Marcado

17 Capítulo 17 – Medidas


Notas iniciais
Amiguinhos... claro que eu não ia deixar vocês sem a postagem da sexta-feira, né? Nosso encontro é sagrado!! Sem maldade da autora dessa vez u3u Boa leitura!

Marcado

Kaline Bogard

Capítulo 17 – Medidas

Taiga estava sentado no sofá do próprio apartamento, olhando para o celular sobre a mesinha de centro como se ele fosse lhe dar resposta para todas as dúvidas do Universo. A mistura de sentimentos negativos que o oprimia atingia aos outros shifters também, ainda que alguns estivessem um pouco longe.

Daiki permanecia sentado ao lado dele, acomodado no sofá, apenas observando. Quando os garotos da Kirisaki Daichi abordaram Kagami no ginásio, a angústia do Ômega o acertara em cheio, a ponto de fazê-lo abandonar o jogo antes do final e ir verificar o que acontecera.

Agora estavam ali, sozinhos, em um clima dos mais pesados. Kuroko, Kise, Murasakibara e Midorima estavam pelas intermediações, em alerta. Akashi fôra atrás dos contatos de sua família. Apenas Momoi recebera a orientação de continuar com Touou até o ultimo segundo, agindo normalmente para não levantar mais suspeitas.

— Pensei que esse cara estava nos Estados Unidos — Aomine finalmente falou alguma coisa.

— Eu também — Taiga levantou-se e começou a andar de um lado para o outro, nervoso — Não sabia que Tatsuya tinha voltado para o Japão.

Lançou um olhar rápido para o celular. Acabara de dar uma pequena carga no aparelho. Não era sorte que o seu próprio carregador servisse para isso, quando escolheram os telefones compraram similares, justamente por essas facilidades.

Graças a isso descobrira que Himuro contratara um dos planos internacionais da Operadora de Telefonia, o mesmo que ele assinara ao regressar para o Japão. Dessa forma não era necessária a troca de chips ou de números. Muito prático. Além disso, a prestadora de serviços oferecia o desvio automático de chamada, já que ambos se encontravam no mesmo país. Por isso não desconfiara da verdade.

— Como eles chegaram ao meu irmão?! Como sabiam que temos relações? — Kagami soava inconformado — Por minha culpa ele está encrencado!

— Não é sua culpa, Kagami — o Alpha afirmou, muito sério — A culpa é nossa. Sabíamos que outros Pack seriam desleais para chegar até você. Deixamos que eles se antecipassem.

Daiki lamentava aquilo com sinceridade. Seus sentimentos chegaram ao Ômega e ele conseguiu relaxar um pouco. Talvez devesse mesmo culpar a Geração Milagrosa, que sabia de todos os riscos e ainda assim agira de forma leviana. Mas não conseguia, o grande X da questão estava no fato de Himuro ter voltado ao Japão sem avisar a ninguém! Como poderiam se precaver e protegê-lo desconhecendo esse fato? Só se Midorima tivesse um daqueles sonhos bizarros, porém não funcionava assim. As premonições não vinham quando ligavam uma bola de cristal.

Um tanto mais calmo, voltou a sentar-se ao lado de Aomine.

— Nós brigamos um pouco antes que eu voltasse ao Japão. Tatsuya disse que não podia mais ser meu irmão... Acho que foi por isso que ele não me contou que estava vindo pra cá também — o bichinho da culpa voltou a dar bicadas na nuca de Taiga — Mas como esse Pack nos relacionou?!

Daiki apenas o observou, em silêncio. Na comunidade shifter não era segredo algum que Hanamiya possuía um dos QIs mais altos, ele era inteligente e um estrategista habilidoso. Fatos que, aliados a sua falta de caráter, o transformavam em um inimigo perigoso. Traiçoeiro.

Akashi se precavera de todas as formas possíveis em relação ao Ômega: ele nunca estava sozinho. Ainda que apenas Kuroko o acompanhasse durante o período escolar. Depois Kise, em via de regra, juntava-se a vigília. Ou Midorima. Além disso, após a vinculação, o capitão do time criara seis rotas diferentes para que Kagami fosse de casa para a escola e seis rotas diferentes para que ele regressasse da escola para casa. Combinações que se intercalavam seguindo um padrão complexo esquematizado por Seijuro e que, mesmo um gênio como Hanamiya, levaria algum tempo para identificar.

Por isso o apartamento do Ômega era seguro e os inimigos só encontraram uma forma de contato: através do Intercolegial, onde aproveitaram as brechas que facilitaram a aproximação.

— Pode ser qualquer coisa — Daiki falou depois de um tempo — Acho que o estopim foi a melhoria de Seirin. Os jogadores eram medianos no ano passado. Mas eles se desenvolveram demais para simples humanos.

