Marcada

16 Violeta


Notas iniciais
Olááá, meus amores... é, poisé né... Ah quanto tempo e.e Bom, queria fazer um mini texto de explicações para vocês, my seet people, é o minimo que vcs merecem. Bom, esse capítulo acho que foi o o mais dificil que fiz até aqui. Por muitas vezes pensei em não postá-los, ou até mesmo não postar mais nenhum, devido ao tempo em que a fic estava parada. A tia Violet teve um pequeno grande problema de saude. Aos que mandaram mensagens eu já havia explicado um pouco. O que acontece, é que eu tenho um pequeno probleminha relacionado a imunidade, ou seja... as doenças tem um pesinho maior sobre mim e enfim... Em resumo, eu peguei zika, minhas plaquetas baixaram muito e devido ao problema com a imunidade que ja tinha, acabou que fiquei bem mais fraca *quase parto junto com a Jessie, hihi*. Tentei postar por várias vezes, mas nunca conseguia fazer um capítulo todo e nem me concentrar. E pra postar qualquer merda, achei melhor não postar. Sei que já passaste bastante tempo, e que muitos pararam de ler e desistiram, o que é compreensivel. Mas, mesmo assim, mesmo com uma perca de leitores, cá estou eu, com um capítulo dedicado e um sincero pedido de desculpas a todos vocês. Tia não tá tão bem, por isso não pude fazer mais de um, mas vou tentar não tardar no próximo. Obrigada a todos vocês que ainda acompanham, os que comentam e etc... E novamente, párdon x_x Se acomodem no sofá, se enrolem no edredom e vamo que vamo!!! ~Violet

Já haviam se passado 12 horas desde que havia finalmente deixado os Ackles. A caminhada havia deixado minhas pernas em pedaços assim como meu coração, que já se comprimia ao lembrar dos três. Não iria me acostumar tão cedo com aquela ausência, teria feito o certo?! Bom, não importava. A única coisa que podia fazer para recompensá-los dependia daquela pagina meio rasgada que pendia entre meus dedos. Nunca fui boa com caça ao tesouro ou em seguir mapas, conseguia apanhar até mesmo do GPS. De acordo com aquela página, eu deveria estar próxima ao ponto exato do feitiço, nunca pensei que fosse tão difícil ir ao inferno. Ao inferno... estava prestes a ir ao lugar que todos tanto temiam ir um dia.

A escrita estava totalmente em latim, me admirava Sam conseguir ler sem o auxílio de um dicionário, mas para minha sorte, eu tinha um, talvez não desse por falta. Após tentativas falhas de tradução, finalmente consegui entender o que ele dizia. Tinha que desenhar um símbolo no chão, ascender algumas velas e repetir aquelas palavras enquanto gotejava o meu sangue no símbolo. Nos filmes de terror parecia mais fácil. Usando as minhas habilidades não motoras, desenhei o maldito símbolo, que se assemelhava à um pentagrama, mas com umas curvaturas a mais. Velas compradas das sobras de dinheiro que Sam havia me dado em nossa última viagem e um estilete enferrujado... Ótimo, se não morresse no inferno, morreria de tétano!

A pior parte com certeza fora me cortar. Era uma bebê chorona quando se tratava de sangue. Ponderei um momento em como para os masoquistas parecia ser tão fácil. O corte foi à altura do cotovelo, se fosse no pulso corria o risco de acabar me matando. Já pensou, chegando ao purgatório e todos me olhando ... – Coitada, cometeu suicídio. – Não,não gente. Eu só tava tentando ir pro inferno! Sou uma vergonha até para os seres do submundo. Voltando a realidade... O sangue gotejava e escorria livremente pelo meu braço e se espalhava no desenho abaixo de mim. Entre os dedos trêmulos, espremia a folha amassada, tentando proferir aquelas palavras. Tentei de todas formas, reli em tons mais altos, mais diretos, mas parecia não funcionar. O tempo estava passando e eu estava à um passo de sofrer uma hemorragia.

