Marcado

14 Capítulo 14


Notas iniciais
Olá meus queridos, como vocês estão?

Eu sei que dessa vez demoramos bastante, então vamos às explicações: Esse mês foi muito conturbado para mim, eu (With) fiquei doente e preocupada com provas e trabalhos do curso, e essas mínimas coisas me consumiram um tempo gigantesco. Quase não conseguia conversar com Kaay sobre o capítulo, até que me sobrou um tempo essa semana e conseguimos concluir o capítulo.

Espero que todos entendam que temos uma vida agitada e que muitas vezes (quase sempre) atrapalham o nosso compromisso com a fanfic, mas fazemos sempre o melhor que podemos e preocupadas com todos vocês.

Bom, era só isso que tínhamos para dizer. Esperamos que gostem do capítulo assim como nós, e qualquer dúvida não hesitem em fazer.

Boa leitura a todos!

MARCADO

CAPÍTULO 14

O adolescente observava a vida lá fora com profunda inveja. Sentia falta do vento em seu rosto, do calor do sol lhe banhando, dos risos das crianças com quem costumava brincar em sua infância. Sua infância... Há quanto tempo não sabia mais o que era ser uma criança? Quatro anos atrás alguém roubara sua inocência, levando-o para longe de todos aqueles que ele amava sem lhe dar alguma explicação. E, sinceramente, até aquele momento ele não sabia qual seu propósito ali. Pelo que entendera, o homem que o mantinha preso apenas estava esperando a hora certa para usá-lo. Seria pedir demais querer saber o seu destino?

Naquela noite, fora ao encontro de Carlos para conversar – sentia-se solitário e as paredes nunca iriam responder às suas perguntas –, entretanto não conseguira. Carlos estava ocupado demais com os negócios daquele homem e pouco lhe direcionou a atenção. Quanta falta o irmão lhe fazia... E pensando nele, como estaria agora? Será que procurava por ele ou nem ao menos se lembrava de que existia? Será que sentia sua falta ou será que seguira em frente com sua vida?Ao pensar nisso, seus olhos marejaram. Nunca passou por sua mente que o irmão pudesse rejeitá-lo, porém ao fazê-lo um incômodo apertou-lhe o peito. Ele não deveria se importar, afinal, passaram-se tantos anos...


–Parabéns pra você, nessa data querida. Muitas felicidades, muitos anos de vida. Viva o Sammy! Sopre a velinha, meu amor. – Mary incentivou o filho, que com sua ajuda, apagou as três velinhas em um sopro. Beijou-lhe a testa antes de cortar o bolo e entregá-lo ao filho. – Para quem você dará o primeiro pedaço?


–Para a mamãe. – Ele sorriu, estendendo-lhe o pedaço do bolo.

– Ah, Sammy, você é um puxa saco mesmo! – Dean reclamou, e em um gesto infantil sujou o rosto do irmão com glacê. – Eu sou seu irmãozão, esqueceu?

Sammy negou com a cabeça, constrangido, e abriu os braços chamando o irmão em um gesto de desculpas. Os olhos verdes marejados, sentindo que magoara Dean com sua atitude. Logo, teve-o retribuindo o abraço e o tirando do chão.

– Você é um manézão.Eu estava brincando, seu bobo. – O mais velho beijou o rosto do pequeno, sem se importar se se sujaria no gesto. Seu irmão era tudo para ele, jurara protegê-lo sempre, mesmo quando ele tivesse idade suficiente para se cuidar. Sammy sempre seria o seu irmãozinho.

– Eu te amo, irmãozão.


Aquela era, talvez, a lembrança mais feliz e significativa que tinha viva em pensamentos, onde sua família estava com ele em um momento importante. Tudo mudara há quatro anos, e Sammy sabia que perdera tantas outras chances de celebrar mais um ano de vida com eles. Talvez tudo aquilo que estivesse acontecendo não passasse de um pesadelo. Sim, era isso. Um dia ele iria acordar e encontrar sua família reunida outra vez.


Perguntara-se se aquilo também não era obra de sua saudade. Sonhara várias vezes com seu aniversário de três anos, e sempre se questionava a mesma coisa: Porque aquela data? Porque era tão importante? Talvez pelo fato de que todos estivessem juntos, ocasião extremamente rara em sua família. Seja como fosse, agarrar-se-ia àquela imagem de que antes haviam sido uma família feliz.

– Em que está pensando? – Carlos interrompeu o silêncio, encostado ao batente da porta. Fazia pouco mais de dez minutos que o observava.

– Nada. – Sammy abaixou os olhos, evitando o brilho acusatório que dominava os olhos do homem mais velho. – Quando eu vou poder ir embora?

– Eu não sei. – O suposto policial respondeu secamente, suspirando pesado. – Venha, está na hora do almoço.

– Não estou com fome. – Sammy mudou a posição, ficando de frente para a janela gradeada, ignorando-o completamente.