Um crescimento tão desproporcional chamaria a atenção de alguém como Hanamiya. Esperavam por isso e se precaveram na medida do possível. E o inimigo se infiltrara apesar de todo o esforço. Maldição!

— Só quero entender como chegaram até meu irmão... — a frase soou desanimada.

Daiki o envolveu com os braços e o puxou de encontro a si, numa forma de consolo. O sofrimento de seu companheiro era pior do que sua própria dor.

— Esse cara joga basquete? — perguntou, já sabendo a resposta. O que na vida de Kagami não tinha a ver com o esporte, no fim das contas?

— Joga. Por quê?

— Estou pensando nas possibilidades. Talvez Hanamiya e ele tenham se encontrado em algum amistoso. Talvez esse Himuro ainda tinha um pouco de energia Ômega nele — aquela teoria era bem provável.

— Energia Ômega? Como? — Taiga não compreendeu. Não estivera com ela presa dentro de si todo aquele tempo?

— Pense na Seirin. Só a sua presença melhorou o time. Com tudo o que estava preso em seu tigre e apesar da proteção da prata — passou a mão de leve sobre o peito de Kagami, sentindo o colar que ele sempre usava por baixo da blusa, para evitar ferir Daiki — Ainda assim fluiu o suficiente para desenvolver habilidades nos humanos.

— Com Tatsuya eu tinha um vínculo mais profundo... e nós convivemos por anos! — Taiga fechou os olhos e suspirou. Nunca fôra sua intenção expor ninguém querido ao perigo. Mas como ia saber?!

— Tetsu sentiu que você tinha algo especial. Himuro pode ter causado a mesma sensação em Hanamiya. Um cara como ele jamais deixaria de investigar. Mas isso é apenas uma hipótese. Nós temos Midorima no Pack. Existe a chance da Kirisaki Daichi também ter alguém que possa ver o futuro... se bem que eu duvido disso — terminou a fala abraçando o Ômega com mais força, fazendo conforto fluir através do vinculo — A única certeza que eu tenho é que se culpar não vai resolver nada, Bakagami.

— Sei disso — o ruivo sussurrou.

— Também sabe que esse apartamento é o lugar mais seguro no momento, não sabe?

—... — Kagami não respondeu. Os olhos se moveram em direção ao aparelho celular. A idéia de ficar preso no apartamento era tenebrosa. Mas pior do que isso, era pensar que talvez aqueles caras ligassem enquanto estivesse jogando e perdesse um mínimo contato com o irmão. A chance de salvá-lo.

— Vai jogar amanhã?

— Não sei! — a resposta um tanto brusca mostrou o quanto Taiga se sentia pressionado — Acho que não tenho cabeça pra basquete.

Aquilo partiu o coração de Aomine. O esporte era uma das grandes paixões de seu companheiro. Jamais perdoaria os shifters da Kirisaki Daichi por impor-lhe a difícil situação.

— E se a gente fosse até o colégio deles? — Kagami perguntou com um fiozinho de esperança — E socasse uns caras até que eles dissessem onde meu irmão está?

— Baka. Você ta falando sério? — Daiki girou os olhos — Não vou deixar que chegue perto daquele lugar. Eles sentiriam a presença de Betas de fora do Pack. E eu duvido que todos saibam o que está acontecendo. Não pode sair batendo em todo mundo às cegas. Esse plano é imprudente.

O ruivo suspirou desanimado. A idéia de ficar apenas esperando era dolorosa.

— Só quero fazer alguma coisa pra salvar meu irmão — a voz falhou um pouco — Eles machucariam Himuro?

— Existe a chance — Daiki foi sincero. Não adiantava tentar amenizar o golpe, seu companheiro saberia da verdade através do vínculo que os unia — Não faça isso, Baka. Não se torture com o que não pode mudar. Tenha só uma coisa em mente: eu prometo que vamos encontrá-lo e trazê-lo de volta. E vou te proteger — terminou depositando um beijo nos cabelos ruivos do Ômega, um gesto cheio de carinho.

— Aa — resmungou, envergonhado. Ainda era complicado para si aceitar ser dependente de outra pessoa. Apesar disso adorou o agrado.

— Akashi tem todos os contatos da família para ajudar a investigar. Acredite, aquele cara não vai parar até ter respostas. Não vou pedir que fique trancado aqui. Se quiser jogar amanhã contra Shutoku, vá tranqüilo. Todo o Pack estará no ginásio, na mesma quadra, de olho em tudo.

Kagami não respondeu. Se dividia em dúvida. Uma parte de si gostou da oferta, da chance de continuar fazendo algo que amava. Outra parte temeu que qualquer segundo perto do celular pudesse ser decisivo. E se os inimigos entrassem em contato?

