Maryhelen Hatet (spin-off The Sister)
1 Confusão
Notas iniciais
Demorei a postar pois estava em uma semana complicada, e tive problemas com a net. Mas bem! Estou aqui com a continuação da história de M&H, e esperando ansiosamente para saber o que vocês acham, ok?
Aqui temos uma linha de tempo que quase corre em sincronia com The Sister, voltando apenas alguns meses antes do Epílogo. Ambos, Elle e H, estão confusos com os sentimentos um do outro e tem seu primeiro encontro depois da "puladinha de cerca" no Iron Mask.
Aproveitem!
Hatet entrou em casa ziguezagueando. Não. Não era sua casa. Ele estava em Fresno, Califórnia, mais precisamente no apartamento que tinha sido o lar de Fate durante quase 5 anos.
Agora ela estava em sabe Deus onde, no Complexo da Irmandade vivendo com seu hellren, e o melhor, esperando uma criança do cara.
Porra! Como o odiava!
Ele mal tinha entrado na vida de Fate e a tinha fisgado. O que era afinal?
Os compridos cabelos coloridos? O cara tinha um porte de modelo da capa da Vogue. Os cabelos eram mais bonitos e raros, até para uma fêmea, causava inveja em qualquer um. Sem falar das cores: fios ruivos, loiros e castanhos caiam em mechas.
Eram os olhos amarelos? Phury era dono de olhos dourados, tão raros como as cores dos cabelos.
Era o título de Irmão? No fundo ele sabia que Fate não se encantava por títulos. Ela própria tinha um muito valioso, e sempre fez pouco caso.
Deus sabe o que ele teria feito por Fate.
Porém, Fate não queria mais vê-lo. Ela não queria ter mais nada a ver com ele. Ela não tinha falado diretamente, mas ele sabia.
O fato era que ele não conseguia tirar os últimos acontecimentos da cabeça. E neste instante, as imagens de Maryhelen nua no banco traseiro do Audi A6, se contorcendo de desejo debaixo dele, o assaltaram.
E o pior?
Tinha sido fodidamente maravilhoso. Custava admitir. Ele não sabia o que faria caso a encontrasse mais uma vez.
A rechaçaria? A ignoraria? A beijaria de novo?
Sua razão, seu lado que estava falhando constantemente nos últimos dias, dizia que o correto era ir até ela, e lhe pedir desculpas. Mas temia falhar. Temia vê-la novamente e não resistir à vontade de tomá-la. De torturá-la com as mãos, com a língua; de sentir seu cheiro de flores e afundar o nariz na curva de seu pescoço; de tirar sua roupa e se afundar entre suas pernas...
Como se tivesse apertado o botão para a cobertura, sua ereção se fez presente.
Puta que pariu!
Seus sentimentos por Fate eram diferentes dos de Maryhelen. Fate era a fêmea que ele tinha escolhido para emparelhar-se. Ela era calculista ao mesmo tempo afetuosa; era fria e ao mesmo tempo tão carinhosa. Não que Maryhelen não o fosse, mas seu coração não palpitava desta maneira quando pensava nela. Maryhelen poderia aparentar delicadeza, suavidade, mas ninguém sabia o quanto ela era controladora, dominante e teimosa. Mas seu corpo reagiu à ela como nenhuma outra fêmea tinha conseguido.
Contudo, do que adiantava pensar em Fate como um futuro imediato? Como se ele tivesse escolha? Não.
E o que ele sentia por Maryhelen? Era passageiro?
O celular de Hatet tocou o tirando dos seus devaneios. Era Assail. Agora o tio de Fate ligava constantemente. Queria saber de Fate, Maryhelen, dos negócios.
Pro inferno com tudo!
Apertou o botão para ignorar a chamada e atirou o celular na poltrona a sua frente. A coisa quicou no lençol branco que protegia a capa, e estalou no chão. Hatet afundou as mãos nos cabelos castanhos dourados, agora mais compridos e respirou profundamente. Tirou da sacola plástica, que trouxe do mercado da esquina, um engradado de Bud. Abriu uma, solveu dois goles e afundou no sofá. Jogando a cabeça no encosto, fechou os olhos.
