Marcado

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Olá, sejam bem vindos ao universo de "Marcado".
Nossa primeira fic em parceria, esperamos que gostem, estamos bastante animadas! Capítulo betado por nós mesmas, qualquer erro podem dizer. Esperamos que gostem do primeiro capítulo assim como nós gostamos de escrevê-lo.
A todos que passarem por aqui: boa leitura!

Marcado

Capítulo 1


— Dê uma olhada nisso, Laser. – Carlos Schwarcz atirou o jornal sobre a mesa de seu companheiro de trabalho. Ao ler a notícia da primeira página, Castiel Laser pensou em como aquele homem conseguia se esgueirar dos milhares de olhos da polícia e sorrir com tamanha naturalidade. A foto no jornal não parecia que fora tirada por acaso e sim, que Dean Winchester posara de livre e espontânea vontade. — O chefe não sabe mais o que fazer. Está irritado.


Sem dar atenção ao comentário sobre o chefe, Castiel tomou o jornal em mãos, sentindo um ódio profundo do rosto atrevido de Dean Winchester. Ele era o homem mais procurado de todos os tempos desde Michael Abrahall, o famoso estuprador que por muitos anos espalhou terror e medo entre as mulheres, e que hoje descansava na prisão de segurança máxima de Iowa. E, como líder da captura de Dean, Castiel sentia-se humilhado por ele. Em doze anos de carreira, era inaceitável que encontrasse dificuldades em um caso aparentemente tão simples.


As pontas de seus dedos amassaram as bordas do jornal e Carlos via perfeitamente a indignação estampada nos olhos azuis do colega. E não era para ser diferente, Dean Winchester deixava qualquer um maluco e, por mais que Castiel fosse controlado, sabia que uma hora ou outra se entregaria aos efeitos do desespero.


— O que pensa em fazer, Cass? – Carlos tinha um sorriso divertido rasgando-lhe os lábios enquanto o colega de trabalho amassava o jornal e jogava-o na lata de lixo com impaciência.


— Sinceramente... Não sei, Carlos. – Castiel passou as mãos nos cabelos castanho-escuros e apoiou as costas doloridas e cansadas na cadeira giratória. Estava ali há dois dias, lendo e relendo tudo sobre Dean Winchester. Prestava atenção em todas as informações obtidas, mas a única coisa que o interessava realmente era saber do irmão de Dean, desaparecido há quarto anos. As verdadeiras razões para esse sequestro eram misteriosas para seus conhecimentos, como tudo que cercava a história daquele homem, e isso o irritava. — O chefe não disse nada?


— Sabe como ele é, Cass. – Carlos sentou-se a frente do companheiro. — Está esperando você agir.


Castiel estalou a língua em contradição à postura de seu chefe, Bobby Singer, um homem de meia idade e que parecia não se importar com a preocupação atual, entregando toda a responsabilidade em suas mãos. Mas, não era isso que mais irritava Castiel, e sim a falta de interesse de Singer em capturar Dean Winchester. Temia, mesmo com medo de admitir, que Singer estivesse dando vantagens a Dean e o estivesse ajudando. Mas porque ele faria isso? Teria Bobby Singer e Dean Winchester algo em comum? Era melhor nem pensar nessa possibilidade.


— No que está pensando, Cass? – Carlos brincava com uma caneta, examinado o semblante fechado e pensativo do colega.


— Em nada. – respondeu sério e levantou-se, vestindo o sobretudo por cima da farda. — E não me chame de "Cass". – não havia escárnio ao pronunciar o apelido. — Sabe que não gosto.


— Assim você me magoa. – apressando-se, Carlos prostrou-se a frente de Castiel, impedindo que ele avançasse até a porta.


— Carlos, estou cansado e quero ir para casa, dê licença. – Castiel suspirou internamente e Carlos pôde jurar que o viu revirar os olhos.


— Por que não vem tomar um café comigo? – Carlos ousou tocá-lo no rosto, mesmo com o risco de alguém os ver, porém o contato durou pouco. Era torturante ver o colega tão inalcançável.


— Carlos, não me faça ser rude com você. Deixe-me passar. – os olhos de Castiel emanavam um brilho frio e causou arrepios no homem moreno a sua frente.


— Cass... Tudo bem. – Carlos liberou a passagem, vencido, guardando um sorriso forçado de compreensão. — Desculpe-me por ter sido insistente.


