Notas iniciais
Hey florzinhas!
Final de ano chegando e eu estou na correria. Vocês me perdoam só dessa vez? Juro ser a última!
Vivi Costa, MUITO OBRIGADA pela recomendação sua linda! E muito obrigada a todas a reviews empolgadas com a fic. Só tenho a agradecer.
Sem mais delongas, vamos ao capítulo! Prometi um capítulo diferente do capítulo fofo, então preparem os lencinhos. E não, não é nada com o nosso casal! Tranquilas.
Vamos lá então?

Hatet foi para casa andando. Ele poderia ter desmaterializado como qualquer outro de sua raça, mas ele preferiu assim.

Sua cabeça estava a mil. Um turbilhão de sentimentos o atacou na última hora. Ver Maryhelen tão frágil diante do poder que os pais dela exerciam sobre a vida da fêmea, o tinha deixado inquieto de alguma maneira.

Ele a havia deixado dormindo, e planejou sair uma hora antes do sol nascente. Acertou em cheio, pois quando finalmente saiu à rua, sua moto não estava estacionada onde deixara. Provavelmente foi mais uma da série de vinganças de Maryhelen.

Não tinha mais forças.

Ele não se importou dessa vez, apenas precisava tomar uma Bud e dormir. E foi o que ele fez. Em sua cabeça girava números e contas que ele já não sabia mais resolver. Tinha o coração apertado. Tinha saudades de algo que ele não sabia o que era. Sua vida estava uma bagunça, definitivamente.

Ele parou na porta de sua pequena casa, que ficava próxima aos portos de Caldwell, e respirou fundo. Sentiu-se aliviado por não respirar o cheiro impregnante do perfume de Maryhelen. Perfume que o estava deixando fora do eixo.

De uma coisa ele estava certo.

Ele fora tomado por uma paixão arrebatadora por Maryhelen. A questão era: por que agora, depois de tanto tempo?

Não perdeu tempo em ir de encontro à geladeira e pegar a primeira garrafa de Budweiser disponível. Voltou até a sala e sentou no sofá, como quem joga uma carga pesada ao chão. Puxou o notebook e procurou novas mensagens: zero.

Bom, assim não teria de se preocupar com nada, ou ninguém além de si próprio.

Hatet retirou o casaco que usava e o jogou ao chão sem cuidado. Ouviu um estalo oco, como uma caixa vazia.

Caixa?

Ah! É claro! A caixa que o advogado de Fate havia lhe dado. Ele pegou o casaco de volta, e xingou a si mesmo por não tê-la aberto mais cedo. Ele estava tão preocupado com Maryhelen que não teve a curiosidade.

E bom, lembrar-se de Fate fazia sua cabeça dar mais mil voltas, parecidas com um looping de parque de diversões.

Ele olhou a caixa de veludo preta, com um trinco de pressão prateado. Era de tamanho médio, e coube no bolso interno do casaco com facilidade. Sem perder mais tempo, ele destravou o trinco com um "prot!", e dentro havia um círculo. Um círculo malfeito, com um único arame de prata retorcido em duas voltas.

Sua mente o levou a tempos que ele não lembrava mais.

Uma época feliz apesar de tudo.

Hatet tinha 10 anos.

Ele pegou a caixa de joias antiga de sua falecida mahmen e retirou uma pulseira de uma única tira de prata. Mais precisamente um fio com um pingente de pedra.

Ele ainda não sabia que aquilo se tratava de um diamante, e o quão caro uma pedra do tamanho de unha valia. Porém ele tinha um propósito. Hoje era aniversário de Fate, e ele queria pedi-la em casamento. Ele tinha tomado coragem, e o faria.

— Você vai fazer o quê com isso garoto? — seu pai despertou, e o pegou com a caixa no colo revirando as joias de sua mãe. Porém ele não se importaria. Seu pai já não se importava com quase nada nos últimos anos.

— Vou dar para Fate. É aniversário dela. — ele disse estendendo a mão e mostrando a joia. — Posso?

