Maryhelen Hatet (spin-off The Sister)
2 Baise moi
Notas iniciais
Olha quem estava a sua frente, carregando desajeitadamente sua moto para a vaga ao lado... Maryhelen. Hatet respirou fundo esperando uma resposta, porém não conseguiu nenhuma. Ela o olhou de esguelha, e se dirigiu ao Audi prateado em toda sua elegância balançando os quadris. Hatet olhou para cima na tentativa de não fixar os olhos ali. Ele a seguiu até a porta, onde ela já havia deslizado para dentro e ajeitava o cinto de segurança.
— Maryhelen — disse em tom quase cansado.
— Tire o traseiro da frente — disse ela aparentemente sem paciência, ajeitando o espelho retrovisor.
— Precisamos conversar — ele enfiou a cabeça pelo vidro a fazendo olhar diretamente para ele.
— Quer perder o pescoço?! Saia do meu carro! — Wow! Isso tinha sido inesperado. Ela tinha a veia do pescoço alterada, os olhos estavam vidrados de raiva dirigida para ele.
— Não vá, por favor. Fique e vamos conversar. — ele até tentou argumentar, mas ela não o quis ouvir. Arrancou com o Audi da vaga, e saiu em direção ao fim da rua.
Teimosa.
Rapidamente ele colocou o capacete e sentou na moto. Antes que pudesse dar partida, viu a mão de Assail segurando o guidão. Hatet amaldiçoou de todas as formas que conhecia. A maldita reunião com Assail seria dali à uma hora, por isso estava lá.
— Nossa reunião... Lembra-se? — disse quase em um sussurro. Hatet balançou a cabeça devagar, tentando não cuspir todos os palavrões que conhecia.
— Apenas preciso falar com Maryhelen, será rápido. Vou até sua casa quando terminar.
— Não, não vai — sua voz subiu algumas oitavas — O que você quer fazer com ela não demora cinco minutos. E eu já estou farto de tratar com um moleque! Tolero você apenas por minha sobrinha. Vá até meu apartamento hoje, ou Fate terá de se intervir no assunto. Você escolhe.
Com isso Assail girou nos calcanhares e saiu até um SUV que estava estacionado do outro lado da rua. Nada bom. Ele soube na hora que não era um bom dia para ter saído de casa. Com um chute no descanso se equilibrou na moto e saiu rumo ao apartamento de Assail, sairia de lá torcendo para que Maryhelen não pensasse em sair de casa. Era final de semana, e logo ela iria para casa dos pais. O assunto dos dois teria que ficar para depois, e ele não aguentaria guardar tanto para si durante mais um dia.
Chegando ao apartamento de Assail, este estava falando apressadamente com Saxton, o representante de Fate. Saxton havia sido enviado pelo próprio Rei para cuidar da documentação da “nova vida” dela. Tudo estava correndo bem , mas ela precisava de uma testemunha, que no caso era Hatet, para comprovar que ela não fingira uma “morte proposital ou necessária”. O advogado era jovem, porém muito astucioso, e parecia estar sabendo onde estava se encaixando. Com um bufo, caminhou até eles.
— Obrigado por vir — ouviu Assail dizer em toda sua ironia antes de convidá-los para entrar.
Sentados na sala, Assail tomava um gole de algum tipo de conhaque, acompanhado por Saxton e seu advogado Lennox, que chegara logo depois. Hatet preferiu manter-se a água com gás. Se fosse encontrar Maryhelen não queria que tivesse com bebida no sistema, pois era mais fácil perder o controle.
— Nos trâmites legais, ela teria de ter mais que uma evidência que viveu, de fato, sob a proteção de Wrath durante tantos anos sem gerar nenhuma nota dela. Uma compra de imóvel, de bens de alto valor, joias, carros, essas coisas. — disse Lennox calmamente.
— O Rei assinou um documento onde ele assume total responsabilidade por Fate, contando que ela ainda era menor, ou seja, ainda não havia passado um ano de sua transição, quando perdeu sua família biológica — respondeu Saxton com muita segurança.
— E quanto à mim como família? — Hatet prendeu a risada no fundo da garganta. Assail parecia ter saído de uma chocadeira. Hatet, que até aquele minuto escutava, levantou o tom de voz para falar.
