Marcado
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Dessa vez não demoramos, não é verdade? rsrs
Esperamos que gostem do capítulo assim como nós, e qualquer dúvida não hesitem em perguntar.
Boa leitura a todos!
MARCADO
CAPÍTULO 15
Alan estava sem sono deitado na pequena e empoeirada cama do quarto de hotel que havia alugado para passar a noite. Nos últimos tempos, ele vinha sentindo uma dificuldade crescente para dormir. Pensou em algo para tomar, mas rejeitou a súbita vontade de uma pílula para dormir. Pílulas eram para os fracos.
Com frequência, ele se levantava e silenciosamente perambulava pelo quarto, aguardando a chegada do sono. Alan nunca iria admitir em voz alta, mas desde a separação do grupo, vinha tendo dificuldade para cumprir certas tarefas, e embora estivesse feliz por ter um tempo só para ele, sentia a falta dos colegas, e, porque não admitir, sentia falta das provocações de Chester.
Ficou pensando no colega, e então, sem realmente saber como, estava segurando o aparelho celular na mão direita, esperando o mais velho atender a ligação.
Enquanto aguardava, ficou repassando os últimos dias, e suspirou derrotado ao se lembrar de que, mesmo com muito esforço, não havia conseguido nenhuma nova pista sobre o tal de Águia Negra.
Cada integrante do grupo havia sido encarregado de cumprir certas tarefas e Alan estava frustrado por não conseguir cumprir as suas. Dean certamente ficaria desapontado.
O tempo estava correndo com rapidez inacreditável, e tudo o que eles tinham era um homem desconhecido, sem rosto e sem identidade.
─ É bom ter algo muito importante para contar.
A voz rouca e cansada de Chester interrompeu seus pensamentos, e Alan se sentiu subitamente incomodado por tê-lo acordado, pois não havia motivo para aquela ligação.
─ Ainda está aí, Alan? ─ O mais velho perguntou com voz pausada.
─ Desculpe ter te acordado. ─ Disse com rapidez. ─ Eu posso ligar amanhã.
─ Já estou acordado agora, lindo. O que você quer?
Alan sentiu as bochechas queimarem, mas deixou aquele comentário passar sem maior importância. ─ Conseguiu alguma pista?
─ Ainda não. Você?
─ Nada. Esse cara mais parece um fantasma. Ninguém nunca o viu, ou ouviu falar dele.
─ Ou ouviram e estão com medo de admitir alguma relação. É possível que estejamos procurando nos lugares errados. ─ Chester comentou, e sua voz soou ligeiramente mais fraca.
Alan nunca havia pensado naquilo. Até agora, eles haviam buscado pistas nas ruas, junto a traficantes e membros de gangues, mas talvez fosse uma boa ideia mudar o rumo daquela investigação. ─ Acha que devemos mudar de estratégia?
Por um breve momento, não houve resposta alguma, e Alan ficou imaginando se Chester havia voltado a dormir.
─ Chester?
O mais velho suspirou e bocejou antes de voltar a responder. ─ Sinceramente, Alan, não sei.
Houve um silencio de mais ou menos um minuto, onde nenhum dos dois falou sequer uma palavra. Mas, ao contrário do que poderiam imaginar, aquele não foi um silencio constrangedor, e sim reconfortante. Isso até Alan voltar a abrir a boca.
─ Você já parou para se perguntar por que isso aconteceu com a família do Dean? ─ Alan indagou, e surpreendeu a si mesmo com aquela pergunta. Quem era ele para mexer no passado do chefe?
─ Como assim? Aquilo foi uma tragédia, Alan.
─ Quero dizer... O motivo me intriga, entende?
─ Tragédias não precisam de motivos. Mas quem sabe foi alguma vingança bárbara ou coisa parecida. ─ Chester respondeu de forma calma. Para ele, falar sobre isso era como discutir sobre assuntos cotidianos.
─ Eu fico pensando... Não houve roubo e nenhuma joia ou dinheiro foi levado.
─ Alan, onde está querendo chegar com tudo isso? ─ Indagou Chester, alarmado.
─ É só que... É tudo muito estranho. Como essa pessoa entrou na casa da família de Dean? Porque levou o irmão mais novo? Estou te dizendo, Chester, alguma coisa aqui não está certa.