— Venha aqui — Roxx sentou-se na cama, ao lado da velha penteadeira repleta de artigos femininos que Hatet tinha contato quando queria saber como seria sua mahmen sentada usando cada uma daquelas coisas. — É uma bonita escolha — disse seu pai o colocando sobre a coxa esquerda e analisando a joia — É aniversário dela hoje?

— Sim — Hatet disse olhando no fundo dos olhos cinza de seu pai, iguais aos seus.

— Não acha um pouco grande para o pulso tão pequeno de Fate? — Roxx perguntou levantando uma sobrancelha inquisitória.

Hatet considerou. Era sim, seu pai tinha razão.

— Acha que devo escolher outra coisa? — ele perguntou seguro que seu pai lhe daria uma opção que combinasse com a sua vizinha. E futura shellan.

— Por que você não o transforma em algo para ela? É apenas um fio de prata, pode ser retorcido. Um broche por exemplo? Eu o ajudo.

Hatet balançou a cabeça de um lado para o outro com veemência, fazendo seus cabelos castanhos se agitarem. Ele não queria um broche. Eles iriam se casar com aquilo.

Olhando para a peça nas mãos de seu pai, outra joia veio a sua mente. Um anel! Era assim que os humanos se casavam, Bahrbo disse isso à ele uma vez. Ele daria um anel à Fate.

— Um anel! Um anel pai! — ele exclamou.

Seu pai riu, mas tratou de ajudá-lo. Hatet estava feliz, pois era difícil vê-lo disposto.

— Aqui. Esta caneta deve ser do tamanho exato do dedo dela. Enrole-o aqui e não aperte muito. — Hatet fez o que seu pai havia lhe dito, e depois seu pai cortou e serrou a ponta para não machucar a mão da menina.

— Pai — Hatet corou antes de perguntar, ninguém mais sabia o que ele faria — Vou pedir para Fate se emparelhar comigo. Acha que ela aceita?

— Como? Quer se emparelhar com Fate? — Roxx ficou sério, e se agachou para ficar na altura de seus olhos. — Filho, isso não é uma coisa simples de fazer. Este tipo de pedido leva tempo, mas quando o tempo chegar, não hesite. Não deixe a flor de o seu jardim murchar.

Hatet não sabia o que aquilo significava, mas as palavras sempre estiveram com ele a todo o momento, e naquele dia, ele foi até Fate, e fez como tinha ensaiado.

— Hatet — ela falou franzindo o cenho e com o pescoço torto de curiosidade — Você não tem que pedir antes ao meu irmão?

Hatet girou a cabeça na direção de Bahrbo. Os pré-trans machos eram raquíticos antes da transformação, não tinham músculos, mas Bahrbo ainda assim era maior que ele. Hatet já havia brigado com Bahrbo, e tinha saído ralado e dolorido. Ele também sabia que o irmão de Fate era muito ciumento. Não, ele não faria isso agora, definitivamente. Não até que ele pudesse ser da mesma altura que Bahrbo.

— Meu pai disse que isso leva tempo. Acho melhor nós esperarmos — disse finalmente.

— Tudo bem, então. — Fate balançou a cabeça em acordo — E obrigada, eu gostei do presente.


Hatet sorriu com a lembrança de quando ele era um pirralho aparvalhado. Quando tudo era mais fácil quando se é criança.

Hatet puxou um ofício dobrado e leu calmamente.

H,

Não pensei em nada para lhe dar de presente este ano. E revirando minhas coisas, achei nosso anel de compromisso. Lembra-se dele? Me deixou esperando no altar seu grande filho da mãe!

Então, ele me lembrou tanta coisa boa, que quis compartilhar com você. E não sabia se poderia te ver. O gêmeos estão me dando trabalho redobrado. Porém achei que seria algo bom, de um passado bom que compartilhávamos. Você, Bahrbo, Maryhelen e eu.

Sinta-se beijado e abraçado. Feliz aniversário!

Fate.