— Você? Você fez questão de perambular por todo o Antigo País e a Europa para não estar com sua família. Ela não poderia ter seu respaldo. — Assail apertou os olhos e tomou mais gole de conhaque, que aparentemente desceu amargo demais.
— Quanto à isso — Saxton pigarreou, passou a mão pelos cabelos loiros, claramente desconcertado, e ajeitou o paletó Armani que vestia antes de voltar a falar — O argumento dele, é de que não teve notícias suas, por isso a assumiu como tutelada.
— Sim — Assail disse a contra gosto — E os bens da família? Como ela vai explicar?
— Quanto aos bens de família, e este argumento é o dela, ela defende que não tinha interesse. Por isso deixou tudo para trás. E você como o membro da família mais próximo, ainda vivo, os recebeu. Quando ela soube, não tentou reavê-los. Incluindo sua posição na glymera. — acrescentou — Acreditou que seria melhor assim, e seguiu em frente. É aí que você entra — Saxton disse olhando em sua direção — Ela pediu para que você cuidasse dos poucos bens que ela acumulou ao longo dos anos, sem conexão alguma com Assail. Simplesmente. Porém acredito que pararemos antes de haver necessidade de seu testemunho. Você será apenas uma precaução, caso alguém conteste o argumento.
Hatet sabia bem que não haveria erros, não iriam contra palavra do Rei, e sabia sua posição na história, não havia mentiras.
Seria sempre a segunda opção na vida Fate, mesmo agora.
Eles mudaram para os EUA logo após o “acidente” e viveram juntos desde então. Porém ele era consciente de que a afastou dele, com sua obsessão por tê-la. Passou os últimos 5 anos com isso gravado na pele, quando ela se mudou para Fresno, para viver sozinha.
— Me parece satisfatório — disse Assail o tirando de seus pensamentos e anunciando o fim da reunião.
Hatet se apressou em sair do apartamento. Chegando à porta, Saxton o chamou e o entregou uma caixa de veludo, com um trinco dourado médio de pressão. Era uma entrega de Fate.
— Ela me pediu para te entregar. Não pode sair porque... Já sabe. — Sim, a gravidez estava muito avançada. Ela havia escrito em seu último email. Hatet sentiu um calafrio por dentro dos ossos. O desgraçado ainda a engravidou! Será que ele não pensou que poderia matá-la?, Hatet pensou com muito desgosto. — Os gêmeos estão lhe causando muito cansaço. Bom, — Saxton adiantou-se — acredito que você esteja com pressa. Vemos-nos em breve.
Hatet e Saxton apertaram as mãos, e ele saiu em direção à casa de Maryhelen.
Chegando à pequena casa de Maryhelen viu as luzes da varanda acesas. Bom sinal, ela estava em casa. A fachada era pintada em tons pastéis, havia um balanço branco ao lado esquerdo da porta, e do lado direito um pequeno móvel com flores. A casa tinha dois andares, e formato em triângulo no sótão. Ele sabia que o quarto dela era no porão, como era costume de qualquer um da espécie, porém ela gostava de manter um quarto no sótão para as noites em que ela estava em casa sozinha. Ele podia ver a luz do abajur ligado, e presumiu que ela estivesse lá.
Em sua cama, deitada, seminua.
Hatet balançou a cabeça em negação, e foi até a porta onde se podia ouvir uma música tocando. Difícil distinguir o que era, o som estava abafado. Ele estendeu a mão e tocou a campainha.
Ela vai arrancar as minhas bolas fora...
Ele pensou, lembrando-se da expressão em seu rosto dentro do carro. Tocou mais uma vez, e ficou preocupado. Por que ela não atendia a maldita porta?
Sem perder tempo, fechou os olhos e se concentrou. O sangue dela era escasso em seu sistema agora, mas ele ainda podia senti-la por perto. Com isso ele foi até o gramado e olhou para as janelas do segundo andar. A luz ainda estava acesa. Ele se concentrou mais uma vez e desmaterializou para a sacada do quarto. As cortinas estavam entreabertas, e ela não estava no quarto. Ele tentou abrir a porta mexendo na maçaneta, e voilà! Ela havia deixado destrancada.
Ah! O cheiro de flores.
