Marcado

8 Capítulo 8


Notas iniciais
Olá, amores de nossas vidas, tudo bem?
Sumimos por um tempinho, mas o importante é que agora tudo se normalizou e trouxemos mais um capítulo para vocês.
Betado por nós mesmas, qualquer erro é só avisar.
Esperamos que gostem do capítulo, assim como nós gostamos de escrevê-los.
A todos: Boa Leitura!

Marcado

Capítulo 8

Empurrou-lhe a cabeça para dentro da pia, substituindo-lhe o ar pela água. Contava os segundos mentalmente, dando tempo de escolha suficiente para que ela, Olívia Tissé, pudesse repensar melhor e decidir lhe contar o que sabia. Porém, Dean tinha que admitir que ela era uma mulher decidida e de atitude. Olívia dissera que não conseguiria nada vindo dela, entretanto, Dean sentia que a força daquelas palavras estava prestes a desmanchar. Sorriu, puxando-a pelos cabelos negros e compridos, ensopados de água gelada.

Quando Dean já conduzia suas investigações para outra direção, focando em um jeito de encontrar e capturar o policial Laser, Ivan aparecera com a notícia de que um grupo importante e poderoso de empresários se reunia semanalmente em uma boate não muito longe de onde eles estavam. Como Dean nunca deixava escapar uma pista, muito menos uma promissora como aquela, ele começou uma investigação que culminou com a captura de Olívia Tissé.

– Então, Olívia, vai me contar o que sabe? – Dean enrolou boa parte do cabelo dela nas mãos, aumentando a força. – Ou deixará que a brincadeira acabe aqui?

– Eu não conheço pessoas relacionadas a esse tipo de coisa. O que você acha que sou? Uma vadia sem orgulho? – ela cuspiu as perguntas, os olhos castanho-escuros fitando aquele homem de igual para igual.

Olívia não estava com medo, pelo contrário, sabia que a culpa de estar ali se devia a ela mesma quando aceitou o pedido daquele homem sedutor. Seria apenas uma noite, talvez apenas alguns minutos na companhia dele, mas ali dentro do covil era como se o tempo tivesse congelado e o mundo rodasse em torno deles. Dean não se mostrava mais aquele homem que conhecera na boate e que havia a atraído facilmente. Apesar de suas queixas internas, Olívia sabia melhor do que ninguém que, em algum momento de sua vida como mero entretenimento, encontraria alguém que a faria pagar por todos os seus pecados.

E lá estava ele, punindo-a por seus crimes como um verdadeiro torturador, forçando-a a confessar algo que não era de seu total conhecimento e interesse. De fato, ouvia diversas conversas entre os clientes, algumas muito perigosas e que sem dúvidas os levariam direto para a cadeia, e outras como trivialidades, mas que se podiam entender quem soubesse ler as entrelinhas.

Dean fora alertado que os ouvidos daquela boate era Olívia, a linda mulher de cabelos negros e olhos terrivelmente maliciosos, e em pouco tempo, jogando com a mesma malícia e inteligência que ela, o Winchester chegara a seu objetivo principal. Mesmo que a vítima fosse uma mulher, Dean não se seguraria a arrancar o que quisesse. Agia da mesma forma, com quaisquer pessoas. Para ele, não existia diferença de sexos.

– Foi bem o que me pareceu momentos atrás. Mas não te trouxe aqui para debater sua integridade, isso pouco me importa. – Dean arrastou-a até uma cadeira, a mesma que Steven Belmont se sentara, e que ainda notavam-se respingos de sangue seco e escuro.

– Está na hora da diversão! – Chester alegrou-se, indo para perto do chefe com uma maleta em mãos. Abriu-a, deixando a mostra as mais variadas armas, desde facas pequenas até pistolas de alto calibre. Um verdadeiro arsenal. Ele viu os olhos castanhos de Olívia se abrirem um pouco mais, o movimento dos seios quase descobertos subindo e descendo com o repentino aumento da respiração. Aquilo não poderia deixá-lo mais feliz. – Qual instrumento irá querer hoje, chefe?

– Então, eu não sou a primeira. – Olívia sorriu, tentando disfarçar inutilmente seu nervosismo.

– E nem será a última. – Dean rebateu, escolhendo uma faca pequena e pontiaguda. O brilho de que dela emanava era o mesmo que queimava os olhos de Chester. Perigoso, atrevido, a vontade de rasgar a pele gritante no corte da faca. – Vamos jogar, é bem simples: A cada mentira sua esse brinquedo marcará sua pele. Sem piedade, sem tréguas, até que me revele algo de útil.

