Marcado
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Capítulo betado por nós mesmas, qualquer erro podem dizer. A todos que passarem por aqui: boa leitura!
Marcado
Capítulo 2
Ele sorria impiedoso, não se comovendo com o brilho amedrontado e confuso que faiscava nos olhos castanhos do homem amarrado fortemente na cadeira a sua frente. Este homem era Steven Belmont, um dos maiores empreendedores do país. Ele mantinha contato com as mais diversas pessoas importantes da cidade e Dean sentia-se satisfeito por tê-lo ali. Steven não sabia o tamanho de sua felicidade por ele ter sido tão fácil de capturar.
Mandara um de seus homens – ainda não conhecido pela mídia – fingir ser dono de uma grande empresa e propor um almoço de negócios depois de adquirir um pouco da confiança do empreendedor. Depois de muitas conversas e caminhos trocados, Steven foi enganado e arrastado ao covil onde permanecia preso e muito bem vigiado.
Apesar de Dean reconhecer que talvez Steven Belmont fosse um bom homem, nada seria empecilho para que continuasse em busca de respostas. E nada mais eficiente do que respostas vindas de uma pessoa com ligações importantes, pública, e amada por quase toda a cidade. Respostas concretas eram tudo o que Dean queria e se capturar um homem importante o aproximaria do irmão, ele não pensaria duas vezes em estar ou não passando dos limites. Varreria qualquer canto que aparecesse e tinha a grande certeza de que encontraria Samuel Winchester.
Dean não descartava a ideia de ter inimigos em todos os lugares em que fosse e só de imaginar seu irmão nas mãos daquele homem seu sangue fervia.
Ainda se lembrava perfeitamente de quando era um homem de bem, feliz ao lado da família, mas tudo mudou com a visita de um homem, cujo rosto não conseguira ver. A única coisa de que se recordava era da imagem de seus pais, esparramados no chão e cobertos de sangue, e os gritos desesperados do irmão caçula. Todo aquele sofrimento, os tiros e o desespero ainda ecoavam audíveis em seus pensamentos. Praguejava por não ter chegado a tempo de proteger o irmão e quando finalmente acreditou que tudo havia desmoronado se viu emergido no mundo escuro e insaciável do ódio e vingança.
Passou, desde aquele dia, a não temer nada e ninguém e agora, pela primeira vez, pegava-se tragado pelo olhar implorador de Steven. Provavelmente ele deveria ter uma família que o amava, talvez até filhos que o esperassem cheios de saudades...
Desde quando isso começou a importar?
Desde quando um olhar triste e desesperado era capaz de fazê-lo hesitar? Ora, aquela não era a primeira vez, e provavelmente não seria a última, que encarava um olhar assustado a sua frente.
É claro que Steven Belmont não era como os outros que Dean havia capturado ao longo de sua busca pelo irmão. Assassinos, delinquentes, homens de gangues, todos já haviam passado pelo mesmo tratamento que Steven.
– Não podemos demorar, Dean. – Alan Diamond chamou a atenção do chefe, apreensivo. – Ou seremos descobertos.
Alan Diamond era o homem que Dean mais confiava, a única pessoa que entregaria a vida por aquele caso se fosse necessário. Apesar de Alan ter a aparência jovial e ser três anos mais novo que Dean, suas razões eram fortes o suficiente para que Dean o aceitasse como um companheiro. Suas dores se assemelhavam, porém se diferenciavam em apenas um detalhe: Alan perdera todos, sem nenhuma explicação.
– Ele tem razão. – Chester Thompson apareceu no cômodo mal iluminado, limpando a faca brilhante de prata banhada em sangue. – Vamos acabar logo com isso.
O grupo de Dean era formado por cinco homens e uma mulher, sendo que apenas dois estava ao seu lado no momento. Os outros se empenhavam em seus serviços, distantes o suficiente para que ninguém desconfiasse. De todos ali, Chester era o único que não possuía motivos para ajudar Dean. Apenas transformara a situação em divertimento depois de cumprir sua sentença por quatro anos. Sua ficha era extensa, mas impressionantemente ele conseguira se livrar de boa parte em pouco tempo. Chester era o tipo de homem que seria bom não tê-lo como inimigo.
– Nós não iremos ser pegos. – Dean respondeu firme, mantendo sua atenção em Steven. Apoiou as mãos nos braços da cadeira e inclinou-se para frente.
Steven Belmont virou o rosto, no entanto, o forte cheiro de suor que emanava do corpo bronzeado de Dean lhe atingiu covardemente as narinas.
– Olhe para mim! – Dean segurou-lhe o queixo, afundando os olhos nos castanhos do homem. – Irei perguntar mais uma vez e não tente esconder mais nada. – o tom da voz do Winchester estava perigosamente ameaçador. – O que sabe sobre o desaparecimento de quatro anos atrás?