Aquilo o pegou de guarda baixa. Fate era mestre em saber dar presentes para as pessoas. Todo os sentimentos que ele havia sentido à poucos minutos atrás, estavam expressos naquela carta. E isso porque a filha da mãe não tinha pensado em nada para lhe dar de presente...

Para ele "Os gêmeos estavam lhe dando trabalho redobrado", era quase um código para: Phury não sai do meu pé! E o Irmão não ia arriscar deixá-la sair para se encontrar com Hatet, mesmo que fosse para lhe dar um abraço de aniversário. Isso não. Pensando bem, ele próprio não queria que ela se arriscasse assim por ele.

E todo o resto era como eles costumavam ser um com o outro. Irmãos. Sem chances para margem de erro. Agora ele sabia.

Hatet desprendeu o fecho de sua corrente de prata, e passou o "anel" pelo meio. Ele sentiu como o metal ficava quente, da temperatura de seu corpo, como se fosse parte dele.

Com um suspiro se levantou, bebeu mais um engradado de seis garrafas de Bud, tomou um banho quente demorado e se jogou na cama, com o cabelo despenteado ainda molhado do banho, esperando que o sono chegasse e esclarecesse tudo no dia seguinte.


***

Maryhelen atendeu a porta envolta no roupão de seda que ela usava para se proteger do frio de dezembro de Caldwell. Ela não esperava encontrar Fate parada em sua porta, segurando uma barriga de sabe-se lá quantos meses, e com a escolta da Irmandade às suas costas.

Uau... Só... Uau! Os quatro machos estavam do lado de fora de uma SUV, armados até os dentes. Por instinto, Maryhelen puxou o roupão até o pescoço, e olhou o panorama. Acabou de boca aberta com o cenário às costas de Fate, que esqueceu de cumprimentá-la.

— Não vai me convidar para entrar? — disse Fate com um sorriso escancarado.

— Oh! Meu Deus! Desculpe. E não esperava sua visita em mil anos! — disse Maryhelen a puxando para um abraço de urso.

— Uns cem até vai, mas mil anos? Acha que eu demoraria tanto assim? — disse Fate com uma sobrancelha levantada.

As visitas surpresas estavam se tornando uma rotina. Maryhelen imaginou quem seria o próximo e se arrepiou ao pensar que poderia receber uma vista indesejada.

Antes de entrarem, Fate acenou com a cabeça para seu hellren Phury, que lhe devolveu um sorriso amplo. Ele se meteu em uma SUV com os membros da Irmandade e saiu para a noite.

— Ele está nervoso — disse Fate após a saída dos machos — Tohr está empoleirado no telhado da casa em frente e Phury acha que eu não percebi quando ele foi. — disse dando de ombros — Daqui a pouco ele volta para vigiar.

— Está desobedecendo seu hellren? — Maryhelen pôs as nãos nos quadris — Devia respeitá-lo. — Fate se pôs a rir, sua risada sonoramente divertida.

— Eu não sou uma fêmea enclausurada. Estou longe disso! Mas tive que negociar, ele estava irredutível. — Fate franziu o cenho, olhando Maryhelen com curiosidade — Você não é nenhum exemplo de obediência! Quem é você? Devolva a Maryhelen verdadeira!

Maryhelen gargalhou, e se perguntou quando foi última vez que deu uma gargalhada tão sincera. Era tão bom estar perto de Fate novamente. Sempre foram tão unidas, compartilhavam tudo. Em um gesto que não faziam havia muito tempo, ela entrelaçou o braço no de Fate, e a puxou para a sala de estar.

— Me conte! Como estão os meninos? — disse Maryhelen alisando a barriga de Fate.

— Oh! Não são dois meninos! É um menino e uma menina. Posso sentir mais forte agora. — disse ela estampando um amplo sorriso e alisando a barriga.

— Oh! Fay! Que notícia maravilhosa! Eu vou ser tia de uma casal lindo, tenho certeza!

