Marcado

10 Capítulo 10


Notas iniciais
Olá amores de nossas vidas! Olhem quem apareceu: "Marcado", e não é miragem, garantimos! Pedimos perdão pela demora, principalmente eu (With) porque fiquei atolada com o curso e acabei atrasando Kaay, então descontem a indignação de vocês em mim, tudo bem? Escrevemos esse capítulo com muito carinho, revisamos diversas vezes e agora cá estamos.
Qualquer erro nos avise, por favor.
A todos: Boa leitura!

Marcado

Capítulo 10

O toque rústico proporcionava aos clientes elegância e conforto, como se estivessem em outra época. Telefones antigos enfeitavam as paredes, que, para manter o ar mais aconchegante, eram metade cobertas por madeiras velhas. As mesas eram redondas e cobertas por toalhas de cetim na cor vermelha e um simples arranjo de flores coloridas adornava o tampo. Uma música suave e delicada preenchia as paredes do restaurante e envolvia as pessoas bem vestidas que ali se encontravam. E entre elas, estava Castiel.

O policial sabia que havia cedido a ansiedade e estranhou aquela reação. Em toda sua vida ele agira calmamente, tentando se manter centrado e paciente seja com o que fosse. De fato, participara de vários casos perigosos e que requeriam uma cautela maior, como a invasão que fizera dois anos atrás em um bairro afastado da cidade, com o propósito de acabar com a rotina natural de contrabando de armas e de fornecimento de drogas daquela região. Ainda se lembrava da troca de tiros, de Carlos sempre ao seu lado o protegendo mesmo que não fosse de todo necessário, afinal, não havia mente e ação mais atenciosa do que a dele.

Entretanto, aquilo eram águas passadas e ele deveria se focar no presente. Estava ali para um encontro agradável com uma mulher fascinante, mesmo que ainda pensasse que talvez não devesse ter aceitado tal convite. Castiel suspirou, acalmando todo o nervosismo gritante, e remexeu os dedos por instinto, sem saber como comportá-los. Seus olhos se moviam constantemente para a porta, não conseguindo mantê-los quietos. “Estou me comportando como um adolescente”, ele rebateu internamente, rindo dele mesmo.

— Posso me sentar aqui?

A voz doce o despertou, causando-lhe um leve espanto. Castiel elevou os olhos, deparando-se com a mulher loira muito bem vestida em um terninho preto, o rosto levemente maquiado e os lábios pintados por um vermelho fosco. Ela estava diferente das outras vezes em que a vira. A mulher provocante que testemunhara por diversas ocasiões encontrava-se agora coberta por uma seriedade confortável. E, particularmente, agradava-lhe aquele outro lado de Emily.

Castiel sorriu e levantou-se, puxando a cadeira para ela como um legítimo cavalheiro. Sentou-se novamente e o sorriso bonito que Emily lhe lançava desnorteou-o por alguns momentos.

— Fiz você esperar por muito tempo? — Ela ainda sorria, e era impossível o policial não correspondê-la.

— Claro que não, na verdade, acho que cheguei muito cedo. — Ele admitiu de forma constrangida, a voz diminuindo a cada palavra proferida.

— Então, devo considerar que estava ansioso também? — Emily, por mais que estivesse naquele encontro a trabalho, ver o tão respeitado policial Laser corar teve seu grau de divertimento.

— Não é todo dia que podemos desfrutar de uma bela companhia. — Ele tentou disfarçar o quanto ficara sem jeito, desviando um pouco os olhos, entretanto, consciente de que não tivera um bom resultado.

— Obrigada, senhor Laser. — Emily juntou um pouco mais as cadeiras. — Importa-se?

O rosto bonito lhe analisando de perto, fez seu corpo corresponder ao corpo feminino em pura surpresa. Ele não esperava por uma atitude dessas, muito menos ter vislumbrado um brilho diferente, de modo que não soube identificar, nos olhos castanhos significativos. Com um gesto tímido de cabeça, Castiel aceitou a aproximação.

— Espero que meu convite não tenha te atrapalho. Pelo que sei, parece uma pessoa muito ocupada. — Emily sorriu, mostrando-se uma mulher que se preocupava com os outros. Afinal, ela era uma ótima atriz e encenava com perfeição sua melhor personagem.

