Marcado
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Finalmente trouxemos mais um capítulo de "Marcado", desculpem nosso atraso, a culpa é sempre minha (With). Betado por nós e esperamos que gostem. Qualquer erro, é só avisar.
Agradecemos todo o carinho de vocês, e leitores fantasmas apareçam! Não tenham medo e sigam para a luz também!
A todos: Boa leitura!
Marcado
Capítulo 11
Emily tentava manter um semblante calmo e menos esperançoso sobre o que viria a seguir. Ela estava definitivamente preparada para conduzir aquela conversa. Na verdade, ela havia esperado muito tempo por um momento como aquele, um momento em que finalmente poderia mostrar tudo o que era capaz de fazer, e o mais importante: Ela sabia que Dean estava observando-a.
E ela definitivamente não queria desapontá-lo.
Emily havia batalhado muito para conseguir fazer parte daquele grupo. Ela superou a desconfiança de todos e embora soubesse que sua aventura ainda estava iniciando, ela se sentia preparada e confiante para responder a qualquer chamado de seu chefe.
E seu chefe precisava que ela conseguisse informações importantes do homem sentado ao seu lado, mesmo que talvez a tornasse uma mulher insistente.
— Eu tive o prazer de observar, em uma das visitas que lhe fiz a delegacia, como esse caso em particular é muito importante para você e para a sua carreira. — Ela afirmou com cuidado, sabendo que o segredo para conseguir aquilo que queria era se manter calma e concentrada, afinal estava no meio de seu expediente e precisava obter feitos significativos. — E, bom... Eu sei que você deve estar, até certo ponto, frustrado por não ter conseguido capturar o Winchester.
Castiel franziu o cenho ao ouvir aquelas últimas palavras. E sabia que Emily tinha razão: Ele estava desapontado consigo mesmo, envergonhado até. — Não é por falta de dedicação. — O policial deixou escapar, surpreendendo a si mesmo por estar na defensiva. Havia algo em Emily que fazia com que fosse impossível esconder suas emoções. Ele tinha a ligeira impressão que aos olhos dela tornava-se completamente transparente e legível.
— Oh! Não! É claro que não, Castiel. — Ela exclamou de prontidão, voltando a colocar suas mãos delicadas sobre as do moreno a fim de apaziguar o futuro mal entendido. — É exatamente o contrário. E é por isso que eu sei que você arquivou todas as informações sobre o caso. Fez isso porque é um excelente policial, não é mesmo? — Ela desafiou sorrindo, mantendo seu olhar fixo nos azuis de Castiel.
Castiel foi apanhado de surpresa pelo rumo daquela conversa. Ele tinha se preparado para qualquer situação, menos aquela. E a verdade era que ele não sabia como lidar com tudo aquilo. Ao mesmo tempo em que queria poder trocar informações sobre seu trabalho, desabafar com alguém de fora, ele sentia que ainda era muito cedo para isso, afinal de contas, aquele era apenas o primeiro encontro com Emily. A primeira conversa real que ambos estavam tendo. E algo nela lhe despertava um cuidado excessivo em medir suas palavras, afinal seria muita falta de responsabilidade compartilhar informações com pessoas literalmente distantes do caso Winchester. Fizera um sigilo profissional, e tinha que se manter fiel a ele, mesmo que a mulher ao seu lado lhe desse todas as oportunidades de se sentir um pouco mais confortável.
— É apenas o meu trabalho. — Ele começou e deu de ombros, bebendo um pouco do vinho para molhar os lábios subitamente secos. — É normal para os policias recolherem todo o tipo de informação que possa nos ajudar em nossas buscas. Não há nada de estranho nisso.
— Oh! É claro que não, Castiel. — Emily falou, voltando a depositar suas mãos sobre as do moreno. — Eu não disse e nem pensei algo do gênero. Na verdade, eu acho muita aplicação e dedicação de sua parte fazer tudo isso sozinho. — Ela lhe lançou seu melhor sorriso, querendo passar confiança.
E Castiel não conseguiu evitar o sorriso gentil. — Eu tenho... Eu tenho um lugar especial onde guardo tudo aquilo que sei e que encontrei sobre o caso Winchester. — Confessou, sentindo as bochechas aquecerem por conta da bebida.
— É claro que tem, Castiel. — Emily concordou, sorrindo de forma doce. ― E eu espero realmente que consiga pegá-lo. Na verdade, tenho certeza de que vai conseguir. ― Ela reafirmou sua convicção e a conversa se dissipou aos poucos.