Ver o sorriso tão amplo estampado no rosto de Fay, fez Maryhelen querer chorar de felicidade, e de fato algumas lágrimas escaparam. De ambas. Esta troca entre as duas sempre foi intensa. Fate conhecia os problemas de Maryhelen, e através do dom de Fate, Maryhelen sabia que não podia se agarrar às coisas ruins que aconteceram. Ela não queria quebrar o clima da reencontro. Maryhelen se forçou a esquecer a conversa dura que teve com seus pais algumas noites antes. E mais alguns detalhes.

— Você tem visto o H? — Fate perguntou despreocupadamente.

— Sim. — Maryhelen ponderou cada palavra que diria a seguir. Oh Deus! Ela contaria a Fate. Sua língua coçava — Ele esteve aqui semana passada... Duas vezes.

— Elle! — Fate elevou as sobrancelhas — Aconteceu alguma coisa? — Que Deus a ajudasse. Ela contaria.

— Na verdade, sim. — Maryhelen olhou para suas próprias mãos. Sua voz soou mais afogada do que ela pretendia — Ele... Eu... É... Nós... De novo... Sabe?

— Oh meu Deus! — Fate começou a rir descontroladamente — Por que você fica vermelha quando fala dele? Tudo bem! Elle... Vocês estão juntos? — perguntou com o cenho franzido.

— Não não não! — Maryhelen se apressou a dizer — Isso não!

— Por que não? Não me diga que ele está sendo um idiota de novo! — Fate disse com a boca torta e um tom nada agradável — Elle...

— Não, Fate! Eu respeito a escolha dele. E bom... Aparentemente ele ainda é apaixonado por você — seu tom soou grave. O que era aquilo? Ela sabia que Hatet não ficaria com ela no fim das contas. E ela não queria ser alguém para preencher o vazio dele. Ela o queria por inteiro... Oh Deus! O que ela estava pensado?

— Besteira! Elle eu o vi ir e vir com algumas mulheres. Ele não estaria preocupado com você se ele não estivesse realmente interessado. E eu não estou falando das fodas casuais. Ele nunca a procuraria se ele não estivesse interessado. O problema é que ele é muito idiota para dizer a verdade.

— Fate! Eu não estou... — ela se deteve, pois ela não podia dizer em voz alta o que ela esteve tentando esquecer durante todo o tempo em que esteve com Hatet fixo em sua cabeça. Antes mesmo de eles terem tido aquele "acidente" no banco de trás do Audi.

— Pelo amor de Deus! Não me diga que não está apaixonada por ele. — e isso foi uma afirmação — Tem ideia de como sua cabeça maquina quando pensa nele? Você está vermelha de vergonha. Tá suando — disse zombando.

— Mas ele ainda pensa em você, eu sei! Além do mais, ele é muito complicado. — disse pegando a xícaras na mesinha de centro, e servindo o chá quente que havia preparado mais cedo.

— Todo mundo é complicado Elle. Acredite. — disse em meio a um suspiro — Bem, acho que terei uma conversinha com ele mais tarde.

— Fay não! — só de pensar em Fate falando com Hatet sobre ele dois, a fazia se arrepender de ter dito algo. E pensar nos dois juntos, a fazia se sentir estranha... Com ciúmes...

— Como não? Eu disse que falaria com ele caso o idiota ainda se comportasse como um idiota. É o que eu vou fazer!

— Não, por favor! E que história é essa de falar com Hatet? Seu hellren está lá fora te vigiando. — desconversou.

— Ele sabe que vou até Hatet. Depois de muito falar, e falar... Phury percebeu que eu iria de qualquer forma. — disse dando de ombros — Ok! Mas me conte como foi!

— Foi normal — disse Maryhelen depois de pigarrear.

— Sim. Agora me conte como realmente foi.

— Fay!

— Vocês dois fazem muito sentido juntos, e não tem a mínima ideia disso. Vocês são muito parecidos. Dois cabeças duras sem concordata.

— Eu também te amo Fay!

— Foi no carro de novo? — antes de Maryhelen esboçar qualquer reação, Fate a cortou — Não espere! Começou no carro, e depois... — ela fez gestos para que Maryhelen continuasse.

