Mas por que, Benjamin?
2 Capítulo 2.
Notas iniciais
Eu estava tentando mesmo prestar atenção na aula, mas era impossível. Na verdade, eu havia parado de prestar atenção até mesmo em Ben alguns minutos depois de ter uma queda enorme por ele. Não posso fazer nada, eu sou assim, viver rápido e morrer cedo.
Eu devia mesmo ter tomado os meus remédios, afinal, um cara daqueles não merceia ser ignorado de um jeito tão grosseiro, mesmo que eu estivesse me esforçando muito para prestar atenção naqueles olhos, eu não conseguia.
Enfiei a mão na mochila preta e procurei a cartela de remédio que eu havia pego no carro do Peter mais cedo. A tarefa não seria tão difícil se eu não fosse um grande de um acumulador de coisas imprestáveis. Eu estava tão desesperado pela minha cartela de remédios que não percebi que estava jogando as coisas sobre a mesa que eu dividia com Ben, não estava prestando nem atenção nas coisas que eu estava jogando na mesa.
— Ok, seus desgraçados, onde vocês se meteram? – Murmurei.
— Quer ajuda? – Benjamin perguntou um pouco confuso.
— Continue fazendo o que você estava fazendo. – Respondi.
— Bem, na verdade eu devia estar te ajudando com os exercícios de física, mas...
— Você quer ser físico? – Perguntei me virando para o garoto. – Quer ser astrônomo ou astronauta, ou alguma coisa que envolva física?
— Não. – Ele me respondeu mais confuso ainda.
— Então para que você quer aprender física? – Voltei para a minha bagunça quando terminei de esvaziar a minha mochila. – Estude biologia, pode salvar a vida de algum pobre coitado.
— Alec?
Não respondi.
— Alec?
— Sim? – Soei um pouco mais grosseiro do que eu pretendia.
— Todos estão te olhando como se você fosse louco. – Ele falou com um tom debochado na voz.
Mais da metade da sala havia parado de fazer os exercícios para ver o meu pequeno surto enquanto eu procurava a maldita cartela.
— Todos são loucos, aceitem isso ou beijem a minha bunda. – Falei mais alto ainda. – Alguém viu uma cartela de comprimidos vermelhos e amarelos?
— Essa que está no seu bolso? – Benjamin pegou algo no meu bolso de traz e colocou sobre a mesa.
— Posso saber porque você estava olhando para a minha bunda? – Perguntei pegando um comprimido e engolindo sem a ajuda de água, cada um tem os talentos que recebeu de Deus, amém.
— Só estava checando se eu devia ou não aceitar a minha loucura. – Ele abriu um sorriso.
Depois de ficar constrangido e tomar meu remédio, eu guardei as minhas coisas na mochila e me foquei nos exercícios. Eu devia ter terminado a enorme lista antes que o professor voltasse, mas a tarefa era quase impossível.
— Tem algum nerd gay nessa sala? Ou uma garota? – Perguntei para Ben que quebrava a cabeça em um exercício qualquer.
— Tem o George e a Mag, por quê? – Ele apontou para um garoto de óculos de lente grossa e uma garota muito bonita para ser inteligente.
Estereótipos existem, eu cresci assim. Não me julgue. Já percebeu que eu estou quebrando a quarta barreira? É por causa do TDAH, faço isso o tempo todo.
— Nada não. – Respondi me levantando.
— Alec...
Caminhei até o outro lado da sala, a cadeira ao lado de George estava vazia, provavelmente seu companheiro de sala havia faltado ou ninguém queria ficar com ele, mas ele era um garoto bonitinho de certo modo.
Sentei na cadeira e esperei que ele olhasse para mim.
— Posso ajudar. – Ele disse meio tímido.
— Na verdade pode. – Falei. – Alguém já te... sabe?
Encenei sexo oral usando a língua dentro da boca. George ficou incrivelmente vermelho, ele provavelmente nunca havia saído com outros garotos, muito menos ter feito algo que Jesus não faria.
— Não. – Ele desviou o olhar. – Por quê?
— Eu preciso da lista de física. – Falei me apoiando na perna dele e me aproximando do seu ouvido. – Por favor.
— Você vai me chupar se eu te der a lista? – Ele estava suando.
— Não seja tão fácil, isso faz as coisas perderem toda a graça. – Mordi o lábio. – E não, eu não vou te chupar, mas posso te ajudar a conseguir várias bocas para isso, veja como uma troca de favores, você é um garoto esperto, provavelmente tem vários conceitos máximos, eu tenho quatro expulsões. Me ajude e eu te ajudarei.
— Pegue a folha. – Ele falou nervoso.
— Obrigado e você tem um belo volume. – Respondi saindo.
Quando voltei para minha mesa Alec me olhava incrédulo. Parte dele parecia estar com raiva por eu ter usado o garotinho, mas outra parecia estar animada.
