Maryhelen Hatet (spin-off The Sister)
5 Ponto final
Notas iniciais
Novo capítulo no ar, e uma revelação ;) , assim como uma pitada de suspense *que eu adoro*.
Mais uma vez, agradeço a todos os reviews, e digo que os colocarei em dia! Não esqueço de nenhuma de vocês, viu?
Vamos lá? ^^
Fate estava se despedindo em meio a um abraço, quando um vampiro enorme surgiu do nada na frente da porta da casa de Hatet. Fate e Hatet estavam a dois metros de distância um do outro antes que Maryhelen pudesse terminar de respirar.
— Como foi sua noite leelan? — disse Phury segurando Fate do seu lado esquerdo. O lado oposto da adaga presa em sua coxa, é claro.
— Ótima nallum. — disse Fate dando um olhar inquisitório para Phury, porém um sorriso brincalhão no canto da boca. — Nós estávamos...
— Eu não a ataquei guerreiro. Ela me deu um abraço involuntário e sem segundas intenções. — disse Hatet com um surpreendente sorriso no rosto.
Não era um sorriso presunçoso, ou de ironia. Era um sorriso que ela não via fazia anos no rosto do macho. Era o mesmo sorriso que Bahrbo e Hatet compartilhavam antes de iniciarem uma briguinha combinada. Porém o guerreiro não achou engraçado, tampouco Maryhelen.
— Meu problema não é com ela. É com você. — disse em uma voz de gelo, cortante como diamante, porém rouca e baixa, ameaçadora. Todas as diretrizes apontavam para um confronto, mas Maryhelen sabia que isso não ocorreria, devido a situação atual de Fate. Esta revirou os olhos e alisou mais uma vez a barriga. Ela levantou seu olhar para Maryhelen, que sorriu quase sem vontade, pois ela queria ter uma conversa franca com Hatet, acabar com tudo e ir embora, como havia planejado — Já avisei para não tocá-la.
— Pode segurar seus hormônios guerreiro, não pretendo "tocá-la" novamente. Porém espero vê-la logo, e isso depende única e inteiramente de que você cuide bem da fêmea que tem nas mãos. — disse Hatet de forma respeitosa, porém na defensiva, referindo-se a morte, ou não de Fate durante ou depois do parto dos gêmeos — Não deve-se deixar a flor do jardim murchar.
Maryhelen estava distraída neste instante, olhando as unhas arruinadas. Sentindo-se como elas. Afinal o que era aquilo de flores no jardim? E por que diabos ele estava falando isso para o guerreiro?
O silêncio cortante foi o que fez Maryhelen levantar os olhos para a conversa, mas ao invés de encontrar uma cena hostil, ela se deu com um par de olhos cinza a fitando.
Quando ela foi incluída na conversa?
Maryhelen se ajeitou e piscou várias vezes antes de perceber que Fate lhe estava dando um abraço de despedida.
— Vai ficar tudo bem, Elle. Eu te adoro minha amiga. Muito. — disse com a voz engasgada, e Maryhelen segurou o choro e lhe afagou as costas.
— Eu também Fay. Cuide-se. — foi a única coisa que ela conseguiu falar. Phury segurou suas duas mãos e a beijou em um gesto de muito cavalheirismo. Hatet ganhou um aceno de cabeça distante, quase um "vejo você nunca mais". Fate foi para o banco de trás da SUV com ajuda de Phury e lhe deu um aceno tímido, antes de partirem.
Machos vinculados eram perigosos, definitivamente.
— Vamos? — a pergunta veio acompanhada da mão de Hatet agarrando a sua.
Ela queria aceitar o gesto, mas teve de rechaçar, pois era difícil ambos se controlarem quando estavam em contato. Ela puxou a mão sem delicadeza a apertando contra as costas. Hatet não tentou tocá-la de novo.
Estavam dentro da casa de Hatet, a televisão ligada passando uma reprise da Ellen Degeneres. Hatet passou mão no controle remoto e desligou. Hatet claramente queria todas as atenções de Maryhelen para ele.
— Está com sede? Posso pegar vinho, ou chá. Ainda tem os que você comprou no armário — claro, sua dieta era incluída de pizza, Budweiser, Heineken, Corona e qualquer outra coisa que contivesse álcool.
— Não obrigada. — disse baixo, até mesmo difícil para si mesma ouvir.
— Quer que eu peça uma pizza, ou eu posso cozinhar se você não estiver com pressa. — Ha! Hatet cozinhando para ela? Ela desejava de viver para ver isso acontecer um dia.
