Marcado

5 Capítulo 5


Notas iniciais
Olá,
sejam bem vindos a mais um capítulo de "Marcado".
Capítulo betado por nós mesmas, qualquer erro podem dizer. A todos que passarem por aqui: boa leitura!

Marcado

Capítulo 5

Aquela ligação que recebera ainda incomodava Castiel. O som da respiração alterada ainda ecoava em seus pensamentos, e apesar de ser a primeira vez em que a ouvia, teve a ligeira impressão de que ela era familiar.

Sentado no sofá, de frente para a televisão, o policial fixava curioso os olhos no número desconhecido, tentando decifrar através dos dígitos algo que pudesse sanar sua perturbação. Sem dúvidas, aquela não fora uma ligação à toa, existia um propósito e Castiel gostaria muito de saber. Pensou na possibilidade de uma possível retornada, mas logo abandonou a ideia. Não havia sentido para tal atitude, embora alguma coisa em seu interior dissesse que descobriria algo interessante na tentativa. Ele tinha certeza de estar deixando escapar alguma coisa.

O jornal voltou a passar, e Castiel prestou atenção nas notícias, esquecendo um pouco o celular. Apesar de poucos dias terem se passado desde a descoberta da morte de Steven Belmont, o fato ainda era de grande interesse e se repetia durante os incontáveis jornais. Talvez fosse como alerta ou para enfatizar que Dean Winchester estava mais perto do que um dia imaginaram.

A verdade era que o paradeiro de Dean Winchester o preocupava. Ele poderia estar em qualquer lugar e talvez até observasse cada pessoa que passava ao seu redor, como forma de se aproximar de possíveis ligações. Castiel sabia o que era perder alguém, em certos sentimentos, entendia completamente os movimentos desesperados de Dean, que, em quatro anos, tornaram-se muito mais frequentes.

E com um longo suspiro cansado, Castiel encostou-se ao sofá, mantendo os olhos por longos segundos no teto. Aquele dia, sem deixar passar nenhum momento, açoitou-o como ondas furiosas, trazendo trágicas e amargas recordações. Ele amara apenas uma pessoa em seus trinta e cinco anos e, de repente, tudo se desapareceu diante de seus olhos.

Tudo foi muito rápido e, em todos esses três anos, a ferida que abrira em sua alma não havia começado a cicatrizar.

Repentinamente a presença de Carlos lhe veio em mente e, embora o afastasse sabia que a companhia dele constante em sua vida poderia acalmar um pouco as lembranças, entretanto, sabia que não era certo pensar nele de tal maneira. Desde que se conheceram Carlos não deixou de mostrar interesse em sua pessoa e, agora, sozinho em casa, cogitou a ideia de estar perto dele nem que fosse para tratá-lo como sempre. Pela primeira vez, em tantos anos de convivência, Castiel se arrependera por ter rejeitado todos os convites de Carlos.

Com uma determinação repentina, Castiel procurou o número de Carlos na agenda, no entanto, estranhamente apenas ficou observando o número, sentindo toda a sua confiança esvair aos poucos. O que estou fazendo? O policial murmurou internamente, largando o celular na mesinha de centro. Não, ele nunca foi disso e não passaria a ter tal atitude agora. Não era o tipo de pessoa que buscava conforto em braços de outro apenas para esquecer a tristeza de algum acontecimento. Carlos não merecia ser tratado dessa maneira. Esquecendo o que quase fizera, decidiu que era hora de prestar um pouco de atenção a televisão, que até agora, falava sozinha.

Acomodou-se melhor no sofá, tentando encontrar alguma posição que o deixasse confortável e teria conseguido se o som da campainha não ocupasse toda a casa. Relutante, ergueu-se e caminhou em direção a porta.

— Boa noite, Cass! – Carlos disse animado assim que visualizou o amigo na porta.

— Boa noite. – Castiel respondeu, não ocultado sua surpresa. Não esperava que Carlos aparecesse em sua casa, ainda mais tão tarde. — Entra. – Abriu passagem para o colega e fechou a porta atrás de si. — O que faz aqui?

