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14 Capítulo 14 – Intercolegial
Notas iniciais
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Kaline Bogard

Capítulo 14 – Intercolegial
A empolgação de Taiga era incontrolável. Finalmente as competições estudantis tinham começado e ele podia mergulhar em algo que amava ao infinito. Basquete. A chance de fazer algo em que era bom sem restrições.
A oportunidade de empurrar para o fundo da mente preocupações com sua recém descoberta herança shifter, a harmonização com o Pack conhecido como Geração Milagrosa e aquisição de poderes sobrenaturais.
Além da preocupação com seu irmão afetivo, que morava nos Estados Unidos e deixara de retornar seus e-mail e demais formas de contato.
Estava no vestiário destinado a Seirin, depois de terem vencido o primeiro jogo contra Shinkyo. Um colégio nada difícil, com um único jogador acima da média, graças à altura elevada. Um gaijin.
Taiga já tinha a habilidade de distinguir entre humanos e shifters. Ouvira sobre outras raças, mas não conhecia nenhuma ainda. Talvez por não ter encontrado com algum exemplar desde que sintonizara com seu animal interior.
Por isso sabia que Seirin era um colégio novo, inaugurado ano passado e constituído exclusivamente por humanos. Shinkyo também era um time de humanos. Mas podia captar os outros. Sinais espalhados na arquibancada e demais dependências. Sabia que Midorima e Kise estavam por ali, em algum lugar do ginásio. Algumas presenças desconhecidas, mas que identificava como Betas. E o cheiro peculiar, desconhecido. Forte. Cheiro de um Alpha.
“Tá tudo bem aí, Bakagami?”, a voz de Daiki soou direto na mente de Taiga, dando-lhe um arrepiozinho de susto. Era a terceira ou quarta vez que o companheiro se metia em seus pensamentos. Mais um poder associado ao seu despertar como Ômega (e deixara Akashi muito feliz, diga-se de passagem). O que mais conseguiria fazer?
“Tá, aho! Não faça isso enquanto eu estiver jogando!”, respondeu concentrando-se no Alpha. Não eram todos os pensamentos que se faziam ouvir. Para alcançar o outro shifter, deveria se focar nele. Se Aomine pensasse em todo o Pack, todos ouviriam. Se ele pensasse apenas em Kagami, o Ômega seria o único a receber o recado. Ainda precisavam de muito treino, claro. Taiga já recebera um ou outro pensamento que poderia ter passado a vida toda sem saber, obrigado. E não apenas de Daiki, mas dos outros integrantes da Geração Milagrosa. Se perguntava se os demais conseguiam pegar alguma coisa de si sem permissão. Torcia para que não fosse nada constrangedor.
“Terminando o jogo aqui vou até você. Mas Kuroko, Kise e Midorima estão aí, não se preocupe.”
“Não estou! Concentre-se no jogo e me deixa em paz, cacete!”
Diversão fluiu até ele. Outro fato que surpreendia Kagami. O laço que os unia não era físico, nem limitado pela distância. Por isso sabia que na mesma quadra de Daiki estava a garota que ainda não conhecera. Sabia que Akashi e Murasakibara estavam em um terceiro estádio. E os demais permaneciam ali, consigo. Alguma sensação mais forte chegava a ele também. Como a diversão de Aomine. Do Alpha podia captar mais facilmente, talvez por serem Alpha e Ômega e companheiros destinados.
Depois disso, nada restou além dos próprios pensamentos. Soube que Aomine terminara a conexão, para seu alívio. Precisava de tempo pra se acostumar. Fora uma luta convencer Daiki a ir para a própria partida. Mas Taiga deixara bem claro: não queria que ele colasse no seu traseiro dia e noite! Precisava ter seu espaço respeitado.
— BAKAGAMI!!
A voz de Riko trouxe Taiga para o mundo real. Ele percebeu que estivera viajando e deixado a técnica falando sozinha. Ela parecia nada feliz com isso.
— Sinto muito! — pediu sem jeito.
