Notas iniciais
Mariska e todo seu universo pertencem somente a mim. Qualquer desobediência a frase anterior não será tolerada.(Olhar extremamente maligno)

Eram todas muito iguais.Coisas iguais são chatas. Mariska odiava coisas muito iguais, parecem sem graça.

Fazia um tempo que a mãe estava dirigindo, tentando encontrar a nova casa. A mãe não era boa com direções e era muito orgulhosa para parar e perguntar, isso levaria um longo tempo. Suspirou e olhou para o céu, estava nublado, sem chuva,sem luz, sem nada.Exatamente como ela se sentia agora.

Estava entediada. Pegou um livro da bolsa: A Bela Adormecida. Era o único conto de fadas que gostava, a mãe havia dado o livro de presente fazia algum tempo.Recordando a história, sorriu e tentou folheá-lo.Lembrou que não podia ler no carro...

–MÃE! Para o carro agora.-ela estava enjoada, a mão na boca abafando a voz.

–Mas por que, o que aconteceu?-Mégara se virou e olhou a menina,estava ficando verde.Resolveu parar.-Ok, vai fundo.-ela abriu a porta.

Mariska correu para fora do carro para entrar em contato com a mãe natureza.Odiava isso, mas não tinha jeito, as coisas eram assim. Ela não podia ler em um veículo em movimento.

–Agora eu to bem, mãe.-entrou com uma cara melhor, só que parecia mais cansada. -Me acorda quando a gente chegar.-disse e encostou no banco e rapidamente adormeceu.

Mégara ligou o carro e continuou. Sentiu pena da menina, havia sido sempre assim desde quando ela era bem pequena. Diziam que melhoraria com o tempo, mas Mégara não tinha tanta certeza, afinal algumas coisas nunca melhoram.

Estava cansada mas não queria voltar pra casa. Ela estava perto da casa dele, e pelo horário a mulher dele não estaria lá, seria uma surpresa.Olhou para trás, a menina dormia como pedra, sem problemas.Colocou os óculos escuros e se dirigiu à casa verde.

Ainda lembrava da casa verde, ficava a duas quadras da velha padaria.Era tão nostálgico! Ela parou em frente e desceu. O jardim continuava florido, ele adorava flores, será que ele ainda deixava uma chave reserva no terceiro vaso, o da esquerda?

Colocou a mão no vaso e a encontrou. Sorriu. Muitas coisas haviam mudado, mas ele não. Achou mais educado interfonar. Apertou a campanhia que ele havia feito, bonita, com formato de coruja. A porta se abriu.

–Oi, eu tava passando e pensei em vir aqui, faz tempo que a gente não se vê.

–Meu deus! É você mesma menina? Vamos, entre, entre logo.-o homem de meia idade e ar severo abriu um sorriso.-Como vai a minha Meg?

–Eu vou indo mesmo. Delegado, você ainda é bem charmoso viu.-ela estava feliz, ele era um velho conhecido.-Ainda pega várias menininhas?- ela se sentou no antigo sofá preto. Na última vez que havia sentado no sofá, estava de ponta cabeça.

–Quem, eu ? Não Meg. Eu não faço mais essas coisas, pode não parecer mais aprecio muito meu casamento. Na verdade, venho me comportando muito bem nesses dezesseis anos.-ele havia pego uma garrafa de uísque.-Quer um pouco? Ou é melhor um suco de uva, como nos velhos tempo?

–Muito engraçadinho. Vai, dá logo a desgraça do uísque pra mim.-Ela havia deitado no sofá e balançava as pernas.

–Olhar você assim me faz relembrar algumas coisas...-ele entregou o copo e sentou na mesinha de centro.-Olho pra você e ainda me lembro da menina de dezesseis anos da casa perto da igreja.Mas sabe que está linda, tinha certeza que iria ficar mais linda do que já era.

–Sei, só tá falando isso pra me bajular. E como você está?

–Eu? Estou na mesma. Ainda sou o delegado de Esperella, não tive nenhum filho, a minha mulher já tem alguns sinais de Alzheimer e é isso. Muito emocionante, é claro. Mas e você Meg?-ele estava admirando suas pernas.

–Eu? Eu tive três filhos, me casei, me formei na faculdade e agora vim trabalhar aqui como organizadora de eventos.-ela passava o dedo ao redor do copo.

–Sério? Três crianças? Nunca pensei que teria filhos. São todos filhos do Karel?-ele havia cuspido a bebida no tapete, a esposa iria ficar brava , muito brava.

–Não, só a menina mais velha, os outros são do meu marido. Ela se parece muito com o pai, eu odeio isso. Quero tirar a guarda dele.-agora ela segurava o copo com força.

–Mas que coisa. Lembro que era apaixonada por ele...por acaso ele a ignorou quando descobriu sobre a menina?-ele olhava instigado para Meg, seus olhos já farejavam o que acontecia.

–Foi, ele me ignorou. Não atendia o telefone, me ignorava quando me via na rua. Foi terrível, quando ela nasceu ele foi no hospital e me pediu desculpas. Queria segurar ela. Ele olhou e quis levar ela para casa,acredita? Ele se ofereceu para cuidar sozinho dela e até me pagaria o que eu quizesse.-suspirou-Na verdade, ele falou que ela se parece muito com a mãe dele. É o mesmo nome.

–Mesmo? E qual é o nome dos outros dois?

–O do meio é o Iago e a menina mais nova é a — barulho de avião- mas chamamos ela de princesa.-olhou o relógio.-Nossa, já é tarde. Tenho que ir.- ela começou a levantar.

–Meg, pode vir me ver sempre que quiser, sabe disso certo? Mas antes de ir eu quero uma coisa....-seu sorriso mudou de caloroso para safado.

–Sei sei.

Ela passou seus braços ao redor dele e o jogou no sofá. Era tão nostálgico. A mesma cena havia ocorrido no mesmo lugar a muitos anos. Só que agora ela não era a menina boba, inocente e curiosa de antes. Era uma mulher. Não era mais o floco de neve de ninguém. Era um dragão. Era livre.

Notas finais
Olá queridos leitores,como vai a vida? Gostaram? A Mégara é demais né? No próximo vai aparecer a família e um pouco mais sobre a cidade.