Notas iniciais
Olá florzinhas!
Antes de qualquer coisa eu gostaria de pedir desculpas, pois eu não tenho respondido aos reviews, e isso é uma coisa muito importante para mim, pois eu quero ouvir vocês! Senpre!
Depois gostaria de dizer que esse capítulo tá fofo demais! *.* Água com açúcar como diriam por aí.
E gostaria de lembrar que a minha página no Facebook para acompanhar as novidades sobre os próximos capítulos, e mais uma loucuras minhas é essa aqui: http://www.facebook.com/KhalyrTheSister
Espero que gostem! Bjus!

Maryhelen entrou em pânico. Ela não esperava a visita de seus pais tão cedo. O fato de ter um macho em casa, não era bom. Na casa de uma fêmea solteira, e viúva. Um escândalo. E tinha algo pior ainda, seus pais eram preconceituosos demais para conviver amigavelmente com alguém como Hatet.

Hatet era a escória da sociedade peculiaríssima da glymera. Ele fora criado pelos pais de Barhbo, depois faleceram, todos na glymera, o conheciam como: o agregado, o filhote desmamado, sem apoio, sem casa. A criança deixada à própria sorte para morrer. E no fundo Maryhelen sabia que era isso tudo que os outros, principalmente seus pais, pensaram que aconteceria com ele. Mas Hatet, foi um guerreiro em seu próprio mundo. Ele sobreviveu a todos os olhares preconceituosos e cheios de recalque da glymera. Aliás, lugar que ele sempre evitou, mas por conta da posição da família de Barhbo e Fate, ele teve que enfrentar. E fez muito bem. A glymera não o perdoou com duras críticas, mesmo ele não tendo tido culpa em perder os pais. A realidade era que Hatet e Fate dividiam a mesma opinião sobre a sociedade hipócrita que sempre fora a glymera, e todos sempre torceram os narizes para os dois em reconhecimento deste fato.

Depois da morte de Fate, ele se distanciou de tudo, inclusive dela. Vieram a encontrar-se novamente quando ela pôs os pés nos EUA com seus pais, e se encontraram casualmente. Justo quando Maryhelen pensou que nunca mais fosse vê-lo.

A relação dos dois se tornou sólida, pois eles tinham um ponto em comum: a perda. Ela perdera Barhbo, ele perdera Fate. E assim se reaproximaram de novo. Sua amizade com Hatet, nunca foi melhor, pois ele se tornou um amigo muito próximo, um confidente para seus momentos difíceis. Mas tudo mudou quando ela descobriu sua ex-cunhada, ainda estava viva. E Hatet sabia de tudo o tempo todo. Ela compreendeu que os dois queriam a manter distante de problemas futuros, mas acaso eles não pensaram na dor que ela sentiu? Maryhelen tinha Fate como uma irmã, e sofreu igual. Agora ela compreendia o porquê de Hatet se recusar a falar de Fate. Era porque ele não tinha a perdido, então ele não tinha nada a “se abrir”. Ela pensou que ele só estivesse bancando o durão, ou estivesse com a ferida aberta, e nada nem ninguém poderia curar aquilo, mas não, era tudo parte da mentira.

Hatet mentiu para ela. Fate mentiu para ela. E ocasionalmente, ela se enfureceu, mas os perdoou. Não poderia viver sem os dois, pois os amavam. Eles eram seus melhores amigos. Ela só queria que eles não a tivessem feito sofrer, e tivessem confiado nela. Bom, mas ela não iria remoer mais o assunto. Fate estava de volta, e Hatet... Bom, Hatet estava ali.

— Maryhelen — disse ele olhando embaixo da cama, e revirando o quarto por suas roupas, mas elas estavam no sótão. Neste momento ela torcia para que os seus pais não tivessem o visitado — Merda! Minhas roupas estão lá em cima.

— Dããã. Você não está vestido com elas — disse Maryhelen observando Hatet alisar os cabelos castanhos para trás freneticamente, enquanto segurava o lençol nos quadris, e seus punhos ainda tinham as echarpes amarradas.

— Eu não quero que eles deem de cara comigo aqui. Já seria ruim em uma situação normal. Assim — ele apontou para os gomos no abdômen, e Maryhelen não pode deixar de seguir seus dedos — É mil vezes pior. Se eles descobrirem que eu comi a filhinha intocada deles...

— Eu não sou nenhuma intocada! — ela gritou, e um barulho se escutou no andar de cima. Passos.

— Exatamente! Não mais! Eu seria o violador de intocadas. Além do famoso vagabundo filho de ninguém. — disse ele olhando ao redor — Você não tem uma saída de emergência por aqui?

