Marcado
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Pois é, o capítulo demorou muito para sair dessa vez... Não era para ser assim, mas eu (Kaay) tive um problema de saúde e tive que ficar afastada de algumas coisas por um período de tempo (nem respondi os comentários anteriores... que vergonha!). Já estou melhor, e por isso estamos aqui postando mais um capítulo!
Vimos que no capítulo anterior vários leitores novos apareceram, ficamos muito felizes! E leitores fantasmas, não tenham medo da luz! Sigam pelo mesmo caminho! É sempre muito legal ler e saber a opinião de todos vocês :)
Agradecemos a todos o carinho e paciência desde já! Desejamos uma boa leitura a todos, e nos vemos nas notas finais.
Capítulo 13
Já passavam das três da manhã quando o telefone tocou. Castiel se remexeu na cama, e, ainda que bastante sonolento, levantou-se e caminhou em direção à sala para atender a ligação. Ouviu as poucas palavras com o coração entalado na garganta, e, em poucos segundos, Castiel viu o mundo desmoronar ao seu redor.
─ Sinto muito, Castiel. Ele já estava morto quando chegamos.
(...)
Castiel viu o corpo de Richard caído junto à calçada. Ele estava com o rosto pálido e sujo de sangue. A sua roupa estava retalhada em cortes compridos e disformes e a camisa cinza pendia em frangalhos, exceto nos pontos em que estava grudada no corpo manchada de um vermelho escuro e sombrio. Uma das pernas de Richard se contorcia numa posição antinatural e o osso estilhaçado que varava a pele era muito, muito branco.
Castiel ficou parado, sem conseguir desviar os olhos dele, da camisa cinzenta, do sangue vermelho, do osso branco. Fitava-o como um diagrama que gostaria de compreender. Estava em choque profundo, mas mesmo assim conseguiu se desvencilhar dos braços de Bobby e correr em direção ao amado. Inclinou-se e segurou a cabeça de Richard entre os dedos trêmulos, deixando que, pela primeira vez, as lágrimas caíssem de seus olhos.
─ Castiel, venha comigo. ─ Bobby chamou de forma calorosa. ─ Eles precisam retirar o corpo.
Castiel assentiu e soltou a bela face de Richard, mas antes de se levantar, inclinou-se e beijou os lábios do amado uma última vez, sem se importar em sujar a roupa de sangue.
─ Venha, vamos. Seja forte. ─ Bobby o guiou até sua viatura e tentou ajudá-lo a se acomodar no banco do carro. ─ Sente-se, Castiel. Você está tremendo. Vou pegar um agasalho para você.
Castiel abanou a cabeça, decidido. ─ Eu estou bem. ─ Respondeu com a voz fraca. ─ Quantos foram?
─ Três. Nós pegamos um deles. ─ Bobby explicou, apontando para uma viatura da polícia que estava estacionada um pouco mais adiante. ─ Os outros fugiram, mas não se preocupe, Castiel, nós vamos encontrá-los.
─ Não. Não vamos encontrá-los. Eles já estão bem distantes daqui.
─ Ainda não sabemos se são eles. Pode ser que...
─ Eu tenho certeza.
─ Mas...
─ O modo como... O modo como cortaram a perna dele... ─ Castiel começou a narrar, mas então voltou a soluçar.
─ Castiel...
─ É um padrão, Bobby. ─ Continuou, tentando retornar ao seu argumento. ─ É sempre assim que achamos suas vítimas. Fernandez pode nos dizer melhor. Quando ele vai chegar?
Bobby suspirou. Sim, ele tinha suas suspeitas, porém, o que ele mais queria agora era que Castiel se sentasse e tentasse se acalmar. Bobby sabia como era perder alguém amado, mas Castiel não seria de grande ajuda se não se acalmasse. ─ Eu já o chamei. Nós os encontraremos, Castiel.
O policial Laser tentou manter seu equilíbrio, e seus olhos estavam fixos na sombra do indivíduo que estava sentado no carro da polícia. ─ Eu tenho que...
