Marcado

18 Capítulo 18


Notas iniciais
Olá queridos, como vocês estão? Desculpem pela demora. O final do ano foi corrido para nós duas. Esperamos que gostem do capítulo assim como nós gostamos, e qualquer dúvida não hesitem em perguntar. Boa leitura a todos!

MARCADO

Capítulo 18

— Deixe-me dar uma olhada nisso. — Chester segurou o rosto de Alan entre as mãos, analisando criticamente o ferimento que riscava o olho dele. Estava inchado e aberto, mas pelo menos o sangue parara de fluir a alguns minutos devido ao gelo que o mais novo usara. Ou assim ele achava. — Eu poderia levá-lo ao hospital se não fosse arriscado.

— Eu estou bem. — Alan desvencilhou-se do contato, indo sentar-se na cama. As costelas ainda latejavam, por isso evitou respirar com o movimento. — Dentro de algumas semanas já vou poder abrir o olho.

— Por que foi sozinho? — Chester lançou a pergunta de forma categórica, encarando-o firmemente com os braços cruzados. Apesar de imaginar a resposta que Alan daria, ele queria acreditar que ele pudesse lhe convencer. — Eu estava há poucos metros de você, bastava um telefonema!

— Eu não preciso que você me acompanhe em todos os lugares, eu sei me virar sozinho! — Alan rebateu, irritado. Até quando o mais velho o trataria como se fosse criança? Ele tinha vinte e um anos, um adulto!

— Claro, eu vi como sabe. — A voz irônica despertou profunda raiva em Alan. Devagar, Chester caminhou até o rapaz e abaixou-se, o rosto próximo o suficiente para sentir a respiração quente e entrecortada. — Eles poderiam ter matado você, caramba! E eu voltaria para a cadeia por assassinato. Sabe que eu faria isso.

Alan observou Chester de perto. Ele era um homem bonito, cabelos negros e olhos azuis, barba por fazer. O tipo de homem que chamaria a atenção de muitas mulheres, no entanto sabia que a atenção dele era exclusivamente sua. Talvez não devesse se vangloriar disso, contudo fora inevitável. Há quanto tempo sentia-se daquele jeito perto de Chester? Desde que se conheceram? Não importava agora descobrir.

— É, eu sei. Infelizmente você me ama demais. — Comentou divertido, contemplando o sorriso do mais velho.

— Não seja convencido, garoto. — Chester ralhou com ele, em falso descontentamento. Trouxe-o para perto, unindo os lábios em um beijo. — Eu vou cuidar disso aí, enquanto isso quero saber se a surra valeu à pena.

Alan suspirou, envergonhado. Chester tinha o estranho hábito de rebaixá-lo por suas próprias atitudes e aquilo o desagradava. Embora precisasse da companhia dele, entendia que ainda estavam cumprindo ordens e não poderiam se dar ao luxo de distração. Fugiu do contato do mais velho quando este começou a limpar o seu ferimento. O álcool ardia covardemente, fazendo-o fechar os olhos para que não chorasse. Doía e muito!

— Águia Negra passou mesmo pelo beco Garganta Profunda e está metido em coisas além do que sabemos. Ivan estava errado quando disse que somente o tráfico interessava a ele. Eu acho... Droga, Chester, devagar!

— A culpa não é minha se é irresponsável! — Ele gritou, esquecendo-se de toda a sutileza que raramente se disponibilizava. — Agora não seja mariquinha e continue!

— Eu não sei se é certo afirmar isso, mas parece que Águia Negra pediu que Phill fizesse um serviço. Eles terão um encontro amanhã, mas não consegui descobrir onde.

— E foi aí que você agiu como um babaca. — Recebeu um olhar reprovador de Alan, porém deu de ombros. — Faça sempre o que tem que fazer, não importa se precise dar o rabo para alguém. Você ficou com a tarefa mais importante e está mandando ela para o brejo.

— Já está bom. — Alan parou os movimentos de Chester, segurando-lhe os pulsos. — Obrigado, pode ir para casa.

Chester riu alto, debochando da irritação infantil de Alan. Não havia jeito, o rapaz era adorável demais e o encantava como nenhum outro fizera. Talvez estivesse na hora de dar atenção aquela sensação quente que percorria o seu corpo cada vez que sentia a presença de Alan. Seguiu-o a passos lentos e provocantes, enquanto o via abrir a porta para ele.