— Como eu ia dizendo, — ela lançou um olhar de alerta para o ruivo — Seiho é um colégio forte e muito defensivo. Eles são especialistas em Nanba Run, mas nós estudamos vários jogos deles. Todos sabem o que fazer.
— Sim! — os jogadores de Seirin responderam juntos.
— Nossa arma secreta ainda são os lances de Kuroko e Kagami, mas não podemos confiar apenas nisso. Vamos abrir vantagem e começar dominando o jogo. O primeiro ponto tem que ser nosso!
Eles sabiam a importância de ter o comando da partida. Principalmente contra um time muito acima do que enfrentaram antes.
Porém, para Kagami e Kuroko, outro motivo de preocupação reinava forte. Seiho era o colégio daquele rapaz que viera a Seirin antes que o Ômega despertasse os seus poderes. Isso significava que o Alpha deles estaria ali naquela noite. E pertencia a ele o cheiro que Taiga captara antes.
Duvidavam que ele tentasse algo durante a partida, claro. Nem por isso baixariam a guarda. A presença de Kise e Midorima servia como uma segurança a mais. O problema seria após o jogo. Ou talvez estivessem sendo pessimistas.
Toda a preocupação foi suplantada ao entrar na quadra. Como esperado, o time adversário jogou com garra, a partida foi dura. Tsugawa nada mais fez além de provocar, mas sua fala irritante visava a todos, principalmente os veteranos de Seirin. Em momento algum fez menção à condição de shifters.
Enquanto jogava, Kagami teve a chance de analisar o capitão de Seiho. O garoto se chamava Iwamura Tsutomu, tinha forte presença e uma calma evidente. Não se sentiu ameaçado em momento algum. Pelo contrário, jogou com tudo de si, como fazia antes de saber de toda aquela história sobrenatural.
O time de Tokyo passou por dificuldades. Estudar a Nanba Run na TV era uma coisa. Enfrentar os movimentos baseados em artes marciais frente a frente não era fácil. Levou quase três quartos para que Hyuuga e seus parceiros pegassem o ritmo. A virada foi inevitável. Seirin ganhou o jogo.
Os rivais formaram fila no centro da quadra e se cumprimentaram.
A vitória os faria enfrentar Kaijo e Kise no dia seguinte, confronto que Kagami desejava desde que o Beta fora até Seirin para conhecê-lo.
Saíam do vestiário para ir embora, mas Iwamura e Tsugawa estavam parados do lado de fora, aguardando-os.
— Gostaria de falar com você — apontou para Kagami.
Os outros jogadores da Seirin ficaram em alerta. Quando membros do time perdedor pediam pra falar com alguém do time inimigo poderia ser por várias razões, entre elas a vingança. Hyuuga se adiantou para cortar a interação, porém Taiga foi mais veloz e aceitou o convite.
— Tudo bem — não captou nenhuma ameaça vinda da direção do Alpha, nem de seu Beta.
— Tem certeza, Kagami? — Riko perguntou — Podemos esperar por perto se quiser.
— Não. A gente se encontra depois.
— Eu fico com Kagami kun — Kuroko se ofereceu. O ruivo não recusou, pois sabia que não conseguira fazer o garoto mudar de idéia. Tetsuya era um Beta defensivo e essas criaturas levavam seu papel ao extremo. Tanto que já sentia a presença de Kise mais perto dali do que antes. O loiro não perdera tempo em aproximar-se, notando o Alpha de um Pack adverso tomando a iniciativa de falar com o Ômega ao qual acabaram de se vincular.
Os quatro afastaram-se em sentido contrário ao restante da Seirin e saíram do ginásio por uma das várias passagens laterais, encontrando um espaço aberto onde podiam conversar sem serem incomodados.
Iwamura voltou-se, enfiando as mãos nos bolsos, e encarou Kagami com uma expressão analítica e curiosa. O rosto sério parecia mais velho do que o garoto realmente era. No geral, dava a impressão de ser alguém confiável e integro.