— Nada disso. — ela não queria dar os detalhes, mas sabia que Fate poderia ver com seu dom, então só restava a Maryhelen contar de bom grado — Ok. Eu estava em casa, sozinha, e bebi uma garrafa de vinho inteira. Eu pensei que fosse só a bebedeira, mas ele havia entrado pela janela e estava lá. Foi como fogo quando ele me tocou. — ela riu se lembrando do susto que levou e a fez apagar por uns segundos — Depois, nós estávamos na cama e... Acho que não senti o que vivi com ele naquelas horas com... ninguém.

Maryhelen parou de falar antes que pudesse soar exagerada. Ela não construiria castelos de ar com Hatet. Bahrbo havia sido seu noivo, o amor de sua vida. Porém ela havia aprendido a não viver do passado. Conhecendo Bahrbo, ele não iria querer vê-la arrastando sua vida inteira por um sentimento que ela não poderia ter mais. Ela não quereria isso para ele, se os papéis estivessem invertidos. Ela precisava viver.

— Eu entendo — Fate disse olhando a xícara em suas mãos — Continue! — incentivou.

Depois de Maryhelen soltar as últimas notícias, as duas conversaram um pouco sobre como estava sendo a vida de Fate na Irmandade. Ela contou como estava sendo seu dia a dia, que estava cercada de paparicos por todos os lados, e Maryhelen a invejou. Ela também tinha muitos planos com Bahrbo, mas ele não lhe deu filhos. Ela pensou que com o tempo, ele poderia lhe dar, mas talvez fosse o destino lhe alertando de um futuro que ela não poderia prever.

— Amanhã é aniversário dele. — disse Fate lhe retorando dos seus devaneios.

— De quem?

— H! — Oh meu Deus! Fate tinha razão. Ela quase esqueceu completamente da data.

— Quero vê-lo e dar um abraço nele, pode ser o último. — Ah! Claro! Uma fêmea vampira grávida, sempre era motivo de alegria, porém da mesma forma, era uma grande preocupação. E no caso de uma gravidez de gêmeos, a situação estava por um fio. E como Fate era uma híbrida, ninguém sabia ao certo o que aconteceria. — Por favor, não diga isso à ninguém. Phury pensa nisso dia e noite, e eu nunca falei que estava preocupada também. Não quero deixar ninguém mais assim.

— Claro que não! Não seja tola! Você vai ficar bem. Você ainda vai ficar muito nos pezinhos dessas crianças.

— Eu não serei uma mãe chata — disse Fate com um sorriso mais amplo.

— Você diz isso agora. Deixe estar.

— Então? Vamos? Não quero que fique tarde para você voltar. — perguntou Fate olhando para o relógio da sala.

— Vamos aonde?

— À casa do H!


***





Hatet estava em um sono profundo, quando escutou uma voz lhe chamando. Ele conhecia aquela voz. Porém não conseguia identificar. Se forçou a abrir os olhos, mas uma névoa cobria a sua visão. Estava despojado na cama, ainda nu, envolto em um lençol fino. Alguém puxou, e bem, teve sua visão como veio ao mundo. Ele não podia fazer muita coisa, estava claramente de ressaca, sua boca tinha gosto de fel, e sua cabeça latejava e queria ficar imóvel por horas.

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— Acorda Bela Adormecida! Bebeu a noite toda, né? Tá cheirando a whisky barato. — a resposta era sim. Ele havia bebido tudo que pode, e também o que não pode. De repente sua mente processou um resumo básico da última noite.

Ele se lembrou de ir ao Iron Mask, e de beber muito, e de dançar com uma humana. Não. Duas. E de terminar a noite no banheiro do local, com as duas humanas. E ele não se orgulhava, mas ele fez para esquecer das merdas que ele havia pensado, e vontade que ele tinha de voltar à casa de Maryhelen e...

Aquele cheiro.

Porra! Aquela voz!

