Marcado

12 Capítulo 12


Notas iniciais
Olá amores de nossas vidas! Tudo bem com vocês?

Pois é, sou eu a cara de pau da With que vem lhes trazer o capítulo e dar explicações (como sempre). Demoramos mais tempo para postar porque como sempre minha vida está uma correria só, mal tive tempo de conversar com a Kaay e escrever o capítulo para vocês de tantos trabalhos e provas! É, minha gente, curso técnico né facil não... Fui enganada!

Mas enfim, chega disso não é? Vimos que no capítulo anterior vários leitores novos apareceram, ficamos muito felizes. E leitores fantasmas, não tenham medo da luz! Sigam pelo mesmo caminho!

Agradecemos a todos o carinho e paciência desde já! Desejamos uma boa leitura a todos, e nós vemos nas notas finais.

Marcado

Capítulo 12

Carlos abriu a porta e uma escuridão gélida o envolveu, de modo que era impossível enxergar qualquer coisa ao seu redor, exceto por uma lâmpada branca num canto mais afastado. Não estranhou, pois já estava acostumado àquilo. Podia visualizar o contorno de uma mesa de madeira, mas tudo o que estava atrás era impossível de se ver. Ficou parado a alguns passos distantes da porta, e então ouviu a voz que tanto conhecia se dirigir a ele:

– Você e seu jeito cauteloso... – O dono da voz girou-se na cadeira, encarando Carlos com um sorriso maldoso nos lábios. – Mas está atrasado, e sabe que eu odeio que me façam esperar.

O até então policial aproximou-se receoso, um suor frio percorrendo desde a nuca até as pontas dos dedos dos pés. A presença daquele homem era sufocante e, apesar de conhecê-lo e trabalhar com ele há pouco mais de três anos, nunca conseguiria se sentir confortável o suficiente perto dele.

– E, então, o que tem para mim? – Mesmo na penumbra da sala, Carlos acompanhou o entrelaçar dos dedos em sinal de ansiedade.

– Parece que nosso trabalho não é mais tão seguro assim. – Carlos respondeu trêmulo, embora soubesse que seus esforços para disfarçar fossem inúteis. Mesmo assim, ele tratou logo de reassumir sua posição perante o homem. – Alguém nos dedurou.

– Malditos! – O homem cuspiu as palavras, levantando-se irritado. – O que mais eles descobriram sobre nós? Não vá me dizer que...

– Não! Quanto a isso é segredo, ninguém sabe nada sobre isso. – O suposto policial afirmou rápido. – Pelas minhas pesquisas, Dean Winchester deu um jeito de cortar a corda da escalada. E me admira saber que ele ainda não veio logo nos procurar.

– Aquele imbecil sem notar está nos ajudando. – O homem sorriu mais uma vez, e diferente: Havia um resplandecer malicioso no gesto como seus lábios se curvaram. – Mas pelo que sei, ele é bastante inteligente assim como o pai dele, e você... – Aproximou-se de Carlos, dedilhando o rosto jovem e bonito com a mão.

Ele nunca se cansava de Carlos, ele era seu braço-direito em todas as ocasiões e estava ali apenas para servi-lo com o que pedisse. Uma criança promissora, aos seus olhos, e que se valia à pena investir. Percebeu quando o mais novo retesou, nas sobrancelhas um claro sinal de que aquilo não havia o agradado. E de qualquer forma não importava. Ele mandava, ele ditava como seriam as regras e jamais alguém escaparia de seu controle e poder. Seu maior atributo era o perfeccionismo, e irritava-o saber que um de seus melhores brinquedos rejeitava-o.

– O que foi? Por acaso está preocupado?

– Suas encomendas já chegaram? – Carlos desvencilhou-se do assunto que viria a seguir, e rumou para o canto da sala, exatamente onde ficava o baú com as mercadorias que ele comprava. – Recebi um aviso que estariam aqui antes do anoitecer, é estranho se atrasarem tanto.

O homem de estatura média ergueu uma sobrancelha, e desenhou nos lábios um sorriso de pura irritação. Alguma coisa estava errada com Carlos, ele só não sabia identificar o que era.

– Tudo está aqui. – Ele respondeu desinteressado, e em um gesto rápido colocou-se a frente de Carlos, impedindo que ele se esquivasse novamente. – Eu não gosto de ver minhas crianças se afastando de mim.