– Você é sempre tão sádico assim? – Olívia alargou o sorriso, exibindo a carreira de dentes branquíssimos, mas que logo se sujaram com o sangue. O forte tapa a pegara de surpresa, entretanto, se fosse mesmo morrer que seja em grande estilo. – Hum... Também gosto disso. – ela lambeu os lábios sensualmente, absorvendo o gosto ferroso de seu sangue. – Parece divertido.

Dean rodeou a cadeira, sendo seguido pelo olhar fixo da mulher. Não negaria que ela era o tipo de pessoa que gostaria de ter em seu grupo, mas uma já bastava. Pensou um pouco no único integrante feminino que fazia parte de seu grupo e não pôde deixar de comparar ambas. A mesma personalidade atrevida, o gosto por jogos perigosos e sádicos que colocavam várias vezes sua vida em risco, a mesma capacidade para seduzir qualquer homem que quisesse... Contudo, havia apenas uma falha em Olívia Tissé: O caráter internamente correto. Apenas por olhar Olívia, Dean descobriu que ela não teria a mesma atitude de Emily em cortar a garganta de alguém sem sentir remorso.

– Você já se assustou com alguma conversa daquele lugar? – Dean começou devagar, calmo, sem pressa de acelerar as coisas. Olívia o descontrairia de alguns eventos suspeitos que vivera dias atrás.

– Sinto-me interrogada por um policial. Está mesmo levando isso a sério, Dean? – Olívia trouxe o tom carregado de deboche, enquanto jogava os cabelos molhados para trás, com um gesto de cabeça. – Você parece abalado, sabia?

Dean suspirou longamente, até que a voz irritante da mulher parasse de ressoar em sua mente como a mais pura verdade. Poderia acabar com aquilo de uma vez, porém estavam apenas começando e já que Olívia aceitara jogar com ele, não deveria ser tão ruim entrar no jogo dela. Prostrou-se a frente dela, o semblante contorcido por uma expressão divertida.

– Se isso te excita, imagine o que estamos fazendo da forma que quiser. – mostrou-lhe a faca, e Olívia teve a impressão de que o instrumento possuísse vida própria e que em segundos atravessar-lhe-ia a garganta. – Agora, responda minha pergunta, Olívia.

– Isto soou altamente sexy, Dean... – cruzou as pernas, almejando ficar um pouco mais a vontade na presença daquele homem. – Tudo o que ouvi foram relacionados a tráficos de drogas, planos para livrar criminosos da cadeia e sequestro de menores para serem vendidos no mercado negro.

– Em meio a essas conversas, havia algum policial? — o Winchester puxou um banco e sentou-se perigosamente perto de Olívia, encostando a faca no pescoço suado de veias latejantes, como se a incentivasse a continuar. Viu que ela tinha dificuldades para respirar.

– Como acha que eles livrariam seus companheiros da cadeia? – enquanto Olívia expunha suas teorias, projetava-se para frente, quase alcançando o rosto de Dean. – Como acha que eles agiriam em total sigilo sem serem pegos? Vivemos em um país corrompido, não há quem zele por nossa segurança aqui a não sermos nós mesmos. Eu não sei o que procura, mas provavelmente já não irá recuperar mais, Dean.

– Você não é uma simples dançarina, Olívia.

– Tenho meus contatos, querido. – ela encostou-se a cadeira. – Então, agora eu irei para o “paraíso”?

– Quero o nome da delegacia. – o torturador desceu a faca pelos ombros da mulher, abrindo uma fenda até o antebraço. O gemido que escapou dos lábios trapaceiros o garantiu de ter ido fundo. – Agora, ou irei adiante.

– Não sei de nome nenhum. E mesmo se soubesse, eu duvido que iria ajudar. Aqueles homens não usam seus nomes verdadeiros.

– Então me diga alguma coisa. Qualquer nome que tenha ouvido. – Dean perguntou, uma pequena esperança crescendo em seu coração.

– Escute, a única coisa que ouvi foi alguém falar de um tal de Águia Negra que está comprando uma grande quantidade de armas no mercado negro. – Disse com a voz falhada, enquanto o sangue escorria da ferida aberta.

– O que mais?

– Eu não sei! – Olívia gritou, sentindo o corte afiado rasgar-lhe o peito e uma parte dos seios.

– Lembre-se de mais algumas coisas ou distribuirei seus pedaços pela rua. – Dean afundou o instrumento banhado em sangue no outro braço, imitando o primeiro movimento que fizera.