Eram as duas ali, ele tinha certeza agora.

Ao abrir os olhos com urgência, ele encontrou Fate parada o observando, e sorrindo, na beirada da cama, e Maryhelen encostada na porta, com os braços cruzados e olhando para o chão, em um gesto defensivo.

— Porra! — disse Hatet puxando o lençol para cobrir suas partes íntimas enrolando-o na cintura. — O que... que...

— Hey! Tem damas no local! Cuidado com a boca suja! — disse Fate lhe dando um tapa têmpora, que foi leve, mas um sino tocou no fundo de sua cabeça o levando a ver estrelas. Ele apenas esfregou o local, e focalizou mais a visão. O que as duas estavam fazendo aqui?

— Fiz alguma coisa errada? — perguntou confuso. Sua voz grossa de sono.

— Não sei, me diga você. A julgar pelo seu estado, você fez mais de uma coisa errada.— ela se deteve por um momento, apertou os olhos e alfinetou — Talvez duas.

Ele sabia que ela estava usando seu dom, e isso o deixou furioso.

— Antes que você diga que estou usando meu dom, eu não estou. Eu não preciso usar meu dom para distinguir duas marcas de batom diferentes no seu pescoço. Se forem marcas de batom. — ela se levantou — Levanta logo! Nós trouxemos Mocha e cupcakes.

Maryhelen foi a primeira a sair do quarto sem nem ao menos lhe dedicar um olhar. Ah cara! Ela viu e ouviu tudo que Fate disse. Esse dia não poderia ter começado melhor.

Depois de se vestir, Hatet foi até o banheiro e passou a mão molhada nos cabeços. Ele vestia apenas uma Levi's, e estava sem sapatos. Sua barba estava por fazer e tinha os olhos inchados de tanto dormir.

— Que bagunça você está! — ele ouviu Fate dizer.

— Fay...

Antes que ele pudesse dizer para ela sair do banheiro, ela o trancou e parou a centímetros do seu rosto. Seus olhos vidrados nos dele.

— Não banque o babaca com ela! — ela disse em um sussurro.

— Do que você está falando? — perguntou confuso.

— Disso — Fate apontou para o peito dele. — Agora me escute, por que eu vou falar uma vez. Tive muita paciência com você, mas você é o pior tipo cego que existe. Pense quando foi a última vez que você teve um relacionamento sério. — disse estreitando os olhos, e sempre mantendo o tom baixo, apesar de raivoso — Não vou tolerarseu tipo de relacionamento com ela. Ela gosta de você seu idiota! Ontem se acabou em mulheres e bebida, e hoje ela te encontra aqui, assim. Quer saber de uma coisa, você não vai encontrar ninguém como ela. Pense antes de jogar tudo no lixo.

— Como eu posso ficar com ela? Hum? Os pais dela são... — Fate o interrompeu mais uma vez, ele trincou a mandíbula ansioso para se defender da chuva de acusações.

— Que se foda os pais dela! — explodiu — Eles não gostam de ninguém além dos deles. Você sabe bem disso. Escuta — ela deu mais um passo, e Hatet instintivamente recuou — Se tentar se meter no meio das pernas dela de novo, sem a mínima intenção de ficar, não o faça. Eu prometi à ela que cortaria suas bolas fora se tentasse algo idiota, e você já passou da cota Hatet. Não me faça voltar aqui com duas crianças no colo, pronta para te estrangular! E vontade não me falta, pois se muito bem que você bateu em Phury, por isso não me tente. Ah! E tire o cheiro de sexo antes de entrar na sala, está sufocante.

— Você é igual à ela! — a acusou — A duas tentam controlar minha vida! As duas...

— Ah! Não fode! Arranja outro argumento. — disse destrancando do banheiro.

— Você está do lado de quem afinal? — disse abrindo os braços.

— Não me acuse! Olhe bem para você mesmo! Eu não te reconheço mais! Se o problema são os pais dela, a tire deles! Bahrbo fez isso por que eram uns hipócritas. E se não tiver coragem o suficiente para fazer, não tente mais nada. Ela não precisa desse seu novo estilo de vida.