— Está chovendo.

— Você não é de açúcar. — O rapaz repeliu chateado, batendo o pé no chão com impaciência.

— Eu não vou embora. — Encarando-o em um misto de sensualidade e rebeldia, Chester retirou a jaqueta, colocando-a em uma cadeira próxima. — Você podia me recompensar, Alan. Venha aqui.

— O que pensa que eu sou? — Alan fechou a porta, permanecendo onde estava. — Não temos tempo para isso, você acabou de jogar na minha cara que não estou fazendo o meu trabalho direito.

— Talvez você seja melhor em outras coisas. Em cima de mim, por exemplo. — O mais velho sorriu, divertindo-se com o rubor que se instalou nas bochechas do rapaz.

Em menos do que previu, prendeu Alan entre a parede e seu corpo. Os lábios famintos e exigentes movimentaram-se sobre os lábios de Alan, apressados. Chester pediu passagem com a língua, encontrando a textura que tanto lhe fez falta. E inconscientes, os braços do mais novo envolveram-lhe o pescoço, puxando-lhe para mais perto completamente entregue ao ato. Sorriu em meio ao beijo, não resistindo a mordiscar-lhe o lábio inferior.

— Eu espero que você esteja preparado para mim... — A frase não soou mais do que um sussurro. — Porque a noite será longa.

(...)

A semana passara rápida, mal o dando tempo de acompanhá-la. E por todas as horas Castiel conseguia pensar apenas em Dean Winchester. Por que salvara sua vida? Ele não era o famoso Torturador? Sim! Então onde estava escondido aquele homem que ele sempre buscou prender? Ficara a meros metros de distância dele, podendo visualizar o rosto bonito e os olhos penetrantes de perto, e não fizera nada além de bancar o surpreso. Aquilo estava errado, muito errado por sinal. Por que não fora atrás dele? Por que, naquele momento, o melhor teria sido deixá-lo simplesmente ir? Estava com vergonha de seus próprios atos. Ele era um policial! Ele deveria ter feito alguma coisa!

Sua mente encontrava-se assolada de porquês e Castiel era incapaz de formular respostas, além de não ter tempo suficiente para pensar nelas agora. Aceitara jantar com Carlos e não poderia desmarcar tal oportunidade. O relógio o alertava de que a hora se aproximava. O nervosismo o percorreu, estagnando-o no lugar. Teria que ser cauteloso agora que Dean Winchester conhecia o seu rosto. Claro, nada lhe tirava da cabeça de que era o mais novo alvo do Torturador. Tremeu da cabeça aos pés, contudo sabia ser um homem decidido e confiante, não iria facilitar para Dean. Poderia atraí-lo, sim, ou até mesmo... Não! Todos compreendiam que se entregar seria uma tática suicida, afinal nenhuma vítima de Dean sobreviveu para contar história. E a ideia de se ver com a cabeça descolada do pescoço não lhe acalmava nenhum pouco.

Em todo caso, Castiel trancafiou as especulações na mente e concentrou-se no presente. Teria um jantar com Carlos, e deveria ter saído de casa há dez minutos. Jogando o casaco no braço, ele pegou as chaves de casa e dirigiu-se para as ruas. Havia chovido muito aquela semana e ainda chuviscava, contudo nada que necessitasse de guarda-chuva. A cada passo arriscado, era como se olhos o acompanhassem. Olhou para trás duas ou três vezes em todo o caminho, rindo de si mesmo. O que era aquela atitude? Comportava-se como um paranoico, como se a qualquer momento Dean pudesse surgir bem na sua frente. Quanta infantilidade, Castiel... Relaxe. Aconselhou-se, adentrando ao restaurante.

Não se comparava ao que levara Emily, mas tinha seu toque peculiar e distinto. Uma banda tocava ao vivo músicas antigas, de caráter recessivo e especial para as pessoas que dançavam sem pudor. Destacavam-se os mais velhos, enquanto os jovens apreciavam o clima tranquilo de onde estavam. Avistou a mão de Carlos acenando para ele e caminhou, desviando dos dançantes. Sentou-se após cumprimentar o colega de trabalho. Colega? Talvez devesse mudar a maneira que o intitulara, afinal, já não se sentia colega de Carlos há alguns meses.