— Não vai funcionar. – Ouço uma voz atrás de mim. Conhecia aquela voz, conhecia aquele semblante por baixo do capuz.

Era a senhora Evans, nossa vizinha. Seus traços estavam um pouco diferentes. Sua postura estava ereta e parecia isenta de qualquer dor nas costas, seu olhar me analisava curiosamente e não havia falhas na voz e nem cansaço em sua respiração. Congelei ao vê-la se aproximar sem demonstrar nenhuma reação, ela não parecia surpresa em ver uma adolescente fazendo um ritual demoníaco. Ela sorriu ao notar a confusão em minha expressão.

— Senhora E------

— Não vai funcionar, querida. Está fazendo do jeito errado.

— O quê? Como assim? Não! Eu só estava....

— A julgar o símbolo, indo para o inferno, eu presumo. – O modo de falar havia mudado, é como se fosse ela por fora, mas outra pessoa por dentro, estava confusa. – Não é o sangue humano que vai aí, e sim o de um demônio. Até porque, humanos não costumam ir até lá antes de morrer.

— Eu... eu-------

— Me dê isso! – ela tomou a folha de minha mão num movimento tão ágil que mal pude acompanhar. – Ande, corte! – ela ergueu seu pulso para mim.

— O quê?! Não! Como a senhora------

— Ah por Lúcifer! Sempre achei você meio lerdinha, mas vou te contar... Esse tempo todo na casa dos Ackles, não lhe ensinaram nada, menina? E aquele bastardo metido a intelectual, é dele não é esse feitiço? – confirmei com o acenar mais relutante que já havia feito. – Devia ter lido tudo antes de arrancar a folha. Ande, corte, rápido! Não posso ser vista nessa situação, vamos menina!

— Como a senhora sabe de tudo isso? Quando---- — ela tomou o estilete das minhas mãos e cortou seu próprio pulso, mesmo com uma pele frágil, a mesma parecia resistente ao corte.

— O que acha que eu sou? A velhinha da chapeuzinho vermelho? Eu sou um demônio, garota. Estou aqui bem antes de você nascer. Cheguei aqui na mesma época dos seus três mosqueteiros. Agora ande com isso, que deixei um bolo no forno. Se ele queimar, irei te mandar pro inferno pra nunca mais voltar!

— Não pude deixar de sorrir com a última frase. Uma onda de imagens da minha infância viera à minha mente... A primeira vez que andei de bicicleta e caí, machucando o joelho. Como ela me ajudou a levantar, os curativos... Sua voz doce, como era possível que aquela velha senhora cansada e amável, fosse um demônio?! E se o fosse, haveriam mais deles ali?! Retribuí seu olhar com ternura, e retornei a proferir o texto, enquanto seu sangue gotejava. O símbolo começou a brilhar e suas extremidades a pegar fogo. As imagens começaram a ficar turvas, e embaçadas. Antes de perder totalmente os sentidos, pude ouvir sua última frase: “Espero que esteja fazendo a coisa errada por algo certo.”

Não sabia quanto tempo havia se passado, não tinha sequer noção de tempo ou espaço. Minha cabeça doía como se tivesse sido espremida por um compressor. Tive que piscar algumas vezes até retomar a consciência por completo. O céu não estava claro, nem escuro... Era como se fosse a transição entre dia e noite. Não haviam estrelas, nem mesmo uma única nuvem. A grama era áspera, e abaixo dela, um penhasco. O vento gélido adentrava minhas vias respiratórias e as faziam arder intensamente. Por incrível que pareça, consegui enxergar uma paisagem ali. Haviam algumas árvores, mas todas estavam secas e mortas, o sombrio da neblina que se arrastava quilômetro à frente, me remetia um cenário perfeito.