Hatet respirou fundo quando foi atacado pelo cheiro de flores de Maryhelen. Ele olhou em volta e viu closet escancarado. Um par de sapatos estava jogado na entrada. Sua bolsa estava no chão ao lado de uma pilha de roupas contorcidas, mas nada de Maryhelen lá dentro. Ele voltou e viu um vestido de seda rosa delicado ainda com a etiqueta de compra presa. Lia-se Stella McCartney. Ele tinha uma renda muito delicada cobrindo o colo, enquanto a seda estava recortada em um decote em forma de coração nos seios. Afinado na cintura e levemente ondulado nos quadris. Hatet o tocou, e se questionou em como seria o toque da seda sobre sua pele.
Ouviu o baralho do piano de cauda vindo da sala no andar de baixo. Ele se encaminhou quase que furtivamente para o som.
Maryhelen estava sentada tocando.
Hatet fechou os olhos e se lembrou da primeira vez que a viu tocar. Ela era uma menina, deviam ter 12 ou 13 anos. Ela tocava em uma das festas da glymera, e fora muito aplaudida. Parecia uma boneca, com um vestido arrastando no chão de boneca, com seu cabelo cacheado loiro de boneca, seus sapatos rosa de laçinho de boneca.
Tão linda. Ele sorriu e ficou a obsevando do corredor, uma hora ela o veria.
Maryhelen estava tocando uma música triste.
Apague as luzes
Vá dormir
Apague essas vozes
Da minha cabeça
Deite-se comigo
Não me conte mentiras
Apenas me segure firme
Não ampare
Não me ampare
Pois eu não posso fazer você me amar
Se você não quer[1]
O que era aquilo? Ela estava triste?
Hatet pigarreou alto e ela parou de tocar. Seus olhos ainda fechados e os cílios castanhos fazendo sombra em suas bochechas, abriram-se apenas uns segundos depois. Aqueles olhos brilharam em direção à ele. Primeiro ela sorriu, depois ela franziu o cenho. Hatet reparou pela primeira vez no copo de vinho descansando em cima do tampo do piano. Uma garrafa de ChateauTimberlay Premium Cabernet estava do lado com apenas dois dedos do líquido. Ela pegou o copo e tomou o conteúdo restante em um gole.
Maryhelen levantou-se, e vestia um roupão de seda vermelha com complexos desenhos florais. Ela respirava muito profundamente, tomando goles muito fortes e liberando rapidamente quando passou por ele em direção ao quarto. Ela não lhe disse nada, apenas caminhou.
Maryhelen só podia estar vendo uma miragem. Sim, era definitivamente um fantasma a atormentando. Talvez tenha tomado o vinho rápido demais. Era impossível que ele estivesse em seu corredor a observando tocar?
Ela balançou a cabeça e foi até o quarto do sótão, onde ela tinha deixado seu Stella McCartney a esperando. Logo estaria no Screamer’s com Lyz, ela precisava sair e esfriar a cabeça. Ou melhor! Ela precisava urgentemente viver!
Maryhelen deslizou o roupão sobre os ombros e deixou cair no chão. Estava vestindo um conjunto Victoria’s Secrets em preto de renda com fundo nude. Foi uma das peças desfiladas pelas Angels na última coleção, era especial, por que esta noite seria especial para ela. Ela se curaria da voz de Hatet em sua cabeça.
— Maryhelen — mais uma vez a voz veio. Mais vívida, mais próxima, como em um sussurro em seu ouvido.
— Xô! — ela disse balançando a mão, enquanto entrava no vestido.
O fecho estava muito longe para ela fechar completamente e ela ficou lutando com o equilíbrio não muito perfeito e seu braço que não alcançava o zíper com eficiência.
— Eu fecho para você. — uma mão quente tocou a base de sua coluna e ela congelou.
Com um grito ela foi rápido demais para o closet e tropeçou na bolsa e na pilha de roupas nos chão. Ela bateu direto na estante a sua frente e apagou. Ela não soube se foi a bebida ou o susto de entender finalmente que era Hatet na casa dela, mas ela estava atordoada quando acordou.
— Hey! Não se levante rápido, eu achei Aspirina na gaveta. Sente-se devagar. — ela olhou para o rosto de Hatet avermelhado e com gotas de suor se formando em seu lábio superior.
