Marina Ginsi-uma aventureira
7 Rômulo Winos
Notas iniciais
Marina correu até a Avenida Cora, dobrou á esquerda na Avenida Vadeia até chegar a um pequeno campo com uma casinha solitária no meio do nada. Rômulo estava limpando as árvores sujas em volta da casa. Ele se virou para ela, que estava um pouco longe e acenou com um borrifador de agua na mão.
–Caloi!
Ela gritou acenando de volta. Ele abriu um sorriso muito grande.
–Venha para cá, nós vamos conversar gritando?
Marina corria tentando fechar a boca, mas o vento estava muito forte. Ele pegou a manga mais alta do pé, se se encostou na porta e disse:
–Você vem?
Eles entraram e sentaram em uma mesa apertada com apenas três baixas cadeiras em volta.
–Então?
–Família Caloi.
–Século?
–Não sei, acho que não antes do século dezoito, mas nem depois do século vinte.
–Bom. Richard Caloi foi o pai da família a partir do ano de 1740. Mário... Acho que você deseja Adriano Caloi.
–Por quê? Eu procuro um agente secreto.
–Isso! É ele mesmo! Acho que eu tenho um livro aqui que fala sobre ele... Foi muito importante sabia?
–Não... Que livro?
–Sombras assombrosas, de Calam Origami. Ele fala sobre como as pessoas se tornam um tipo de realidade no mundo. Achei!
Ele desceu da escada de um jeito um pouco desajeitado com o livro na mão. Era um livro grosso, de capa preta, um pouco rasgado.
–Bom, muito bom, mas como isso tem a ver com sombras assombrosas?
Rômulo começou a fazer uma lista em um papel de carta azul com bolhas desenhadas em volta das linhas grossas e escuras. Ele entregou o papel a Marina.
1º-Sombras são pessoas esquecidas ou que particularmente não existem.
2º-Assombrosas são aquelas coisas (no caso sombras) que até a família esquece, pois estamos falando de sombras. Mas, nesse sentido, são aquelas coisas que não tem valor.
3º-No caso, são pessoas esquecidas que não tinham valor, mas também existe um livro de terror que tem esse título.
Marina pegou uma caneta em seu bolso e uma ficha em branco que estava em cima da mesa e deu para Rômulo. Ele fez algumas anotações e lhe deu a ficha de volta. Marina assinou caprichosamente e botou a ficha no bolso do casaco. Ela saiu da pequena casa e fechou a porta com muito cuidado. O celular dela vibrou no seu bolso. Sua mãe.
–Alô?
–Filha, onde você está?
–Saindo da casa de Rômulo Winos.
–O que fazia nesse úmido casebre?
–Eu... Fui, sei lá, botar o papo em dia, tomar um chá.
–E por que você não veio para casa? Aqui tem chá também!
–Mas aqui é mais perto, e ele tem livros ótimos que não tem em casa.
–Bom. Você não acha que está muito frio?
–Muito.
–Corra para casa então, não quer pegar um resfriado e não poder sair amanhã não é?
–Vou sair com os meus amigos.
–Mas...
Marina suspirou e pisou forte em uma poça de lama.
–Mãe, eu preciso ir, se eu não chegar em casa em vinte minutos é porque eu só volto á noite.
–Marina eu quero você em casa hoje, só hoje.
–Você sabe que uma hora eu volto.
Ela deslizou o dedo no botão de desligar e colocou o celular no bolso.
–Ai meu deus, eu queria estar na 0800 agora, é a agência secreta mais legal do mundo.
–Você é uma agente secreta?!
Mariana saiu de trás de uma árvore.
–É Mariana, mas não conta pra ninguém tá?
–Juro.
***
Matheus estava sentado no sofá, esperando Mariana achar Marina.
–Demoraram. Forem tomar chocolate quente antes de me encontrarem é?
–Não, agente acabou se encontrando de repente e começamos a conversar.
Mariana olhava para Marina com cara de nervosa.
–Isso passa!
Marina cochichou.
–Mariana, você está aí?