Na mesa da sala, Fate falava abertamente com Maryhelen, que sorria educadamente, mas tinha a mente distante. Pelo visto ela não ouvi a conversa entre ele e Fate, e ele ficava aliviado. Ele estava verdadeiramente envergonhado de levar um puxão de orelha tão duro. Levar todas as verdades pela cara antes de acordar era um saco.

— Olha nosso príncipe aí — disse Fate com um falso sorriso. Ainda estava com raiva. Ele revirou os olhos e se sentou de pernas cruzadas, como as duas, em volta da mesinha de centro. — Temos uma surpresa para você.

— Outra?

— Não seja mal educado — disse Fate. — Ok, eu começo. Bom... — ela se fixou em seu pescoço antes de terminar e esticou os dedos para tocar o "anel" que ele havia posto na gargantilha. — Então recebeu. Vou lembrar de agradecer ao Sax. — Fate estava estranha, tinha um urgência diferente nas palavras. E depois de um segundo ele entendeu por quê. — Então, antes eu queria dizer que vamos comemorar seu aniversário hoje, por que eu não sei se poderei contar com a boa vontade de Phury e voltar amanhã. Elle...

Maryhelen que estava quieta os olhando apenas pigarreou abriu uma grande caixa na mesinha de onde soltaram pequenos balões e tinha uma torta sorvete também.

— Feliz aniversário. — disse em uma voz não muito diferente de monótona. Ele olhou de Maryhelen para Fate, e tentou se lembrar quando foi a última vez que passou um aniversário dele com as duas. Não no Antigo País, pois lá não era uma hábito comum, e quando estava sob os cuidados da família de Fate, ele dispensou educadamente cada um.

— Obrigado — disse depois de pigarrear.

— E tem mais uma surpresa — Fate olhou para os dois — Quero que sejam os padrinhos dos gêmeos.

— O quê?! — disseram Maryhelen e Hatet em uníssono.

— Enlouqueceu? — perguntou Hatet.

— Não, estou mais lúcida que nunca. Estou pensando no futuro dessas crianças — disse alisando a barriga.

Hatet coçou a nuca desconcertado. Não precisava ser um gênio para entender a ideia de Fate, ela pensava que poderia morrer, e a ideia o fez ficar inquieto.

— Phury talvez precisasse de ajuda por um tempo caso... Enfim. Eu posso contar com vocês?

— Fay, não pense nisso. — disse Elle segurando a mão de Fate.

— É apenas no que eu penso — disse meneando a cabeça. — Posso ou não?

— Claro — Hatet disse. Ele sabia o que era crescer sem mãe e sem a presença de um pai.

— Sim Fay, pode contar conosco. — disse Maryhelen por fim.

— Obrigada... Ok! — Fate levantou de repente — Eu vou pegar os cupcakes, a vela e os Mocha.

Hatet fitou Maryhelen depois de um momento, e ela fez o mesmo. Estavam perplexos com a reação de Fate à tudo.

— Sabia disso? — ela apenas balançou a cabeça em negativa. — Deve ser a gravidez então, ela me ameaçou faz uns minutos.

— Te ameaçou? Por quê?

— Besteira. — disse dando de ombros e esticando as pernas. Seus pés tocaram os joelhos de Maryhelen, mas ele não retirou, tampouco ela. — Elle?

— Hum?

— Quando Fate ir, você pode ficar por uns minutos? — ele pensou a respeito do que disse Fate, e tinha enfim tomando uma decisão.

— Sim, eu acho que sim.

Notas finais
Agora só volto a postar depois do Natal... Mas também não prometo antes do Ano Novo, então eu desejo para todos uma linda entrada de ano, cheia de amor, felicidade e saúde, pois o resto a gente batalha para conseguir. Muito obrigada por me permitir dividir com vocês todo esse ano cheio de emoções.
Muito obrigada! Feliz Natal e um próspero 2013!