Mariska Esténo e o Debuto do Chapéu
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Não, não era livre. Pelo menos não totalmente. Em alguns momentos poderia ser ,mas não sempre. Talvez nunca fosse realmente livre....
Olhou a menina que ela agora carregava.Havia achado a casa e parou o carro. A menina dormia tão tranquila, seria uma pena acordá-la.Ficava tão boazinha dormindo, parecia mesmo com ele.Parou por um instante, será que queria ver seu marido?
A porta abriu de sopetão e Mégara se sentiu esmagada por um forte abraço. Agora sabia que queria, sempre queria ver Lourenço.
–Meg, que saudade! Odeio ficar sem você por perto!-ele era alto,tinha que se abaixar para abraçá-la.Os olhos eram azuis, doces.-Foi muito difícil achar o caminho? Deveria ter chegado a umas quatro ou cinco horas.
–Ah, é que o carro quebrou e tive que parar em um mecânico. Depois Mariska passou mal.Livros e carros, sabe como é...-ela olhava fixamente, na esperança de convencê-lo. Não era difícil inventar desculpas, muito pelo contrário.
–Coitadinha,passou mal e dormiu. Típico dela.-ele sorriu e pareceu envergonhado.-Eu tentei arrumar as coisas do jeito que você gosta, mas acho que não deu.Sinto muito.-ele olhava para baixo, parecia decepcionado. Realmente, era um marido muito atencioso.-Me dê ela, vou colocar no quarto.-ele tomou-a nos braços e subiu as escadas.
É, ele não tinha acertado a mão na arrumação. Mas tentou, isso foi o suficiente. Os móveis escuros e a decoração laranja estavam lá, poderia dar um jeito.Exfregou a região dos olhos, estava cansada.
–As crianças estão dormindo.-ele descia as escadas.-Quer fazer o que?
–Podemos dormir também?-seu corpo parecia que iria desabar,precisava descansar.
–Humm, claro.-ela parecia extremamente fofa quando estava com sono. Ele ainda a achava linda após dez anos de casamento.-Vamos?
–Sim, sim.-ela andou sonolenta até o quarto vazio,colocou uma camiseta laranja e se deitou.
Ele já estava com seu pijama azul e esperou, parado na porta do quarto. Meg não havia mudado, era a mesma de dez anos antes. Parecia uma menina.
–Ei, você não vem? Vai me deixar sozinha? Não gosto disso.-ela levantava a mão, requisitando a presença dele.
–He he, já vou.-ele se deitou e a abraçou por trás. Seu rosto estava no cabelo dela.Tinha cheiro de erva cidreira, ele nunca gostou de erva cidreira.
Fale com o autor