Não se passaram nem mesmo cinco minutos e Emily voltou a fitá-lo de forma curiosa. ― Diga-me, Castiel, você diria que está perto de pagá-lo? ― Ela indagou com um olhar esperançoso, mesmo sabendo que a qualquer instante Castiel poderia se aborrecer. E, sinceramente, imaginar a face tranquila e doce se desmanchado era algo que a deixava satisfeita.
Castiel meneou a cabeça, inseguro demais da situação. ― Acho que só o tempo é capaz de responder a essa pergunta.
Ela voltou a sorrir, levemente desapontada com a resposta, e assentiu com a cabeça. ― Foi o que eu presumi. ― Disse. ― Você sabe onde ele está agora?
― Tenho minhas desconfianças. Mas já me enganei antes.
Caiu um silêncio sobre a conversa. Emily baixou os olhos para suas mãos, remexendo e girando um anel que tinha no dedo. Castiel vislumbrou prata e uma pedra verde-clara, que de certo modo combinava com o broche que ela estava usando. De repente, ela soltou as mãos ao longo do corpo e ergueu os olhos para ele, ansiosa. Ela sabia que se continuasse fazendo perguntas diretas apenas receberia respostas curtas, tímidas e evasivas, e o objetivo era totalmente ao contrário. Encontrava-se ali com o intuito de fazer com que o policial se sentisse a vontade e lhe contasse segredos. Com certeza Dean ficaria feliz, e em contrapartida ela poderia mostrar que não possuía apenas um rosto bonito.
― Posso lhe perguntar algo que vem martelando em minha cabeça? E desculpe se estou sendo muito atrevida. Acho que estou fascinava por você. — Ela disse, desviando o olhar e fingindo estar envergonhada.
― Claro que pode. O que quer saber?
― É pura curiosidade. Eu queria saber o que fez você aceitar ser o responsável de um caso tão importante como esse. Não que eu ache que você não mereça ou que não seja capaz. Longe disso. ― Ela explicou-se, apressada. ― Mas eu não posso deixar de me perguntar.
Castiel se remexeu desconfortável. Aquela conversa em particular não o estava agradando. Não era para ser de conhecimento de ninguém o motivo pelo qual ele era o responsável pelo caso Winchester, isso apenas dizia respeito a ele. Fitou o rosto de Emily e se perdeu em seus olhos castanhos, admirado por tanta beleza. Ele queria poder confiar nela. Ele queria poder voltar a confiar em qualquer outra pessoa, mas ainda era cedo. Aquela ferida ainda não havia cicatrizado.
— Não escolhemos os nossos casos. — Ele começou, tentando parecer o mais verdadeiro possível. — Eu não pedi para ser o encarregado do caso Winchester, mas creio que meu chefe acredite em minhas habilidades para capturá-lo.
Não houve muita mais conversa depois disso, e Castiel estava aliviado. Em seu pouco conhecimento sobre encontros, ele havia estabelecido algumas regras que ele havia aprendido por tentativa e erro. Nada de contatos físicos. Nada de movimentos súbitos. Nada de perguntas nem mesmo remotamente pessoais, se bem que Emily não parecia seguir as mesmas regras que ele.
Durante aquele silêncio, os olhos de Castiel vagaram pelas feições de Emily. Ela era admiravelmente encantadora, de queixo forte e olhos castanho-escuros. E um sentimento quente e reconfortante o percorreu, acelerando repentinamente os batimentos de seu coração. Talvez ele estivesse iniciando ilusões, mas que aos poucos conseguiam assumir controle sobre seus pensamentos.
— Está vendo algo que lhe interesse? — Interrogou Emily, com um teor insinuante na voz, sem se virar para ele. Ela comia de forma delicada, e dava pequenas mordidas em sua comida. O tom foi agradável, mas com uma acusação não muito abaixo da superfície.
Castiel a estivera olhando fixamente. Nem uma hora à mesa e já estava metendo o cotovelo na manteiga. — Queira perdoar-me. — Castiel respondeu, meio sem jeito. — É que... Seu rosto é muito encantador.
— É mesmo? — Indagou ela, erguendo a cabeça e desviando os olhos para ele.
Castiel fingiu examinar-lhe as feições, notando a palidez de sua pele e o cabelo loiro caprichosamente cacheado. Seus lábios eram cheios e vermelhos, sem o benefício de qualquer tintura. A linha do pescoço era orgulhosa e graciosa.
Ele balançou a cabeça, repreendendo seus instintos, e disse envergonhado: — Perdoe-me pelos meus modos.
Emily sorriu, mas não enrubesceu. Não era imune à lisonja, porém esta tampouco lhe era estranha. Na verdade, era um tanto que... Comum. — Isso foi muito gentil.
A conversa entre os dois foi interrompida pela chegada da sobremesa. Castiel provou a sua e tentou fingir apreciá-la. Com o canto dos olhos ele voltou a observar Emily.