— Não — Ela tentou soar o mais óbvio o possível — eu nunca precisei fugir da minha própria casa.

— Sua casa é uma armadilha contra si própria. Você deveria ter uma. — Maryhelen revirou os olhos.

— Fique aqui, eu vou buscar suas roupas e despachar meus pais — ela estava voltando para a porta, quando a mão de Hatet segurou seu pulso com tal delicadeza, que ela se arrepiou.

— Eu tenho que ir. Não posso ficar. — Maryhelen o olhou com o cenho franzido. Ele ia embora novamente? Ele a deixaria só novamente? — Não me compreenda mal, mas é que se eu ficar, eu seria um canalha pela terceira vez com você. E eu não quero isso para nós dois.

Mas eu quero que você seja uma canalha, pela terceira, quarta, quinta, sexta vez, até eu não poder ficar em pé.

Maryhelen pensou, porém reprimiu a vontade de falar em voz alta.

Em resposta, ela tirou a mão dela do toque dele, de forma rude, porém contra a sua vontade, ajeitou o roupão o puxando para mais próximo ao pescoço, abriu a porta e se dirigiu às escadas. Em nenhum minuto ela olhou par trás.

Quando chegou à cozinha, sua mãe estava desempacotando uma grande sacola com mantimentos na ilha da cozinha, e empilhando reservas de frutas, massas, e caixinhas de chás no armário.

Mahmen — Maryhelen disse com a voz baixa.

— Olá tahlly! Você estava aqui! Pensamos que você estivesse com Lyz, ou cuidando de algum assunto do Conselho. Seu pai está lá fora perguntando aos vizinhos de quem é aquela moto parada na calçada. Você sabe? — Oh! Pela Santíssima Virgem Escriba! A moto de Hatet!

— Não, não sei. — ela disse tentando parecer despreocupada.

— Vou avisá-lo para que ele possa chamar o reboque então. — Sua mãe tirou o celular do bolso e começou a falar com seu pai. Maryhelen poderia ter mentido, mas ela preferiu a vingança.

Hatet queria ir embora? Ele iria.

A pé!

— O que vocês vieram fazer aqui? — ela perguntou, ao pensar no que enfrentaria ao olhar de novo para Hatet.

— Muitas notícias boas tahlly! — disse Elipha toda empolgada enquanto servia um pouco de chá recém-preparado para Maryhelen em uma xícara — A primeira, é que seu pai e eu vamos voltar para Caldwell. Acabamos de comprar uma nova casa. Na verdade um apartamento no Commodore, sabe? É melhor assim, só estamos nós dois, a antiga casa era muito grande. Depois, temos uma surpresa para você, e acho que vai gostar.

Maryhelen respirou fundo. Uma notícia boa tinha sido dada a ela: chega de reuniões com o Conselho!

Mahmen, eu preciso subir e pegar umas roupas para juntar e levar à lavanderia. Conte-me depois, tudo bem? — Maryhelen tomou um gole do chá, e se esquivou rápido da cozinha, porém não rápido o bastante para ouvir...

— Ok! Seu pai e eu, gostaríamos de dar a notícia juntos! — Maryhelen gelou, pois dali não sairia coisa boa, ela pressentiu.

No andar de cima, pegou uma sacola de lixo, e enrolou de qualquer jeito as roupas de Hatet e as delas, tirou os lençóis e fronhas, os colocou todos juntos, para se livrar das provas do cheiro de sexo recente dos tecidos. E de suas próprias lembranças.

É tecido egípcio!

Ela pensou tarde demais, quando já tinha tomado a decisão de queimá-los.

Entrou correndo no quarto debaixo, Hatet estava esperando sentado na cama, com as mãos enfiadas nos cabelos, com os cotovelos debruçados nos joelhos. Ele parecia distante. De repente, se arrependendo mais uma vez por ter transado com ela. Um engano, um grande engano de Maryhelen pensar que Hatet poderia estar querendo algo mais para os dois.

Estúpida!

— Pegue suas roupas e saia! Desmaterialize para fora, eles não vão embora tão cedo. Vou mantê-los na sala, mas não garanto nada.

Maryhelen jogou a sacola no chão, que arrebentou, e espalhou todo o conteúdo pela escada, de alguns degraus, rolando para baixo. Hatet tirou o lençol dos quadris, ainda sentado, desamarrou as echarpes dos pulsos e levantou para pegar suas roupas. Ele fez tudo isso, sem tirar os olhos cinza dos dela, e com o maxilar trincado. Ele devia estar furioso por ter de pegar suas roupas no chão, mas o fez sem dizer uma palavra.

