espera com um sorriso, um sorriso que mostra todos os dentes, ele está com uma calça jeans escura e sapatos marrons estilo esporte. Usa uma camisa xadrez verde por cima de uma camisa branca. Seus cabelos são castanhos e encaracolados e curtos. Quando o vento bate em seu cabelo ele dança suavemente, parece ser macio vendo daqui. Seus olhos são castanhos e brilhantes, ele parece jovem, deve estar na casa dos vinte e sete ano, quase trinta. Ele é muito charmoso e nada apressado.
- Pai, esse é Max, o meu amigo — Nick apresenta Max.
- Olá Max, tudo joia? — ele levanta a mão e Max dá um tapa nela, essa é a forma de se cumprimentarem. Ele ri, a risada dele é sinfônica, é limpa, é saudável e agradável. Sinto um sorriso escapar do meu rosto.
- E quem é a mocinha que te acompanha Max? — ele olha pra mim com um sorriso.
- É a minha mãe — responde Max.
- Sua mãe? — ele parece surpreso. — Olá, tudo bem? Me chamo John — ele estica a mão para mim. — John Parker.
- Sou May — entrego minha mão a ele e a balançamos uma vez. — Só May.
- Só May? Nome interessante.
- Não, não — dou uma risadinha. — Me chamo May, não tenho sobrenome.
- Uma pessoa sem sobrenome? Isso é estranho. Briga de família?
- Praticamente isso — coloco as mãos nos bolsos traseiros da minha calça, estou meio nervosa e nem sei porque. Deve ser essa coisa de ser responsável pela vida de alguém.
- Max também não tem sobrenome?
- Ele tem sim. Max Maximoff.
- Soa engraçado o nome dele.
- É... só pensei nisso depois — balancei a cabeço, revirei os olhos e ri um pouco, eu batia em seu ombro.
- Por que não pegou o nome do pai dele pra você?
- Nunca nos casamos então... não tenho o direito.
- Ops... sinto muito.
- Bom... Max está querendo ir pra sua casa brincar com Nick. Está ciente disso?
- Estou sim — ele olha para Nick e bagunça seus cabelos escuros. — Pode ficar tranquila, ficarei de olho nele como fico com meu garotão aqui.
Sorrimos para o outro. Max me cutuca.
- E então mãe. Posso?
Fico pensando um pouco e por fim digo que ele pode ir . Ele pula de alegria e vai andando em direção a Nick. Eu o pego pelo ombro fazendo-o voltar pra mim. Ele parece surpreso com o que fiz.
- Vou acompanhar seu carro até sua casa, pode ser? Preciso saber onde você mora para buscá-lo mais tarde — digo.
- Claro.
Ele sorri e vai com Nick para o carro. Ainda segurando os ombros de Max, vou andando com ele em direção à moto. Me sento e desço o RayBan. Max se senta atrás de mim e envolve minha cintura com seus braços. Nós não usamos capacete. Não há necessidade depois de um pequeno acidente que me fez perceber que Max tem meus poderes de cura.
O acontecimento foi o seguinte: Max e eu estávamos fazendo uma pequena bagunça com água no jardim, uma guerra, tínhamos armas d'água e atirávamos no outro. Ele de sunga e eu de biquini. Enquanto Max corria de mim, ele não viu o garfo de tirar folhas do jardim e acabou pisando nele. Larguei a arma e fui correndo até ele. Ele ficou um tempo parado olhando as pontas que atravessaram seu pé, ele olhou pra mim e começou a gritar muito alto. Comecei a tirar o garfo de seu pé e ele gritava quando mexia nele e então decidi tirar de uma vez e ele deu um grito muito alto. Peguei-o no colo e o levei para a cozinha correndo para poder ligar para a ambulância, eu não podia levá-lo de moto nesse estado. Ele não parava de gritar até que houve o silêncio e nesse silêncio, olhei para trás e o vi observando o pé com muita curiosidade, me aproximei dele e percebi que seu pé estava se curando. Desliguei o telefone e fui até ele. Ele me olhou e perguntou o que estava acontecendo com ele e então lhe expliquei que era um certo poder de cura rápida, falei que ele herdou de mim.
Qualquer criança não mutante se acharia um super heróis, diria que é filho de super-heróis, mas Max sabia o que éramos, eu não escondi a verdade dele, ele não podia sair por aí achando que a sociedade nos ama como nos filmes de super-heróis, eles não nos amam, nos odeiam, se pudessem iriam nos extinguir. Max tinha mais um segredo para guardar e eu agradeci muito por ele ter herdado pelo menos isso de mim. Ou deveria lamentar por ele sofrer o mesmo destino que eu?
Finalmente chegamos na casa de John. Era uma casa um pouco menor que a minha, ela era marrom madeira, era bem bonita. Max desceu da moto assim que a parei e foi correndo até Nick. Eles correram para dentro da casa e só me deu tempo de gritar:
- Te pego às cinco ok? — tenho certeza que ele ouviu.