─ Eu não sei, Alan. Porque não pergunta para o chefe?
─ E enlouquecê-lo ainda mais com perguntas? Não, eu não faria isso. Eu só acho que... Eu penso que...
─ Que a pessoa que fez isso deveria conhecer a família. ─ Chester completou, embora ainda parecesse bastante apreensivo com aquela conversa.
─ Isso mesmo.
─ Bem, nós todos sabemos que o pai de Dean conhecia muitas pessoas, e nem todas tinham uma boa reputação. Talvez tenha comprado briga com alguma delas.
─ Talvez pudéssemos começar a procurar por antigos conhecidos da família...
─ Achei que tivéssemos que procurar pelo Águia Negra.
─ Chester...
─ O que foi? ─ O mais velho perguntou, dividido entre o cansaço e a curiosidade.
─ Bem, Olívia nos contou que o Águia Negra não trabalha sozinho. Há um policial corrupto trabalhando com ele, ajudando-o com suas compras e com seus contatos, e nós também sabemos, pelo que Steven Belmont contou, que houve um policial envolvido no crime de quatro anos atrás.
─ Então, você está querendo dizer que esse tal de Águia Negra é a mesma pessoa envolvida no assassinato dos pais de Dean e no sequestro de Sam?
─ É o que eu penso. ─ Alan admitiu. ─ Olívia disse que o Águia Negra, além de comprar armas no mercado negro, está metido com tráfego de menores. Talvez ele seja o nosso cara e talvez seja por isso que ele tenha sequestrado o irmão de Dean.
Chester ficou calado por um momento e depois disse, gentilmente: ─ Acho que você pode ter razão, Alan. Eu estou realmente impressionado.
Alan não respondeu, mas mesmo sem poder ver o rosto do menor, Chester teve certeza de que um sorriso havia se formando em seus lábios.
─ Então, vai contar ao chefe? ─ Chester perguntou com curiosidade.
─ Tenho a impressão de que ele já sabe.
(...)
O grande interesse público despertado pelo que se tornou conhecido na ocasião como "O caso Winchester" já havia se desvanecido por completo. Poucos se lembravam do acontecimento e apenas algumas pessoas tinham coragem de falar sobre o assunto.
Quatro anos se passaram e era pequeno o número de pessoas que nutriam alguma simpatia por Dean, mas, ainda assim era possível encontrá-las. Pessoas que se familiarizavam com a dor do ‘jovem Winchester’ e que, de certa forma, entendiam seu comportamento. Infelizmente esse grupo era uma minoria e Dean sabia que sua captura estava entre as maiores recompensas do estado, se não do país, e tendo em vista a grandiosidade nacional que havia adquirido, ele sabia que deveria agir com muito cuidado. Dean agora era um homem temido por quase todos. As pessoas achavam melhor não se arriscar a ofender 'o jovem Winchester'.
Estava em uma rua abandonada do bairro de Westwood, escondido entre as paredes de dois restaurantes. Ele estava parado, olhando ociosamente para a calçada logo à frente. Era arriscado perambular pelas ruas antes do anoitecer, mas Dean não podia confiar aquele trabalho a mais ninguém. Ivan havia feito um excelente trabalho descobrindo o endereço do policial Laser a partir das informações fornecidas por Emily.
Vestia uma calça jeans preta e um moletom cinza sobre uma camiseta branca. Escovou os cabelos com gel e vestiu óculos escuros para tentar esconder o rosto tão conhecido. Não era um bom disfarce, mas era tudo o que ele tinha no momento.
Não demorou muito e a figura do policial Laser apareceu na porta de um dos prédios enfileirados na calçada da frente. Se Dean quisesse resumir o policial Laser em uma única palavra, essa palavra seria discrição. Tudo no policial era discreto. As roupas eram bem talhadas, mas sóbrias, a voz pelo telefone soara suave e educada, o cabelo castanho-escuro, começando a ficar grisalho nas laterais, e o rosto era pálido e sério. Dean observava cada detalhe e cada gesto do policial e a impressão que teve era que Castiel não seria nada fácil de capturar.
(...)
Castiel chegou à delegacia e encontrou Carlos em sua sala, esperando-o. Estranhou o horário, mas nada disse quando entrou pela porta.
