Manto Negro

17 Capítulo XVII


— Como esta se sentindo? — Horus perguntou

Agora podia respirar sem problemas, ainda sentia uma leve pontada quando me agachava, mas isso era fraco comparado a antes.

— Diria que posso voltar a andar sem problemas — Respondi

– Ótimo, mas antes de andar você me deve uma explicação — Vlad se intrometeu

Ele usava um moletom preto, e estava encostado no balcão, seu rosto era uma imagem perfeita de um soldado. A explicação acabo sendo um resumo confuso, que na minha cabeça fazia todo sentido.

— Compreendo que não queria usar contra seus colegas, mas por que vir na rua e se arriscar tanto? -

— Porque essas pessoas mereciam — Respondi

— Todos os humanos não merecem isso? até porque, eles nos tratam como escoria — Horus cortou

— Os meus atos, não tem relação com heroísmo, não me importo com essas pessoas que me acusaram de assassinato. —

— Então qual é o motivo disso tudo? — Vlad questionou

— Por qual motivo você usa seus poderes? para proteção, certo? o meu não é diferente — Rebati

— Para proteção e para pegar o Carniceiro —

— E eu também quero pega-lo -

— Quer "pega-lo"? a anos tentamos rastrear aquilo, e sempre perdemos. Qual seria sua ideia de "pega-lo"? — Agora Hazel também me questionava

— Você não sabe nem se defender de humanos normais, porque quer se juntar a essa equipe suicida? — Vlad acrescentou

Meu sangue ferveu pelo tom de voz de cada um, como se duvidassem da minha capacidade, só porque apanhei de 2 caras.

— Porque posso entrar na cabeça dele! — Acabei falando

Fez-se alguns segundos de silencio, como se ninguém tivesse acreditado no que acabara de ouvir.

— Quando ele matou minha mãe, consegui ver algumas cenas bem... bizarras, agora com Erza consegui ver um pedaço do passado, do seu trauma — Contei

— O que você viu no Carniceiro? — Vlad perguntou curioso

— Não sei ao certo, passou como um flash, mas vi corpos e... Não tenho certeza, mas acredito que sejam cilindros grandes — Respondi

— Tipos de laboratórios? — Horus perguntou

Concordei com a cabeça.

— Isso é... Incrível, nunca tivemos um mutante que pudesse fazer isso — Vlad disse

— Sim, mas quando fiz com Erza, foi tão desgastante que adormeci por 3 dias —

— Mas você não desmaiou quando fez com o Carniceiro -

— Talvez tenha sido pela quantidade de pessoas no salão, tinha mais de 50 presentes — Horus sugeriu

— Se isso for o motivo, acredito que se eu ficar a sós com o Carniceiro, posso ver bastante coisa -

— Nem pensar — Hazel interrompeu

— Hazel, não percebe? Ela é a chave pra acabarmos com aquela coisa — Vlad falou com entusiasmo

— O que percebo, é que esta cogitando a possibilidade de colocar uma garota contra uma besta invencível —

— Mas pelo que entendi, tudo que fica dentro da escuridão é torturado pelo próprio medo, então ela não corre perigo.

Foi então que recordei de algo.

— Não exatamente, acho que só consegui entrar na cabeça do Carniceiro, porque ele não tinha medo, temor, remorso ou trauma, apenas recordações de atos horrendos —

— Então...? -

— A escuridão não vai afeta ele —

Ficamos novamente em silencio, tentando pensar em uma solução, Vlad sugeriu que deixasse inconsciente, mas precisava dele lucido e desperto.

— Vamos debater sobre isso amanha, já esta amanhecendo e precisamos ir — Horus comentou

— Guta, você vem? — Vlad perguntou

Eu podia andar, devagar mas era melhor que antes. Porém, não queria ir embora, a ideia de deixar Hazel era desanimador.

— Seria melhor deixa-la sair daqui 100% — Hazel respondeu por mim

Vlad concordou e não questionou, os dois se foram, e só sobrou nós duas novamente.

— Você viu qual trauma da Erza? —

No fundo eu sabia que era esse o motivo por trás de sua resposta. Acabei contando, e tentando deixar claro, que não vi a morte em si, apenas o pior momento da Erza.

— E mesmo com essa cena gravada em sua cabeça, ainda consegue ser gentil comigo? —

— É como eu disse, não posso acreditar em rumores, nem mesmo nessa imagem. Não posso te declarar assassina, sem saber o motivo — Respondi

Hazel sentou no sofá, não sabia dizer se estava irritada ou apenas pensando.

— Apolo era um rapaz extremamente competitivo, não aceitava perder, muito menos de uma garota. Seu jeito fez com que fosse invicto nos torneios, até que um dia Vênus o derrotou. Lembro perfeitamente do barulho que os espinhos fizeram ao atravessar seu peito, cada rompimento de dentro para fora se rasgando. — Contou

Ela fez um pequena pausa e continuou.

— A principio, não entendi o que aconteceu. Foi então que ouvir Apolo dizer "Não tem luta sem baixa", foi que a ficha caiu. —

— Horus não pode ajuda-la? —

— Não, a morte era iminente — Respondeu

— Sinto muito —

— Apolo não sentiu remorso, apenas ficou se glorificando. Fiquei com tanta raiva, que o desafiei e encontrei minha vingança mas fui expulsa da Casa por causa disso. —

— Ainda não vejo a assassina dos boatos, não vejo o monstro da cabeça de Erza —

— Mas ele existe —

— Sim, e é conhecido como Carniceiro, você não é um monstro —

— Não quero que você morra, o que foi debatido aqui é suicido —

— Talvez... mas meus poderes só não podem falhar —

— Tem medo de perder o controle? —

— Acho que depois do que ocorreu, tenho medo de ser alguém normal, indefesa e fraca, tenho medo da realidade — Respondi

Decidimos que a conversa se encerrou ali, não tocamos mais no assunto. Preparei o café da manha, e quando a luz do dia iluminou o quarto, observei Hazel adormecida no sofá, seu longo pelo dourado ficou ainda mais brilhante. Senti falta dos meus óculos, mas ao mesmo tempo agradeci por não estar usando.