Marcado
9 Capítulo 9
Notas iniciais
A todos: Boa leitura!
Marcado
Capítulo 9
Emily ensaboou e enxaguou seus cachos dourados e à medida que a água quente rolava pelo seu corpo abaixo, as ideias iam começando a surgir em sua mente. Não estava nervosa, porém, sentia um leve embrulhar na barriga devido às horas que ainda deveria esperar. Lavou o resto do corpo com calma, usando um creme hidratante com aroma de pêssego, e, quando finalmente percebeu que estivera ali há um bom tempo, saiu de debaixo do chuveiro.
Enrolou-se numa toalha branca e saiu para o quarto, fugindo do calor abafado daquele cômodo. Deixou a toalha escorregar pelo o corpo até encontrar-se com o chão gelado, e olhou para si mesma no espelho atrás da porta.
“Nada mal”. Pensou, com um sorriso divertido nos lábios.
Pegou uma toalha seca, previamente separada, e ficou olhando para o espelho enquanto secava os cabelos.
Tinha orgulho de seu corpo. Gostava de admirá-lo e adorava quando outros o faziam. Não se achava a mulher mais bonita do mundo, mas sabia que tinha muitas qualidades. Qualidades que faziam os homens correrem ao seu encalço. Era alta, de rosto angelical e sorriso atraente. Seus seios, que haviam sido pequenos quando mais moça, agora estavam do tamanho adequado para uma mulher de sua idade. O seu abdômen era liso, e as pernas eram compridas e magras devido a todo o cuidado que tivera com seu corpo ao longo dos anos.
Enrolou a toalha no corpo, e caminhou até o armário. Abriu a porta e passou minutos incontáveis olhando suas roupas. Emily possuía uma quantidade expressiva de peças de roupa. Blusas, topes, calças jeans, calças de tecidos finos, saias, vestidos... Havia de tudo um pouco, e tudo da mais alta qualidade. Dior, Chanel, Gucci, Ralph Lauren... Emily tinha de tudo. Gostava de comprar suas próprias roupas, não confiando no gosto de outras pessoas, e aproveitava cada segundo que tinha sobrando de seu tempo para procurar os mais novos lançamentos.
Depois de um rápido desfile, em que trocou de roupa sete vezes, Emily optou por uma calça preta de tecido, uma blusa vermelha sem mangas, um terninho preto e um sapato salto alto. Uma roupa simples, porém elegante. Depois de aplicar um pouco de maquiagem, sentou-se no colchão mole de sua cama e pegou em mãos um pequeno embrulho que ali estava.
“Para Emily”. Sorriu ao ler o seu nome escrito com tanta delicadeza.
Abriu o pacote branco e sorriu com o broche em forma de coruja, que agora segurava entre os dedos. Prendeu-o em seu terninho preto e esperou os minutos passarem.
(...)
Era noite e o apartamento de Castiel estava num silêncio, e era um silêncio profundo e pensador.
O silêncio era fácil de notar. Ele estava no chão de madeira do quarto, estava nas paredes ocas e geladas, estava no lento vai e vem da cortina de tecido fino pendurada em cima da janela. E era apropriado que assim fosse, pois Castiel estava num dilema que parecia não ter fim.
Ele estava impaciente. Sentado na borda da cama, Castiel balançava uma das pernas e brincava com seus dedos, tamanho o nervosismo que sentia. Cogitou pegar o telefone e desmarcar o encontro, mas, sempre que começava a discar o número, parava no meio do caminho, sem coragem para continuar. Ele não sabia por que estava assim. Não era mais um adolescente, e aquele não seria seu primeiro encontro.
O que poderia sair errado? Ele dizer alguma besteira? Engasgar com o vinho? Ele já tinha passado por tudo aquilo em sua vida. Tinha certeza de que não havia nada de embaraçante que já não havia feito em um encontro antes.
Então porque aquele nervosismo todo? Talvez pela circunstância. Ou simplesmente pelo fato daquele ser seu primeiro encontro com uma mulher depois de anos saindo apenas com homens. Fazia tanto tempo que ele nem ao menos se lembrava do nome da última moça com quem esteve.
É claro que ele havia sido pego de surpresa com aquele convite. Emily aparecera na delegacia decidida a ouvir um “sim” em resposta.
“─ Isso é apenas uma forma de agradecimento. Depois de tudo o que o senhor fez por mim, eu achei que poderia te agradecer de uma forma especial.”
“─ Senhorita Emily, eu não quero que pense que está na obrigação de me...”
“─ Oh não. Obrigação nenhuma senhor Laser. Na verdade eu... Eu estou na expectativa pela sua resposta. A não ser é claro, que o senhor tenha ficado ofendido com o meu pedido.”
“─ É claro que não senhorita Emily. Eu... Eu apenas estou surpreso.”
“─ Desculpe senhor Laser. Sabe, eu normalmente não sou esse tipo de pessoa. Não costumo convidar homens para sair sem os conhecer da forma como gostaria. Eu sei que não sabemos muito um do outro, mas... mas eu senti algo... Algo como uma conexão. E mesmo assim, eu... Eu achei que poderia tentar a sorte já que reparei que o senhor não usa nenhum anel de compromisso.
“─Eu... Eu não estou comprometido no momento.”
“─ E então? O que me diz? Aceita o convite?”
E não teve outra resposta que o policial poderia ter dado àquela mulher de sorriso encantador. Castiel sempre achou que havia algo de diferente em Emily, algo que o fascinava e o intrigava ao mesmo tempo, mas nunca se imaginou em um encontro com ela.