– Você é meio grandinho para fazer pirraça, não acha? – Carlos sorriu debochado, cruzando os braços perante a infantilidade de Sammy. – Mais hora ou menos hora, irá comer.

– Já disse que não quero. – O rapaz rebateu mais convicto, sua voz ecoando com irritação entre as paredes.

– Ora, ora, por que essa rebeldia? – Uma terceira voz fez parte da conversa, e ela foi o suficiente para Sammy sentir todo seu corpo arrepiar. – Estou falando com você, então olhe para mim.

Repulsivo, Sammy atendeu a ordem daquele homem desprezível. Seus olhos focaram-se no sorriso zombeteiro que adornava os lábios dele, e ainda encostado à porta, Carlos participava de todo aquele cenário tão repetitivo em sua rotina. Não havia espaços para seus próprios pensamentos, pois raramente eles o deixavam sozinho um dia inteiro. Em sua percepção conclusiva, talvez fosse medo que pudesse resolver a própria situação por si mesmo. Uma tola medida de segurança, já que Sammy jamais conseguiria sair dali. Podia imaginar que existiam guardas o vigiando vinte e quatro horas seguidas, essa possibilidade ele nunca descartara.

– Muito bem, pequeno Sammy. – O homem de cabelos negros sorriu largo, embora o brilho não fosse amigável. – Agora, vamos almoçar todos juntos. Eu não gosto quando minhas crianças me desobedecem.

– Eu não sou sua criança. – O rapaz Winchester murmurou baixo, caminhando pé ante pé sob a custódia do mais velho.

(...)

Sua sala encontrava-se vazia, um fato raro a ser observado aquela altura do dia. Fazia três dias que não via Carlos, e perguntava-se se ele havia se metido em algum tipo de problema. Porém, não era exatamente isso que preocupava Castiel Laser, mas sim a sensação de constantemente estar sendo alvo. Dormira mal nessa última semana, relendo e anotando todas as novas expectativas sobre Dean Winchester. Contudo, tinha que dar razão a Carlos: O caso estava o desgastando mais do que o esperado.

Sorveu um pouco de café, os olhos correndo afoitos por toda a imagem do encontro que tivera com Emily. Sim, Emily levantara inúmeras suspeitas e ela não precisou se esforçar para que Castiel ficasse apreensivo quando a via. Repensou em cada dia, desde o dia em que a conheceu até atualmente, e por mais que quisesse realmente acreditar que estava sendo prepotente, Castiel sabia que alguma coisa ruim girava em torno da mulher de sorriso encantador. Era fato que sua beleza hipnotizava os homens a ponto de seus segredos mais sujos virem à tona, entretanto, ele possuía artimanhas para driblá-la – como fizera perante a tamanha curiosidade dela em sua vida pessoal.

Talvez Castiel precipitara-se em depositar toda sua confiança em seus dons, porém estava esperançoso de que Emily não teria meios de descobrir o que queria: Seu passado. Embora a aura ardilosa que pairava sobre ela lhe dissesse completamente o contrário. A essa altura toda a sua vida já deve ser do conhecimento dela, Castiel. Você a conhece, e sabe melhor do que ninguém que não seria difícil, afinal, quem em Westwood é leigo sobre você?

– Boa tarde, Cass.

A voz de Carlos fê-lo sobressaltar e por pouco não esbarrara na xícara de café, que com certeza lhe renderia um belo estrago em seus documentos. Encarou o companheiro, nos olhos um brilho reprovador enquanto displicentemente ele ocupara a cadeira a sua frente.

– Já almoçou ou ainda está enfurnado no trabalho?

– Diferente de você, eu tenho coisas para fazer. – Castiel rebateu impaciente, aquela aparição repentina dele depois de tantos dias era digna de desconfiança. – Tentei falar com você, mas não consegui. Onde estava? – Interrogou, disfarçando a curiosidade nos documentos que assinava.

Carlos não se surpreendeu com a pergunta, afinal era de se esperar que algo assim viria de Castiel. Seu aparelho celular mostrara dez ligações perdidas do policial Laser e, por mais que o agradasse ouvir a voz dele, não pôde se permitir a tal prazer. O amor que sempre alegara sentir por Castiel era verdadeiro, e iria mantê-lo longe de sua vida pessoal sem qualquer explicação.

– Resolvendo alguns problemas pessoais. – Carlos retorquiu, levantando-se e indo até a cafeteira. – Desculpe-me por não ter retornado suas ligações.

Imediatamente Castiel sentiu o rosto aquecer, ele não deveria ter insistido naquele assunto conhecendo a personalidade de Carlos e o que ele poderia concluir. Todavia, poderia ser gratificante, apenas por uma única vez, correspondê-lo.

– Não tem problema, mas você poderia ter me avisado. Singer ficou perguntando sobre você a semana inteira.Seja mais responsável, Carlos. – E, mesmo que tentasse, Castiel nunca iria se livrar de seus hábitos considerados certos pelos demais.