— Não obrigada. — disse mais uma vez, acompanhando de um suspiro.
— Ouça Elle — ele parou, e ficou quieto por uns longos segundos — Elle?
— Sim. — disse fitando o outro lado da sala, onde havia um quadro com desenho abstrato, que ela havia colocado ali, pensando que ele gostaria de ver. As cores eram animadas, mas não eram femininas, era daquele tipo de quadro que você encontra em um escritório de um advogado, ou psiquiatra. Devaneou.
— Está me ouvindo? — ele bufou — Eu acho que você não está me escutando.
— Não preciso olhar para você para escutá-lo. — ela não precisava olhar nos olhos cinza dele e imaginar a cena dele se deleitando com outras mulheres ao seu bel prazer. Talvez fazendo tudo que ele nunca faria com ela.
— Elle, eu preciso da sua atenção — disse com impaciência.
— Se procura atenção por que não a vai buscar no Iron Mask? Por alguns dólares você terá muita atenção por alguns longos minutos. — Ela sabia que estava sendo injusta, mas estava cansada de vê-lo ser tão fechado com ela. Ele sabia muito dela, mas nunca contava nada sobre ele.
Tudo havia acontecido como ela previra, e temera. Eles era incompatíveis, como seus pais haviam falado tantas vezes.
— Escute, eu cometi um erro. Na verdade eu cometi muitos erros com você. E eu acho que as desculpas não surtem mais o efeito que eu queria que tivessem na nossa relação.
— Uau! — disse ela o interrompendo, porém sem alterar a voz — Nós temos uma "relação".
— Inferno — Hatet praguejou baixinho. Elle sentiu como ele andava de um lado para o outro da sala.
— Não precisamos ter essa conversa, eu já vou. — disse recolhendo a bolsa no sofá, e se dirigindo para a porta, quando viu que o braço de Hatet estava entre um batente e outro da entrada. — Deixe-me passar.
— Por que não me olhou nos olhos a noite toda?
— Eu o fiz.
— Então faça de novo — disse com a voz baixa.
Maryhelen pode sentir o calor de seu hálito tocar sua orelha e o pescoço. Ela reprimiu fechar os olhos e lembrar de que sua boca já esteve justo ali. Ele estendeu a mão e tocou de leve seu queixo, na tentativa de fazê-la olhá-lo, mas era arriscado demais esse tipo de contato.
— Eu não quero — disse se livrando dos dedos de Hatet.
— Não quer que eu a toque? — ela não falou, apenas balançou a cabeça negando. — Quero ser suave com você. Percebi que...
— Não precisa. Eu não preciso, e você não quer.
— Você ainda não sabe o que eu quero. — ele disse se aproximando mais uma vez de seu rosto. Porém Maryhelen saiu de seu alcance antes que ele pudesse tocá-la. Ele ficou com a mão estendida no ar.
— Vamos logo com isso, não temos a noite toda.
— Temos sim. E o dia se necessário.
— Não quero ficar o dia inteiro presa aqui com você.
— Elle, eu quero fazer nós dois funcionar.
— E lá vem você de novo com essa de nós dois. Não existe nós dois.
— Existe. E você sabe muito bem do que estamos falando. — desde quando ele começou a falar na primeira pessoa do plural com tanta facilidade?
— Pare de incluir o "nós" na frase. Nunca existiu um "nós" na nossa "relação". Você sempre deixou claro que trepar comigo sempre foi um erro. Um motivo de arrependimento para você. Estava sozinha lá.
— Não use a palavra trepar. Eu nunca trepei com você. Eu trepei com outras mulheres. Como você nunca foi assim.
— E o que foi aquilo além de uma trepada? Não se "faz amor" pensando em outra!
— Eu não estava pensando em outra quando fizemos amor, quer sabe em que eu estava pensando? — foi uma pergunta retórica, mas Maryhelen não se conteve e respondeu elevando a voz algumas oitavas.
— Estava pensando na Fate! Que era ela naquele quarto, no carro!
— Não! — disse Hatet gritando pela primeira vez — Eu pensei em como eu fui um idiota em deixar você debaixo dos meus olhos sem perceber que eu te queria! Eu queria você desde quando meu corpo reagiu naquele quarto do Complexo da Irmandade, depois do resgate da Fate! E eu te queria muito antes, quando o cheiro do seu perfume se instalava no meu nariz!
O estalar de um soco atingiu a porta.
Pedaços de madeira voaram pela sala.