— Eu fiquei preocupado com você e resolvi te fazer uma surpresa. Veja! – Mostrou ao amigo a sacola que trouxera, contendo uma garrafa de vinho e aperitivos. — Você tem trabalhado demais, então por que não relaxar um pouco? — Indagou de forma animada.

— E o seu compromisso, Carlos? – Castiel ergueu uma sobrancelha, ligeiramente intrigado. Pelo tom da conversa que tiveram mais cedo, parecia que Carlos tinha algo de muito importante para tratar.

— Você é mais importante, Cass. – Desta vez não havia aquele tom de diversão na voz de Carlos, mas sim uma sinceridade que Castiel nunca ouvira antes.

Embora a declaração tivesse o peso dos sentimentos de Carlos, o coração de Castiel não se abalou com ela. Ele sabia que o colega merecia um pouco mais de consideração, afinal, Carlos expressava sem vergonha alguma sua paixão, contudo, as emoções que Castiel um dia sentiu foram levadas para longe. Para um lugar onde ninguém alcançaria.

Sem dizer nada, Castiel avançou até a cozinha, pegou dois copos e logo voltou para junto de Carlos, sentando-se perto do companheiro de trabalho, não se importando em estar mantendo certa distância.

— Obrigado. – Foi tudo o que conseguiu dizer, mesmo que forçosamente.

Carlos sorriu e abriu a garrafa, preenchendo os copos com o líquido escuro. O aroma do vinho infestou o local, fazendo com que o clima se tornasse mais leve, o que para Carlos significava uma pequena aproximação com Castiel. Serviu o amigo e, em seguida, sorveu a bebida, relaxando o corpo no macio sofá claro.

Castiel resolveu acompanhá-lo, afinal, não poderia voltar atrás agora que havia aceitado o convite de Carlos.


(...)


Dean ainda tinha o celular em mãos, pensando na possibilidade de ligar novamente para aquele número. A ansiedade era evidente, e por mais que estivesse com pressa, não queria colocar tudo a perder. Sammy, com certeza, esperava por ele e não poderia desapontá-lo logo agora que estava tão perto. Era a primeira vez, em tantos anos de buscas, que sentia as coisas caminharem nos rumos certos.

— Chefe... – Alan chamou-o baixo, não queria atrapalhar Dean no que quer que fosse, embora estivesse preocupado por ele estar ali desde o final da tarde.

— Alan...? – Dean voltou-se ao amigo, encarando o semblante complacente. — O que foi?

— Ela acabou de chegar.

— Certo, estou indo. – Disse, e virou o rosto, abaixando novamente os olhos para o número no visor, pensativo.

Alan sabia que deveria ir embora, o chefe já tinha deixado explícito de que dera o assunto por encerrado, entretanto, algo em seu interior o fez ficar ali, parado na porta da varanda encarando o homem que sempre admirou. Dean era a pessoa mais importante de sua vida, mesmo que fossem raras às vezes em que conversavam de igual para igual, expondo alguns pensamentos que os tiravam a concentração.

Tomando fôlego e coragem, Alan juntou-se a Dean na varanda, sentando-se ao lado do chefe, em silêncio. O Winchester não pareceu se importar e permitiu-se ficar na companhia do companheiro.

— Tenha fé, Dean... – Alan tocou, em gesto compreensivo, o ombro do chefe. — Iremos encontrar o seu irmão. É uma promessa.

Dean estava absorvendo cada palavra que aquele rapaz de alma sofrida pronunciava. Ele era uma das poucas pessoas que realmente parara para escutar seus problemas.

— Eu sei que iremos, Alan. — Por alguma razão, as palavras de Alan foram cravadas nas profundezas de seu coração. — E vingaremos sua família.

— Não precisa se preocupar com isso, Dean. – Alan sorriu, elevando os olhos às primeiras estrelas do céu noturno. — Eles estão em um lugar melhor agora, não acho que queiram uma coisa dessas.