— Pensei que não viria. — Carlos comentou, experimentando o vinho. — As pessoas já estavam começando a me olhar estranho.

— Sinto muito. — Foi tudo o que Castiel conseguiu pronunciar após se acomodar.

— Tudo bem, só estou brincando. — Ele disse, levantando as mãos em sinal de paz. — Cass... — Carlos tomou o cuidado de proferir o apelido cuidadosamente. — Quem você viu na noite em que saiu para atender um chamado sem mim?

— Eu já disse que não sei. — Não era a intenção de Castiel, mas foi impossível controlar a rudeza na voz. Todos estavam sempre ao seu redor, especulando-lhe sobre aquela maldita noite. Como se ele mesmo não tivesse perguntas e dúvidas! E a mais importante delas era saber por que encobrira Dean.— Estava escuro e chovendo, não dava para saber.

— Espero que não esteja mentindo para mim. Você sabe que eu posso descobrir qualquer coisa, Castiel. — Havia um sorriso estranho nos lábios de Carlos, algo como traiçoeiro e esperto.

— Não entendi. — As sobrancelhas de Castiel se elevaram. — Acha que estou mentindo e que deve me espionar agora? É por isso que estamos aqui? Para que você possa arrancar respostas da minha boca?

Estava ali a questão que Carlos queria chegar. Evidente que Castiel escondia algo dele, e era sua tarefa descobrir o quê. Se fosse algo relacionado com Águia Negra teria que contornar a situação e mantê-lo longe de qualquer assunto mencionando seu chefe. Odiava admitir, mas Águia Negra comandava todos que trabalhavam para ele. Era importante para Carlos manter Castiel longe desses assuntos. Deprimia-lhe ver que diante de todo era um igual. E depois de tudo que fiz por você, Carlos conversou consigo, bebericando o vinho.

— Se eu achar que é necessário, sim. Sabe que a minha prioridade é a sua segurança.

— E a minha prioridade é que você fique longe do meu caminho. — O policial rebateu, irritado. — Mudemos de assunto antes que eu vá embora.

— Certo, Cass.

Depois da breve alteração, o silêncio foi o único som entre eles. Castiel estava encabulado e irritado com tamanha curiosidade e cuidado que Carlos tinha para com ele, como se a qualquer momento ele pudesse se quebrar ou não aguentar um simples vento. Se precisava se esconder do sol, Carlos se tornava sua sombra; Se tivesse cortado o dedo com uma faca, Carlos se tornava o curativo... Coisas que ele deveria zelar, afinal, ninguém cuidava do outro daquela maneira, entretanto aqueles hábitos já não mais lhe apeteciam.

Na verdade, a presença de Carlos já não o agradava mais como antigamente. Ambos haviam se distanciado, criando os próprios segredos silenciosos e agora a impressão que Castiel tirava deles era que não passavam de apenas duas pessoas compartilhando o mesmo mundo, mas sem de fato se conhecerem. Contudo, mesmo que estivesse sendo desgastante estar ali, ele poderia ter alguma vantagem. Há meses que Carlos despertara dentro dele uma curiosidade absurda, e a cena que vira há algum tempo quando o colega conversava exaltado com alguém ao celular não lhe saía do pensamento.

Enquanto pensava numa forma de confrontá-lo, Castiel bebericou o vinho e experimentou a salada. Os olhares de Carlos constantemente tentavam estabelecer conexão com os seus, todavia ele mantinha-se longe. O colega de trabalho era excelente em lê-lo, o brilho sagaz no sorriso doce não passava de puro disfarce.

— Com quem você anda falando ao celular? — Ser direto às vezes poderia ser bastante lucrativo.

— Então você percebeu? — Carlos sorriu, satisfeito. — É apenas um caso que estou trabalhando sozinho.

— Sozinho? Que estranho, o chefe nunca permite algo assim, deve ser bem... Importante. — Não deveria ter se sentido traído pelo próprio trabalho, entretanto entendia que para certos assuntos Carlos era a melhor opção. A maneira fria como ele agia em cada caso era seu grande sucesso até os dias atuais.