— Eu não quero! — então ela soube definitivamente: não era uma alucinação por causa do vinho, ou por causa da obsessão que ela vinha tendo com Hatet. Ele estava parado a sua frente, cuidando dela.
— Pare de ser teimosa. Você bateu a cabeça no armário e está sangrando! — disse ele ajeitando suas pernas na cama.
Maryhelen sentiu a eletricidade percorrer seu corpo. Os dedos firmes e longos de Hatet estavam atrás de seu joelho e nas costas, a erguendo e a acomodando. Ele esticou-os até a mesinha ao lado da cama e pegou um copo com água e a pílula.
— Beba — disse Hatet segurando uma pílula na palma da mão.
— Eu não quero! Eu preciso sair — ela tinha um encontro com Lyz, e ficar em uma cama, junto a ele, era um forte indício de que ela perderia o controle.
— Não — ele disse com convicção — Você não vai sair hoje. Olhe como você está. Não tem condições, e de mais a mais, eu não vou ser sua babá a noite toda. Agora tome. — seus dedos balançaram em sinal de impaciência.
— Não precisa! Eu vou com uma amiga. — ela pegou o comprimido engoliu junto a todo o conteúdo de água do copo em apenas um gole. — Satisfeito?
Ele não respondeu, apenas estreitou os olhos e ficou ajoelhado na cama enquanto ela voltou ao closet para ver o estrago que feito em seu vestido.
— Droga! — ela gritou — Estraguei meu vestido!
— Tem mais cem desses no armário. Escolha outro. — Hatet estava parado atrás dela
— O quê? Você ainda está aqui? — ela disse se virando para ele. — Aliás! Como você entrou aqui?
— Pela sacada. — Maryhelen balançou a cabeça incrédula. Não lembrava de ter deixado a porta aberta. — Não importa, vá deitar um pouco e esperar o remédio fazer o efeito. Você terá um galo amanhã de manhã.
Maryhelen bufou e foi até os armários. Lá pegou um par de botas, uma regata com lantejoulas pretas, uma calça que imitava couro, uma jaqueta escura e sua bolsa. Sem se importar com a presença de Hatet, ou com o efeito do vinho ainda no sistema, ela se trocou ali mesmo. Quando se virou, Hatet estava olhando para o chão, com as mãos nos bolsos e o rosto mais que avermelhado.
— Ainda está aqui? — Maryhelen passou por ele e seu ombro tocou seu braço. Em um gesto rápido, ele agarrou seu pulso e a fez olhar para ele. Aqueles olhos cinza estavam pedindo paciência. Porém ela não estava disposta a dar. Ela precisava se afastar dele, ou seria pior para ela. O toque dele se suavizou, e seu polegar traçou um ritmo de vai e vem bem acima de suas veias. Ela se arrepiou ao sentir e deu um passo para trás, não podia tocá-lo, mas queira tanto.
— Deixe-me cuidar do corte. — Maryhelen não respondeu, e ele estendeu a mão passando suavemente os dedos pelo seu cabelo, os ajeitando para trás. Maryhelen reprimiu a vontade de seguir seus movimentos tencionando o pescoço. Ele foi se aproximando mais e mais, seu hálito era fresco e o cheiro de hortelã era tão bom que ela fechou os olhos.
Ela estava o matando de vontade para devorá-la.
Hatet sentiu o cheiro ferroso do sangue de Maryhelen muito próximo ao nariz. Ele lambeu a ferida uma e outra vez. O gosto era igual ao que ele sempre se lembrava, mas agora tinha o cheiro doce das flores de primavera que ela exalava.
Por que tinha mudado?
Maryhelen passou os braços por sua cintura fazendo com que ele retesasse todo o corpo. A respiração dela estava mais profunda, e quando ele abriu os olhos, teve a visão de seu rosto de Escolhida perfeito, sua boca levemente aberta e seus olhos fechados.
— Hatet... — seu nome pronunciado com aqueles lábios vermelhos e fez querer beijá-la.
Eles estavam grudados como dois ímãs opostos, a eletricidade fluindo de um para o outro em um fluxo perfeito.
— Não me deixe fazer isso de novo Maryhelen. Afaste-me — rogou a ela, pois ele já não tinha quase mais forças para resistir beijá-la.
— Mas eu quero — disse como a menina teimosa que era.
— Por favor — ele pediu mais uma vez, encostando a sua testa na dela.