O clima de amizade foi dissipado pelos chamados de Chester, no interior do hotel e Alan foi o primeiro a se levantar, indo ao encontro do companheiro. Dean o seguiu, deparando-se com todos de seu grupo espalhados pela sala e o sorriso da única mulher do grupo chamou-lhe a atenção.

— Finalmente, tudo está correndo como planejado. – a voz maliciosa da loira preencheu os ouvidos de todos ali, dando uma ponta maior de satisfação no Winchester.

Estivera à vida toda esperando por uma abertura como essa e, desta vez, não poderiam falhar.


(...)


Estavam se divertindo. Realmente estavam. Castiel não sabia se por conta das histórias de Carlos ou se por conta do vinho, mas a verdade é que estavam passando horas agradáveis em companhia um do outro.

— Espere... Você está me dizendo que disse a ele que era... Que era... — Era quase impossível para Castiel terminar aquela frase. A gargalhada gostosa que saia de sua boca preenchia as paredes da sala como raramente acontecera antes. Não era um som humano. Era um som melódico e ao mesmo tempo exultante, como um grito de uma ave. Um som tão bonito e único que podia durar para sempre.

— Ora, o que mais eu iria dizer? — Carlos respondeu sorrindo. Ele estava em estado de choque, tamanha a surpresa e perplexidade em ver o parceiro agir daquele jeito. O sorriso de Castiel era como o sol espiando por trás de uma nuvem.

— E ele acreditou?

— Eu posso ser muito convincente, Cass. — Respondeu, lançando uma piscadela ao mais velho.

— Eu sei bem disso. — disse, esticando a mão que segurava a taça de vinho, mais uma vez vazia. Atrapalhou-se no meio do processo, quase a deixando cair no sofá, surpreso ao ver um ligeiro tremor em suas mãos.

— Cass... — Começou, mas foi interrompido pelo som de seu celular. — Droga. Eu já volto. — Disse a contra gosto, levantando-se e andando até a cozinha.

Castiel se sentiu solitário por alguns segundos e embora soubesse como aquilo era ridículo, levantou-se e andou em direção a cozinha onde o amigo estava. Ficou parado na porta, apenas escutando a voz do companheiro de profissão, sem entender ou se interessar pelo assunto. Deve ter fechado os olhos por uns bons minutos, pois assim que os abriu se deparou com Carlos parado a poucos centímetros de onde estava.

— Está tudo bem Cass? Quer se deitar um pouco?

Ele o observou e percebeu que Carlos perguntara com sinceridade, e não apenas para querer agradar. — Eu estou bem, obrigado.

Carlos olhou para Castiel que sorriu em sua direção: os lábios finos e perfeitos esticando-se. O belo sorriso, porém, logo desapareceu assim que Castiel percebeu que os olhos castanhos de Carlos prendiam-se ora nos seus azuis, como poucos, ora em seus lábios. Percebendo a intenção do colega, Castiel nada pode fazer a não ser abaixar os olhos.

Eles estavam tão próximos que ele podia preencher os pulmões com o cheiro do perfume masculino que Carlos usava.

— Desculpe-me — Ele virou o rosto, decidido. Ele não podia se envolver com Carlos daquela maneira, não apenas por ele ser seu parceiro, mas porque, acima de tudo, ele sabia que não estava pronto.

— Eu que peço desculpas Cass. Fico alimentando uma esperança desesperada que cresce cada dia mais aqui dentro. — Disse, apontando para o próprio coração.

­— Carlos, por favor...

— Está tudo bem Cass. Acho... Acho que vou indo. — Disse, com uma expressão indiferente no rosto. Passou por Castiel e saiu pela porta da sala, sem ao menos esperar pela resposta do amigo.


Notas finais
Obrigada por lerem!
Não esqueçam de deixar sugestões, melhorias, críticas construtivas... Tudo é bem vindo e ficamos feliz em saber a opinião de vocês.
Até o capítulo 6!
Bjss :)
ps: O capítulo 6 pode demorar um pouco mais para sair... estamos ainda nas ideias iniciais :)