A cena que viera a seguir, fora o mais incomum que podia achar ali. Saindo por de trás das árvores, um cachorro. Não sabia bem qual era sua raça, mas parecia bem sofisticado. Seus pêlos eram brancos e pareciam bem macios, chegava a ser da altura do meu tórax. Ele me olhava intensamente, e seu focinho não parava de fungar. Não pude resistir a tamanha fofura, fiquei de joelhos e abri os braços para que ele pudesse vir ao meu encontro. Ele pareceu receoso, foi então que sorri e comecei a chamá-lo da forma mais dócil que um cavalo pode ser. Ele veio em minha direção, acelerou os passos, e logo estava correndo, retribuí o gesto instigando-o mais. Mas eis que me arrependo rapidamente daquela decisão. Quando já estava próximo o suficiente de mim, o vejo se transformar numa enorme serpente que já deslizava no meu corpo, se enrolando à ele. Em segundos ela já havia se enroscado em meus braços, pernas e tinha sua cabeça colada à minha nuca. E de repente, não sentia mais suas escamas gélidas rente ao meu corpo. Agora estava sendo segurada por um par de mãos, e mãos masculinas a julgar pela força.Tentei me afastar, mas seus braços eram como duas barras de ferro. Gritei ao sentir sua respiração rasgando minha pele.

— Pare, por favor, pare! Eu posso explicar! – pedi entre súplicas esperando que ele me ouvisse. E parecia ter surtido efeito, pois ele cessara os movimentos, mas ainda não relaxara os músculos, estava prestes a quebrar meus ombros com aquela força.

— Hum... – ele gemeu ao inalar com intensidade o meu cheiro.

— Eu... posso explicar, mas por favor... não me mate! – as lágrimas escorriam freneticamente por minha face trêmula.

Passamos longos segundos naquela posição, ele não se mexia e eu muito menos. Um vento forte veio ao nosso encontro carregando consigo a poeira seca que já embaçava minha visão. Depois de piscar algumas vezes, a visão embaçada foi ficando nítida até formar a imagem mais extraordinária que já havia visto. Ele estava alguns metros a minha frente e dei graças por isso, estava a salvo. Ele... não consegui esboçar nenhuma reação quanto aquilo, por mais que estivesse com medo, por mais que estivesse apavorada, por mais que quisesse correr, a única coisa que conseguia fazer era observá-lo. Ele era alto, ultrapassava o um metro e oitenta e cinco do Sam. Sua pele era pálida como a neve em começo de inverno, tinha uma barba não muito cheia, mas perfeitamente alinhada, não remetia maturidade com na maioria dos homens, remetia uma profunda sensualidade. Seu nariz era fino e alongado, os olhos... nunca havia visto nada igual, eram de cor violeta, um violeta profundo e arroxeado, cintilavam sob a luz fraca e se sobrepunhavam sobre a neblina que se rastejava atrás de nós. Seus cabelos eram lisos e o corte me lembrava o de Kaeth, era prateado e podia ver a tempestade emanando daqueles fios claros quase brancos. Meus olhos já fascinados, com alguma dificuldade escorregaram para baixo, ele vestia uma camisa simples de algodão e mangas compridas de cor vinho, que mesmo não sendo tão justa, era capaz de acentuar perfeitamente as curvas daqueles músculos tão bem definidos. Outro suspiro intenso me fez cair em mim, por um momento quase havia esquecido de onde estava e a minha atual situação.

— O que uma humana deliciosa como você está fazendo aqui? – sua voz era rouca e ao mesmo tempo grave. Ele alternava a posição da cabeça, me observando de todos os ângulos possíveis.

— Eu... eu... – tentei juntar as palavras, mas nada me vinha a mente com aquele par de olhos violeta me encarando. Seria um sonho? Onde estavam os demônios feios e horripilantes que os filmes mostravam? Foi então que lembrei que os três irmãos também eram demônios e como também dispunham da mesma beleza. – Eu vim atrás de uma pessoa, preciso encontrá-la e resolver um assunto importante!

— Hum... – ele parecia analisar cada milímetro do meu corpo. – Se veio atrás de alguma alma que já partiu... Sinto muito, mas depois que chegam aqui, não saem mais. A não ser que você queira se juntar à eles, mas pra isso teria que morrer, aquela velha burocracia... Mas posso agilizar o processo, se você quiser...