Os seios de Maryhelen apertados contra seu peito lhe fazia lembrar-se das joias que havia neles, e estava feito. Sua ereção já estava entre suas pernas cobrando atenção.
— Beije-me, por favor — ela pediu — Só mais uma vez.
Seus ombros caíram aliviando a tensão que havia neles. Ele tentou dar um passo para trás, mas ela o seguiu encurtando novamente a distância.
Vai me deixar louco, mulher.
Ele quis dizer, mas mordeu a língua. Ela não sabia nem metade das coisas que ele queria dizer para ela, e esta era mais decente.
— Eu não posso me controlar — disse finalmente.
— Nem eu tampouco — neste momento, ela o puxou para dentro do closet e o empurrou contra a parede. Sua cabeça bateu no gesso, e deixou um buraco, mas ambos não se importaram. Ele não sentiu dor. Ele deslizou a mão para dentro da regata de Maryhelen, encontrando sua pele de seda em sua barriga chapada. Ela tirou a jaqueta e a jogou ao lado da pilha de roupas que já estava lá. Enquanto ele puxava própria camiseta pela cabeça.
Ele a segurou pela cintura, mas ela o afastou, deixando apenas que suas bocas se tocassem. Ele flexionou os joelhos para ficar no mesmo nível que ela, e com isso, teve suas mãos erguidas acima da cabeça e prensadas com força contra a parede. Parede que não os aguentaria por muito tempo, Hatet pensou.
— Fique parado — ela disse em um sussurro — Não abaixe as mãos.
Hatet abriu os olhos e viu Maryhelen se ajoelhando na sua frente.
Porra! E ele que pensava em torturá-la, estava tomando uma boa lição.
— Não abaixe as mãos— ela disse pousadamente, reforçando a ordem lhe dada. Ele engoliu em seco, e estendeu mais os braços.
Maryhelen desabotoou o jeans, e o puxou até os joelhos. Ela se afastou e tirou sua própria calça e regata, revelando mais uma vez a lingerie abusada que cobria seu sexo. Naquela posição ridícula, Hatet olhou para si mesmo. Suas coxas estavam tensas e separadas até o limite do jeans, enquanto Maryhelen o observava.
— Fique assim — ela lhe deu mais uma ordem. Ele ergueu o queixo um pouco incomodado por não estar no controle da situação. Porém pensou que ela merecia dar-lhe a vingança, por esta razão procurou não mexer um centímetro — Bom garoto.
Ela se aproximou colando as mãos no peito dele com um estalo, que ele recebeu de bom grado. Estava no limite da ereção. Seu membro pesava, estava inchado e grosso, sua boxer mal sustentava o conteúdo.
De repente sentiu uma pontada de dor aguda, as unhas dela cravadas em sua pele e abriam caminho por todo seu tórax, até o começo dos quadris.
Hatet trincou o maxilar, mas não pode deixar de escapar um grunhido de dor. O limite entre o prazer e a dor. Maryhelen abriu um sorriso de orelha a orelha, achando divertido, e mais uma vez ele deixou, pois ela merecia que ele sofresse. Ele sabia o que tinha feito à cabeça dela: a confundiu, a traiu, tudo por causa de um impulso.
— Não ouse se mexer — ela o alertou mais uma vez.
Maryhelen pisou no meio do jeans para tirá-lo, mas não tirou tênis All Star que ele usava, ele nunca havia se sentido tão ridículo usando aquela coisa.
Ela encurtou mais uma vez a distância, e atacou seu pescoço e maxilar com chupões que faziam estalos ruidosos. Sua boca macia, sua língua quente deixou sua pele arrepiada no mesmo instante que ela o tocou. Ela deixou escapar gemidinhos baixos enquanto se aproximava de sua orelha.
— Você gosta do meu toque? — ele balançou a cabeça em afirmativa. O que ele poderia dizer?
— Maryhelen e-eu quero... — ele gaguejou, queria dizer que queria tocá-la também, pois suas mãos formigavam.
— Você não quer nada! — ela o interrompeu — Hoje só existe o meu querer, baby. Agora se cale! Eu não deixei você falar.