— Não se preocupe, senhorita, jamais me atrapalharia. Pelo contrário, às vezes policiais precisam relaxar. — Castiel mantinha a voz serena, embora ainda se desconfortasse em levar qualquer tipo de conversa com aquela mulher. — E não é necessário tanta formalidade.

— Como quiser, Castiel.

(...)

— Ah, cara, que tédio! —Chester reclamou, fazendo uma careta de desagrado. Estava sentado no chão de maneira despojada e tinha um cigarro entre os dedos. — Não sei se acho cômico ou estratégico. Ele está praticamente sem assunto! Precisamos mesmo acompanhar isso?

— E você por outro lado só sabe reclamar. — Alan replicou, lançando ao companheiro de negócios um olhar irritado. — Agir com cautela é importante. Consegue entender isso ou sua idiotice te impede?

Chester aproximou-se de Alan, levando a mão à nuca desprotegida do mais novo e o trouxe para perto até que sua testa se encontrasse com a dele, e por instinto, os olhos iniciaram uma dança felina. Era como se já tivessem compartilhado daquele momento diversas vezes.

— Se quiser, posso te mostrar o quanto sou inteligente... Alan. — Chester tinha um sorriso ardiloso nos lábios, e o tom de sua fala exalava malícia. Fez questão de pronunciar o nome do colega de modo suave e sensual. — Quer experimentar?

— Afaste-se de mim. — O rapaz mais novo desvencilhou-se incomodado com a aproximação. O sentimento que o permeava levantava dúvidas que ele temia sanar. — Pelo amor de Deus, estamos trabalhando! — Levantou-se e foi se sentar em outro canto, porém, os olhos afiados de Chester o seguiam a todo o momento.

(...)

— Então, Castiel, trabalha há muito tempo como policial? — Emily reatou a conversa, enquanto o garçom entregava-lhes o cardápio e ligeiramente se afastava do suposto casal.

— Sim, desde meus vinte e três anos— Ele respondeu, e no instante seguinte percebeu o quanto se mostrava tímido e, por pouco, evasivo. Viera até ali com pensamentos otimistas sobre ele mesmo, no entanto, parecia que não se esforçava o bastante.

— E quando foi que decidiu se tornar um policial? — A bela mulher mantinha um sorriso nos lábios, algo indecifrável até mesmo para as pessoas que os assistiam em sigilo. Ela encontrava-se bastante interessada em descobrir tudo o que lhe fosse permitido da vida daquele homem.

Castiel, ao ouvir a pergunta, mudou completamente a expressão calma que sempre o mascarava para uma magoada. Aquele, definitivamente, ainda era um assunto difícil e secreto que conseguia modificar seu humor em instantes. Ele sabia que carregar o passado sozinho estava sendo exaustivo, mas será que poderia confiar tanto assim em Emily?

— Há vários motivos, bem fortes, que um dia lhe contarei. — O policial Laser tentava não parecer mal educado, embora seu tom carregasse um teor mais angustiado. — Por enquanto, posso afirmar que minha profissão é a coisa mais importante para mim.

— Eu entendo, desculpe-me por ter feito uma pergunta tão pessoal. — Como uma verdadeira atriz, Emily entristeceu o semblante, seus olhos baixos e constrangidos desviaram da figura a sua frente.

— Não precisa se desculpar. — Castiel sorriu, confortável. — Podemos fazer os pedidos?

— Claro que sim.

(...)

Dean analisava todas as feições que se formavam no rosto do policial. Intrigava-o os motivos que envolviam aquele homem, e de fato, não custava perder algumas horas de seu dia vasculhando um pouco mais a vida de Castiel Laser, afinal, se ele não quis responder uma pergunta tão simples certamente escondia alguma coisa.

— Ivan, pesquise sobre todos os incidentes policiais dessa cidade. — Ordenou com os olhos presos a tela, não queria perder um só segundo, e imediatamente o homem das tecnologias atendeu-o. — E me avise se vir o nome de nossa caça.

(...)

Como o local, os pratos também eram sofisticados e antigos. O jantar principal foi servido, e o casal apesar de agora silencioso ainda estabeleciam um clima agradável. Nos pensamentos de Emily apenas um assunto a interessava, mas compreendia que deveria agir com extrema cautela, caso contrário levantaria altas suspeitas por menor que fosse sua curiosidade.