— Você é um garotinho mau. – Ele falou, não entendi se foi um elogio ou uma ofensa, mas eu resolvi levar como elogio. – Como você conseguiu? Ele e tipo, o maior Zé Mané do mundo, ele não ajuda ninguém.
— Infle o ego, ou o pau de um cara, se você conseguir um dos dois você ganha algo. – Falei sorrindo para George que ainda estava constrangido. – Se conseguir os dois, você ganha o cara. Quer copiar?
— Quero. – Ben falou animado.
— Você terá que chupar o Georgezinho pra isso. – Puxei a folha para perto de mim. – Cuidado para não se afogar.
Ergui os dois indicadores.
— Você é impossível. – Ben falou sorrindo.
Cópia vai, cópia vem, fórmula vai, fórmula vem, alguém me cutucou no ombro. George estava parado ao lado da minha carteira, ele parecia estar um tanto quanto nervoso.
— O que foi? – Perguntei.
— Não acho que isso seja certo. – Ele disse. – Preciso pegar a minha folha de volta.
— Aqui está. – Propositalmente toquei ele. – Obrigado, Georgezinho.
Quando o garoto saiu eu me virei para Benjamin que estava em uma grande batalha com a calculadora.
— Foi maldade dar a minha folha para ele? – Mostrei que eu estava com a folha que tinha todos os exercícios feitos.
— Você não presta. – Ele falou ainda lutando contra a calculadora.
Olhei para George mais uma vez, ele acabara de descobrir que a folha que eu tinha entregado para ele não tinha todos exercícios feitos, apenas a metade. Antes que ele pudesse se levantar para me questionar ou qualquer coisa do tipo eu encenei o boquete com a língua mais uma vez.
— Pode copiar e não precisa chupar ninguém. – Falei passando a lista para Ben. – Vou ao banheiro, se o Morsa voltar diga que eu fui falar com a Marta Morta ou qualquer coisa do tipo.
— Eu posso dizer que você foi ao banheiro? – Ele perguntou sarcástico.
— Claro. – Respondi saindo da sala.
Me dirigi para o banheiro do andar, afinal eu precisava me aliviar antes de sair fazendo um tour por todos os corredores de todos os andares e dar uma passadinha no ginásio e na piscina.
Por alguma brincadeira do universo, toda santa vez que eu entro em um banheiro da escola alguém está fazendo alguma coisa errada. E dessa vez não foi diferente.
Um garoto de cabelos pintados de vermelho estava sentando no balcão da pia fumando um cigarro um tanto quanto suspeito enquanto lia um livro de capa vermelha.
Tossi duas vezes. O garoto quase caiu da pia, mas depois de se reequilibrar ele gargalhou junto comigo.
— Quer me matar do coração? – Ele perguntou apagando o cigarro com água da torneira.
— Você não devia fumar aqui, é burrice. – Falei entrando em uma das cabines.
— Eu nunca te vi aqui. – Ele falou. – Você é novo?
— Sim, eu sou Alec Shallow.
Quem diabos puxava assunto com uma pessoa enquanto ela mijava? Eu definitivamente entendo cada dia menos as pessoas.
— Eu sou o Wigles. – Ele falou. – Na verdade meu nome é Aras Wiglesworth, mas tomo mundo me chama de Wigles.
— É um prazer. – Falei indo lavar as mãos.
— Qual é a sua sala?
— 431.
— Você estuda com o Ben? – Ele falou animado.
— O Ben estuda na 431? – Perguntei erguendo uma das sobrancelhas.
— Sim.
— Então é lógico que eu estudo com o Ben. – Sorri para amenizar a patada.
— Você é malvado. – Com certeza ele estava chapado. – Vai se dar bem com a Becky, ela também é um tanto quanto malvada.
— Nem sempre as pessoas malvadas se dão bem. – Falei saindo do banheiro.
Quando eu voltei para a sala o professor ainda não tinha voltado.
— No banheiro tinha um chapadão que é seu amigo. – Falei para Benjamin que estava terminando de copiar a lista.
— Wigles? – Ele perguntou.
— O próprio. – Respondi. – Ele falou que eu me daria bem com uma tal de Becky, mas eu não sei porque ele pensou que você me apresentaria aos seus amigos.
— Porque você é novato, as pessoas aqui acolhem os novatos. – Ele sorriu.
— Você é o pior tipo.
O pior tipo, os idiotas bonzinhos que tiravam os meus pés do chão. De fato, eu tinha uma queda por esse tipo de pessoa, talvez fosse por conviver com pessoas tão ácidas. Porém, como já dizia o meu irmão “Você é uma vadiazinha, as vadias dão prazer, mas não dão amor”. E de fato eu nunca havia sentido algo sério. E se eu tivesse sorte eu não sentiria.
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