Hatet acordou com o gosto de quem chupou um pirulito de parafuso, e tomou óleo diesel. Sua mão estava presa entre as costelas e o sofá, não a sentia. Havia garrafas espalhas pela sala, uma luz o golpeou no rosto. Por instinto, seu corpo se encolheu esperando a dor, e ele fez uma careta. Lembrou-se de que o vidro da ampla sala era preparado para impedir dos raios UV ultrapassarem, eram escurecidos, mas você poderia ver claramente o sol a pino.
Seriam 11, 12h da tarde?
Obrigando-se a levantar, sentou-se com dificuldade. Esfregou as palmas suadas nas coxas. Ainda usava os jeans que Maryhelen tinha comprado para ele. Todas suas roupas estavam onde apenas Maryhelen sabia, talvez na sua casa, ou no lixo. Ele vestia além do jeans, uma camiseta preta de gola V, jaqueta de algodão e capuz, seu cordão de prata, tênis All Star preto...
Tênis All Star? Pelo amor da Virgem!
Passaria em uma loja retornando a Caldwell e compraria tudo o que gostava de volta. Ela o estava vestindo como uma criança. Quando ele perdeu esse controle sobre ele?
Quando a agarrou no estacionamento do Iron Mask. Ela tomou conta de tudo em sua mente. Sabia, ela já estava debaixo de sua pele.
Ele limpou toda a bagunça que tinha deixado pela sala, checou o celular e foi até os fundos. Fate tinha montado uma academia privada, para não sair de casa. Pesos arrumados no suporte, uma esteira, uma bicicleta, uma estação de musculação, um saco de pancadas, luvas, tudo o que poderia ter direito em uma academia. Ele tirou os jeans, a camiseta e o All Star, ficando apenas com a boxer Calvin Klein. Em frente havia um grande espelho de ponta a ponta da parede, aos fundos, uma saída de emergência do prédio toda de aço. Hatet olhou tudo ao redor subiu na esteira e começou a correr.
Depois de 1 hora de esteira e musculação, o suor gotejava nos seus pés. Sentia-se melhor que ontem à noite, ao menos. Tomou água fresca, e retornou as ligações que tinha de Assail.
— Sabe que horas é, garoto? — resmungou Assail com seu sotaque do Antigo País.
— Queria falar comigo ou não queria? — respondeu Hatet.
— Uh. E isso é motivo para me ligar a essa hora? Onde estava ontem à noite? Muito ocupado enchendo a cara, ou no meio das pernas de alguma prostituta do Iron Mask? — Insuportável. Simplesmente intragável. Hatet apertou a ponte do nariz, já sem paciência.
— Vou te dar um minuto Assail. — respondeu sem humor.
— Precisa arrastar o maldito traseiro até o advogado Hatet! Faltou à última reunião, lembra-se dela?
Um pé no saco eram essas reuniões, isso sim que se lembrava.
Hatet estava cuidando da papelada do “ressurgimento” de Fate, a separação dos bens de sua família com Assail, e toda a dor de cabeça que vinha junto. Ela estava alegando estar refugiada com o Rei, e ter passado tanto tempo sozinha se recuperando da morte dos pais e do irmão. Claro, pela lei do Antigo País, ela seria presa, mas o Rei estava a protegendo em tudo e sustentando a mentira. Nada sairia errado, e a glymera não poderia se manifestar contra o Rei, óbvio.
— Preciso de você hoje à noite aqui em casa. E como de costume Fate não comparecerá. Mandará o advogado dela. Às 20h, entendeu? Não quero esperar mais que 5 minutos.
— Estarei lá. — com isso desligou. Não estava para discussões com Assail.
Hatet olhou em seu relógio Seiko de titânio, e viu que faltavam ainda incríveis 4 horas até escurecer. Olhou em volta. Nada que pudesse fazer. Voltaria a malhar, ou se ocuparia com mais problemas em sua cabeça, mais uma vez.
Maryhelen estava deitada em sua cama alisando o lençol de tecido egípcio verde. Tinha encomendado diretamente do Egito por um comprador seguro amigo de Assail. Era lindo.
Por que o tinha colocado na cama mesmo?