─ Tem que se acalmar. ─ Bobby o cortou, tentando fazer com que ele se sentasse. ─ Castiel, você não precisa...
─ Eu preciso! ─ Gritou e então empurrou o chefe com o pouco de força que ainda lhe restava. ─ Que droga, Bobby! Ele era meu noivo! Ele era tudo que eu tinha! Ele era...
─ Shhh... Tudo bem. ─ Bobby falou, abraçando o corpo trêmulo de Castiel. ─ Ele era sua vida, Castiel. Eu sei que era. Vai dar tudo certo. Vamos pegá-los. ─ Confortava-o, enquanto acariciava as costas do moreno.
─ Senhor! ─ Um policial distante chamou. ─ O policial Fernandez acabou de chegar e deseja falar com o senhor.
─ Eu já volto, Castiel. ─ O mais velho falou, desvencilhando-se do abraço. ─ Fique sentado, por favor.
Castiel se sentou no banco do carro de Bobby e deixou que mais algumas lágrimas caíssem de seus olhos.
─ Eu lhe avisei, Richard! ─ Explodiu, com o tipo de sofrimento que só os parentes e amigos íntimos conseguem acumular numa situação dessas. ─ Já fazia meses que eu vinha lhe avisando! Você não poderia ter saído sozinho. Não era seguro!
As lágrimas voltaram e com elas uma vontade incontrolável de buscar justiça. Levantou-se com dificuldade, e quando começou a andar em direção a viatura policial na qual o suspeito se encontrava, Bobby apareceu e lhe segurou pelos ombros mais uma vez.
─ Castiel. ─ Bobby chamou. ─ Não adianta fazer nada agora. Você não está em condições. Venha, vamos tirar essa sua camisa e limpá-lo.
Castiel negou com a cabeça. Por algum motivo, essa era a última coisa que ele gostaria de fazer.
─ Vou voltar para a casa.
─ Está bem. Eu te levo.
─ Não... Eu... Eu vou sozinho.
Chegou a casa e soltou um suspiro profundo. O cabelo negro estava grudado na cabeça e metade de seu rosto estava borrado de sangue seco. Caminhou para o quarto e lentamente começou a despir sua roupa. Apalpou por um instante os botões da camisa, mas depois resolveu não tirá-la. Deitou na cama, agarrou a camisa com força e aos poucos, dolorosamente, recomeçou a chorar.
(...)
O relógio na parede da sala marcava exatamente duas horas da tarde. Castiel olhava para ele como se fosse o objeto mais fascinante já inventado pelo homem. Fazia três anos desde a morte de Richard e aquela lembrança ainda estava muito viva em sua mente.
Uma parte de si havia morrido naquela noite. Castiel sabia que nunca se esqueceria do amado. Nunca se esqueceria de seu sorriso. E, mas do que isso, Castiel tinha a sensação de que nunca amaria alguém do mesmo modo intenso que amou Richard.
Havia sido um grupo chamado “Cobras da Noite”, um bando de assassinos e drogados que saíam matando as pessoas que cruzassem seus caminhos. Castiel e mais alguns policiais perseguiram esse grupo por quase sete anos. Na verdade, aquele fora seu primeiro caso de repercussão nacional e a busca se estendeu durante muito tempo.
No começo das investigações, Castiel não dera muita atenção às ameaças que eles recebiam. Ele era jovem e queria mostrar serviço. Mas os anos foram passando e as ameaças continuaram e ficaram cada vez mais sérias e perigosas até chegar ao ponto extremo de a irmã de Fernandez, Lydia, ter sido raptada, violentada, torturada e morta.
Há quatro anos, quando fora escolhido para ser o responsável pela captura de Dean Winchester, Castiel achou que as ameaças contra ele iriam terminar. Ele não era o responsável por aquele caso, Fernandez era, mas ele havia ajudado a capturar e a prender alguns dos membros do grupo. Ele avisara Richard sobre os cuidados que ele deveria ter. Sobre quais os lugares seguros para ir e aqueles que deveriam ser evitados.
Ele sabia que poderia ter feito mais. Culpava-se pela morte de Richard todos os dias.