— Então, na verdade, você é um Ômega — disparou sem fazer rodeios.
— Eu sabia que ele era uma coisa estranha! — Tsugawa exclamou, cruzando as mãos atrás da cabeça.
— Oe! — Taiga olhou feio para o garoto. Ele não tinha muita noção de respeito, isso ficara claro desde o primeiro encontro de ambos.
— Me pergunto qual o objetivo de Iwamura kun, — Kuroko atraiu a atenção para si — ao chamar Kagami kun para conversar.
— Aa — o veterano da Seiho deu de ombros — Não se preocupe. Entendi que esse Ômega já fez um vínculo. E um muito forte por sinal... como posso dizer? Tomoki chegou falando sobre alguém esquisito que não era um Alpha, nem um Beta. E que estava influenciando todos os membros da Seirin. Não levei muito a sério. Pra mim deveria ser um Digamma, você sabe...
— Digammas são mais fáceis de encontrar do que Ômegas! — Tsugawa fez um bico enquanto reclamava — Eu já encontrei um Digamma antes e saberia, Iwamura senpai.
— Sim, me desculpe por não investigar suas suspeitas — ele parecia lamentar, sincero — Sexta-feira a noite senti aquele descontrole de energia e entendi que um milagre poderia ter acontecido. O milagre de um Ômega. Sabia que Seirin seria nosso adversário no jogo de hoje e vim para me apresentar como o Alpha de um Pack que estaria honrado em oferecer proteção a você, mas...
— Chegaram tarde — Taiga concluiu a frase.
— Isso não foi nada justo, Cabeça Vermelha! — Tomoki cruzou os braços e lançou um olhar reprovador para Kagami — Você fez um vinculo com o primeiro Pack que surgiu à sua frente! Nem conheceu os outros!
— Errado, Tsugawa kun. Nosso Pack se antecipou e agiu com lealdade — Kuroko rebateu a acusação velada sem perder a expressão indiferente.
— Não viemos aqui pra brigar. Quando vi que você tem um vínculo estabelecido e cheira a Alpha compreendi tudo — o capitão da Seiho revelou, fazendo Taiga corar — Nós não teríamos chance alguma, desde o começo. Aceito a derrota. Aceito que nunca tenhamos o ciclo completo. Mas talvez outros não aceitem.
— Sabemos disso — Kuroko garantiu.
— Tomamos precauções — o ruivo somou a informação. Os quatro captando as presenças de Kise e Midormia cada vez mais perto dali. E Aomine que vinha muito rápido com Momoi.
— Hn. Imagino que assim seja — Iwamura fez menção de ir embora, encerrando a conversa. Pretendia escapar dali antes que o Alpha da Geração Milagrosa chegasse. Não desejava um confronto ou alimentar disputas inúteis.
Sentia inveja deles? Claro. Todo Pack sonhava com a vinda incrível de um Ômega, um ser quase extinto, que os ajudasse a despertar todo o poder da raça shifter. Alcançar a forma completa! Todavia, ao mesmo tempo, era como se um peso saísse de seus ombros. Ter a responsabilidade pela segurança de um Ômega podia ser um fardo pesado por demais. Estar na mira de outros Packs e pessoas sem escrúpulos. Interrompeu os passos para dizer uma última coisa.
— Por respeito à Geração Milagrosa acredito que devo avisar. Vi Hanamiya rondando o estádio, aquele Beta da Kirisaki Daichi. Que eu saiba, eles não tem nenhuma partida hoje por aqui.
Aquela foi a despedida, pois Iwamura continuou se afastando. Tsugawa entreabriu os lábios para dizer algo, porem desistiu. Lançou um derradeiro olhar na direção de Kagami e correu para alcançar seu Alpha.
— Oe, Kuroko — Taiga chamou a atenção do outro, enquanto observava os dois rivais partindo — Você conhece esse tal de Hanamiya?
— Sim — respondeu sem entrar em detalhes.
Conhecia muito bem aquele cara. Hanamiya Makoto, o diabo em pessoa.
continua...
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