– Solte meu rosto ou não poderei responder! – Steven desvencilhou-se do contato com Dean da maneira que pôde. – Tudo o que sei foi o que o jornal publicou. Desaparecimento de um garoto de dez anos e que um policial estava supostamente envolvido.
– Quem é esse policial? – Dean estava ficando irritado com o desempenho da conversa, ele queria saber mais, e tudo o que Steven lhe dava eram respostas repetidas.
– Eu não sei. Eles não publicaram o nome dele. – Admitiu e recebeu um forte tapa no rosto. A mão pesada de Dean arrancou-lhe sangue.
– Então, iremos descobrir. – Dean sorriu perigosamente para Steven Belmont. – Você foi muito importante. – Disse e aceitou a arma que Chester o entregava. – Obrigado.
– Espere! – Steven gritou. – Que tipo de homem é você? Eu te disse tudo o que sabia, agora me deixe ir. – Pediu, se contorcendo inutilmente na cadeira.
– Eu gostaria muito, mas infelizmente não posso. – Dean deu de ombros, encostando a arma na têmpora de Steven. – Você nos entregaria e ainda não posso permitir que isso aconteça.
– Por favor! – Steven implorou ao ouvir Dean destravando a arma. Ele sabia que não conseguiria atingir a consciência daquele homem, ela era distante demais, quase inalcançável, mas ele tinha que lutar pela sua vida.
– Sinto muito. – Dean falou e apertou o gatilho, num movimento quase natural, como fizera tantas outras vezes na vida.
O único som que ecoou no cômodo foi o da bala rasgando a cabeça de Steven. A sujeira se espalhou por todos os cantos do quarto da tortura e Dean devolveu a arma a Chester. Tinham que arrumar outro lugar, não poderia permanecer ali por muito mais tempo. A casa, apesar de abandonada e afastada da cidade, não abafava os sons de um tiro e Dean temia colocar a vida dos companheiros em risco. Sem a cobertura fiel deles, sabia que ficaria difícil agir da maneira frequente que fazia.
– Ligue para aqueles quatro e os mande voltar, iremos embora. Vou tomar um banho. – Anunciou, olhando enojado para o sangue em suas roupas.
– Mas, Dean... – Alan o chamou, receoso. – E quanto ao “estouradinho” aqui?
– Deixe-o ai. A polícia dará um jeito de achá-lo.
Alan estranhou a atitude de Dean, entretanto, não o contrariou. Steven havia sido útil e talvez merecesse um descanso digno, afinal, a informação mais preciosa que obtiveram em dois anos saíra dos lábios arroxeados e inchados do empreendedor.
– Pare de sentir pena e me ajude a ajeitar as coisas! – Chester disse impaciente enquanto limpava seu brinquedo favorito. – Alan!
– Já ouvi! – o mais jovem gritou e se ocupou de esvaziar o arsenal.
(...)
Fora uma noite difícil e, em consequência disso, Castiel acordou com dores no corpo. Dormir no sofá não era tão divertido quanto parecia e enquanto se arrastava para o banheiro jurava que nunca mais faria aquilo, por mais cansado que estivesse.
Ainda estava vestido com as roupas de ontem, o sobretudo completamente amarrotado. Não se recordava direito, mas tinha a ligeira impressão que sonhara com Dean Winchester, que finalmente o colocara atrás das grades. Porém, a realidade era cruel e infelizmente esse sonho custaria a se concretizar.
Isolando tais preocupações, livrou-se da farda e abriu a água da ducha, colocando-se embaixo. Subitamente o sorriso malicioso de Emily se formou em sua mente e isso o incomodou. Aquele relato estava mau contato e Emily seria a próxima em que manteria seus olhos. Nada tirava de sua cabeça que aquela mulher escondia alguma coisa. Alguma coisa muito importante.
O som do telefone tocando chegou até Castiel. Enrolou a toalha na cintura e seguiu para sala, marcando o caminho. Ao ver o número de Carlos, Castiel cogitou se atendia ou fingia não ter escutado, porém pela insistência dos toques, temeu que pudesse ser algo realmente importante.
– Castiel, preciso de você aqui, agora. É urgente.
– É sobre o Winchester? – Castiel não queria admitir que seu coração descompassou ao pronunciar tal sobrenome.
– Também. – Carlos suspirou enciumado. Ele não entendia o fascínio que Castiel tinha com aquele caso. Com aquele homem. – É melhor vir, depressa! – desligou, sem dar a chance de o outro rebater.
Castiel colocou o telefone no gancho e suspirou insatisfeito com o colega. Aquele jeito que Carlos tinha de achar que era seu dono e que poderia seduzi-lo fazia seu sangue correr mais rápido. Apressado, voltou para o quarto e se vestiu, saindo em seguida de casa e torcendo que a urgencia de Carlos fosse realmente importante.