— Esse está sendo um encontro muito agradável, obrigado por me convidar. — Castiel falou e um sorriso fugaz tornou a bailar no rosto de Emily.
(...)
— O que acha chefe? — Alan perguntou, os olhos ainda fixos na tela do computador. Parte dele havia achado o moreno sem graça e um tanto entediante, mas outra parte o havia achado gentil e correto. Alan sabia o que acontecia com as vítimas que eram capturadas e interrogadas por Dean, e ele esperava que Castiel não tivesse o mesmo destino que elas.
— Sinceramente... Não sei. — Dean respondeu de forma frustrada, um tanto que perdido.
— Eu acho que ele está caidinho por ela. — Comentou Ambrose de forma divertida.
Mas Dean balançou a cabeça em discordância. Ele não sabia muito bem o que pensar de Castiel, ele era um enigma que provavelmente seria gratificante desvendar, mas sabia que o policial não era bobo. Castiel havia mudado sua postura durante o jantar e Dean notou que havia alguma coisa por trás daquela súbita mudança de comportamento.
— Chefe? — Alan voltou a chamar, preocupado ao ver a cara do loiro.
— Continuem observando tudo e prestem atenção em cada detalhe. Eu vou falar com Ivan. – Dean levantou-se de seu lugar, e seguiu para o quarto onde encontraria seu companheiro, expressando claramente que desejava que sua ordem fosse cumprida.
Alan não se incomodou com a ordem, mas Ambrose bufou, resmungando algo parecido com: “total perda de tempo.”
(...)
— Como ela está se saindo? — Ivan indagou, assim que Dean entrou no pequeno quarto que o colega usava para suas pesquisas.
— Ela está se saindo bem. — Dean comentou, puxando uma cadeira e se sentando ao lado de Ivan. — E Ambrose acha que ele mordeu a isca.
— E você?
— Não. Eu não acho. – Dean admitiu, cruzando os braços em uma forma completamente desapontada. – Ele é mais inteligente do que isso. Eu não acredito que ele suspeite de nada, mas Castiel não está preparado para confiar nela.
— Isso, ou talvez ele simplesmente não a ache encantadora o suficiente. — Ivan falou de forma debochada, algo que não combinava com sua personalidade.
Dean arqueou uma sobrancelha. — Eu perdi alguma coisa?
— Lembra-se de que me pediu para pesquisar sobre a vida e o trabalho de nosso policial? — Ivan inquiriu, digitando algumas coisas no computador. Dean assentiu com a cabeça e esperou-o continuar. — Muito bem. Enfim, no meio de minhas pesquisas eu achei isso aqui. — Ele apertou um botão do teclado e uma declaração de imóvel apareceu no meio da tela preta.
— O que é isso? — Dean perguntou, verificando com atenção todo o material que Ivan lhe oferecia.
— Olhe com mais atenção.
— Nome dos clientes: Castiel Laser e Richard Stellman. – O Winchester começou a leitura, apertando os olhos nas letras menores. – Que ligação isso tem com o caso?
Ivan se balançou na cadeira, espreguiçando-se como um gato. — Hum... Nada. – O homem das tecnologias fingiu descaso. – Apenas achei que pudesse ser interessante saber que o nosso policial prefere homens.
Dean voltou a arquear uma sobrancelha, escondendo o leve impacto que aquela revelação lhe causara. Talvez aquilo estivesse por trás da falta de interesse de Castiel em Emily. — Você achou mais alguma coisa? Alguma coisa sobre o trabalho dele?
Ivan suspirou, desapontado. — Não achei nada de anormal. Eu passei por todos os casos que ele trabalhou desde que virou policial e não há nada de estranho em nenhum deles. Eu diria até que Castiel é um policial modelo.
Dean levantou-se da cadeira frustrado e passou uma das mãos pelos cabelos, bagunçando os fios loiros. Ele estava prestes a sair da sala quando a voz de Ivan o fez virar-se mais uma vez:
— Seu parceiro em contra partida...
— Que parceiro? – Dean voltou alguns passos, as sobrancelhas se unindo devagar. Sentindo a aura da situação, um meio sorriso começou a enfeitar seus lábios.
— Carlos Schwarcz. – Ivan entrelaçou os dedos e balançou confiante na cadeira, compartilhando da adrenalina com o chefe. – Ah, sim, esse tem muita história para contar. — Uma risada sarcástica acompanhou o sorriso divertido que bailou em seus lábios.
Continua...
Notas finais
Qualquer dúvida, crítica construtiva, opiniões e sugestões serão bem vindos.
Até o próximo!
Beeeijo
Kaay e With
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