— Bom, eu não diria importante. — Carlos fez uma pausa para encher sua taça. — Estou apenas coletando informações sobre um tal de Águia Negra. Nada diferente do que você tem feito sobre o caso Dean Winchester. — Dizer que estava perseguindo o tal de Águia Negra era sem dúvida a melhor saída para que Castiel não suspeitasse de nada.

— Traficante? — Castiel fingiu não notar o deboche na voz de Carlos, sua atenção completamente voltada a tal pessoa, tanto que cogitava ser homem ou mulher. Em todos os seus anos de serviço, nunca havia ouvido falar naquele nome. O problema em questão devia-se em todo o silêncio por parte do colega. Sabia que policiais não podiam falar de seus casos para qualquer um, mas ele era seu parceiro. Ele precisava saber.

— Um pouco de tudo. O cara tem uma ficha quilométrica, Cass, pegaria no mínimo vinte anos de prisão. — O que confessava a Castiel não lhe fugia da realidade. Na verdade ele apenas queria incitar ainda mais o lado humano dele, deixando com dúvidas e perguntas a fazer. Não que Carlos estivesse totalmente seguro, ele conhecia Águia Negra melhor do que ninguém e sabia do que ele era capaz, contudo dedurá-lo um pouco acalmaria seu ego pela humilhação que sofrera dias atrás. Aquela noite fora repugnante para ele, seu corpo ainda não havia se livrado do arrepio de nojo.

— Por que não pediu minha ajuda? Não somos parceiros?

— Claro que somos. — E o sorriso ardiloso estampava novamente os lábios de Carlos. — Mas é como eu disse, prefiro me arriscar sozinho a deixar que algo aconteça a você. Eu te amo, Castiel. Achei que...

Castiel pigarreou, constrangido. Boa, agora você vai ouvir essas palavras pelo resto da noite! Culpou-se internamente, terminou a bebida e retirou da carteira algumas notas.

— O que é isso? — Carlos perguntou, surpreso com a atitude do colega.

— Estou indo embora, estou entediado.

Dito isso, ele levantou-se e rumou para a saída do restaurante, repensando em tudo que Carlos demonstrava. Em todos os anos de parceria nunca vira o colega se divertir tanto ao contar sobre algum caso. A expressão de sadismo e compensação não condiziam com o homem que ele conheceu, se é que um dia o conheceu de fato. Às vezes estivera cego a respeito de Carlos, ou talvez quisera apenas acreditar que o homem a sua frente fosse tudo o que ele imaginou ser.

Passavam das onze e meia quando Castiel ganhou as ruas. Já que voltaria para casa a pé aproveitaria para colocar os pensamentos em ordem. Fazia muito tempo que Carlos não tocava em Dean Winchester e a mínima menção fez seu corpo enrijecer. Não precisava que lhe dissessem que o colega suspeitava de algo daquela noite, e se pudesse fazê-lo supor de hipóteses pelo resto da vida o faria e sem hesitação.

Cansara-se de Carlos invadindo sua privacidade, cansara-se do amor incondicional e sufocante que ele nutria por sua pessoa. As chances para continuar com seu papel diante do colega caíram por terra com esse encontro, afinal não havia formas de obter outra posição perante Carlos, além se afastar.

E foi o que ele se decidiu a partir daquele momento. Se Carlos preferia poupá-lo de casos, assim Castiel imitaria. Dobrou a esquina, sua casa se encontrava a meros metros de distância. Ansiava por um banho e uma boa noite de sono, entretanto ele soube no instante que as mãos o silenciaram que seria incapaz de cumprir com o que desejava.

Notas finais
Agradecemos a leitura, a todos aqueles que sempre aparecem para comentar e esperamos ansiosas as opiniões de vocês. Qualquer dúvida, crítica construtiva, sintam-se à vontade. Estamos abertas as sugestões de todos. E leitores fantasmas, não tenham medo da luz! Sigam pelo mesmo caminho! É sempre muito legal ler e saber a opinião de todos vocês, estamos nos dedicando muita a essa fic :) Agradecemos a todos o carinho e paciência! ps: Para quem estiver interessado, temos o desenho dos personagens em nossas páginas do facebook. Quem quiser dar uma olhada é só pedir por MP. Até o próximo capítulo! Kaay e With.