O ar saiu dos pulmões de Maryhelen. Não porque ela estivesse com medo de se tornar o alvo de Hatet, mas sim pelas palavras que ele disse.
Ele a queria?
— Desculpe-me. Eu não quis te assustar. — disse se jogando no sofá e enterrando as mãos nos cabelos castanhos. Eles estavam mais compridos na frente, e cortado com perfeição na nuca, da mesma forma como ele usava antigamente. Da forma como ela gostava. — Vá em frente, me xingue... Porra, me bata! Só não fique aí calada, enfrentei seu silêncio a noite toda.
O que ela diria? Que o queria também? Ela tinha esse direito agora?
Dizer isso não resolveriam as coisas. Havia muito mais entre eles.
***
— Acaba por aqui Bahrbo, filho de Harag. Não posso realizar mais um dos seus desejos. Acha que sou alguma fada madrinha? — disse a Virgem Escriba a Bahrbo, que tinha vontade de arrancar os cabelos por ter uma reunião tão indigesta.
Ele não era do tipo que pedia favores. Definitivamente não. Ele fazia as coisas acontecerem. Porém no estado atual dele, estava de mãos atadas, e recorrer a Virgem tinha sido seu último recurso.
— Não, vossa Santidade. — disse abaixando a cabeça — Porém tem de entender que as coisas estão erradas. Não deveriam estar como estão. Não foi isso que me propus.
— Ah! — disse a Virgem jogando as pontas do manto negro para cima em sinal e exasperação — Os filhos de Harag sempre com propostas e pedidos. Eu não vou aceitar mais.
— Vossa Santidade! — disse Bahrbo lhe chamando mais a atenção — Vós sabeis que não está correto! Precisa ajudá-la! Se me desse apenas algumas horas, eu mesmo o faria.
— Se eu te desse apenas alguns minutos eu sei que você o faria Bahrbo — disse em voz de compreensão — Porém eu não posso interferir de nenhuma forma. Já fiz demais. Se você está aqui, e ela lá, agradeça ao destino. Isso é o equilíbrio. E se algo está fadado a acontecer, apenas aceite.
— Não foi isso que me propus. Propus a ajudá-la, e estou limitado preso a esta forma. Preciso voltar e fazer como fiz da última vez.
— Antes, você agiu muito bem. — disse a Virgem Escriba tomando um passarinho em seus dedos etéreos.
— Não sei se será o suficiente agora.
— Tente.
— Não posso arriscar. — a Virgem Escriba levantou o capuz do manto dos seus olhos, revelando seus rosto impecável e o fitou longamente.
— Nem eu posso arriscar.
Bahrbo sentiu seu sangue ferver nas veias. Ele apertou as mãos em punho, se inclinou em um gesto de reverência.
— Com sua licença.
Girando nos seus calcanhares, ele saiu do salão sem permissão. Antes de chegar a porta principal, ele respirou fundo três vezes. Precisava se acalmar.
As coisas estavam indo de mal a pior, e não ter ajuda — aliás, o fato de precisar ter ajuda — não o agradava. Ele precisava encontrar uma solução rápida. Em breve, Fate teria seus bebês, e ninguém sabia o que aconteceria. Maryhelen não podia ficar desamparada. Ele a havia cuidado durante muito tempo, e tempo era relativo se tratando de um propósito.
Ele tinha que fazer alguma coisa.
Bahrbo lembrou-se que não poderia revelar sua verdadeira aparência perante a ninguém, então fechou os olhos e se concentrou. Fixou-se nas batidas de seu coração, e logo sentiu o formigamento por todo seu corpo. Sentiu-se em milhares de pedaços e depois sentiu-se voltar.
Ele estava com a visão acinzentada típica, que na realidade não o incomodava, era como ver um filme antigo. Era turva porém focalizada, mas ele agradecia seus sentidos mais aguçados. Sua audição estava mais sensível, seu olfato mais apurado, seu paladar mais preciso.
Ele andou até a fonte principal, esperou que não tivesse nenhuma Escolhida a vista, e desmaterializou para a mansão, onde esperaria por Fate o resto da noite. Pois ficar ao lado de sua irmã, o fazia pensar, e neste preciso momento, era a única coisa que ele podia fazer.
***
— Mona não está! — disse Fate com um vinco entre as sobrancelhas.
— Sente-se, eu vou procurá-la. — disse Phury caminhando até a porta.
— Eu vou com você — disse decidida.