Suspirou ao se lembrar do amado. Tão doce, tão belo, tão cheio de vida. Castiel às vezes se perguntava por que fora a vida dele que havia sido tirada daquele mundo. No fundo, ele sabia da verdade. Sabia que o grupo “Cobras da Noite” fizera aquilo como um último aviso, do mesmo modo que haviam feito com a irmã de Fernandez. E era por isso que Castiel tinha medo de se relacionar novamente. Não queria, ou melhor, não podia colocar outra vida em perigo.
Há pouco mais de cinco meses, o policial Fernandez e sua equipe haviam conseguido prender o chefe do grupo e mais alguns comparsas, e tudo agora não passava de tristes lembranças. Aquele capítulo havia chegado ao fim e agora Castiel tinha que se preocupar com Dean Winchester. E parecia que toda a sua carreira, e toda a sua vida, giravam em torno desse caso.
(...)
─ Você acha que esse tal de Castiel é o policial envolvido na morte de seus pais? ─ Alan perguntou ao chefe, enquanto o observava trabalhar e riscar algumas ideias num papel amarelado.
─ Eu não sei. ─ Dean respondeu com calma. De nada adiantava tomar decisões precipitadas. Ele não estava lidando com qualquer pessoa. Castiel era um policial e pareceu ser bastante inteligente e esperto. ─ Mesmo assim, ele deve ser interrogado.
Alan se remexeu na cadeira em que estava sentado, incomodado. Ele sabia o que aquilo significava.
─ Você não acha arriscado demais ir atrás de um policial? Quero dizer...
─ Você nunca duvidou do meu trabalho, Alan. ─ Dean atropelou-lhe o que quer que viesse a seguir, virando-se para fitar o menor. ─ O que foi agora?
─ Desculpe-me, chefe. Não foi nada. ─ Meneou a cabeça, levantando-se da cadeira. ─ Eu vou terminar de arrumar as coisas. ─ Disse, e saiu sem olhar para o chefe.
Alan caminhou até o pequeno quarto que era usado como arsenal e se inclinou na parede para retomar a respiração. Não havia nada que ele não fizesse para ajudar Dean, mas ultimamente as coisas estavam ficando difíceis para ele. Acreditava que deveria ter algum outro modo de conseguir as informações, de conseguir o que quer que fosse sem precisar agir como assassinos, porém de nada adiantava tentar argumentar com Dean.
Fechou os olhos e apoiou a cabeça na parede fria, um aperto repentino instalando-se em seu peito. Lembrou-se dos pais e começou a chorar. Ele sabia que não era esse tipo de pessoa que seus pais gostariam que ele se tornasse, mas não havia mais nada a ser feito. Não podia abandonar o barco agora que a tempestade estava prestes a findar. Não quando se deparavam com informações novas e concretas.
─ O que você está fazendo? ─ Chester perguntou de repente, surpreendendo Alan que abriu os olhos, assustado.
─ Agora não, Chester. Vá embora. ─ Retrucou, limpando os olhos com as costas das mãos.
Chester o fitou, observando-o por alguns segundos e um carinho inesperado começou a preencher seu coração. O que era, por sua natureza, muito incomum acontecer. Porém, o que se encontrava em questão era Alan. E isso era o suficiente para mudar sua personalidade. Ele gostava de provocar Alan, sabia que o garoto era fácil de irritar, mas vê-lo chorar era algo que ele não suportava.
─ Hey... Vem aqui. ─ Chamou, com uma voz inesperadamente rouca e cheia de preocupação.
─ Não... Eu não quero me irritar... Não agora, Chester... Deixe suas brincadeiras para depois. ─ Alan permaneceu relutante, tentando achar o caminho da porta. Evitava encarar Chester naquele momento.
─ Eu não... Alan... Vem aqui... ─ O mais velho pediu mais uma vez, abrindo os braços para receber, por fim, o corpo trêmulo do colega. ─ Tudo bem... Vai ficar tudo bem. ─ Dizia, enquanto acariciava os cabelos do menor. ─ Me desculpe, está bem?
