Marcado

25 Capítulo 25


Notas iniciais
Olá, queridos, tudo bem com vocês? Mais um capítulo chegando! E sabemos que demoramos muuuuito para postar e pedimos desculpas por isso, mas o meu trabalho (Kaay) e o curso e estágio da With não nos permitiu tempo para podermos nos dedicar a fic como ela merecia. Então, ao invés de escrevermos algo genérico, tomamos nosso tempo para escrever algo bem legal e que acompanhasse o ritmo intenso da fic XD Agradecemos de coração os comentários e os rostinhos novos que apareceram. Ficamos imensamente felizes. E leitores fantasmas, não tenham medo de entrar na luz! A gente ama vocês! XD Se algumas palavras estiverem juntas, por favor, nos avisem. Tem sido difícil controlá-las e mais uma vez, perdoem a demora XD A todos: Boa leitura!

Marcado

Capítulo 25

Se havia um sentimento dominando a mente do policial Laser, era talvez o da culpa acumulada. Culpa por não ter conseguido juntar informações e capturar Dean Winchester a tempo de salvar suas vítimas e culpa por não ter sido uma pessoa melhor.

Não que fosse um sujeito de más intenções, muito pelo contrário. Nunca havia feito nada que prejudicasse outras pessoas, com exceções dos criminosos, é claro. Era um bom policial, ótimo até, como alguns diziam na delegacia, mas a vida pessoal de Castiel sempre fora vazia e fechada desde a morte de seu noivo. Viver naquela solidão interminável havia sido opção sua, pois não faltaram convites para encontros e conversas.

Arrependia-se por não ter tido a oportunidade de conhecer pessoas interessantes, fazer novas amizades, e por ter sido aquele sujeito tão focado no trabalho que ninguém na delegacia se atrevia a se aproximar e puxar conversa por medo de uma represália.

Então, se pudesse voltar ao passado, faria de tudo para poder mudar essa parte de sua vida. Seria um homem melhor, um ouvinte melhor, aberto a novas amizades e sem medo do contato dos outros.

Por outro lado, sua mente era torturada por seus próprios pensamentos, que, apesar de todas as suas tentativas em contrário, transformavam-se em desagradáveis fantasias sobre o que iria acontecer com ele assim que Dean reencontrasse o irmão. Ou melhor, se Dean o reencontrasse, pois não tinham nenhuma pista concreta de que Samuel Winchester estava vivo.

E aquilo era um incômodo para Castiel. Como Dean poderia ter tanta certeza de que Sam estava vivo? Seria algum tipo de conexão entre irmãos que fazia o mais velho dos Winchester estar tão confiante?

Detestava aquele estado de vulnerabilidade forçada. Seu destino estava diretamente ligado a Dean e aquilo lhe torturava, mas do que qualquer dor física.

Mas o passado não era o seu maior problema e sim o presente e, principalmente, o futuro. Castiel soube, no momento em que dissera conhecer Carlos, que havia praticamente sentenciado a vida de seu colega de profissão. Tinha plena convicção de que Dean Winchester iria atrás do policial, se é que já não havia mandado alguém para espioná-lo.

– O que foi que eu fiz? – Murmurou, olhando em volta para as paredes geladas que o cercavam.

Depois de várias tentativas frustradas em busca de uma saída, Castiel permanecia sentado na cadeira, às vezes levantava ou esticava as pernas, mas não havia nada para se fazer a não ser pensar em Carlos e no porquê de sua visita ao local chamado Beco Garganta Profunda.

O policial Laser não conhecia o beco pessoalmente, mas claro, ouvira muitas coisas sobre lá. Estava a par das atividades ilegais que rolavam soltas, mas ele não podia simplesmente pensar o pior do policial Schwarcz. Por mais suspeito que tudo aquilo fosse, Carlos ainda era um policial respeitado e poderia estar trabalhando infiltrado em busca de novas informações sobre o tal Águia Negra.

Sim, era isso.

Castiel bufou. Se ao menos ele conseguisse acreditar em tudo aquilo. Não queria se precipitar, mas já fazia um bom tempo que vinha suspeitando de Carlos e de seus telefonemas misteriosos. Queria muito acreditar em sua inocência e credibilidade, mas as dúvidas não paravam de assolar a sua mente. E, novamente, sentia aquele sentimento de culpa dominar seus pensamentos, pois se tivesse dado mais atenção as conversas de Carlos, certamente saberia da verdade por trás de seus atos.