– Não tenho motivos para isso, mas como o senhor o deixa solto seria muita tortura psicológica para ele se nos visse dessa forma. – Carlos sorriu, sabendo atingi-lo em um ponto extremamente delicado para o seu superior. Sempre que o mencionava em uma conversa, a expressão que assumia o semblante dele era deveras divertida.

– Aonde quer chegar? – Afastou-se do mais novo, tomado o cuidado de analisar cada linha que traçava o rosto de Carlos. Mesmo sendo seu braço-direito, não poderia descansar os ombros enquanto não descobrisse a verdade.

– Que se você não ficar de olhos bem abertos... – Enquanto falava, Carlos inclinava-se de encontro a ele, desta vez trazendo um olhar sugestivo. – Sua criança favorita pode, acidentalmente, se tornar a par de tudo. Entendeu?

– Carlos, vou te avisar uma coisa... – Ele gesticulava nervoso, sentindo o rosto aquecer ferozmente. – Se está pensando em me trair, você vai se arrepender.

– E por que eu faria isso? – Carlos riu divertido, caminhando para a porta e repousando a mão sobre a maçaneta. – Você paga melhor. – Lançou ao homem uma piscadela, e do lado de fora pode ouvi-lo o maldizer de todas as formas que ele sabia. Não conteve o riso, aquele sim seria uma ótima oportunidade de, lentamente, fazê-lo entender quem dava as cartas.

(...)

Finalmente estava no conforto de casa. Acendeu a luz ao entrar, e colocou as chaves na mesinha de vidro como de costume. Rendeu-se ao sofá, inclinando a cabeça. Todas as perguntas de Emily martelavam em sua mente, algo no teor de voz da mulher não lhe soavam mera curiosidade. Poderia estar sendo arredio ou paranóico, porém quando se tratava de mentiras Castiel sabia muito bem reconhecer. Ele era um policial e seu dever era oprimir qualquer tipo de desconfianças ou planos ruins. Apesar de ter sido um encontro agradável, possuiu uma aura perturbadora e insistente. E algo em seu instinto policial lhe dizia que devia mais atenção a isso.

Era curiosidade demais para apenas uma noite, e por mais confiança que Emily lhe inspirasse, Castiel jamais revelaria algo sobre sua vida tão banalmente. Ele era um homem reservado, escolhendo antes por guardar quaisquer segredos a compartilhá-los com alguém. Aprendera que devia se conservar, Richard o ensinara a ser dessa forma. E, embora seu antigo amor não pertencesse mais ao mesmo mundo que ele, atribuíra e resguardava alguns requintes deixados. Dessa forma, moldara sua personalidade.

Encostou a cabeça às costas do sofá, fechando os olhos em puro sinal de cansaço. Aquele encontro demorara mais tempo do que previra, embora de forma alguma o recriminasse. Gostava da companhia de Emily, e muito, entretanto sentia que ainda assim algo suspeito emanara da bela mulher durante todo o jantar. Desde sua chegada ao momento da despedida, onde acabara acompanhando Emily em casa, aproveitando para assim comprovar que ela não estava mentindo quando disse que de fato morava no bairro de Westwood.

Por uma razão irracional, Castiel tomou em mãos o celular e fitou por longos minutos a tela apagada do aparelho. A vontade de retornar a investigar mais sobre aquela ligação ameaçadora invadiu-lhe o ser, e sem perceber pegou-se com o número gravado pronto para ser chamado. Estaria ele ficando ligado demais aos problemas? Meneou a cabeça, largando o aparelho ao seu lado. As horas avançavam demasiadamente para que Castiel se preocupasse com isso agora. Seu corpo implorava por um bom banho e uma boa noite de descanso, ou pelo menos o que restara dela.

Caminhou até o quarto com passos calmos, o cômodo encontrava-se totalmente escuro apesar de um feixe de luz perturbar a penumbra. E ao entrar, uma aura confortável o abateu. Era tudo do que ele precisava para fechar o dia exaustivo, mesmo que tivesse aberto mão do trabalho exclusivamente para ter um encontro mais agradável com Emily. Retirou o paletó e abriu os botões da camisa preguiçosamente, a cama parecia chamá-lo com mais afinco. Sentou-se nela, afundando o colchão com seu peso, e alguma coisa sobre os lençóis incomodaram sua atenção: Havia um envelope pequeno, pardo e fechado que consequentemente ele se lembrava de não estar ali quando saíra de casa.