Ah! Essa era fácil.
Pensar na cor verde a fazia pensar na lingerie verde que Hatet estraçalhou e a obrigou voltar sem para casa, depois do... Humm... Bom, do que tiveram no estacionamento do clube Iron Mask. Tudo o que era verde agora a atraía.
Hatet ficava bem vestido de verde. Lembrou-se. Ressaltava os olhos cinza. Pensou distraída.
Oh! Não, não, não, não! Não pense nele sua idiota!
Deitou-se de barriga para cima e abafou o barulho do insistente telefone que não parava de tocar tampando os ouvidos com as mãos. Deveria ser alguém do Conselho de novo. Estavam cobrando sua presença, já que ela desapareceu das últimas... Quatro ou cinco reuniões? Não se lembrava. E à ela pouco importava. Estava com asco daquelas reuniões sem propósito. Só estava lá, porque era a último membro da família a ficar em Caldwell, depois que todos se dispersaram, após os ataques da Sociedade Lesser. Em breve largaria tudo nas mãos do seu pai novamente. Hoje, tudo se resumia a:
“ O que Rei está fazendo conosco? Privando-nos de direitos? Permitindo que estejamos desprotegidos? Temos que fazer algo para consertar tudo, ou será necessário destituí-lo. E blá blá blá blá...”
Balançou a cabeça afastando as ideias ruins.
Destituir Wrath? Ela riria da cara de cada um daqueles ratos de reuniões.
Hatet! Hatet! Hatet!
— Argh! Cale-se! — gritou consigo mesma.
Como ela podia pensar em tudo depois da humilhação que ele a fez passar? Ele esteve com ela, pensando em outra mulher. E por cargas d’água, esta outra mulher vinha a ser sua melhor amiga. Tudo bem, Fate não estava de longe apaixonada por Hatet. Poderia ser pior.
Mesmo assim, ele a obrigou a voltar para casa com a cabeça cheia de merdas. Sobre ele, claro!
“Ofegando de cansaço, Maryhelen tinha os olhos fechados, bem apertados, e a respiração irregular. Não apenas ela, Hatet ainda estava rijo dentro dela, com a respiração totalmente superficial.
Oh! O que eles tinham feito?
— Maryhelen, apenas — Hatet falou ao seu ouvido. — Perdoe-me.
— Perdão? — Maryhelen abriu os olhos e girou o pescoço para olhá-lo.
— Eu fui longe demais. Eu te forcei a — ESPERE! Maryhelen quase deu um pulo do banco para tentar se levantar — Escute e-eu...
— Você não me forçou a nada — sua voz saiu fraca. Ele não a tinha forçado, pelo amor de Deus! Mas é claro, ele preferia pensar assim, e Maryhelen sabia. O motivo tinha nome e sobrenome — Apenas... Não faça isso, ok? — Hatet a estudou por alguns segundos
—Eu não vou fazer de novo, eu prometo. — falou cabisbaixo.
— Não é isso! — Maryhelen explodiu.
—O que eu fiz então?
— Não me peça perdão! Aconteceu! — disse contendo as lágrimas para não chorar — Está feito!
Ele estava arrependido? Definitivamente sim.
Ele ficou lá, tentando ajudá-la a se recompor de suas roupas estraçalhadas. Ele estava mais nervoso que ela, para ser sincera. Mas no fundo ela estava como suas roupas íntimas no chão do carro: feita em pedaços, ela foi esticada e rompida.
Maryhelen agarrou a direção com força, e ouviu duas batidas no vidro. Abaixou-os e viu Hatet parado encostado na porta a olhando com a expressão séria.
— Posso guiar até a sua casa. — Maryhelen balançou a cabeça negando. — Tem certeza? Eu deixo a moto aqui aos cuidados do segurança do clube, não vai demorar. Só — ela o interrompeu.
— Apenas quero ficar sozinha entende? — se ouviu dizer. Ela ainda estava olhando para frente quando respondeu, e assim ficou até sair.