— Não, não! Eu não vim ver nenhuma alma. Preciso falar com Crowley, você o conhece? – em segundos vi sua expressão mudar de sádica para furiosa. Engoli a seco quando começou a se aproximar vindo em minha direção.

— O que uma garotinha como você, quer com o rei do Inferno? – ele roçou o polegar na minha bochecha.

— É um assunto particular... – gaguejei, tentando processar aquela informação. Rei? Desde quando Inferno precisava de rei?! – Só preciso achá-lo, pode me-------

— Escuta aqui garotinha... – seu polegar se transformou rapidamente em uma garra afiada que com o roçar da pele, já rasgava-a em cortes pequenos. – Você tem noção de onde está? Quem é você, afinal? Pra chegar até aqui, deve ter tido ajuda de algum demônio... O que é interessante, por que um demônio iria ajudar um humano a vir direto para o Inferno e sozinho para falar com o Crowley?! Ou você é uma humana muito burra, ou ta escondendo uma história muito foda! – permaneci em silêncio presa aqueles olhos violeta que se estreitavam sadicamente cada vez mais. – Eu acho que talvez seja os dois... – ele me soltou rispidamente ainda sangrando e me deu as costas.

— Eu só preciso achá-lo, depois vou embora, juro!

— Escuta aqui garotinha, você tem trinta segundos para começar a falar, antes de que eu arranque suas vísceras. – tentei tomar um pouco mais de fôlego, respirar sobre aquela tensão era quase impossível. Seu olhar me cercava como um muro de um labirinto, não havia outra saída, teria que contar.

— Bom... a verdade é que-------------

— Shhh! – ele pulou sobre mim me arrastando para debaixo de uma árvore seca. Sua mão direita pressionava minha boca, e a outra cercava meu pescoço. Ele fungava como um cachorro tentando decifrar um cheiro que eu mesma não conseguia sentir. – Tem alguém vindo pra cá! – ele se afastou um pouco e me confundi totalmente ao vê-lo tirar a camisa de modo tão ríspido, deixando a mostra um físico escultural. – Ande, pegue! – ele arremessou a camisa perfumada.

— Pra que isso?

— Para varrer o chão! Vista logo essa merda! Seu cheiro é muito forte, talvez camufle um pouco. – atendi à sua ordem, a camisa era confortável e tinha um cheiro agridoce. A cena do filme crepúsculo vinha a minha mente e imaginei se ele poderia ser o Edward, mas estava mais para o vampiro mau que arrancava cabeças.

Longos minutos de silêncio tivemos ali. A brisa soava gélida e não se tinha quase nenhum som ou ruído. Ele observava minuciosamente cada detalhe a sua volta como um gavião procurando por sua presa, até que instantes depois como se pudesse prever movimentos, ele se prostra a minha frente exatamente na direção que nosso visitante aparece. Ele era alto, mas não tanto quanto o outro, era negro e possuía músculos saliente que pendiam para fora da regata branca. Seu cabelo era crespo e tinha um corte baixo, seu peitoral era largo e parecia impenetrável como uma muralha de titânio, tremi ao ver um enorme e sádico conjunto de dentes brancos se exibindo para mim.

— Tente não fazer cara de assustada, ele vai perceber! – o primeiro sussurrou e tentei manter as aparências. Não era a primeira vez que estava frente a frente com seres mais fortes que eu, e as lições que tinha aprendido com Derick deveriam servir para alguma coisa.

— Ual, ual, ual... – disse pausadamente enquanto se aproximava, tentei não recuar, apenas desviei o olhar. – Olha só o que temos aqui! Brinquedinho novo, “D”?

— É... sabe como é. Você sabe como curto uma distração de vez em quando. Foi mal se fizemos barulho, vamos tentar ser mais discretos da próxima. – ele sorriu maliciosamente de canto, e apesar de ter sido um feito incrivelmente sexy, não pude deixar de sentir uma pontada de nojo.

