Marcado

6 Capítulo 6


Notas iniciais
Olá,
sejam bem vindos a mais um capítulo de "Marcado".
Capítulo betado por nós mesmas, qualquer erro podem dizer. A todos que passarem por aqui: boa leitura!

Marcado

Capítulo 6

Como combinado, Dean e sua turma se separaram e cada qual seguiu seu caminho. Não viviam em casas muito distantes, mas evitavam se encontrar o máximo que podiam. Cada um tinha uma vida para seguir, uma casa para cuidar, e era importante e necessário que conseguissem tempo para isso.

Já Dean não tinha uma casa. Pelo menos não uma que pudesse chamar de lar.

À noite o envolveu como um veludo cálido à medida que ia se aproximando de seu destino. As primeiras estrelas, diamantes candentes no céu sem nuvens, transformavam em cinza-prateado qualquer objeto que se fazia presente em sua companhia. Dean caminhou pela rua deserta até parar em frente à porta vermelha tão conhecia, mas ao mesmo tempo tão distante.

Ficou parado um bom tempo, sem saber o que fazer. Deixou que a brisa gostosa da noite o envolvesse, relaxando seu corpo e fazendo com que seus pensamentos ficassem mais claros em sua mente. Parte de si estava feliz pelo progresso que haviam feito sobre o caso, mas havia uma parte de Dean, a mais sensata talvez, que sabia que, sozinho, ele não conseguiria trazer seu irmão de volta. E a verdade é que ele estava cansado. Cansado de correr atrás de respostas.

Chocado com tais pensamentos, recriminou-se por pensar em algo do tipo. Ele nunca se cansaria. Nunca desistiria de achar o irmão. Ele sabia que Sammy contava com seus esforços e ele continuaria a fazer de tudo para encontrá-lo.

Ficou parado por mais alguns segundos, e já então com frio, resolveu terminar com a espera e abriu a porta a sua frente.

Talvez isso pareça estranho, mas depois de toda tragédia que viveu, "casa" nunca foi um único lugar para Dean. Casa era apenas um lugar com quatro paredes e um teto em que ele pudesse colocar seus pensamentos em ordem sem ser perturbado.

Quando sua família foi morta, Dean sentiu que aquilo fora mais que a perda de seus familiares. Foi como se seu mundo inteiro tivesse sido queimado até o último fiapo.

Entrou naquele que chamava de quarto e correu os olhos pelo minúsculo cômodo, com seu teto cinza inclinado e sua cama estreita de colchão duro. Surpreendentemente, percebeu que não havia nenhum outro lugar nos quatro cantos do mundo em que preferiria estar. Teve, mesmo que por alguns segundos, quase a sensação de estar em casa. Quase.

O quarto era pequeno e possuía uma pequena janela. Tinha um aroma desagradável de poeira e coisas velhas. Um de seus lados era dominado por uma pequena cama de solteiro, e no outro havia uma lareira, uma escrivaninha de madeira escura e algumas estantes com poucos livros em cima.

Deitou-se na cama, cansado de tudo que estava acontecendo, e fechou os olhos. Não tinha sido tão ruim controlar suas memórias enquanto estava na companhia de seus companheiros. A presença deles era uma distração, até certo ponto agradável. Mas, sozinho em seu quarto, ficou a mercê de sua memória e de tudo que ela era capaz de lhe proporcionar. Foi como se sua cabeça estivesse decidida a desembalar e examinar cada coisinha contundente e dolorosa que ele já tinha visto e vivido.

As piores lembranças, por incrível que pareça, não eram aquelas ligadas ao assassinato de sua família. Não era também relacionada ao homem misterioso que matara seus pais, nem aos momentos de horror e fraqueza que sentiu ao ver que seu irmão havia sido levado. Nem mesmo do cheiro forte de sangue.

Não. Essas eram lembranças ruins para Dean, mas, no decorrer dos anos, ele as havia substituídos por outras ainda mais dolorosas.

As piores lembranças eram as de sua infância. Dos braços fortes de seu pai o segurando para que não caísse. De sua voz aveludada dizendo que estava orgulhoso de suas atitudes. De sua mãe escovando seus cabelos com a delicadeza que só os seus dedos eram capazes de proporcionar. Dos braços dela em sua volta. De sua suave voz cantando cantigas enquanto ele se recusava a dormir. Dos braçinhos de seu irmão ao redor de seu corpo. Do sorriso lambuzado e inocente que Sam lhe lançava cada vez que fazia algo errado. Essas eram as piores lembranças. Lembranças preciosas e perfeitas. Lembranças que não queriam ir embora.

Dean ficou deitado na cama, o corpo tremendo, incapaz de dormir e de voltar os pensamentos para outras coisas. Incapaz de se impedir de recordar.

Minutos se passaram, e então houve uma leve batida na porta de seu quarto. Um som tão fraco que Dean só notou quando ele parou.

— Dean? Você está ai? — Alan perguntou baixinho.

Dean trincou os dentes contra os soluços e ficou imóvel, torcendo para Alan achar que ele estava dormindo e ir embora.

— Dean? — Chamou ele outra vez. — Você esqueceu seu caderno de anotações e alguns mapas no carro. Eu os trouxe para você.

Houve um momento de silêncio anormal e então Dean ouviu um som leve atrás de si da maçaneta sendo girada. A luz suave das estrelas que entrava da pequena janela mostrou a sombra de Alan na parede oposta assim que ele entrou no quarto.