Talvez fosse justamente essa a intenção do Pack inimigo. Desestabilizar a Geração dos Milagres, de modo que dessem um passo em falso e cometessem um erro. Isso o fez ter um insight.

— Acha que eles aproveitaram o Intercolegial para me dar esse celular por você ainda não... Pra evitar... hum... você sabe... — corou um pouco, feliz por estar aninhado nos braços do Alpha, de modo que ele não podia ver seu rosto. Inocentemente esquecendo que ele conseguia captar seu constrangimento através da íntima ligação.

A questão fez Daiki respirar fundo e se dar conta do quanto havia a ser explicado ao Ômega. Muita informação era intuitiva e óbvia. Outras, necessitavam serem postas em palavras. Então se moveu e fez Kagami se desalojar do abrigo de seus braços.

— Olha pra mim — pediu e foi obedecido — Não importa o que aconteça, Taiga, sábado nós vamos fazer. É o dia perfeito e se perdermos essa noite só poderemos tentar de novo no mês que vem, por causa da lua cheia.

— Aa... — Kagami balançou a cabeça enquanto sentia o rosto esquentar novamente. Impressionante como Aomine falava sobre aquele assunto com tanta naturalidade.

— Uma marca é um sinal que pode indicar muita coisa — Daiki começou a aula shifter — No nosso caso, vai sinalizar companheirismo e respeito, porque esse é o vinculo que temos. Quando você for marcado, sua essência se altera um pouco e seu cheiro se torna, naturalmente, repulsivo para outros Alphas.

— Vou cheirar mal?!

— Baka, claro que não! — perdeu um pouco da paciência com a pergunta boba, mas então refletiu um pouco. Já sentira o aroma de outros shifters marcados e não gostara nem um pouco — Bem, você não vai cheirar mal... mas não é algo agradável também. Não sei explicar.

— É coisa de Alpha...

— Não exatamente. Alphas não são os únicos que marcam, Betas também marcam, porque Betas podem se tornar companheiros de outros Betas. Digammas também, alias. E até um Alpha pode ser marcado por outro Alpha porque... — hesitou um pouco.

— Por que...?

— Uma marca não é absoluta. E significa muitas coisas. A marca de um Alpha é mais forte do que as demais e se sobrepõe, claro. E pode indicar dominação, escravidão, humilhação... Tudo depende do vinculo estabelecido. Um Alpha derrotado por outro Alpha às vezes é marcado e carrega a marca da vergonha pelo resto da vida.

A explicação deixou Taiga ressabiado.

— O que você quer dizer com isso?

Aomine coçou a nuca, pensando em como continuar a expor o problema.

— Se a intenção de Hanamiya é fazer algo contra você, a minha marca não garante que ele não consiga isso. O Alpha da Kirisaki Daichi pode estabelecer um vinculo negativo e tentar te marcar. O amor é um laço forte, mas... em determinadas situações outros laços podem ser ainda mais poderosos...

Kagami engoliu em seco compreendendo o que o rapaz queria dizer. No mesmo instante a ameaça de Akashi veio a sua mente, naquela tarde em que se conheceram. Dor e sofrimento, sinônimos de uma ligação profunda.

Um shifter que jogava sujo como Hanamiya não ia estender a mão e convidá-lo para saborear chá ao por-do-sol no paraíso. Sentiu-se arrasado, angustiado, desesperado. Não apenas por si, mas principalmente por seu irmão que já caíra nas mãos daquele Pack.

A tristeza e o desespero do Ômega fluíram até Daiki que não resistiu: segurou o rosto de Kagami com as duas mãos e o puxou para um beijo, profundo e cuidadoso que; além de calma e carinho, trazia a promessa silenciosa de que tudo ficaria bem.

continua...

Notas finais
Essa coisa de Alpha e Ômega é complicado, hum? A lua cheia vai chegando... será que o Daiki consegue marcar o Taiga? Quem acha que não levanta a mão! Ei você aí! Não vale levantar as duas mãos, poxa! Haha Okay, vamos conversar de autor para leitor agora. Papo sério. Eu ia atualizar duas vezes por semana, mas como comecei outra AoKaga, não posso ser tão generosa assim, né? Então, please, reservem as terças feiras para Sweet e as sextas para Marcado. Temos um acordo? Sobre o Himuro... gente... nem um palpite sobre o que aconteceu com ele? Sério? Lembrando que a) Ele está nas mãos do Hanamiya e b) Ele é humano. Own... quero teorias, vamos lá. Pra deixar mais divertido: quem acertar ganha uma Aokaga de presente, pode escolher o plot que eu desenvolvo! Haha... será que alguém consegue acertar? A história já foi finalizada, ou seja, o destino do Himuro já foi decidido!! Até sexta-feira! :3