— Minha moto ainda está estacionada na frente da casa? — Ha! Espere para ver idiota.

— Você veio com aquela coisa horrenda até aqui? — dissimulou.

— Sabe que sim. — disse ele sem humor.

— Não, não sei. Já que você entrou pela janela do meu quarto sem minha permissão. Se aproveitando do propósito de eu estar bêbada.

— Não me aproveitei de nada. Não seja criança! — ele caminhou até ela e ficou frente ao rosto de Maryhelen a encarando. Seus narizes quase se tocavam. — Ao meu entender, foi você quem pediu.

— Você é um grande filho de uma puta! — disse Maryhelen explodindo de raiva, mas mantendo um tom baixo de voz. — Faça um favor para nós dois, vá até o clube e coma uma prostituta até dispersar toda essa raiva que você não pode liberar em mim agora. Beba da humana até não poder mais, e pense um mim quando o fizer. É o máximo que você vai conseguir de agora em diante. Não pense que você é insubstituível. — com isso ela subiu as escadas novamente em direção à cozinha.

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Maryhelen não checou para saber se Hatet tinha saído de sua casa ou não. Ela estava furiosa, mas se arrependeu de cada palavra do que disse à Hatet. Ela sabia que podia ser malvada quando quisesse. Ela já havia experimentado essa sensação de ter mil algodões fechando a garganta a impedindo de respirar, de falar.

— Oh! Thyron! Acho que já está na hora de contarmos a novidade à Maryhelen — disse sua mãe em tom de máxima alegria. Maryhelen estava sentada ao lado esquerdo de seu pai, Thyron, enquanto sua mahmen sentava-se a sua frente.

Ela e sua mahmen haviam preparado cordeiro com ameixa para o jantar, e estava cheirando muitíssimo bem. Maryhelen lembrou-se que tinha apenas bebido ao vinho na noite passada, e a refeição estava melhor do que realmente esperava. Na cabeceira, seu pai a olhava com um brilho no olhar que ela não via há muito tempo. Como ela desejava contar tudo à eles, porém eles morreriam de desgosto da filha deles, mais uma vez. Por não ter se apaixonado pela “pessoa correta”. O que no dialeto deles queria dizer: algum endinheirado da glymera, com o mesmo nível social, intelectual e cultural que você.

— Claro — Thyron segurou a mão livre de Maryhelen na mesa em um aperto firme — Tahlly, conhece o filho de Lohstrong?

— Hum — Maryhelen levantou uma sobrancelha inquisitória, suspeitando do que seu pai falaria em seguida — O de olhos díspares?

— Não tahlly — disse Elipha parecendo um pouco incomoda ao falar — Lohstrong apenas tem um filho lembrasse? — disse ela sugerindo o óbvio.

Claro, Lohstrong “deserdou”, vamos dizer, o filho mais novo. Como sempre, como mandava os costumes da glymera. De repente, Maryhelen olhou para seu redor enojada, e ligeiramente sem apetite. Ela tomou de um gole o vinho em sua taça.

— Maryhelen — disse pai usando o guardanapo — Entenda, nós estamos preocupados de você passar seus dias aqui. Sozinha. Ficamos preocupados com a sua distância, com essa casa sem segurança. Precisa de um companheiro, alguém para dividir a vida, os planos, para te proteger.

— E o que isso tem a haver com o filho de Lohstrong? — Maryhelen disse franzindo o cenho olhando seus pais alternadamente. — Oh! Não pode ser!

Tahlly — disse sua mãe — Não vamos forçá-la a nada. Seu pai e eu combinamos isso. Sabemos o quanto você não gosta de tocar no assunto. Principalmente por que sabemos que você é uma... Viúva. — disse respirando fundo, como se fosse muito difícil para Elipha lembra-se do assunto pouco agradável — Queremos apenas que você o considere. Conheça-o e... Quem sabe. — disse dando de ombros.

— Eu o conheço bem mahmen — disse Maryhelen se servindo de mais vinho. Sua cabeça doía pela discussão com Hatet, agora isso. Mais um pretendente, um de tantos que seus pais tentaram fazer com que ela se aproximasse — Pelo o que dizem, ele mandou uma guarda de honra para o próprio irmão — tomou mais um gole de vinho e elevou as sobrancelhas — Ah! É verdade, um equívoco meu! Ele participou da guarda de honra contra o próprio irmão. Eu vejo um hellren muito justo e protetor comigo no futuro, sim.

— Tenho certeza que ele teve seus motivos — disse Thyron aparentando impaciência.