Dean sentiu o colchão afundar-se quando Alan se acomodou nele. Uma mão firme e fria roçou o lado de seu rosto com hesitação.

— Está tudo bem — Disse ele, baixinho. — Venha cá.

Dean começou a chorar baixo e Alan gentilmente o trouxe para perto, até deitar sua cabeça em seu colo.

— Eu sei. Às vezes é ruim, não é mesmo? — Murmurou com a voz tristonha, afastando seus cabelos dourados da testa, as mãos frias sobre seu rosto quente.

Afagou meigamente o cabelo do chefe, o que só o fez chorar mais. Dean não conseguia se lembrar da última vez que alguém o tocara de forma tão amorosa.

— Eu sei – Repetiu ele de forma carinhosa. — Você carrega um peso muito grande, Dean. Mas você não precisa ficar sozinho por causa disso. Devia ter me procurado. Eu compreendo.

O corpo de Dean se contraiu ao ouvir aquelas palavras. — Eu sinto saudade deles — falou, antes de se dar conta de estar falando. Trincou os dentes e balançou furiosamente a cabeça.

— Você pode falar — disse Alan, com ternura.

Dean tornou a balançar a cabeça e, de repente, as palavras jorraram de dentro de si:

— Minha mãe dizia que eu era a felicidade de sua vida. Já meu pai dizia que sempre estava orgulhoso de mim. E meu irmão... — Dean engasgou e voltou a trincar os dentes.

— Pode falar Dean. – disse Alan, encorajando-o. Seus olhos verdes olhavam o corpo estendido na cama com uma mescla de carinho e tristeza. — Tudo bem se você falar.

— Meu irmão sempre dizia que me amava... Que eu era o melhor irmão do mundo. — Disse entre soluços. — Eu nunca mais vou voltar a vê-los, Alan. — E aí começou a chorar de verdade.

— Nós o encontraremos, Dean. Ficará tudo bem. — Dizia Alan enquanto afagava os cabelos do chefe. — Eu estou aqui. Você está a salvo.

(...)

Chegou ao trabalho cansado e com uma tremenda dor de cabeça. Passou pelos colegas sem ao menos os cumprimentar e ao chegar ao final do corredor, parou repentinamente ao ouvir a voz de Carlos.

Sabia que deveria prosseguir e entrar em sua sala, mas a curiosidade tomou conta de si e quando percebeu, já estava parado, escondido, atrás da porta da sala do colega.

Tomou todo o cuidado do mundo e passou a observar Carlos, tentando não mexer na porta que estava levemente encostada. Carlos parecia muito irritado. Seu rosto estava vermelho e ele andava de um lado para o outro da sala, batendo os pés com força no chão.

— Eu já disse que não! – Carlos gritava ao telefone, alterado. — Assim irá colocar todos nós em perigo! Já chega, e não me contrarie! – desligou o telefone, sem esperar ouvir mais explicações da pessoa do outro lado da linha.

Como se nada tivesse acontecido, Carlos atravessou o corredor. Há essa hora, Castiel já deveria estar em sua sala e ele estava ansioso para vê-lo. A noite que passaram foi especial para ele, percebera que conseguira se aproximar um pouco mais do policial, no entanto, ele sabia que não poderia avançar. Mesmo se quisesse. Algo pesado e melancólico emanava dos olhos azuis do colega e deixaria que Castiel revelasse, embora talvez ele nunca fizesse.

— Cass? – disse ao ver o amigo atrás de uma coluna, a expressão levemente contraída. Tocou-o no ombro, mas o policial desviou abruptamente. — O que houve?

— Carlos... – Castiel sussurrou. Uma inquietude contida na voz. — Não o vi chegar. — preferiu desconversar e tentou parecer natural, o que não obteve muitos resultados. Começou a andar, sabendo que Carlos o acompanharia.

Os dois policiais adentraram a sala, e Castiel sentou-se em seu lugar habitual enquanto Carlos ocupava a cadeira de frente para o colega. Via que os olhos deles não se fixavam em ponto algum, como se estivesse procurando respostas aleatoriamente. Aquilo, definitivamente, começou a preocupá-lo.

Esquecendo-se da presença de Carlos, Castiel abriu a gaveta, retirando dali o papel que Emily havia dado a ele. As letras eram legíveis, e o endereço chamava-lhe muito a atenção. Era como se fosse familiar. Lia com afinco, balbuciando palavras desconexas. Em seguida, tirou o celular do bolso e procurou de maneira quase desesperada o número desconhecido. O DDD indicava que, pelo menos, pertencia a mesma cidade que eles.

— Castiel, o que você...? – Observou o colega sair da sala para fazer a tal ligação, e sem se dar conta estava seguindo-o.

Castiel adentrou em uma sala, a mesma que Carlos estivera minutos atrás, e encostou a porta, permitindo que o colega se colasse a madeira para escutar. Não sentira a presença de Carlos ao seu encalço, e confirmando que realmente se encontrava sozinho, apertou o botão e levou o celular aos ouvidos. Algumas chamadas se iniciaram.

(...)

— Alô? — Dean respondeu do outro lado da linha, afastando-se de Alan. — Quem está falando? — o coração estava aos pulos e sua mão segurava o celular, trêmula.

Notas finais
Obrigada por lerem!
Não esqueçam de deixar sugestões, melhorias, críticas construtivas... Tudo é bem vindo e ficamos felizes em saber a opinião de vocês.
Até o capítulo 7!
Bjss :)