Quando Fate cismava com algo, era muito difícil tirar a ideia de sua cabeça. Phury apenas a abraçou e a levou até a cama. Lá, ele levantou seus pés com cuidado até os deixou no colchão. Retirou as sapatilhas que ela havia trocado pelas altas botas Louboutin, e acariciou seus pés. Ajeitou os travesseiros a suas costas no encosto da cama, e sentou-se ao lado dela.
— Está cansada. Mona deve estar em algum canto da mansão, eu vou achá-la.
— Ela não está. Eu não a sinto. — disse segurando sua mão.
— Não devia estar usando seu dom, você fica cansada.
Quando ela não respondeu, ele soube que deveria falar o que ele sentia. Porém como ele podia tocar em um assunto tão delicado com uma fêmea vampira prestes a entrar em trabalho de parto? Fate andava impulsiva, ansiosa, sem controle até. Ela estava tendo conversas com Mary, assim como ele. Ambos não tinham tocado no assunto de "não haver um depois", porém ele sabia que Fate estava tão quanto, ou mais, preocupada que ele sobre sobreviver ao parto.
— Venha, precisa beber — ele retirou o paletó, levantou a camisa até os cotovelos e fez um furo ele mesmo com as pressas em seu pulso.
— Ainda posso fazer os furos — ela tomou seu pulso com as duas mãos, e ele pode ver e sentir seus dedicados dedos em sua mão grande e bruta.
— Eu ainda posso te servir nalla. — ele viu os olhos dela sorrirem, e se fecharem.
Para um macho, servir sua fêmea era honroso e gratificante, e ele se sentia mais que isso. Ela havia lhe devolvido tudo, ele não sabia como recompensar.
Quando ela terminou, selou os furos, e o puxou levemente pelo colarinho.
— Beba de mim, antes que eu durma. — ele engoliu em seco. Phury queria beber, porém não queria deixá-la debilitada com o parto tão próximo.
— Quando eu voltar. — ele deu um beijo em sua testa, e se afastou da cama.
— Phury — ela disse em protesto — Não bebe de mim há muito tempo.
— Eu estou bem. E vou beber, não se preocupe. Vou buscar a Mona, não demoro. — disse andando até a porta.
— Não pode fingir que está tudo bem, que eu não vou morrer, porque é uma possibilidade. E também não pode se privar de se alimentar, já está emagrecendo. Beber de mim de vez em quando não vai me matar. — disse Fate em uma rajada apenas de palavras.
Phury congelou com a mão na maçaneta.
Isso não era justo. Muito.
— Quando eu voltar. Prometo. — disse sem olhar para Fate.
Ele a ouviu falar algo, mas ignorou. O recado de Hatet havia sido claro. Como se ele já não soubesse, e soou como um lembrete do qual ele deveria se lembrar sempre.
Eu provoquei isso, e eu sou o responsável pela vida dela.
— Phury, cara — ele deu com Butch no corredor com as mãos no bolsos e o cenho franzido — precisa vir ao estúdio do Wrath. Agora.
— O que aconteceu?
— Bom — Butch pigarreou e passou a mão pela nuca. Oh, infernos! Isso não era bom — Tem uma chamada para você.
— Quem?
— O amigo da Fate. — Como se não bastasse todo o clima, o cara ainda queria mais.
Quando Phury entrou no estúdio do Rei, não havia mais ninguém além de Butch e V. com ele. Phury atendeu logo ao telefonema.
— Pode falar.
As coisas que ouviu, não fizeram sentido a princípio. A voz do cara, estava distorcida, ou aflita. Phury não sabia dizer. As palavras saiam atropeladas, acompanhadas com um fungar atrás do outro, e um eco. Ele teve que pedir para Hatet repetir várias vezes, quando por fim entendeu do que se tratava.
— Não a deixe procurá-la. Não — fungar — será bom agora.
— Sim tem razão. Não se preocupe com isso.
— Quando eu tiver uma posição melhor, eu te aviso.
— Sim. Anote o número do meu celular. — após a troca de números e despedida, Phury desligou o telefone sentindo que as engrenagens do seu mundo estava girando ao contrário de novo.
— O que aconteceu? — perguntou V. o olhando com expectativa, assim como Butch.
— Nada bom.
— Bom, para ele te ligar por uma linha diferente do celular e Fate, nos presumimos. — disse Butch, mastigando um chiclete.
— Ele não quer que Fate sabia dessa ligação.
— Por quê? — perguntou Vishous levantando da cadeira.
— A amiga da Fate está clinica do Havers.
Notas finais
Hummmm o que vocês acham que aconteceu com a Elle? Palpites?
Não demoro! Então preparem-se! ;)
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