— Claro papai. Ele teve, e terá muitos motivos o dia que ele decidir fazer algo parecido com sua futura shellan — disse irônica.

— Acredito que já bebeu vinho em demasiado para a noite de hoje — Thyron retirou a taça de sua mão e a despejou no balde de gelo.

— Sim. Quando eu chegar para ao jantar com um olho roxo e uma desculpa de que “cai”. Por favor, acreditem e pensem que eu sou uma shellan feliz. — disse com um sorriso forçado.

— Já chega. — Thyron disse em tom muito baixo. — Não se comporte com uma criança.

— Ah! Então quer dizer que sou uma criança falando o que eu penso a respeito do meu futuro, porém sou adulta o suficiente para conviver com um espancador?! — disse elevando a voz — Diga-lhe que agradeço, mas não estou interessada.

Maryhelen se levantou da mesa e foi até a cozinha, seguida por sua mahmen.

Tahlly — Elipha apoiou-se na ilha mantendo certa distância — Nós não a estamos forçando a emparelhar-se. Ele veio até nossa casa noite passada e perguntou por você. Não estamos sabendo de nenhum interesse por parte dele, apenas estamos considerando. Estamos pensando em você dessa vez. Não a forçaremos, acredite.

— Que bom para ele! E não tente amenizar as coisas mahmen! — Maryhelen se sentiu ofendida. Já estava com assuntos demais na cabeça — Quantas vezes eu tive de escutar o seu desprezo e o de papai contra Barhbo? Quantas vezes ouvi dizerem o quanto ele era um animal sem doma, quando ele apenas fazia proteger toda nossa raça cumprindo seu dever? Quantas vezes escutei que ele não me trataria bem, quando na verdade ele nunca sequer elevou a voz para mim? Eu não vou me emparelhar como uma aberração. Nem considerem! — Maryhelen repetiu as palavras ditas por Elipha após a morte de Barhbo.

“Esse macho era uma aberração, não servia para você.”

Maryhelen ainda lembrava-se do tom de desprezo em sua voz, como se a vida de Barhbo não tivesse significado nada para ninguém.

— Se quiserem ficar, bem, mas eu não vou mais ficar e escutar. — Maryhelen foi até seu quarto de cima, vestiu-se com o primeiro vestido que encontrou e foi até o quarto debaixo. Estava quieto, porém ela sabia que Hatet ainda estava lá.

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Hatet viu a expressão de Maryhelen quando entrou no quarto. Estava escuro, mas ele podia ver seus olhos azuis cheios de dor. Ele ouviu toda a conversa dos pais de Maryhelen, e seu coração se apertou tão forte, que seu desejo era subir e enfrentá-los. Proteger Maryhelen de todo aquele mal que as palavras de seus pais fizeram à sua amiga.

Inferno, não!

Ele arruinaria tudo, mais uma vez. Ele era expert em fazer merdas e deixá-las pior. Desta vez não. Ele preferia lhe dar com o mau humor e teimosias da garota.

— Elle — disse em um sussurro.

— Eles vão embora daqui a pouco. Poderá sair da casa sem precisar pular a janela. — disse com a voz estrangulada.

Ela foi até um dos armários no closet e fitou os casacos pendurados, sem realmente escolher um. Hatet se apoiou no batente a olhando de perto, mas sinceramente sem saber o que dizer. Maryhelen passou os dedos por um casaco de cashmere creme até os joelhos, e apertou a manga. Hatet a sentiu quebrar.

— Você ouviu? — ela perguntou sem se virar ou levantar o olhar para ele.

— Sim — Hatet disse depois de pigarrear, duas vezes.

— Você deve estar pensando: “Que vergonhoso, não?” — ela perguntou com uma gargalhada sem humor — “Uma fêmea que ainda precisa dos pais para conseguir um macho de valor para emparelhar-se”. Ou coisa pior.

— Não. Eu não pensaria isso de você. Eu te conheço e sei que você não precisa deles para nada. — e era verdade, Hatet sempre admirou a coragem da fêmea de enfrentar seus pais para ficar com Barhbo.

— Oh! Sim — ela disse colocando o casaco finalmente.

Hatet voltou para a cama e sentou na beirada apoiando os cotovelos nos joelhos. Ele entendia que ela precisava de espaço justo agora. Ouviu os soluços abafados pelas mãos de Maryhelen. Aquilo o partiu também.