— Certo... – Castiel arrependeu-se do modo como o tratou e tentou reverter à situação sorrindo gentil, mas sem sucesso ao tentar mudar o clima entre eles. — Só não faça de novo, por favor.


Carlos apenas murmurou um "tudo bem" e Castiel abandonou-o para trás, mantendo o olhar fixo à frente.


Alguns departamentos estavam completamente vazios, e andando em direção a saída, Castiel estranhou a presença de uma moça loira parada em meio ao corredor. Ela enxugava de forma delicada os olhos com um lenço enquanto virava de uma só vez um copo de água. A moça parecia muito amedrontada e mesmo que não fosse de sua conta, Castiel prestou atenção, demorando-se ali perto.


— Então, a senhorita afirma ter visto Dean Winchester? – um policial de cabelos grisalhos perguntou com descarado tédio.


— Sim, senhor. – a moça loira soluçou, tropeçando nas próprias palavras. Colocou com trêmula o copo sobre a mesa.


— E o que mais a senhorita viu? – o policial digitava algo no computador e os olhos brilharam com o carregamento da página erótica.


Castiel estava inconformado com a postura do policial diante de uma informação preciosa como aquela. Aproximou-se sorrateiro e tocou gentil o ombro da moça.


— Desculpe-me por fazê-la passar por isso, poderia me acompanhar, por favor? – Castiel sorriu reconfortante para a moça e repreendeu com um olhar gélido o homem que suspirava atrás da mesa desorganizada.


— É claro.


Guiando-a de volta à sua sala, Castiel sentiu uma súbita queimação na boca do estômago. Tudo o que dizia respeito ao Winchester lhe causava transtornos. Passava muito tempo pesquisando sobre Dean, seu passado, suas ações, e perdera preciosas noites de sono imaginado o que ele poderia estar fazendo.


Com um gesto de mão, apontou onde a moça loira deveria se sentar. Era notável o medo e a apreensão dela, porém era compreensível. Se fosse ele em seu lugar, ficaria na mesma situação.


— Sinto muito pela falta de atenção de nosso colega. Agora, por favor, conte-me exatamente o que viu. – Castiel entrelaçou os dedos e apoiou-os sobre a mesa em um gesto profissional.


— Eu estava andando pelas ruas, não era muito tarde e havia um número considerável de pessoas por lá. – começou a moça, soluçando. — Estava tudo tão normal até eu virar a esquina. Foi então que eu vi um grupo de rapazes correndo e, entre eles, Dean Winchester. Ele veio correndo em minha direção, apontou a arma e me deu um recado. – os olhos acastanhados da moça se encheram de lágrimas.


— E que recado foi esse, senhorita...?


— Emily. – a moça sorriu, um pouco embaraçada.


— Certo, senhorita Emily... Que recado Dean Winchester lhe deu? – a conversa estava interessante, mesmo Emily emanando um profundo medo e hesitação ao dizer o nome do torturador e Castiel via ali uma chance de se aproximar.


— Disse... disse que voltaria e que seria bom para mim que não avisasse a polícia.


— Mas... Eu não entendo. – Castiel franziu o cenho, as sobrancelhas quase se encontrando. — A senhorita tem ou teve alguma relação com ele?


— Não, claro que não! – Emily apavorou-se. — É só que... Talvez... Ele tenha me confundido com outra pessoa.


— Certo. – agora Castiel encontrava-se confuso e descrente. Não havia sentido naquilo e muito menos motivos para Dean voltar a procurar Emily. — De qualquer forma, mandarei uma viatura levá-la para casa.


— Obrigada. – Emily sorriu, aparentemente mais calma.


Por telefone, Castiel pediu a presença de alguém para escoltá-la até em casa e assim que o policial solicitado apareceu na porta, Emily levantou-se e desejou a Castiel uma boa noite de uma forma estranha, quase maliciosa. Dando uma de desentendido, Castiel respirou cansado e fechou os olhos, relaxando na cadeira. Mais uma vez desperdiçaria a chance de ir mais cedo para casa, contudo, a espera valera a pena. Ao menos sabia que Dean não temia agir a luz do dia.


— Você precisa descansar, Cass... Quero dizer, Castiel. – Carlos consertou o erro, temendo a reação do colega. Ainda não entendia porque ele o mantinha tão distante.


— Ainda aqui? – Castiel não se deu ao trabalho de abrir os olhos. — Pensei que já estava em casa.


