Notas iniciais
Booa tarde! Muitíssimo obrigada a GBrittana e a JustIsabela pelas recomendações!

O navio obedecia aos meus comandos e então navegávamos sem a menor dificuldade. Parei um segundo para prestar atenção na paisagem ao meu redor e sorri. Era lindo. O mar verde como os olhos de meu pai contrastava com o céu azul. Virei-me para Santana sorrindo e ia começar a falar sobre a cor do mar quando a vi desfazendo a trança de seus cabelos.

- O que está fazendo? – perguntei.

- Estou tirando essas coisas. Não gosto de me sentir assim. – ela respondeu.

- Assim como? – perguntei.

- Como uma boneca de plástico. Feita do que os outros querem que eu seja. É só... Não sou eu, B.

Sorri e fui em direção aos seus lábios. Beijei todo seu rosto, parando em seus lábios e pedindo passagem com a língua. Ficamos um bom tempo agarradas, compensando o tempo perdido.

- Eu borrei seu batom. – comentei com um sorriso.

- Eu prefiro assim. – ela respondeu – me lembra de que é real.

Sorri com o comentário e voltei minha atenção para o navio. Estávamos indo rápido pelo mar, mas ainda não era o suficiente. Em meu último sonho com o Finn, Polifermo estava praticamente o forçando a casar com ele. Foi estranho vê-lo em um vestido rosa de noiva, mas eu já estava começando a me acostumar com o que era estranho. Devia estar ficando louca.

A noite chegou e o frio também. San tentou ficar o máximo possível comigo, mas navegar não era para ela. Percebi isso quando vi que seu rosto estava verde. Mandei-a ir deitar o mais rápido possível, mas ela ficou relutando por um bom tempo. Depois que eu disse que ela podia deitar perto de mim e prometi quinhentas vezes que se acontecesse alguma coisa eu iria chama-la, a latina arrumou um colchonete e deitou aos meus pés.

Fiquei um tempo revezando entre vigiar o barco e observar Santana dormir. Após umas duas horas de vigia, meus olhos começaram a pesar e eu não resisti ao fato de poder deitar agarrada a Santana. Abracei sua cintura e a latina soltou um gemido leve, resmungando alguma coisa sobre a arquitetura. Assim que a minha pele entrou em contato com a sua, San se virou rapidamente e abraçou meu corpo, enterrando o rosto no meu pescoço. Peguei no sono abraçada a latina, apenas ouvindo o som das ondas batendo no casco do navio.

Eu não sonhei com Finn. Em vez disso, estava de volta ao camarote de Luke a bordo do Princesa Andrômeda. As cortinas estavam abertas. Do lado de fora era noite. Sombras giravam no ar. Vozes sussurravam à minha volta — espíritos dos mortos.

Cuidado, elas sussurravam. Armadilhas. Ardis. O sarcófago de ouro de Cronos brilhava discretamente — a única fonte de luz no recinto.

Um riso frio me assustou. Parecia vir de quilômetros abaixo do navio. Você não tem coragem, jovenzinho. Não pode me deter. Eu sabia o que tinha de fazer. Precisava abrir aquele caixão. Destampei Contracorrente. Fantasmas esvoaçavam à minha volta como um tornado. Cuidado! Meu coração batia forte. Eu não conseguia obrigar meus pés a se mexer, mas tinha de deter Cronos. Precisava destruir o que quer que estivesse naquela caixa. Então uma menina falou bem ao meu lado:

- E então, Cabeça de Alga?

Virei-me esperando ver Santana, mas encontrei uma menina loira, aparentemente da minha idade, com os olhos verdes como o mar. Ela tinha algumas sardas pelo nariz e um sorriso divertido no rosto. Parecia conhecida, mas eu não sabia muito bem por quê.

— E então? — perguntou. — Você vai detê-lo ou não?

Eu não conseguia responder. Não conseguia me mexer. A menina revirou os olhos.

- Ótimo. Deixe comigo e Aegis.

Ela tocou seu pulso e as correntes de prata se transformaram — achatando-se e se expandindo em um enorme escudo. Era de prata e bronze, com a cara monstruosa da Medusa se projetando do centro. Parecia uma máscara mortuária, como se a verdadeira cabeça da górgona tivesse sido prensada no metal. Eu não sabia se aquilo era de verdade ou se o escudo podia de fato me transformar em pedra, mas desviei o olhar. Só o fato de estar perto daquilo me deixava gelado de medo. Tive a sensação de que, numa luta de verdade, derrotar o portador daquele escudo seria quase impossível. Qualquer inimigo daria meia-volta e sairia correndo.

- Não! — tentei adverti-la.

Mas ela não me deu ouvidos. Marchou direto para o sarcófago e empurrou a tampa dourada para o lado. Por um momento ficou ali parada, olhando fixamente para o que havia dentro da caixa. O caixão começou a brilhar.

- Não. — A voz da menina tremia. — Não pode ser.

Das profundezas do oceano, Cronos riu tão alto que fez tremer o navio inteiro.

— Não! — A menina gritou, e o sarcófago a engoliu em uma explosão de luz dourada.

- Ah! – Gritei, dando um salto do colchonete.

Santana acordou assustada e instantaneamente me abraçou. Tentei normalizar a minha respiração e meus batimentos cardíacos, mas ainda estava muito nervosa. Aquela menina parecia tanto com alguém... Mas quem?

Voltei meu corpo para Santana e passei meus braços ao redor de seu pescoço. A latina me abraçava com força, fazendo com que meu corpo relaxasse ao contato com sua pele morena. Assim que me acalmei, afastei-me com um leve sorriso.

- O que aconteceu, meu anjo? – ela perguntou passando os dedos por meus cabelos.

- Só um pesadelo, Sanny. Nada de mais. – respondi beijando-a.

Não havia a menor necessidade de preocupa-la por agora. Podia ser só um sonho, ou podia significar algo a mais. Decidi esperar até o fim da missão para contar a ela.

- Britt-Britt, você tem que ver isso. – ela disse.

Aproximei-me dela e fitei o ponto, logo depois me virando para encarar os seus olhos sombrios.

- Terra. – ela disse. – estamos nos aproximando da ilha das sereias.

Notas finais
E ai, aprovado?