─ Porque está pedindo desculpas? ─ Alan interrogou com a voz abafada.
─ Por você estar sofrendo e por achar que eu... Bem... Por achar que eu não me importo.
Alan se desvencilhou do abraço e fitou o rosto de Chester com olhos surpresos. Tinha alguma coisa muita errado com aquele homem. ─ Você se importa?
─ Claro que sim. ─ O mais velho respondeu e com a ponta de um dos dedos começou a acariciar delicadamente uma das bochechas do belo rosto de Alan. ─ É claro que me importo.
─ Mas... – Antes de conseguir terminar a frase, Alan sentiu os lábios de Chester sobre os seus. Um beijo doce e delicado, tão diferente daqueles que ocasionalmente trocavam em meio a provocações. ─ O... O que foi isso? ─ Perguntou ao término do gesto incomum, ainda perplexo com a atitude do mais velho.
─ Apenas queria te mostrar que eu me importo. ─ Chester respondeu de forma calma. ─ Vamos, arrume as coisas. Partiremos em cinco minutos.
─ Você sabe para onde vamos? ─ Alan perguntou, ainda um pouco surpreso pela mudança de atitude do colega.
─ Não exatamente. Dean falou algo sobre “agir o mais rápido possível”. Eu não sei o que isso significa. ─ Chester admitiu. ─ Mas se você quer minha opinião, acho que vamos atrás desse tal de Castiel. ─ Disse, e então se retirou da pequena sala.
(...)
Carlos estava catalogando as novas encomendas quando sentiu uma presença atrás de si. Franziu o cenho, mas, a princípio, decidiu ignorar quem quer que fosse.
Pegava uma arma de cada vez do baú, e, em um pequeno caderno de capa escura, anotava todo o conteúdo que encontrava. Essa era a parte chata de seu trabalho, mas Carlos sabia muito bem que não podia reclamar.
Sentiu a sombra se remexer atrás de si e soltou um suspiro.
─ Você não deveria estar aqui. ─ Falou, sem se dar ao trabalho de se virar. ─ Se ele te encontrar perambulando por aí enquanto recebemos visitas... Digamos que... Que ele vai ficar muito... Chateado. E você sabe como ele fica quando está chateado com alguma coisa... Ou alguém.
Carlos percebeu a sombra se aproximar, como se o aviso não tivesse surtido o efeito desejado, e, segundos depois, estava sentado ao lado de um adolescente de cabelos escuros e olhos assustados.
─ Não me olhe com essa cara. ─ Pediu, tentando continuar o trabalho mesmo com a presença o incomodando. ─ Você sabe que não pode sair de seu quarto em ocasiões como essa. Sabe que não pode ser visto.
O adolescente abaixou a cabeça e fitou o baú cheio de armas. ─ Eu...
─ Por favor, não diga nada. ─ Carlos o cortou sem cerimônia. ─ Porque você... Porque você não volta para o seu quarto? Se você voltar para lá agora mesmo, eu não contarei que você andou perambulando pela casa, sim? ─ Confortou-o, vendo que o rapaz ainda possuía medo nos olhos.
O jovem assentiu e se levantou de forma derrotada. Caminhou até uma porta lateral e se virou para fitar Carlos mais uma vez. Por um segundo, pareceu que iria dizer alguma coisa, mas nenhuma palavra saiu de sua boca.
─ Volte para o quarto. ─ Insistiu na ordem, começando a se sentir impaciente. ─ Como eu disse, eu não vou dizer nada para ele.
O jovem se virou mais uma vez e, então, seu corpo se perdeu na escuridão do corredor frio e estreito que levava até os aposentos daquela casa sem vida.
Notas finais
Obrigada por lerem! Espero que tenham gostado, e qualquer dúvida, perguntem nos comentários. Digam o que gostaram, o que não gostaram, o que poderia melhorar, critiquem construtivamente. Isso ajuda e inspira as autoras!
Novamente, perdoe-nos pela demora, podem descontar tudo em mim (Kaay) dessa vez hahaha.
Até o próximo!
Beeeijos
Kaay e With
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