Manto Negro
18 Capítulo XVIII
Na noite seguinte, foi discutido sobre como de manter o Carniceiro preso ou imobilizado, e não apenas isso, mas também do que fazer quando descobrimos o paradeiro das vitimas.
— Acha que apenas quatro peculiares será o suficiente? — Perguntei ao Vlad
Ele praticamente estava elaborando tudo, ficava tão empolgado que a temperatura do ambiente aumentava.
— Acredito que sim — Respondeu
— Não sabemos se vamos enfrentar apenas o Carniceiro, penso que quanto mais, melhor — Horus comentou
— E que diferença faz chamar mais? Apenas eu, Hazel e Kurt sabemos lidar com o Carniceiro, chamar outros mutantes seria arriscado —
— Concordo com Vlad — Hazel disse
Foi então que dei minha opinião:
— Entendo o lado de vocês, mas se aqueles cilindros forem realmente de um laboratório, vamos precisar de mais do que 4 peculiares —
Eu acreditava na possibilidade que o Carniceiro capturava peculiares para levar aos laboratórios e realizar experimentos.
— Concordo, mas a principio estamos cuidado do Carniceiro, não quero colocar a vida de ninguém em risco — Vlad disse
— Nossas vidas estão em riscos todos os dias — Hazel rebateu
Antes que começasse uma discussão entre Hazel e Vlad, Horus interrompeu e disse:
— Como vamos encontrar o Carniceiro? —
— Ele não vem de acordo com a quantidade de poder? Posso chama-lo se for assim — Respondi
— Não é bem assim, ele funciona como um caçador de aluguel, só vem se certos policiais denunciarem atividades suspeitas — Hazel respondeu
— Como assim certos policiais? Esta dizendo que ele só me encontrou porque fui denunciada? —
Ela concordou com a cabeça e logo explicou.
— Alguns policiais são treinados para identificar mutantes, provavelmente um deles acreditou que você fosse um —
Lembrei do policial que viu meus olhos escuros quando eu e Holly tentamos sair do cinema.
— Então não importa a quantidade de poder que eu use? — Perguntei
— Não, o importante é quem vai ver esse poder —
— É bem simples, um mutante só precisa ir na rua durante o dia e chamar atenção — Vlad acrescentou
— Eu posso fazer isso, já que pra sociedade sou uma assassina —
— Claro, e como você lidaria com as pessoas? — Hazel perguntou
— Posso usar meus poderes, caminho pelas ruas durante um tempo, e quando alguém me identificar, uso meus poderes pra escapar — Respondi
— Seus poderes falharam na ultima vez, e se acontecer novamente? —
— Não vai falhar, acredito neles e só isso que me resta — Respondi
— Ainda te resta viver, e se você falhar vai perder pra sempre -
— Eu aceito o risco —
Hazel não questionou, até porque Vlad deu um fim ao debate, estava decidido que pela tarde, eu iria andar na rua, com o rosto exposto para que todos pudessem ver, causaria algum transtorno e depois fugiria.
Parecia tão fácil, mas quando chegou o momento eu não tive coragem de abrir a porta, Vlad teve que abrir por mim, a luz do dia fez minha pele esquentar, fazia tanto tempo que não saia da escuridão, me senti nua.
— Ah antes que eu esqueça -
Ele tirou um óculos arredondado da jaqueta, fiquei feliz em saber que não andaria cega pelas ruas.
— Leona pediu pra te entregar —
Agradeci e me senti aliviada ao colocar, isso trouxe uma coragem que me fez andar até as ruas.
Usando apenas uma regata vermelha, com um short jeans branco, caminhei devagar entre as pessoas, meu cabelo estava solto de acordo com as fotos que apresentavam na mídia. Ninguém ao menos olhava pra frente, estavam ocupados de mais olhando para os celulares e relógios, até que decidir esbarrar em um homem.
— Hey, cuidado por onde anda! — Exclamou furioso
— Ou o que? — Rebati
Assim que ele me fitou, percebeu com quem estava lidando, seu rosto ficou branco de medo, saiu gritando palavras horrendas que deixou minha orelha queimando de raiva. Como previ, agora eu era o centro das atenções, sozinha no meio da calçada, rodeada de pessoas estranhas que sussurravam e gritavam palavras barbaras. Alguns já estavam ligando para policia, outros tiravam fotos minhas.
Fechei os olhos e me concentrei o máximo que pude, implorei em sussurros para que funcionasse. A principio não deu certo, tudo ainda estava iluminado, um desespero enorme bateu dentro de mim, de repente fui atingida por copos, papel entre coisas coisas.
Então finalmente aconteceu, tudo ficou escuro, coberto por uma neblina negra, as pessoas ao meu redor aparentemente não entenderam a situação, mas depois de alguns segundos aquilo virou um caos. Ninguém podia ver ou ouvir nada, e isso despertou em cada um, o próprio medo. Confesso que era divertido de assistir, deveria ter quantas pessoas? 60? 100? não ousei encontrar o limite da neblina, mas sentia que se estendia por quilômetros.
Voltei para casa da Hazel, e notei algo curioso, dentro da casa estava tudo normal. Logo vi que era um ponto fraco no meu poder, não atravessa paredes e lugares fechados, e quando abri a porta reparei que a neblina agia como uma fumaça, penetrando aos poucos os lugares desocupados.
— Conseguiu? — Perguntaram
Afirmei com a cabeça, a neblina foi se dissipando aos poucos e logo comecei a me sentir muito cansada.
— Seus olhos... — Vlad reparou — É normal?
— Sim, daqui a pouco passa, preciso descansar com urgência —
Voltei para o quarto da Hazel e adormeci assim que deitei.
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