Mais uma vez ele se sentiu incomodado. Mas o sentimento durou pouco, quando ela esticou os dedos entre seus corpos e agarrou com força seu membro. Hatet trincou o maxilar e fechou as mãos em punhos, pois havia sido realmente forte. O local estava sensível ao toque, e aquela louca quase o arranca fora.
— Toda vez que fizer algo sem permissão, vai ganhar um castigo em troca.
Ah! Então era isso. Ela estava brincando com o corpo dele. Definitivamente era uma vingança, e das boas.
— Vem aqui — ela o puxou pela boxer até a frente cama, o empurrando em seguida. Ele caiu e pode ver dez listras vermelhas do peito até o umbigo — Tire minha roupa. — Ordenou. Ele se levantou rápido e ela o empurrou de volta, o fazendo quicar no colchão macio. — Devagar. Da última vez, você rasgou minha lingerie favorita, Senhor apressado.
Hatet pensou que finalmente ia tocá-la e fez como ela pediu, lentamente desabotoou o fecho frontal do sutiã de renda que ela usava, e quase gozou quando viu de novo o par de brilhantes que ela tinha nos bicos dos seios. Sua boca secou. Queria chupá-los.
— Você gosta? — ele balançou a cabeça — Se você for bonzinho, quem sabe deixo você chupá-los hoje.
Foda! Ele engoliu em seco mais uma vez.
Ele deslizou os dedos pela tanga, prendeu os polegares nas laterais, e abaixou o mais devagar o quando pode. Ela também estava excitada, ele podia sentir seu cheiro.
— Deite-se lá em cima — ela apontou para trás dele, e ele olhou para onde ela indicava. Merda! Ela não ia... — Agora!
Ele engatilhou até lá e ficou sentado a esperando. Ela foi até o closet novamente e voltou com um par de lenços negros de seda nas mãos. Sem perder tempo subiu na cama e sentou no seu colo, bem acima da sua ereção. Ele foi ao seu encontro tentando finalmente beijá-la e tocá-la por todos os cantos, mas ela segurou seus ombros e empurrou contra a cabeceira. A cama era de madeira, estilo antigo, e tinha quarto balaustres nas extremidades que quase tocavam o teto.
— Vou dar um jeito nessas suas mãos — ela disse esticando o braço direito dele e dando um nó apertado. Fez a mesma com o esquerdo e os amarrou igualmente nos balaústres, os deixando bem esticados, de tal forma que ele não poderia se mexer se quisesse — Bem melhor.
Ele não gostava da sensação de estar preso, o incomodava, ele se sentia incapacitado, inútil. Hatet gostava de ideia de receber prazer dela, seja como fosse, mas também queria proporcionar, e dessa forma ele não via como.
Ela se estendeu para trás, revelando seu sexo rosado, inchado e molhado. Ele rugiu e segurou com força o tecido que o prendia. Ela tinha os olhos nos dele.
— Você já me viu. Quero ver você agora — ela puxou sua boxer revelando o membro ereto que quase chegava ao umbigo. Ele não podia mais, ele explodiria ao primeiro toque dela. — Uau! Como estava escuro naquele estacionamento. — ela disse com um sorriso torto, e ele gostou de ver que ela se agradava com o que via. — Se bem que... Acho que você não está muito excitado agora.
Ele teria broxado, se não estivesse com tanto tesão. O que ela queria dizer com aquilo? Que ele estava “meia-bomba”? Impossível! Ele nunca tinha ficado tão excitado em sua vida. Ela jogou a cabeça para trás e começou a rir freneticamente.
— Você devia ter visto sua cara! — disse ela se ajeitando em seu colo de novo — Eu estou brincando... — Hatet puxou mais uma vez o tecido. — Nah! Eu disse para se comportar. E para mostrar que eu sou boazinha com você, eu vou deixar você mais a vontade. — Maryhelen tocou seu membro na base e começou a bombeá-lo.
— Elle — ele disse com os dentes trincados — eu vou...
— Vai o quê? — ela perguntou junto a sua orelha — Você não vai gozar agora.
— Argh!!! — ela o beijou no maxilar e deslizou a língua até sua orelha.
— Peça — Hatet abriu os olhos tentando se concentrar no que acabava de escutar. Pedir? Ele teria de pedir ter um orgasmo? — Se você não pedir, não vai gozar comigo.
— Por favor — ele disse antes de ter tempo de filtrar a informação e analisar — Por favor, me deixe gozar.