Hatet apertou os punhos de raiva, pois ele não gostava de ver uma fêmea chorar em sua presença. E claro, sabendo que ele teria uma parcela de culpa, isso apenas tornou a raiva pior. Ele trincou a mandíbula e resistiu voltar ao closet para ver como a fêmea estava, porém seus pés o empurram para cima e o levam a Maryhelen que estava apoiada no armário com uma mão. Seus ombros subiam e desciam por conta dos soluços do choro, que ela tentava abafar com a outra mão para ele não ouvir. Sem pensar muito ele a tomou nos braços e a apertou forte contra o peito.

— Não quero que sinta pena de mim! — ela disse chorando desenfreadamente contra sua camiseta, que agora estava molhada com suas lágrimas.

— Eu não sinto pena de você. Você não é digna de um sentimento assim, eu te conheço muito bem para saber que não é verdade. — ele disse alisando uma mecha de seu cabelo e o afastando do rosto de Maryhelen. Um rosto perfeito. Não deveria haver tanta dor refletida neles, ele pensou.

Hatet a abraçou mais forte, o quanto pode sem machucá-la, e ela aos poucos cedeu o abraçando também.

O cheiro de primavera fresca invadiu seus pulmões, e Hatet beijou o topo da cabeça de Maryhelen gentilmente. Ela passou por ondas e ondas de soluço, como se estivesse esvaziando as frustrações há muito tempo presas no peito. E ele deixou, por que ele mesmo já tinha feito uma bagunça com a cabeça, e agora ele sabia, com o coração dela. Ele não tinha muito experiência com esse tipo desse tipo de situação. Nunca teve um relacionamento que tenha durado mais de 24 horas. Mas ele compreendeu que poderia permanecer assim, pois aquilo a acalmou.

Depois de alguns minutos, ele sentia seu peito encharcado das lágrimas de Maryhelen, e seu aperto um pouco mais frouxo. Seu coração não estava mais batendo desordenadamente, e sua respiração era normal. Então ele deslizou a mão por suas costas e a alisou em círculos a balançando de um lado a outro, como se faz com crianças para embalá-las antes do sono. Aquilo a confortou, e ele a pôs gentilmente para a cama.

O celular de Maryhelen tocou, ela o tomou nas mãos e olhou a tela sem expressar surpresa, pois certamente estava esperando a mensagem. Hatet não tirou os braços do seu redor. Não ainda.

— É Lyz. Ela quer remarcar a ida ao Screamers. Quer ir ao Sal’s para jantar agora.

— Você quer ir? — ele teve de perguntar. Hatet sabia que estar chateado e sozinho te fazia procurar encrenca, e pensou que para Maryhelen já bastava por essa noite.

— Na realidade... Não. — ele tomou o celular dela, discou as palavras “Desculpe, mas hoje não vai dar. Me ligue amanhã e iremos” com apenas uma mão e o deixou o aparelho na cabeceira.

— Descanse um pouco hoje — ele disse a olhando com serenidade.

Maryhelen fechou os olhos e se acomodou na cama em uma posição fetal. Hatet tomou sua mão tão pequena na dele, e a apertou um pouco para ela o olhar.

— Quando acordar eu já terei ido, mas queria te desejar uma boa noite. Mas não saia de casa hoje, e por favor...

— Por que você ainda a ama? Apesar de tudo? Eu quero dizer... Bom, ela sempre foi sincera com você. Mesmo antes, no Antigo País, ela sempre te tratou como um irmão.

— Eu não sei — ele respondeu.

Parando para pensar no assunto, ele também não compreendia esse “amor” que sentia por Fate. Talvez ele tivesse amado no começo, mas agora parecia mais como algo que ele havia se acostumado a sentir. Ele esteve pensando nisso esses últimos dias e aquilo ainda era confuso para ele entender.

— Não escolhemos isso para nós. — ela disse quase adivinhando seus pensamentos — Se eu pudesse escolher, eu — ela se interrompeu — Deus, eu teria feito tudo de novo com Barhbo.

— Teimosa — ele disse arrancando um sorriso torto de Maryhelen.

— Escuta, fica comigo até eu dormir, ok? — Wow! Isso foi inesperado. — Só mais uma vez. Eu nem vou me mexer. — Hatet teve de rir. Oh! Ele também não pretendia. Não para ser um cretino mais vez.

— Ok.

Hatet se arrastou até o lado de Maryhelen na cama, e encostou a cabeça no travesseiro enquanto ela girava o corpo para ficar de frente para ele e olhá-lo. Ela piscou algumas vezes, e ele também, os dois sem dizerem nada. Logo ela fechou os olhos e adormeceu.

Notas finais
Gostaram? Já adianto que o próximo capítulo é o inverso deste! Segurem-se nas cadeiras! Até breve!