Não que Castiel não saísse mais com mulheres. Ele saia tanto com homens quanto com mulheres, sem preferência para um lado. Embora não vivesse uma vida amorosa agitada, Castiel gostava de manter seu leque de opções aberto. O importante para ele era ter algum tipo de conexão com a outra pessoa, e talvez ele tivesse isso com Emily. A jovem sempre lhe pareceu agradável aos seus olhos, mesmo sendo vítima das maldades de Dean.
Não conseguia se lembrar da última vez que alguma garota o tinha feito ficar tão nervoso. Ainda se lembrava do abraço que Emily lhe dera alguns dias atrás, e por algum motivo, o perfume de pêssego que exalava de seu corpo era como um atrativo para Castiel querer mais. Ele não sabia como ou por que se sentia daquele jeito, tudo o que sabia era que ainda não tinha certeza do que faria naquele encontro, que, ele esperava, ocorresse tudo bem.
E quem sabe... Quem sabe aquele pudesse ser o começo de uma bela amizade. Uma amizade que aos poucos pudesse se transformar em algo mais profundo. Castiel sabia que ainda era cedo para sonhar com algo assim, mas ele sentia falta de estar com alguém. De conversar com alguém. E talvez aquela fosse à hora certa de esquecer o passado e olhar para frente.
E agora se encontrava ali, sentado na cama e esperando que os ponteiros do relógio marcassem logo o horário combinado.
(...)
Ivan era sem dúvida o mais inteligente do grupo de Dean. Era ele quem cuidava da parte teórica dos planos, arquitetando cada movimento que os colegas deveriam fazer. Era uma tarefa de que se orgulhava muito, já que não possuía nenhuma habilidade com qualquer tipo de arma.
─ Ela está pronta? ─ Dean perguntou, parando de pé ao seu lado e o assustando com o tom alto de voz.
Ivan olhou de relance para o chefe. Ele parecia exausto. Era sempre assim. Depois de “cuidar” da vítima, Dean se fechava em um canto qualquer por alguns minutos e depois aparecia como se nada tivesse acontecido. Mas seus olhos não eram capazes de mentir, e Ivan podia ver toda a angústia e tristeza que o chefe sentia. Porém, a coragem de seguir em frente sempre fora o que Ivan mais admirava em Dean.
─ Ainda faltam alguns minutos. ─ respondeu, terminando de ligar os aparelhos ao pequeno computador.
─ Acha que irá funcionar? ─ Dean perguntou com um teor apreensivo na voz, puxando uma cadeira e se sentando ao seu lado.
─ Temos a mulher perfeita para o trabalho, chefe. Homem nenhum resiste a tal charme. E além do mais, temos toda a tecnologia que precisamos para que tudo saia como planejado. ─ Ivan reforçou, tentando passar um nível de expectativa maior para o chefe.
─ Espero que esteja certo. Castiel não é como os outros. Uma pequena distração por parte dela e ele irá descobrir. – Dean disse com preocupação. Precisavam que tudo ocorresse bem. Ele havia depositado toda sua confiança em Emily. Ela não poderia falhar logo agora que estavam dando um grande passo.
─ Não se preocupe, chefe. – Ivan sorriu, mais ansioso que nunca por testemunhar todo o encontro. – Ela sabe o que tem que fazer.
Passaram alguns minutos conversando sobre o plano que haviam arquitetado, e aos poucos os outros integrantes do grupo foram se juntando a eles na pequena sala que usavam como centro das operações, acomodando-se nos cantos mais confortáveis e de visão limpa.
─ Como vai à busca pelo “Águia Negra”? Alguma novidade? ─ O chefe interrogou, virando seu rosto para Alan, encarregado de investigar aquela pista.
─ Não. Nenhuma novidade, chefe. ─ Falou, desolado. Odiava desapontar Dean, seja no que fosse. ─ Ninguém nunca viu ou ouviu sobre alguém com esse apelido. ─ Respondeu, evitando manter os olhos em Dean durante a pequena conversa.
─ Acha que Olívia estava mentindo? ─ Ambrose se pronunciou, enquanto dava uma mordida em seu sanduiche.
─ Não me pareceu mentira. – Dean respondeu pensativo, levando o indicador aos lábios. – Eu vi o medo em seus olhos. Ela estava falando a verdade.
─ Talvez a pesquisa tenha sido feita no lugar errado. ─ Chester falou de forma divertida, lançando um olhar significante em direção a Alan. – Afinal, até os mais experientes sabem mentir.
─ Escuta aqui... – Alan começou, pronto para iniciar uma discussão a qualquer momento. Chester realmente conseguia tirá-lo do sério em questão de segundos.
─ Chega vocês dois! ─ Dean falou, elevando a voz pela primeira vez, olhando de um para outro com expressão confusa. ─ O que está acontecendo com vocês?
─ Nada. ─ Ambos responderam embaraçados, encarando-se com faíscas de raiva emanando de seus olhos. E realmente, essa súbita mudança no relacionamento com o companheiro de trabalho era estranha, afinal, não havia motivos aparentes para agirem desse jeito. Como se tivessem se cansado da presença um do outro e agora somente a impaciência os mantinha no mesmo local.
Esperaram alguns segundos, fitando incansavelmente a tela do computador, até que o som de algo apitando chamasse suas atenções.
─ Ela está pronta. ─ Ivan falou, instigando a curiosidade de todos do grupo, e na tela do computador eles puderam ver o reflexo de Emily em seu espelho. Ela dava um tchauzinho animado na direção da câmera.
─ O show vai começar! ─ Dean falou sorrindo, batendo e esfregando as mãos.
Continua...
Notas finais
Então, o que acharam? Dúvidas, críticas construtivas, sugestões ou elogios são sempre bem vindos. A opinião de vocês é muito importante.
Até o próximo.
Beeeijos
With e Kaay
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