Hatet assentiu, e deu uns soquinhos na lataria da porta. Era sua deixa. Ela girou a chave, engatou a ré, e saiu do estacionamento como uma fugitiva. Quando chegou em casa, se desfez da roupa e a jogou no lixo. Tomou um banho de algumas horas, chorou e se embebedou, depois dormiu. Estava certa que no dia seguinte acordaria melhor”
Mas não foi como ela pensou. O cheiro dele ainda estava na pele dela. O cheiro picante da canela com alguma erva escura, estava lá, a perturbando, a tirando do eixo. Ela não conseguia pensar em outra coisa que não fosse as mãos de Hatet percorrendo cada centímetro do seu corpo.
Oh Deus! Não permita que eu me apaixone.
O mantra era repetido várias vezes em sua mente, mas o seu corpo insistia em não obedecer.
Lentamente sua mão deslizou por entre seus seios. Sua pele picou pelo toque e arrepiou-se. Ela não pode resistir o estremecimento quando seus dedos traçaram sua barriga plana. Sua respiração se alterou. A mão de Maryhelen deslizou para dentro da calcinha que cobria seu sexo. Percebeu que já estava molhada de desejo. Ela afundou dois dedos em sua fenda e seu corpo se estirou em resposta. Maryhelen ofegava e gemia baixo, agarrada ao travesseiro de plumas. Ela quase podia sentir as mãos dele a tocando, a marcando a fogo acima e abaixo. Lembrar-se de seu toque sempre a deixava com vontade de mais. De mais desejos impuros, desavergonhados, cheios de luxúria. Ela gritou quando chegou ao cume de um orgasmo.
Com gestos lentos sentou-se na cama. Tinha a testa suada pelo pequeno esforço, e uma grande culpa na consciência.
Burra! Não seja idiota! Ele não te quer assim!
De repente, correu para a ducha em busca de um bom banho. O fez muito rápido, e pôs-se a planejar a noite. Iria à reunião, voltaria para casa e arrumaria sua mala para visitar seus pais. Sim, era o melhor a se fazer. Maryhelen percebeu que ficar sentada tentando adivinhar o que Hatet pensava ou não dela era perda de tempo.
Chegando ao local combinado pelos membros da glymera, Maryhelen deparou-se com a figura do mentiroso, cafajeste e enganador de Assail. O macho vestia um terno Armani cinza pomba muito elegante. Seus sapatos brilhavam arejados. Ela suprimiu um sorriso a sua direção, apenas lhe fazendo um breve aceno de cabeça.
— Maryhelen. Desculpe-me. — disse Assail metendo-se em seu caminho. Maryhelen tentou desviar braço, mas ele a segurou com firmeza a fazendo girar, para que olhasse diretamente para ele — Onde esteve?
— Ocupada — ela disse ensaiando uma faceta despreocupada.
— Como você está? — disse ele com um vinco entre os olhos.
— Muito bem. — Maryhelen tentou não parecer arrasada e esfolada, e tentando por um ponto final no interrogatório de Assail. Ela sabia que a qualquer momento poderia gaguejar e tudo rolar montanha abaixo. — Vamos? Estamos atrasados para a reunião.
Assail assentiu a seguiu para dentro. Lohstrong comandava o tema do dia: a volta dos civis à Caldwell. Eles queriam uma posição do Rei quanto à segurança de todos na cidade. Maryhelen resistiu a vontade de dizer que agora a Irmandade estava com um brinquedinho novo. Fate. Ela prendeu os lábios entre os dentes e escutou fingindo interesse durante toda a noite.
Ao sair seu coração deu um pulo, uma moto negra estava parada em frente ao carro de Maryhelen bloqueando sua saída. Irritada consigo mesma por não conseguir reprimir seus sentimentos, andou a passos largos até a moto. Sem opção, enganchou a bolsa no ombro e agarrou o guidão da moto. Chutou o descanso e empurrou a moto em frente da vaga ao lado. Ela não ficaria esperando Hatet aparecer para correr o risco de vê-lo novamente e ter de confrontá-lo. Não mesmo! Hoje ela não teria uma dose a mais dele.
— Hey! — Maryhelen não olhou para comprovar quem tinha gritado em sua direção, ela sabia que era ele. Plano? Sair de lá sem olhar para trás. — O que você está fazendo?
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