Chegou à delegacia meia hora antes do seu horário normal, procurando Carlos nervosamente com os olhos. Não havia ninguém ali e o silêncio era perturbador. Completamente irritado, Castiel seguiu para a sua sala, praguejando mentalmente o colega de trabalho. Se Carlos estivesse mentindo apenas por caprichos de tê-lo ali, ele estaria bastante encrencado. Já não tinha mais a paciência de antes para lidar com o colega e, a julgar pelas atitudes de Carlos, aquela poderia ser a última vez que se falariam.
Ao longe, pôde ver Carlos em sua sala, como se fosse o dono do lugar, parecendo confortável enquanto tamborilava uma caneta na mesa. Castiel não soube dizer como se aproximou dele tão rápido e tomou a caneta de suas mãos, jogando-a no suporto com impaciência.
– Bom dia, Cass! – Carlos cumprimentou o colega, animado.
– Quantas vezes já avisei para não entrar aqui desse jeito? – Castiel tomou a garrafa de café em mãos e encheu uma xícara. Por culpa de Carlos não comera nada. – E não me chame de Cass.
– Não seja chato! – Carlos sorriu, olhando-o de cima a baixo. – Até parece que esconde um segredo.
E ele não estava de todo errado. Castiel guardava todas as informações que conseguia juntar de Dean Winchester em pastas, dentro da gaveta de sua mesa e uma torrente de perguntas desabaria sobre ele se Carlos descobrisse. Sorveu um pouco do líquido fresco e amargo e o estômago reclamou pela forte invasão.
– O que tinha de tão importante para me contar? – Castiel retirou o sobretudo, tendo como platéia os olhos luxuriosos de Carlos. Sentou-se rápido, o cenho franzido duramente.
– Já faz quatro dias que o empreendedor, Steven Belmont, não volta para a casa e a família está começando a se preocupar.
– Steven Belmont...? – Perguntou com pouco interesse. — O que isso tem a ver com... – Castiel se calou, não acreditando no que estava prestes a dizer. Desde quando passou a ver os casos com desinteresse? – Quando soube disso?
– Notícias ruins correm muito rápido, Cass. – havia um brilho malicioso enegrecendo os olhos acastanhados de Carlos.
– Winchester... – Castiel pronunciou aquele nome apenas para ele, o corpo rígido em apreensão. – Por que um empreendedor? Isso não faz sentindo, um empreendedor não é o tipo de pessoa que Dean atacaria.
– Ora, Cass, o homem pode não ser um assassino ou algo do tipo, mas ele tem contato com as pessoas mais importantes do estado. Até eu me aproximaria dele. – Carlos levantou-se e deu a volta na cadeira de Castiel, inclinando o rosto na direção do policial. – Acho que deveríamos averiguar isso.
– Não. Se a família não nos contatou, por que nos apressar? Talvez o senhor Belmont já tenha voltado para casa.
– Castiel... – Carlos prendeu o queixo do colega entre o polegar e indicador. – O que está acontecendo com você?
– Como assim? – Perguntou, irritado com a aproximação do colega.
– Parece que está... Defendendo Dean Winchester. – os olhos de Carlos se estreitaram.
– Não seja ridículo! – Castiel afastou-se rudemente do contato. – Eu jamais defenderia alguém como ele!
– Eu sei... – Carlos suavizou o semblante. – Mas é o que parece. Bem, era isso o que eu tinha para dizer. Vemo-nos na hora do almoço. – deixou a sala do colega e bateu a porta.
Castiel relaxou na cadeira enquanto a voz de Carlos soava em sua mente como um eco. Ele não estava defendendo ninguém, apenas avaliando as possibilidades de Steven Belmont ainda respirar. Então, porque, de alguma forma, não acreditou em suas próprias palavras?
(...)
– Estamos prontos? – Dean se dirigia a todos de seu grupo, o cabelo molhado e bagunçado dando-lhe um ar de rebeldia.
– Sim, mas... – Alan não parecia confiante com o novo plano impulsivo do chefe.
– Vai começar de frescura agora, Alan? – Chester zombou do amigo com um largo sorriso enquanto prendia-o em uma chave de braço.
– Tudo bem... – Dean suspirou, voltando a atenção à única mulher do grupo. – Estou contando com você.
– Não irei decepcioná-lo... – a mulher beijou-o nos lábios e foi a primeira a sair da casa, rebolando os quadris e ondulando os cabelos com o andar.
Notas finais
Então, o que acharam? Bom, ruim, precisa melhorar? Critiquem construtivamente ou elogiem, isso faz um autor (duas autoras nesse caso) felizes!
Até o próximo!
Beijos.
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