─ Bom dia, Carlos, em que posso ajudar? ─ Indagou de forma educada, enquanto retirava o sobretudo do corpo.
─ Bom dia, Cass, como tem passado? ─ O policial Schwarcz respondeu com a voz um pouco ofegante, enquanto empurrava uma bala de caramelo para um dos lados da boca.
Castiel arqueou uma sobrancelha e observou o outro policial com atenção. ─ Bem, obrigado. Carlos, o que...?
─ Eu estive pensando... ─ Carlos o cortou, sem se importar em parecer rude. ─ Gostaria de jantar comigo no domingo?
Castiel se postou atrás de sua cadeira e ficou olhando o rosto animado do colega por mais alguns segundos. De todas as coisas que Carlos poderia dizer, aquilo definitivamente era algo que Castiel não imaginava ouvir. Afinal, foram tantas as vezes que recusou os convites do outro policial.
─ Carlos, eu... ─ Começou a falar, mas então parou subitamente. Carlos estava agindo de forma estranha ultimamente e Castiel tinha a sensação de que o colega estava tramando alguma coisa. O policial Laser sabia que não era certo brincar com os sentimentos de Carlos, mas ele se viu obrigado a aceitar o convite se quisesse conseguir alguma informação a respeito do comportamento estranho do colega nos últimos dias. ─ Está certo. Eu... Sim... Eu gostaria, Carlos. Obrigado pelo convite.
O sorriso que surgiu nos lábios de Carlos fez Castiel se sentir a pior pessoa do mundo.
─ Mais alguma coisa? ─ Castiel perguntou, sentando-se na cadeira em frente a sua mesa.
Carlos passou de novo a bala de caramelo para o meio da língua e, depois de chupar prazerosamente o doce, recomeçou a falar. ─ Na verdade, sim. O chefe está querendo falar com você.
Castiel suspirou derrotado ao ouvir aquelas palavras. ─ Você sabe do que se trata?
─ Não faço ideia, mas ele está de mal humor. ─ Carlos respondeu e sorriu de forma gentil para o amigo.
─ Ótimo. ─ Resmungou, fazendo uma careta. ─ Obrigado por me avisar, Carlos.
Carlos caminhou até a porta, parando e se virando para fitar o colega mais uma vez.
─ Então, tudo certo para domingo?
─ Tudo certo, Carlos. ─ Castiel respondeu e observou o outro policial sair pela porta de sua sala.
(...)
A conversa com o policial Singer não havia sido nada animadora. O chefe alugou seus ouvidos por mais de duas horas, reclamando e dizendo que o prefeito o estava pressionando para que concluísse e prendesse os responsáveis pelas maiores barbaridades da cidade. E, é claro, ‘o caso Winchester’ fazia parte desse pacote. Castiel tentou se defender, dizendo que estava fazendo de tudo para capturar Dean, mas Singer parecia ter perdido a capacidade de ouvir assim que o policial abriu a boca para falar.
“Não me interessa o que você tem a dizer, Laser. Dean Winchester está solto pelas ruas e sabe-se lá quando irá atacar outra vez! Eu não quero mais ouvir suas desculpas! Você sabe o que tem que fazer e se eu receber outra ligação do prefeito reclamando, pode crer que irá sobrar para você!”
Aquilo não era justo, mas Castiel não tentou argumentar. Voltou para a sua sala e terminou de preencher alguns papéis. Almoçou com alguns outros policiais e depois respondeu a um chamado de roubo numa loja de artigos esportivos, há dois quarteirões da delegacia.
Pouco depois das onze da noite, Castiel já estava em casa novamente. Abriu a porta da frente com a chave que sempre tinha consigo e parou intencionalmente, alguns instantes, no corredor da entrada enquanto pendurava o leve sobretudo que ele havia levado, sábia precaução contra a friagem do inicio de uma manhã outonal. É verdade que Castiel não podia prever, naquele momento, os acontecimentos das próximas semanas. Ele certamente não podia, porém seu instinto arriscava que momentos agitados estavam por chegar.
Notas finais
E leitores fantasmas, não tenham medo da luz! Sigam pelo mesmo caminho! É sempre muito legal ler e saber a opinião de todos vocês, estamos nos dedicando muita a essa fic :)
Agradecemos a todos o carinho e paciência!
Até o próximo capítulo!
Kaay e With.
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