Esticou as pernas e apoiou a parte de trás da cabeça na cadeira. O corredor estava silencioso e Castiel cansado de tanto pensar.

(...)

Cochilara apenas uns minutos quando escutou um movimento e entreabriu as pálpebras. Ainda não se sentia muito desperto, embora na verdade nem tivesse chegado a dormir. Assim que seus olhos se ajustaram a iluminação precária do quarto, viu a figura de Dean Winchester parada a sua frente. Ele estava com um semblante determinado e um ligeiro sorriso divertido em seus lábios.

Mas a atenção de Castiel estava toda voltada à porta que permanecia aberta. E aquela era a primeira vez que uma oportunidade como aquela lhe era concedida. Não era muito, mas era algo.

Num movimento rápido e completamente inesperado, levantou-se da cadeira e partiu desesperado em direção à porta. Não estava nem na metade do caminho quando sentiu as mãos de Dean em seu corpo, enlaçando sua cintura.

– Francamente, Castiel, estou desapontado. – Disse, puxando o moreno de volta para a cadeira, jogando-o ali. – Não me faça amarrá-lo novamente.

Pensou em se levantar e lutar, como o homem corajoso que era, mas sabia que seu corpo não aguentaria dois minutos num combate de igual para igual com o loiro. Ele não tinha certeza de que sobreviveria depois que tudo aquilo terminasse, se é que um dia iria terminar, mas ele certamente não queria partir agora.

– Descobri umas coisinhas interessantes sobre o seu parceiro. – O mais jovem disse, andando em direção à porta e trancando-a com a chave que guardava sempre no bolso da jaqueta de couro.

Ele parecia não temer Castiel e mantinha-o solto, mesmo depois de sua tentativa ridícula de escapar. E ele estava certo, pois o corpo de Castiel ainda estava bastante fraco por conta de toda a tortura a que fora submetido.

– Que tipo de coisas? – Sua voz estava rouca e seus olhos sonolentos, mas o assunto o interessava. Qualquer informação sobre Carlos era válida, mesmo tendo sido adquirida com recursos ilegais.

– Bom, pra início de conversa, sabia que o policial Schwarcz contrata serviços de prostitutas? – Havia um sorriso insinuante nos lábios do loiro e Castiel sentiu uma raiva vermelha tomar conta de seu corpo.

– O que Carlos faz em seu tempo livre não é do meu interesse e nem de mais ninguém. – Proferiu de forma direta, mas não podia negar que estava realmente surpreso.

Dean deixou escapar uma gargalhada divertida que irritou ainda mais o moreno. – Não me entenda mal, todos nós homens gostamos desse tipo de diversão, não é mesmo? Ou melhor, quase todos. – Lançou uma piscadela divertida na direção de Castiel que abaixou o olhar, envergonhado. – De qualquer forma, acho que vai gostar de saber o que descobrimos. Talvez até fique lisonjeado.

Castiel estreitou o olhar, não entendendo o significado daquelas palavras.

– Veja bem, policial...

– Já disse para não me chamar assim! – Ralhou. Queria terminar aquela conversa o quanto antes e pensar numa maneira de escapar, mas a curiosidade, somada a sua raiz policial, falaram mais alto naquele momento. – Do que está falando, afinal?

Dean ergueu uma sobrancelha ao perceber o súbito interesse de Castiel na conversa. Será que o moreno também suspeitava do colega? – Ivan, um dos meus homens de confiança, conseguiu os registros telefônicos de seu parceiro e bem... O que descobrimos é algo de extraordinário e... Divertido.

– Porque não para de enrolar e me conta logo o que descobriu, hein? A não ser que esteja blefando. – Desafiou, os olhos fixos no mais jovem.

O sorriso sumiu dos lábios de Dean, um brilho perigoso iluminou seus olhos esverdeados e por alguns segundos voltou a ser o mesmo Dean Winchester dos primeiros dias de tortura.

