Hoje em dia ninguém mais acredita nesta história, também pudera já se passaram duzentos anos, e eu continuo com a mesma cara de quando eu tinha vinte e cinco anos, branco dos cabelos loiros e com olhos pretos como carvão. Carol e Rivan continuaram a me aturar durante todos esses anos, bem Carol esta cada dia mais linda, seus cabelos ruivos batem no final de suas costas, seus olhos estão mais verdes do que o de costume e ainda tem sarda, também ela deu uma boa encorpada, e não, eu não fiquei com ela, Rivan está mais alto que eu, seus cabelos pretos espetado, seus olhos azuis estão mais penetrantes e segundo as meninas que me pedem para conhecê-lo ele está “gostoso”, apesar de que eu me acho muito mais gostoso que ele, no mais estava tudo bem também, os grimpaus estão em uma fazenda que nós compramos para eles em Minas Gerais, por que lá tem muitas montanhas e muita água, então é o lugar perfeito.

Dês da grande guerra nós nunca mais precisamos montá-los para uma batalha, só os montamos para não perder o costume, também praticamos espadas e aperfeiçoamos nossos feitiços.

O meu grimpau está enorme, duas vezes maior que eu, preto como meus olhos e os dentes muito afiados, ele esta conseguindo soltar mais fogo do que antes e durante mais tempo. O da Carol esta maior que o meu, como sempre, bem maior que o meu, está vermelho como sangue e olhos mutiladores ele está conseguindo voar por mais tempo sem se cansar tanto e também esta conseguindo soltar muito mais ácido. O do Rivan também esta grande, mais nem tanto quanto o meu, ela – o grimpau dele é fêmea – é branca como a neve, e tem os olhos azuis como vidro, está conseguindo soltar mais gelo que antes, congelar rios ficou fácil para ela, consegue também permanecer muito mais tempo de baixo d’água do que qualquer um.

Um dia estávamos andando em alguma Rua de São Paulo quando avistamos uma menina loira de olhos castanhos e roupas esfarrapadas e meio chamuscadas chorando, ao ver aquela cena Carol queria ajudá-la

— Qual o seu nome? – questionou Carol

— É Maria Clara. – Respondeu a menina

— E por que você esta chorando? – perguntou Carol

— Meus pais morreram em um acidente de carro, e eu não tenho mais ninguém com quem ficar também não quero ir para um orfanato, muito menos ser adotada. – respondeu a menina me fazendo lembrar a perda de meus pais.

— Posso lhe contar uma história? – perguntei antes que Carol falasse qualquer coisa.

— Que história? – a menina perguntou secando as lágrimas que escorriam no seu rosto.

— Uma história que aconteceu faz muito tempo – falei, e nas seguintes duas horas e meias contei-a toda a nossa história.

Por fim ela perguntou:

— O que é grimpau?

— São animais dos quais somos guardiões – respondi.

— E o que exatamente eles são? – perguntou novamente.

— São dragões de todos os jeitos que se possa imaginar e tem poderes inacreditáveis. – Falei rapidamente.

— E vocês acham que eu vou acreditar nessa história? — Maria indagou.

— Bem provavelmente não, mas, gostaríamos que você acreditasse – Falou Rivan.

— Idiotas – Falou, e depois saiu correndo.

— Agente sabia que aconteceria isso – Falou Carol.

— Infelizmente – lamentei.

Já era comum acontecer isso, muitas pessoas acham que nos somos loucos, e por que não mostramos os nossos grimpaus? Pelo simples fato de que não seria nada normal começar a passear com dragões como se fossem bichinhos de estimação e isso chamaria muita atenção da imprensa e nós não queríamos ficar dando explicações para repórteres. E não é muito comum você sai na rua e escuta alguém falar que tem um grimpau, para falar a verdade nesses 200 anos eu não vi nenhum grimpau a não ser os nossos.

Logo depois que a garota sumiu do nosso campo de visão, falei:

— Será que um dia encontraremos alguém, quer dizer, alguém que tenha..

— Tenho quase certeza que não – Carol me cortou.

— Esquece isso Flich à duzentos anos que não vimos uma pessoa se quer que seja um de nós – Falou Rivan enquanto continuávamos a seguir nosso caminho até a rodoviária, para irmos até o interior de Minas Gerais, onde nossos grimpaus estavam.

Quando chegamos à rodoviária compramos nossas passagens no ônibus Mash 520. Logo que chegamos ao ônibus o motorista falou:

— Boa noite, eu sou Caio Draunt, por favor, todos em seus lugares, partiremos em 10 minutos. A viagem durará em torno de umas 10 horas, faremos uma parada entre as divisas dos estados e outra em Minas Gerais. Não se esqueçam de colocar os cintos de segurança. Obrigado.

Depois de algumas horas de viajem escutei três pessoas que estavam atrás de mim comentarem:

— Eles vão voltar? – falou um

— Faz muito tempo que eu não os vejo – falou o segundo

— Me contaram que a Era dos – buzina do ônibus – está voltando – Falou o terceiro.

Assim que pararam de falar olhei para Carol e Rivan com a cara mais passada do mundo e sibilei:

— Vocês escutaram o que eu escutei?

— Do que você está falando? – Perguntou Carol.

— Você não escutou? – Questionei novamente.

— Escutou o que? – Falou Rivan

— O que os passageiros atrás de nós comentaram. – falei.

— Não – Carol e Rivan Falaram juntos – o que eles falaram?

— Que a Era dos grimpaus está voltando – respondi.

— Que? Você tem certeza de que escutou direito? – Indagou Carol.

— Bem eu não escutei grimpaus, a buzina do ônibus tocou bem na hora, mas, eu tenho certeza de que estavam falando sobre isso – Afirmei.

— Você deve esta com sono Flich, é melhor você dormi a viagem está muito cansativa – Falou Rivan.

— Não, não estou eu sei o que escutei está bem? – Retruquei.

— Esta bem – Falou Carol – mas é melhor você dormi a viagem está sendo muito cansativa amanhã agente fala nisto.

— Vocês não acreditam não é mesmo? – Falei indignado.

— Claro que acreditamos – Falou Carol com um olhar dizendo para o Rivan confirma.

— Pois é claro que... Que acreditamos. – Falou Rivan – Agora vá dormi.

Depois disto passamos o resto da viagem calados, apesar de Rivan e Carol trocarem olhares debochado não estava com vontade de começar uma nova discussão.

Quando chegamos à fazenda Teseu, Max e Thifane fizeram uma festa para nós. Thifane o Dragão de Rivan fez uma festa mais discreta, Max logo levantou voo com Carol e Teseu só faltou pular em cima de mim. Saímos para as montanhas onde poderíamos ficar sozinhos, e eu contei-lhe tudo que havia escutado no ônibus, apesar de não entender muito bem o que ele queria dizer – pois ele falava em uma língua diferente de mim e antes que eu pudesse aprender essa língua teve a guerra então não tive tempo para isso – na parte em que eu entendi pude ter a certeza de que ele concordava comigo. E nós tivemos a mesma idéia. Nós iríamos procurar mais guerreiros, pois se a era dos grimpaus estava voltando, com certeza haveria guerra.