John aparece ao meu lado olhando para a porta onde os dois acabaram de passar e dá uma risadinha ao ver minha cara de preocupação.
- Sua esposa sabe que Max vinha pra cá hoje? — perguntei.
- Na verdade... não — ele respondeu.
- Oh meu Deus, devia ter avisado a ela. Max é meio hiperativo sabe? Ele não consegue ficar quieto um minuto sequer, a não ser quando dorme — suspiro. — dará um trabalho pra ela.
- Na verdade ela não terá trabalho nenhum. Minha esposa morreu.
Olhei para ele. Confesso que fiquei meio surpresa com a notícia.
- Não precisa ficar sensibilizada, foi difícil no início mas... conseguimos nos adaptar — ele sorriu pra mim e eu sorri de volta. — Criar uma criança sozinho nao é tão fácil para um homem, mas depois, quando eles chegam numa idade onde são um pouco mais independentes, as coisas ficam melhores.
- Te entendo. Se bem que, Max era melhor quando era mais novo, era menos hiperativo. Mudamos pra cá que tem mais espaço pra ele correr e mais agitação na escola e ele ficou mais assim — dou uma risadinha.
- Gostaria de entrar? Fique, almoce com a gente — ele me convida.
- Não posso — digo. — Não quero incomodar. Max já vai lhe incomodar muito.
Rimos um pouco e então vou andando em direção à moto e sento nela.
- Até às cinco!
Dirijo até em casa e quando chego sinto a casa vazia e silenciosa. Minhas pernas começam a balançar. Me sinto abandonada. Olho para o relógio mas as cinco horas nunca vem, são apenas duas e meia. Como será que Max está na casa de uma pessoa estranha? Decido lutar um pouco no porão para ver se a hora passa. Soco algumas coisas e cada vez mais fortes. olho para o relógio, são três horas. Puxa vida, será que cinco horas nunca chega? Não estou conversando com ninguém, não tem ninguém em casa. Vou para a cozinha, quero fazer cookies. É o que faço. Faço muitos e muitos cookies, quem sabe levo um pouco para John e Nick também?
Então finalmente as cinco horas chegam. Saio correndo pra moto e vou rapidamente até a casa de John. Toco a campanhia e um John risonho vem atender a porta.
- Olá May!
- Olá, vim buscar o Max.
- Oh, claro, entre, vou chamá-lo.
Entrei na casa de John, ela era bem confortável, a única diferença da minha era que ele tinha televisão na sala, uma TV enorme. Ele subiu as escadas e chamou Max. Olhei para o lado da cozinha e acabei me lembrando dos cookies, que aliás, esqueci de trazer. balancei a cabeça e lá vem o meu filhinho lindo correndo.
- Oi mãe! — ele desce as escadas pulando e vem me abraçar.
- Oi querido. Se divertiu? — fiz carinho em sua cabeça e beijei o topo.
- Muuuuuito — ele disse com um grande sorriso.
- Obrigada e... desculpe qualquer coisa — falei para John.
- Nada, foi um prazer enorme receber Max aqui.
Nos despedimos. Max me contou tudo o que fez e aquilo me encheu de alegria, a casa estava agitada novamente, ela estava completa. Era tão bom ver meu bebê falar desesperadamente e comer seus cookies. E nossa, como ele lembrava Pietro, até no menor de seus movimentos. O jeito da boca quando está tirando vantagem, as piscadas sedutoras, o jeito de passar a mão nos cabelos, tudo.
Max e eu tínhamos nossos próprios quartos agora e isso era muito bom. Ele precisa de um quarto próprio e eu também, como no Instituto, mas agora esse quarto era completamente meu.
Na manhã seguinte, me lembrei de que precisava trabalhar a noite, o dinheiro já estava acabando e dessa vez terei que compensar o outro mês que não fui, ou seja, lutarei duas vezes esse mês. Não gosto de levar Max e então percebo uma oportunidade, será que John ficaria com ele pra mim? A noite Max é bem mais comportado, mas.... o que eu diria a ele? Que vou sair para trabalhar a noite? Ele vai achar que sou uma prostituta. Preciso pensar em como posso fazê-lo ficar com Max essa noite mas preciso ser sutil, não posso parecer que estou explorando-o também. Puxa, nunca pensei que ficaria confusa em decidir uma coisa tão fútil como essa. Logo eu que já destrui uma garota de adamatium, invadi a Estátua da Liberdade, fugi de um laboratório experimental do governo, lidei com motoqueiros bêbados e pervertidos, participei de uma luta (ou seria massacre?) de mutantes contra humanos. E agora estou aqui, com medo da resposta que um humano qualquer poderá me dar se pode cuidar do meu filho ou não a noite pra mim, estou com medo de incomodá-lo. Será que estou me tornando mais... humana?
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