– Eu sei, eu sei! – O outro policial riu aberto, acomodando-se na cadeira macia. – Já pedi desculpas, o que mais quer que eu faça?

– Poderia compensar a sua ausência... – Incrivelmente sua voz assumiu um teor rouco, quase sensual, ao proferir aquelas palavras. Sentir-se-ia péssimo enganando o amigo daquela maneira, porém a sensação incômoda ainda chateava-lhe. Os segredos que Carlos escondia, estava disposto a descobrir.

Os lábios de Carlos se entreabriram, aguardando as sílabas que nunca chegaram a sair. Estava surpreso, não negaria, e o coração descompassado denunciava o quanto interpretara a frase de Castiel de maneira errada. Ou aquele era o real sentido delas?

(...)

– Você não disse que iríamos sair? – Chester resmungou para Dean, enquanto retirava suas coisas da mala pela quarta vez àquela semana. – Me fez ter esperanças, estou decepcionado!

– Qual é, Chester, se não te conhecesse bem diria que suas intenções eram outras... – Ambrose intrometeu-se na conversa, instigando a suposta revolta do companheiro perante as mudanças dos planos.

– É claro! Francamente, não sei como vocês conseguem. – volveu-se a Dean, buscando nele algum tipo de compreensão. – Dean, precisamos aproveitar essa última semana. Eu não estaria reclamando se Alan concordasse em passar a noite comigo.

– Não me coloque em seus pensamentos pervertidos! – Alan ralhou, o rosto corado apenas com a possibilidade de Chester cumprir a ameaça. – Vá a algum bar e se satisfaça. Pelo amor de Deus, você pensa apenas com a cabeça de baixo.

Envolvido naquela cena tão rotineira, Dean permitiu-se sorrir mesmo que não houvesse felicidade em seu sorriso. Aquelas pessoas tornavam seus dias mais suportáveis, geravam dentro dele a força que precisava para aguentar todas as frustrações que quase o levavama ceder ao vazio que o atormentava. Embora soubesse que agora daria um grande passo, não queria depositar toda sua confiança apenas em especulações.

O policial que Emily os apresentara e o passado que Ivan descobrira apenas faziam com que Dean se agarrasse a única corda que até agora se encontrava firme; Depois de todos esses anos de busca, parecia que finalmente estava chegando ao fim do tormento. Ou eram apenas suas esperanças o dominando como ocorreram tantas outras vezes?

Dean balançou a cabeça, negando-se a deixar que seu emocional imperasse contra ele. Teria o controle, agiria com cautela e cada passo dado seria bem planejado, tendo sempre uma alternativa extra. Desta vez, iriam concluir o que já se tornara um círculo vicioso e teriam a paz que sempre almejaram, embora para alguns do grupo aquilo não fizesse a menor diferença.

Observando os companheiros se comportado como uma família, pegou-se imaginando como seria sua vida sem aquelas presenças. Até aquele momento, jamais cogitara os caminhos dos demais depois que tudo chegasse ao fim. Chester se livraria muito bem de qualquer problema que se metesse; Emily e Ivan eram os segundos a ter o controle sobre o próprio destino; Ambrose, este era alguém que Dean pouco podia formular um julgamento, todavia acreditava que ele investiria em seus talentos de perspicácia e, por último, Alan. Apesar de toda a sensibilidade que ele guardada, sabia que agora havia se tornado o mais próximo de família que o rapaz tinha. E, de repente, abandoná-los lhe pareceu extremamente errado. Dean era grato a eles, e simplesmente não os deixaria partir.

– Solte-me, Chester, que viadagem! – Ouviu a voz de Alan ao longe, e mirou a cena: Os braços de Chester prendiam o corpo de Alan ao dele enquanto que, em um gesto infantil, o maior tentava alcançar o rosto irritadiço do menor com beijos.

E Dean sabia que não demoraria muito tempo para ambos estarem se estapeando como duas crianças malcriadas. Desfazer-se dessa rotina agitada e normal, definitivamente, seria impossível.

– São duas crianças, não é mesmo? – Emily sentou-se ao lado do chefe, admirando-lhe o leve repuxar dos lábios. – Sabe o que eu acho? Que mesmo Alan negando os carinhos de Chester, ele anseia por isso. Os dois se amam!

– Todos nós sabemos disso.

– Então, venha! – Emily puxou Dean pela mão, levando-o até o grupo. – Esta pode ser sua última oportunidade de estar com todos nós.

E embora quisesse negar, Dean sentiu a verdade nas palavras de Emily. Eu vou encontrá-lo, Sammy. Espere por mim.


Continua...


Notas finais
Agradecemos a leitura e esperamos ansiosas as opiniões de vocês. Qualquer dúvida, crítica construtiva, sintam-se à vontade. Estamos abertas as sugestões de todos.
Até o próximo capítulo!
Kaay e With.