Diante do apelo de Hatet, Maryhelen quase se derreteu em seu colo. Quase.
Ela o queria fazer pagar! Maryhelen queria que Hatet implorasse por ela, por que era isso que ela estava inconscientemente fazendo por ele todo o tempo. O abdômen de pedra do macho, estava tão tencionado que ela pensou que ele não respirava. Ele era toda uma visão em baixo dela. Até agora ela estava pasma em como ele se deixou chegar ali. Ele se via claramente incomodado de não estar fazendo o queria.
O macho alfa querendo mandar.
Porém hoje não. Hoje, ele estaria em suas mãos.
Quando ele disse que não podia se controlar, ela também não resistiu. Perdeu o controle igualmente, e pensou “Por que ser tão puritana? Por que ela era da cria perfeita da glymera? Não! Hoje ele conheceria a fêmea que apenas Barhbo conheceu”. Ela tinha deixado de ser uma princesinha quando decidiu que sua vida estava andando sem ela. Seu hellren tinha morrido, mas ela não. Então ela experimentou tudo o que pode. Viajou, bebeu, conheceu mais gente e inclusive... Aprendeu um pouco de dominação com o Rise. Um macho da espécie que conheceu ao norte dos EUA em uma de suas viagens. Ele era um Dom, e ficou encantado por ela durante um tempo, e foi nesta época que ela fez os piercings nos mamilos. Gostou do resultado, pois eles deixavam o toque mais sensível neste local, e era bonito.
Esta era uma Maryhelen que ninguém conhecia, mas que ela apresentaria agora para Hatet.
Com as mãos em seu membro, ela ergueu os quadris e o posicionou na entrada de sua fenda. Ela estava pronta para recebê-lo. Ele estava tão excitado que ela não sabia se aguentaria, mas não conseguia não deixar de querer sentir todo o comprimento de seu membro, a esticando centímetro por centímetro.
— Vou ser tão piedosa, que vou deixar você dentro de mim, mas não vai gozar. Apenas quando eu disser que pode. Escutou? — o ameaçou e ele assentiu um pouco a contra gosto. Ela se sentou devagar sobre o seu membro. Hatet se remexeu um pouco e ela quase explodiu de prazer.
— O tênis — ele disse quase engasgando — Tire o tênis.
— Eu gosto do tênis — ela não havia tirado — Fique com ele. — Se o incomodava, ele ficaria até ela terminar. Hatet arfava, e fechava com força os olhos, e os punhos.
— Está acabando comigo Elle. — ela gostava de ouvir ele a chamar ‘Elle’. Lembrava-se de muitos nos atrás, quando eram apenas pré-trans e o mundo não era complicado.
Nem ela podia aguentar mais, e começou a movimentar os quadris para frente e para trás. Para cima e para baixo. Hatet começou a estremecer, estava muito excitado e ela o queria um pouco mais. Balançando um pouco mais devagar, ela manteve o ritmo até ele se acalmar um pouco. Quando o teve mais calmo, recomeçou. Ele pedia por mais e ela diminuía o ritmo; ele se acalmava e ela balançava os quadris com mais força.
— Foda Elle! — ele ergueu os joelhos e começou a impor seu próprio ritmo. Maryhelen cravou as unhas em seu peito em castigo. Hatet cerrou os dentes tão apertado que podia os ouvir rangir.
Maryhelen não o soltou da cama, mas o deixou terminar. Ela o deixou chupar seus seios e ele quase explodiu ao fazer. Hatet impulsionava os quadris com mais força e Maryhelen ia chegando mais próxima ao clímax.
Segundos depois os dois explodiram quase igualmente. Maryhelen afundou as unhas em seu ombro quando ele a mordeu no alto de um dos seus seios, e sorveu goles de seu sangue durante algum tempo. O que prolongou mais o orgasmo de ambos.
Maryhelen não sabe se dormiu por causa do torpor depois do sexo com Hatet, ou se foi o remédio misturado ao vinho que tinha dado efeito. Ela acordou no quarto debaixo, com Hatet ao seu lado, dormindo feito pedra. Ainda tinha as echarpes amarradas nos pulsos e estava nu. Ela não se lembrava de tê-lo desamarrado. Hatet segurava o quadril de Maryhelen com uma das mãos enquanto a outra descansava debaixo de sua cabeça. Ela sorriu ao vê-lo tão despreocupado e olhou o relógio em frente a eles. 18h30. Ela tentou voltar a dormir, mas a mão quente de Hatet em seu quadril, a estava deixando inquieta, e ela não queria acordá-lo.