Carlos odiou aquele comentário, era como se Castiel não gostasse de sua presença e preocupação. No começo o que sentira por Castiel era apenas uma atração, mas com o passar dos anos seus sentimentos foram se fortalecendo e agora era quase impossível não se sentir magoado com a atitude fria do colega.


— Não precisa me tratar com desdém. — Carlos cruzou os braços, admirando o leve bater dos cílios elegantes de Castiel.


— Não o fiz. – Castiel ergueu-se, dando a mínima atenção ao assunto. — Não vamos começar de novo com isso. – Pediu cansado.


— Aquela moça estava aqui por causa do Winchester? – Carlos preferiu mudar a conversa, sabendo que de nada adiantava argumentar com o colega.


— Sim, mas tenho minhas dúvidas. – Castiel o convidou para acompanhá-lo no trajeto até a garagem, apenas com um movimento dos olhos.


— Como assim? – o outro policial ocultou a felicidade que sentia, não queria ver aquele olhar que o machucava sempre novamente.


— Por que Dean abordaria alguém como Emily? Isso não faz o menor sentido, Carlos. – por alguns segundos, Castiel permitiu que seus olhos observassem o colega. Ele parecia se esforçar ao seu lado.


— Não sei o que dizer.


— Isso me cheira mal, como...


— Armação? – Carlos terminou a frase, vitorioso.


— Talvez... – o semblante do policial se fechou. — Em todo caso, ficarei atento.


Agora, os dois policiais adentravam a garagem e Castiel fez menção a caminhar até o seu carro, no entanto, seu pulso foi seguro por uma mão forte do colega. Estava cansado daquela aproximação de Carlos Schwarcz, pensou que tivesse deixado bem claro que não queria nenhum envolvimento, pelo menos não ainda. Aquele acontecimento ainda o assombrava, não importava qual hora fosse. E não queria trazer escuridão à vida do colega, mas se Carlos continuasse agindo daquele jeito, não teria outra opção a não ser afastá-lo de vez. Gostava do companheiro de trabalho, mas odiava quando ele não media seus espaços.


Deixou-se encostar as costas na coluna fria de concreto e pensou que os lábios de Carlos estavam pertos demais. Espalmando as mãos no peito sob a farda, empurrou o colega, abaixando levemente os olhos azuis.


— Por favor... Quantas vezes eu terei que te afastar assim, Carlos? – Castiel sentia os olhos arderem enquanto falava duramente com o homem que mais se preocupava com ele no mundo inteiro. Era grato, por Deus, como era! Mas talvez Carlos estivesse confundido as coisas. — Pare de se iludir ou irá se cansar.


— Eu... – Carlos escorregou os dedos pelo rosto de Castiel e deteve-se nos lábios. — Não irei desistir de você, Cass.


— Boa noite, Carlos. – Castiel deu as costas e adentrou seu carro, saindo às pressas da garagem, enquanto o outro policial apenas o acompanhava com os olhos.


Enquanto dirigia pelas ruas desertas, sua mente não conseguia parar de pensar em Dean Winchester. Eram várias as imagens que se formavam em sua cabeça, mais recentemente a foto de Dean na capa do jornal, sorrindo de forma atrevida para a lente do fotógrafo, como se tudo aquilo não passasse de um jogo. E talvez fosse isso mesmo. Talvez Dean estivesse brincando com a polícia. E esse pensamento irritou ainda mais o policial. Aquele era o seu caso, seu maior caso. Capturar Dean seria transformar sua carreira modesta de policial em uma carreira gloriosa. Mas havia tantas perguntas, tantas dúvidas e acontecimentos que pareciam não se encaixar.


Estacionou o carro e entrou em casa. Colocou a chave na pequena mesa de centro e literalmente se jogou no sofá, fechando os olhos, muito cansado para fazer qualquer outra coisa.


Porque Carlos ficava insistindo em algo que ele havia deixado claro não estar interessado?


Porque capturar Dean Winchester havia se tornado uma obsessão?


E o que Emily estaria escondendo por trás das lágrimas e do sorriso malicioso?


Cansado e sentindo os sintomas da dor de cabeça, Castiel se deixou levar por um sono profundo, sabendo que o amanhã não prometia nada de espetacular, apenas mais dúvidas, perguntas e acontecimentos sem explicações.


Notas finais
Obrigada por lerem!
Então, o que acharam? Bom, ruim, precisa melhorar? Critiquem construtivamente ou elogiem, isso faz um autor (duas autoras nesse caso)feliz!
Até o próximo!
Beijos.