— É... Eu estava de passagem na verdade, senti um cheiro estranho, achei que tivesse algo por aqui... – suas palavras eram sempre molhadas em ironia e as proferia sem sequer tirar os olhos de mim, manter a postura era quase impossível. A gravidade parecia ganhar mais peso com a pressão que aquele olhar e sua presença exerciam sobre mim. – Que bela distração, hein? – ele sorriu mais largamente e senti repulsa quando lambeu o próprio dedo. – Talvez eu possa brincar também.

— Acho que não. Você sabe como sou possessivo, vai procurar seu próprio brinquedo, Kyle.

— Ah qual é, Diego... Vamos dividir, aposto que ela aguenta o tranco. E outra, olha só que ruivinha mais deliciosa, faz séculos que não provo uma ruiva! – ele roçou bruscamente o polegar na minha nuca e foi desacelerando os movimentos enquanto descia sua mão em direção aos meus seios.

— Não toque em mim! – ordenei no tom mais ríspido que encontrei. A repulsa estava estampada no nojo em meu olhar e nos meus dentes cerrados. Só depois de vê-lo me observar com uma expressão furiosa, e avistar o olhar de “não devia ter feito isso” naqueles olhos violetas, que percebi a burrada que tinha feito.

— Ela está me desafiando, “D”? – sua sobrancelha se arqueou consideravelmente e por um momento quase pedi desculpas.

— Claro que não, cara! Ela só... não curte brincadeiras a três. Qual é Kyle, você pode arranjar outras distrações.

— Ela sabe o que acontece com quem me desafia, Diego?

Um silêncio se instaurou ali, e de repente pude sentir a fúria emanando daqueles músculos dilatados. Minha vontade foi correr dali, mas já não tinha volta, tinha que manter a postura.

— Talvez devêssemos ensiná-la algumas lições. Me diz, de qual classe ela pertence? – observei os dois se entreolharem e pude notar a aflição do tal Diego tentando buscar uma resposta plausível rapidamente. Classe, do que os dois estavam falando? Desde quando haviam classes no Inferno?

— Classe três! Ela é uma classe três! – seu olhar me dizia que devia confirmar, seja lá o que aquilo significasse.

— Hum... Uma três, é? E por que nunca ouvi falar dela?

— Você sabe que nem todos os clãs gostam de serem conhecidos. Já chega cara, você é um cinco, não vai querer se meter com uma três. Mas se quiser, nós podemos resolver isso como nos velhos tempos! – ele forçou uma risada, mas o companheirismo não fora recíproco, pois a expressão assassina do outro não se alterara em nada.

— Muito pelo contrário, “D”. Isso só torna mais interessante, vou adorar dar uma surra numa três, sabe como isso enaltece o meu ego, irmão. – seu sorriso finalmente voltou à tona, dessa vez ainda mais confiante.

O observei se aproximar de mim de punhos cerrados, busquei o olhar violeta, mas ele não me correspondeu, apenas se desviou, ele não iria me ajudar. Foi então que fechei os olhos, respirei profundamente e a imagem de Derick veio a minha mente. Imaginei-o ali, em pé a minha frente, encostado no tronco da árvore despreocupado, me observando despreocupadamente e dizendo “Vai mesmo deixar esse bruta-montes falar assim com você?! Qual é Jessie Parker, cadê a ruivinha que matou um grupo de guardiões? Vamos, mostra pra esse cara quem é você e o ponha no seu devido lugar, antes que eu te dê uma surra com aquela calcinha rosa”. Sorri ao finalizar a cena, era disso que eu precisava, confiança.

— Quer mesmo me desafiar? – perguntei com o tom mais confiante e irônico que tinha. Pude notar rapidamente o olhar dos dois pousarem sobre mim, intrigados. – Tudo bem, você pode tentar, mas com uma condição... Depois que eu acabar com você, irá andar... ou melhor! Vai se rastejar no meio de todos com as asinhas entre as pernas para que todos vejam o quão patético você é! Vai desejar nunca ter cruzado o meu caminho, e depois disso, meu caro... Aposto que você vai ser usado como referência para demônios fracos.