Ela suspirou, e pensou no que tinha feito mais vez. Porém tinha sido diferente. Para ambos. No estacionamento, ela quis, ela admitia. Foi impulso, e foi ótimo. Maryhelen não sentia isso a muito tempo, e não pensou que fosse acontecer logo com Hatet, que sempre a tratou como uma irmã mais nova. E ela que sempre o teve como amigo e confidente.
Ele pediu para ela não fazer, ele disse que estava descontrolado e pediu mais. Não foi? Algo estava acontecendo com dois, e ela queria muito saber o quê.
Ela tinha ficado com raiva dele, pois ele era tão cego que não conseguia ver claramente o que ela via. Seja lá o que fosse. Essa estática que fluía quando estavam juntos era tão real que era tangível.
Como ele não via? Como ele não sentia? Pelo menos o corpo dele dizia o contrário.
Maryhelen ouviu um barulho o andar de cima, mais precisamente no corredor que davam acesso ao seu quarto, e gelou.
Não estava esperando ninguém, e principalmente alguém que estivesse dentro de sua casa.
— Hatet! — ela sussurrou com urgência — Hatet!
Hatet apenas mudou de posição, e resmungou. Maryhelen correu para a porta e a trancou a chave, tentando não fazer barulho. E se fosse um assaltante? Hatet conseguiu entrar pela sacada, alguém com alguma habilidade a mais poderia também.
Lessers.
Seu sangue gelou e a petrificou no lugar. Apenas a palavra lhe deu um profundo medo. Ela poderia se defender, mas preferia não ter de fazê-lo, com certeza. Maryhelen pegou o roupão de algodão no banheiro e voltou à porta. Colou a orelha na madeira para ouvir. Nada. De repente, passos soaram na escada de acesso ao porão.
Ela se viu dando passos desesperados para trás, e bateu as costas com o corpo de Hatet, e que apenas a olhou e fez sinal de silêncio para ela.
— Vá para o banheiro e se tranque. Apague a luz e não saia de lá até eu mandar. — disse Hatet em um sussurro. Ela fez precisamente que ele disse.
Passaram-se um, dois, três minutos e nada. Um silêncio mortal tomava conta do lugar. Maryhelen estremeceu pensando que algo ruim tinha acontecido e decidiu tomar coragem para espiar pela fresta da porta.
Não via nada.
Ela entreabriu com cuidado e saiu quando avistou Hatet com um lençol enrolado em seu quadril perfeito de Apolo, escutando os barulhos na escada.
— Quem é? — ela sussurrou ao se aproximar dele.
— Um homem e uma mulher. Estão conversando lá em cima. — Maryhelen franziu o cenho. Um casal em sua casa? Assaltantes.
— Como sabe? — ela perguntou curiosa.
— Os ouvi falar aqui atrás da porta. Estava esperando alguém?
— Claro que não. — Ninguém ia até a casa dela, exceto Lyz e... Oh! Deus! Perfeito! — Droga!
— Problemas? — Hatet perguntou levantando uma sobrancelha desconfiada.
— Acho que... Sim. Definitivamente sim! O que eu vou fazer? — Maryehelen logo se lembrou de quem teria acesso a sua casa tão facilmente, e não gostou nada da ideia ter Hatet agora ao seu lado. Não nu não trancado em seu quarto... Nu? — Puta que pariu! — ela lembrou que suas roupas e de Hatet estavam no quarto no sótão.
— Fale Maryhelen! — disse Hatet um pouco mais preocupado. — Quem está lá em cima?
Maryhelen pensou que eles não iriam aparecer sem avisar. Ao menos no caso de algo acontecer. Claro! Lyz! Ela deve ter tentado falar com Maryhelen ontem à noite, e como não conseguiu ligou para eles. Merda! Maryhelen respirou fundo antes de soltar a bomba, pois Hatet também não gostaria de ouvir a resposta.
— Meus pais.
[1] Trecho da música da Adele (I can’t make you love me)
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