– Como queira, Castiel. – Dean falou em tom seco, surpreso com a posição do outro. – Conversamos com essa moça, uma tal de Roxy, e ela nos contou que fez alguns programas na casa de seu colega e que quando as coisas... Esquentavam... Carlos chamava sempre pelo mesmo nome.

Dean se aproximou e apoiou as mãos na cadeira, inclinando o corpo para frente, seu rosto ficando a centímetros de Castiel. – Quer tentar adivinhar q...

– Eu já entendi! – Quase cuspiu as palavras de tão irritado e envergonhado que estava. – Isso é tudo o que descobriu? Francamente, eu esperava por mais. Você faz tanta propaganda dos seus recursos que eu achei que algo de interessante iria aparecer. – Deixava as palavras escaparem de sua boca sem poder controlá-las. – Não é a toa que não encontrou nenhuma pista sobre o seu irmão.

Sentiu uma bofetada atingi-lo na face assim que terminou de pronunciar as palavras. O rosto ficou subitamente quente e Castiel não precisava de um espelho para saber que estava vermelho.

– Você fala demais, policial! Demais! – Estava tão perto de Castiel, que o policial era capaz de sentir a respiração acelerada do loiro tocar a sua face. E naquele momento ele soube que havia ultrapassado os limites. Havia acordado o leão adormecido em Dean Winchester.

– Quer saber o que mais descobrimos? – Indagou, voltando a se distanciar. – Seu querido amante e colega trabalha para o traficante de apelido Águia Negra. Aliás, não só trabalha como é seu braço direito em tudo o que faz, comprando mercadorias e livrando traficantes e bandidos da prisão. Ele usa o distintivo para conseguir ter acesso aos prisioneiros e coletar informações valiosas para o chefe.

– Está mentindo! – Castiel protestou, mas assim que ouviu aquelas palavras tudo começou, de alguma forma, a fazer sentido. Estava desconfiado, mas ouvir outra pessoa dizer aquilo só fazia suas dúvidas irem se dissipando.

– E porque eu mentiria? – Abriu os braços, inconformado. – O que eu ganharia com isso? Eu te disse várias vezes que preciso da sua ajuda.

– E depois irá me matar.

– Já disse para não pensarmos nisso. Eu estou te dando uma oportunidade de fazer o que é certo aqui. – Falou, apontando um dedo na direção do policial. – Se Carlos for realmente como eu acho que é, um policial corrupto, você não gostaria de saber?

Castiel ficou alguns segundos em silêncio, pensativo. – Não tente fazer disso minha investigação.

– Não, Castiel. Eu só quero o meu irmão de volta e se Carlos está realmente ligado a Águia Negra isso quer dizer que está ligado ao assassinato dos meus pais e ao desaparecimento do meu irmão.

– Como sabe de tudo isso? – Indagou surpreso. – Como pode ter certeza dessas coisas?

Dean passou uma das mãos pelo cabelo cor de areia, soltando o ar pelos pulmões de forma pesada. Se ele realmente queria a ajuda daquele policial, nada mais justo do que lhe contar o que havia descoberto.

– Na mesma época em que meu irmão desapareceu, começou a circular o nome de um tal de Águia Negra. Uma figura quase folclórica descrita sempre da mesma forma e que tanto se parecia com o homem que entrou na casa dos meus pais e apertou o gatilho. Como não tinha certeza de nada, comecei uma busca por informações e consegui descobrir de pessoas que me contaram que Águia Negra trabalha com tráfico de drogas e compra de mercadorias ilegais.

Descobri também que está envolvido na fuga de criminosos e... E com sequestro de menores. – Disse aquelas últimas palavras com um peso no coração. – E é por isso que eu acredito que Sam está vivo. Sei também que Águia Negra não pode estar fazendo tudo isso sem a ajuda de um policial. Como ele conseguiria livrar os criminosos da prisão?

Castiel ouvia tudo com atenção e interesse. – Dean, não temos certeza de nada disso. – Falou com o tom de voz subitamente calmo. – Não temos como provar que Águia Negra matou seus pais. Precisamos de provas concretas.

– Policiais e suas provas! – Esbravejou. – Foda-se, Castiel, eu tenho certeza e eu vou arranjar as provas necessárias para isso! – Gritou, voltando a se inclinar na direção do policial. – Meu pai era um bom homem, mas se envolveu com pessoas erradas. Sei que a morte dele e da minha mãe não passou de um mero acerto de contas para ele.