A mãe de Mariana havia chegado. A menina contou que foi procurar Marina, e que acabaram chegando á exatos quinze minutos. Enquanto a voz doce de Mariana ralava o cérebro da mãe, Matheus e Marina faziam a pipoca e os copos de milk-shake.
Como é? Você saiu de casa nesse frio e ainda por cima não avisou Carlita?
Nesse momento, Carlita (a empregada da casa) desceu as escadas.
–Sim?
Ela resmungou com tom de quem se sente culpada.
–Não, eu não lhe chamei.
Carlita foi para a sala de jantar fazer a limpeza das quatro caixas que Mariana tinha em cima da mesa.
–Mariana, eu já lhe falei que você não pode sair desse jeito, sem avisar ninguém!
Camila (a mãe de Mariana) falava em um tom muito preocupado, que já estava deixando a pobre Mariana tonta.
–Mas mãe, eu sei que você vai dizer agora que alguém podia precisar de mim, mas eu deixei Matheus sabendo.
–Mas no que isso adianta minha filha?
–Ué, se alguém me chamasse ele avisaria né?
–Você não tem algum argumento que me deixe mais tranquila?
–Eu fui de casaco vale?
–NÃO! Você não percebe que isso é sério? Você podia ficar doente!
O mundo desabou em cima daquela menina de apenas treze anos. Coitada, não podia mais pensar no que dizer, mas confiante como ela era, pensou um pouco e foi esperta.
–Matheus é um menino muito confiante, com certeza ele avisaria a primeira pessoa que passasse por aqui, que eu fui ali, mas logo eu volto, e fui sim muito agasalhada.
Matheus e Marina voltaram, bem na hora em que a briga iria começar. Camila olhou para eles e levantou a cabeça autoritariamente e passou o dedo no cabelo da filha.
–Carlita, vou verificar a limpeza, pode fazer o almoço, lavar a louça do café e terminar a organização da cozinha? Ah, prepare também a mamadeira do Alvinho. Ele pode estar morrendo de fome agora.
–Sim, mas eu posso descansar entre uma tarefa e outra?
–É, é justo.
–Mari, eu tenho pena da Carlita sabia?
–Eu sei. Mamãe pega pesado com ela. Mas ela recebe para isso.
Carlita corria pra lá e pra cá, enquanto os três amigos comiam, bebiam e conversavam até tarde da noite.
–Gente, vocês vão ter que ir correndo para casa. Já é tarde.
Mariana cambaleou até a porta e pulou quando a sua cadela latiu.
–Tchaaaau.
Bocejou Marina. Ela tropeçou em um sapato e caiu de cara no chão. Matheus riu e Mariana abriu a porta. Um homem de capa preta com um machado na mão olhou para eles.
–Posso entrar?
Ele tinha uma voz estranha, ameaçadora.
–Macabro.
Marina cochichou no ouvido de Matheus.
–SILENCIO!
O homem gritou. Ele nem perguntou de novo, mas entrou na casa. Mariana cuidava de tudo e de todos.
–Quem é você?
Ele não disse. Olhou para o relógio de pulso e saiu.
–Não esperem por mim. Não voltarei hoje.
***
Na manhã seguinte Marina saiu de casa cedo. Ela tinha muito que resolver e também iria ler o livro que pegara na casa de Rômulo. Se não fosse pela noite anterior ela ficaria acordada até muito tarde, mas ela tinha medo daquele homem terrível. Ela desceu, mas ninguém estava em casa. Ella, a empregada, havia ido ao supermercado. Marina foi à lanchonete.
No caminho ela encontrou Mariana, que também não era de acordar cedo.
–Marina? Também com medo?
–Exatamente. Já tomou café?
–Não. Matheus não voltou para casa e eu vou fazer um café pra nós dois. Quer?
–Sim, é claro, mas olha no olho mágico antes de abrir a porta.
***
–Matheus, eu trouxe a Marina e umas coisinhas para o nosso café.
Mariana olhou para o menino que tremia de medo.
–Estamos todos com medo Matheus, vamos tomar mais cuidado.
Marina concordou.
–Mariana está certa. Agente não olhou o olho mágico
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