— Vadia----- — ele tentou avançar em mim, mas o contive com um passo a frente, tinha que intimidá-lo.

— Ops! Quer mesmo fazer isso? Seus músculos podem ser fortes, mas não ágeis. Só vai te atrasar, posso não ser tão forte quanto você, mas... – não pude conter um sorriso irônico e pretensioso, um perfeito “bitch smile”! – você não pode machucar, o que não pode acertar, não é mesmo... Kyle?! – pude notar a fúria se acumular naquele olhar, mas o receio também estava estampado nele. Suportei mais um pouco a pressão e finalmente ele cedeu.

— Não vou recuar por medo! Até porque você não vale a pena! Mas, uma coisa posso assegurar – ele se voltou a mim e por um momento quase perco a postura. – Vamos nos encontrar novamente, e você vai se arrepender de ter me desafiado! – mantive o olhar seguro assim como o silêncio, ele se voltou para o outro que já me observava como se estivessem vendo um alienígena comendo sushi de palitinhos. – E quanto a você, “D”, devia escolher melhor seus brinquedos... Pode acabar mal pro seu lado, irmão! – uma última olhada ameaçadora e vi um par de asas negras alçar vôo.

O bater de asas levantara poeira suficiente para me provocar algumas tosses. Livres da presença daquele ser, finalmente pude respirar mais aliviada. Como uma pessoa que acaba de ser salva da morte, aproveitei aqueles segundos me certificando de que estava salva, até perceber que estava sendo fuzilada por um par de olhos violeta.

— O quê? – perguntei dando de ombros.

— Você é louca!

— Já me chamaram de coisas piores...

— Você não entende, Kyle é um dos demônios mais perigosos por aqui. Ele vive de desafios, e você fez justamente o que ele estava querendo.

— Ah, não se preocupe. Se tem uma coisa que aprendi, é que cão que late, não morde. – concluí, limpando a poeira dos sapatos.

— Não sei da onde você tirou essa lógica estúpida, mas uma coisa eu asseguro, ele não é como um cão. Sabe os caras que mataram milhares de pessoas na guerra? Eles eram inspirados por um sentimento forte de desafio, sentimento oriundo daquele demônio que você acabou de quase humilhar.

— Tá, mas o que ele pode fazer? Pelo o que você disse ele é de uma classe inferior, não?

— Isso não quer dizer nada. Ele acabou numa classe baixa por causa da linhagem de sua mãe, não era um demônio muito forte, mas não o subestime... Ele pode acabar com você da forma mais sórdida possível!

— Já fui atacada por coisas piores! – disse, jogando sua camisa de volta, cuja pegou agilmente.

— Foi é? Acho que poderíamos voltar para a parte em que você ia me contar sobre sua biografia...

— Longa história – disse, alongando os braços.

— Sem problema, tenho tempo suficiente para ouvir, mas não aqui... Vem! – ele se aproximou um pouco e o vi se transformar em um lindo falcão. Suas penas marrom claro se eriçavam me convidando a subir. – com um pouco de relutância o fiz e me agarrei ao seu pescoço. Lembrei da primeira vez que vi Derick e Kaeth em suas formas de lobo. A ausência dos Ackles rapidamente retornara para dilacerar meu coração, me perguntei se estariam bem, se Kaeth já estaria junto dos seus irmãos de novo, se sentiam minha falta ou se estariam envolvidos em alguma encrenca, levei minha mão ao peito tentando de alguma forma, reconfortá-lo. Sobrevoando aquele céu nublado tomado pela neblina fria, me concentrei na imagem dos três e mesmo sabendo que eles não me ouviriam, disse comigo mesma: “Espero que estejam bem, sinto que daqui pra frente as coisas irão complicar, então... me desejem sorte!”

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Casa dos Ackles, 01:45...

— Sentiu isso?

— Sim... Uma sensação estranha como se---------

— Ela estivesse falando com a gente!

Compartilhando da mesma sensação, todos se aproximaram da janela buscando observando aquele céu estrelado com a lua de refletor avisando que o espetáculo estava prestes a começar.