– E se estiver errado?

– Sei que estou certo. E estou determinado a começar a investigação hoje mesmo e eu quero saber, de uma vez por todas, se você vai me ajudar ou não?

(...)

– Tem certeza de que é uma boa ideia? Eu posso fazer isso sozinho. – Não estava querendo livrar Águia Negra de nada, apenas não queria ser visto perambulando ao seu lado.

– Não seja ridículo, criança. – Falou, olhando para as ruas enegrecidas. – Eu não tenho outra saída. Alguém não consegue resolver nada sozinho. – O mais velho acusou, guardando a arma sob a capa preta que vestia e saindo do carro que estava estacionado próximo ao Beco.

Carlos respirou fundo e seguiu os passos do mais velho.

O Beco Garganta Profunda estava bastante movimentado, pois a noite já havia caído sobre a cidade. Enquanto andavam por ele, viam pessoas se drogando, pedindo esmola e praticando sexo. O cheiro era horrível, uma mistura de urina e outras substâncias nada agradáveis.

Assim que entregaram o pagamento, a porta com o símbolo do Olho de Hórus foi aberta. Phill já estava esperando por eles, apoiado na mesa de forma desleixada, com um sorriso divertido bailando nos lábios. Havia mais dois homens na pequena sala com ele. Ambos usavam regatas, deixando a mostra os braços musculosos e tatuados.

– Ora, ora, o que temos aqui? – Disse, abrindo os braços. – Se queria tanto me fazer uma visita deveria ter me avisado com antecedência, assim eu teria me arrumado.

– Pare com besteiras e me entregue à mercadoria. – Águia Negra falou seco.

– Vamos direto ao assunto, não é mesmo? – Phill disse em tom pomposo, dando meia volta e se sentando na cadeira. – Sabe, costumava ser mais divertido.

Águia Negra abriu a capa que vestia, deixando a arma que portava a mostra. – Eu estou com cara de quem está brincando para você?

Phill manteve seu olhar fixo na arma, mas com um ligeiro, quase imperceptível, movimento de cabeça, chamou a atenção dos dois grandalhões. E é claro que tanto Águia Negra quanto Carlos esperavam por aquilo. O policial resolveu não fazer movimentos bruscos, enquanto que Águia Negra sacou sua arma e a apontava diretamente na direção do peito do traficante, que sorria feito um maníaco para ele.

– Precisamos mesmo fazer isso? – Indagou. – Mesmo que atire em mim, acha que vai sair ileso do meu beco?

Carlos amarrou a cara e levantou as duas mãos para dar um empurrão violento em um dos rapazes que se aproximou e tentou prender o seu corpo. Ele não esperava que Águia Negra se deixasse levar por aquelas palavras, mas tinha que admitir que Phill estava certo.

– O que está esperando, hein? – Desafiou, um sorriso debochado presente em seus lábios. – Como é? Vamos, atire!

Carlos permaneceu imóvel por um momento, como se não entendesse muito bem o que estava acontecendo. – Acho melhor tentarmos resolver isso de outro jeito.

– Cê não tem coragem nenhuma, Crowley. Essa sua máscara fria é só pose. – Phill permanecia provocando o mais velho, e Carlos sabia que era apenas uma questão de tempo para Águia Negra apertar o gatilho.

Mas então Águia Negra abaixou a arma, pegando a todos de surpresa. – Tem razão, Phill. Te matar agora não me traria vantagens nenhuma. Vamos tratar de negócios, sim?

Notas finais
Obrigada a todos por lerem e pela paciência. Esperamos que tenham gostado. Qualquer dúvida, crítica construtiva, sugestões... Será sempre bem vindo. Já adiantamos que o próximo cap já está finalizado e será postado nos próximos dias. Será também o último capítulo, pois a fic tomou dimensões enormes, e nós decidimos dividi-la em dois. A história não será abandonada, mas como vocês verão no último cap, ela vai tomar um rumo interessante e novas aventuras estarão por vir e contamos com a presença, leitura e comentários de todos vocês XD Beijos, Kaay e With.