– De nada irá ajudar me ameaçar! – a dançarina liberou as lágrimas, era a única coisa que ainda acreditava surtir efeito em alguém, embora soubesse que com Dean o resultado seria o contrário. – Eu não presto atenção nessas coisas!

– Um... Dois... – Dean começou a contar, e um suor frio percorreu seu corpo e a náusea se manifestou na boca de seu estômago por saber o que viria a seguir. Mas não havia dúvida. Ele tinha que continuar.

– Por favor, Dean, estou dizendo a verdade. – Implorou Olívia. As lágrimas rolavam soltas e o sangue fugia de seu rosto.

Todos que se encontrava com Dean tinham o estranho hábito de implorar por suas vidas e afirmar dizer a verdade, como se elas realmente merecessem uma segunda chance e sabiam do que falavam. Pessoas fúteis, passando outras pessoas para trás por seu próprio ego e ganância, pensando que ninguém descobriria seus planos secretos. Cada maneira que aquele pedido soava era como motivação para Dean seguir seu caminho, livrando-se de pessoas que não o ajudariam em avançar para mais perto do irmão. E Olívia era a pior com quem havia se encontrado.

Cansado do próprio jogo, Dean encaminhou a faca para a garganta da mulher, fincando naquela região. O sangue facilmente vazando pelo corte profundo, enquanto as palavras de Olívia voltavam a sua mente: “Eu não sei o que procura, mas provavelmente já não irá recuperar mais, Dean”.

Alargou o corte, seu corpo possuído por um ódio incontrolável até que a cabeça da mulher se prendia ao corpo por um fio frágil de pele.

– Acho que você se precipitou, Dean. – Alan disse, afastando os olhos da imagem desagradável que a linda mulher havia se transformado e seguiu o chefe até a porta do quarto que ele usava para se recompor do trabalho. – Olívia poderia ter dito mais, talvez pudéssemos ter dado um passo ou até dois.

– Chega Alan! – Dean virou-se subitamente para o companheiro, observando de perto os orbes dilatados do mais novo. – Pare de falar na minha cabeça. Faça seu serviço e não me atrapalhe. – sem esperar resposta, o chefe entrou no quarto e bateu a porta.

– Que fora, hein, gostoso! – Chester provocou, limpando o objeto que Dean usara com total fascínio. Todas as armas eram tratadas como bebês por ele. – Parece que hoje não haverá nenhuma foda, mas não fica triste. Podemos nos divertir mais tarde se quiser. – Disse, lançando uma piscadela ao mais jovem.

Cego pela raiva, Alan avançou em Chester, derrubando-o no chão e pressionando seu pescoço com o antebraço. Os olhos totalmente diferentes dos generosos que costumam ser, agora carregavam apenas a vontade de matar como há muito não sentia. Do mesmo modo como o confrontava, Chester aproveitou-se da faca recém-limpa e posicionou-se contra o peito de Alan.

– Você só abre essa maldita boca para falar merda. – Alan disse entre os dentes, a respiração quente açoitando o rosto de Chester.

– Parece que todos estão quentes hoje! – o homem preso no chão disse, exibindo um sorriso malicioso. Inclinou-se para frente, conectando por breves segundos os lábios contra os de Alan. Como consequência o mais novo jogou o peso completamente em cima dele, prendendo-lhe a respiração.

De súbito, Alan foi arrancado de cima de Chester e olhos verdes e entediados os encaravam. Ambrose havia acabado de chegar e não estava nada satisfeito com a cena que presenciara. Ivan tomou o instrumento perigoso das mãos de Chester, acabando com o início de uma possível briga.

– Nós temos mais o que fazer ao invés de ficar brincando de lutinha por aí. – Ambrose disse, empurrando Alan para um canto do cômodo do covil. – E você também, Chester, controle-se. Dessa vez teve sorte por termos chegado.

– Acha que eu perderia para ele? – Chester apontou desafiadoramente para o mais novo, que já caminhava em sua direção de punhos fechados, porém Ambrose colocou-se na frente.

– Depois vocês resolvem isso, agora temos trabalho a fazer. – Ivan decidiu, por segurança, guardar o arsenal. Pelo visto, não era apenas o dia lá fora que estava quente.

Continua...

Notas finais
Obrigada por lerem!
Deixem suas opiniões, críticas construtivas, enfim, a opinião de vocês é muito importante.
Até o próximo capítulo!
Beijos
With e Kaay