— Em qual bairro você mora, Castiel? — Ela chamou-lhe a atenção, recebendo um olhar confuso do policial em confirmação a sua teoria. — Quero dizer, você me conhece um pouco e sinto que estou em desvantagem. — Sorriu, embaraçada.

— Próximo à delegacia, mas que me rende uma boa caminhada. — Castiel bebericou o vinho, observando com as sobrancelhas franzidas a mulher a sua frente com certo ar de incredulidade. Sim, para ele, soara altamente estranha tal interrogação.

— Seria no bairro de Westwood?— Emily estava eufórica, quase que contente. Seu desempenho poderia se comprometer, entretanto, conhecer Castiel era como querer desvendar o final de um livro preferido: Excitava-a em expectativa! Recebeu como resposta um aceno de cabeça. — É muita coincidência, pois eu também moro lá.

— Como? — O policial Laser piscou um par de vezes, deixando de lado a refeição mal tocada. Estreitou os olhos, intrigado. — Pelo que me lembro, a senhorita morava no bairro de Village West.

— Oh, sim, mas me mudei recentemente para Westwood. — E, de repente, sua expressão tornou-se triste. — Depois das perseguições de Dean, eu fiquei com medo e optei por essa atitude. Acha que fiz bem?

O policial perdeu-se em pensamentos. Nesses últimos dias em que aguardava o encontro com Emily, esquecera-se momentaneamente do homem que vinha perseguindo por quase cinco anos. Passara por frustrações, outras vezes chegara perto, mas em hipótese alguma se aproximou o bastante a ponto de tocá-lo. E agora, escutar aquele nome foi como receber uma facada no estômago. Seu corpo vibrou e o coração acelerou àquela alteração de estado repentino.

— Castiel? — Emily preocupou-se com o olhar perdido do homem. — Tudo bem?

— Sim, claro. — Castiel respirou fundo, recuperando seu autocontrole. — Desculpe-me, é que...

— Eu também me sinto assim. — A mulher abaixou novamente os olhos, tragando-lhe tristeza e memórias supostamente ruins. — Toda vez que penso naqueles dias é como se ainda os vivesse a cada minuto. Pergunto-me quando darão um fim as suas atitudes doentias.

— É muito complexo, Emily. — Castiel liberou as palavras, de modo distraído. — Dean Winchester se mostra um homem inteligente e cauteloso, mesmo com as várias pistas que tenho não é o bastante para chegar até ele. Irrita-me saber que ele sempre estará um passo a minha frente.

Emily, de súbito, segurou a mão do policial entre as suas e apertou-as de modo carinhoso, quase demonstrando que compartilhava das mesmas emoções apesar de não ser bem isso. Ela queria que ele lhe contasse mais, e agora que adentrava no campo privado que sempre desejou, não poderia fazê-lo parar. Poderia até visualizar a euforia de seus colegas de trabalho com aquela revelação, e sabia que se perdesse uma oportunidade como essa nunca mais a teria novamente.

Castiel observou sua mão envolta nas mãos da mulher, era tão pequena e macia... Passava-lhe um conforto imenso, como se a ela pudesse confessar todas as suas angustias, frustrações e inseguranças. E por um momento, ele se esqueceu que aquele assunto deveria circular apenas entre as pessoas envolvidas no caso. Porém, Emily se encaixava nesse quadro ou seria imprudente demais inseri-la?

— Eu sei que você irá prendê-lo, Castiel. — Emily disse com a voz baixa e suave, como se contasse um segredo. — Arquivou todas as informações possíveis de Dean Winchester, então, creio que em breve o encontrará. Afinal, vem pesquisando todos os assassinatos dele com afinco, não é verdade?

— Desculpe-me se for indelicado, mas... — Castiel recolheu as mãos em um gesto receoso. Talvez, temesse ouvir a resposta do que fosse perguntar. — Como a senhorita sabe disso?

E mais uma vez um sorriso, desta vez vitorioso, adornou os lábios de Emily. Agora sim aquele encontro havia se tornado deveras especial.

Continua...

Notas finais
Obrigada por lerem e pela paciência.
Esperamos que tenham gostado, e não esqueçam de deixar suas opiniões, críticas construtivas ou elogios, tudo é bem vindo. Até o próximo capítulo!
Beeeijos
Kaay e With