O policial analisou-o minuciosamente e abriu-o, retirando de dentro uma folha ofício. Acendeu a luz do abajur, facilitando-lhe a visão. E ao deparar-se com a imagem, suas mãos instintivamente começaram a tremer. Os olhos dançavam com euforia pela imagem que lhe fitava tão sarcasticamente. Ao fundo preto do papel, encontrava-se uma foto de Emily segurando sua mão e um sorriso altamente intencionado sobrepujava os lábios da bela mulher loira, enquanto ele apenas se capacitava em manter uma distância segura naquele cenário.

Porém, não era que o deixava surpreso e sim o fato de que, em poucos minutos depois do término do encontro, aquela foto viera ser depositada sobre sua cama de forma tão rápida. Virou a foto, olhando o verso e letras elegantemente desenhadas escreviam um breve recado a ele: “Os segredos não permanecem calados por muito tempo. Logo, a verdade vem à tona, revivendo os fantasmas que tanto nos esforçamos para esquecer.”

Não havia assinatura, porém usando um pouco de sua capacidade profissional, Castiel tinha uma ligeira ideia de quem seria o remetente. Agora, ele só precisava descobrir o porquê de tamanho interesse em desarmá-lo, mesmo que ainda não declaradamente.

(...)

Enquanto pensava na cena que o policial estaria passando, Dean permitiu que um sorriso zombeteiro adornasse seus lábios. Jamais pensou que, finalmente, alcançaria tão rápido seu próximo alvo. Entretanto, Castiel Laser não era um homem comum. Ele possuía aptidões distintas, treinadas e específicas, e, todavia, não seria fácil capturá-lo como fizera certeiramente com os anteriores. Não... Castiel era uma pista valiosa, e arriscado seria para seus planos deixá-lo solto por muito tempo.

Portanto, ordenara a Ivan que enviasse um pequeno presente, apenas um gesto singelo a Castiel para demonstrar o quão grato estava. Agora, definitivamente tinha o policial em mãos e miras concentradas. Bastava apenas que Dean puxasse o gatilho! Contudo, a brincadeira estava começando e a diversão ainda ansiava para fazê-los arfar de contentamento, pelo menos era com que Dean se preocupava.

– Então, chefe, tudo bem? – Alan aproximou-se do Winchester, observando a expressão satisfeita do homem de cabelos loiros. Imediatamente, percebeu o quanto sua pergunta era retórica.

– Precisa mesmo que eu responda? – O sorriso ainda imperava nos lábios de Dean, enquanto uma de suas sobrancelhas se arqueava incrédula. – Esperei tanto, Alan, e desta vez nós não iremos perdê-lo de vista.

– Sim... – Alan concordou desconcertado, abaixando os olhos para qualquer ponto fixo do quarto. – Finalmente você está conseguindo, Dean.

– Algo errado? – Interrogou, estranhando a forma como o companheiro se comportava. Deu um passo, porém Alan se esquivou. – O que foi, Alan? Você está esquisito.

– Não é nada, desculpe. – Alan tentou sorrir, evitando demonstrar o quanto aquele método não o agradava. Infelizmente, sua personalidade assassina e obsessiva não havia despertado, fazendo com que ele se sentisse diferente de todos ali. Como Chester dizia: Você precisa parar de pensar nessas frescuras, parece uma bicha! Seja homem! Mesmo chateado, seus passos jamais se voltariam. – Vou preparar os quartos.

– Alan... – Dean o chamou, prendendo a atenção do rapaz. – Se você quiser desistir, a hora é essa. Não estou te obrigando a nada, sabe disso. – Apesar das palavras duras e olhares gélidos, ele sabia desde o início que em algum momento Alan iria fraquejar. Afinal, ele era diferente de todos ali.

– Não se preocupe, Dean. – Desta vez, Alan foi firme em sua resposta. – Eu estou com você, vamos encarar isso juntos. – E antes que o chefe exclamasse mais alguma coisa, ele achou melhor sair.

Dean soltou um longo suspiro, passando os dedos entre os cabelos. Preciso cortar. Ele conversou consigo, descansando o corpo no colchão macio da cama. As circunstâncias obrigavam-lhe a ter uma boa noite de sono a partir de agora.

Continua...



Notas finais
Obrigada por lerem! Espero que tenham gostado, e qualquer dúvida pode nos falar. Digam o que gostaram, o que não gostaram, o que poderia melhorar, critique construtivamente. Isso ajuda e inspira as autoras!
Novamente, perdoe-nos pela demora, podem descontar tudo em mim (With).
Até o próximo!
Beeeijos

Kaay e With