Mantendo Você Perto De Mim
8 Capítulo 8: Por essa eu não esperava.
A sensação de alivio que me invadiu, quase eclipsou minha raiva e medo naquele momento. Mas como sou mãe de primeira viagem, toda emoção que experimento a partir de qualquer situação que minhas filhas estejam envolvidas, é triplicado de forma exponencial dentro de mim.
“Onde você estava?” repeti com raiva renovada.
Rachel apenas ficava me olhando de boca aberta.
Pisei porta adentro obrigando minha filha a recuar.
“O-o quê? Como? O quê você esta fazendo aqui?” Rachel se pronunciou ainda aturdida.
“Você ainda não me respondeu” rebati firme.
“Responder...” Rachel parecia estar lentamente a sair de sua letargia e entrar num terreno perigoso...
A raiva
“Responda-me, a onde você estava nas duas ultimas noites?” Eu observei Rachel apertar os punhos. Em um momento de deja-vú, eu ví a mim mesma e todas as minhas emoções quando estavam a pino.
“E o que isso importa para você?”
Shelby estreitou os olhos de forma perigosa. Seus alunos conheciam esse olhar, mais sua filha fazia pouco caso disso.
“O que me importa? Me importa e muito. Você não é o tipo de garota que faz este tipo de coisa, praticamente sumir por dois dias inteiros quando nenhum dos seu pais estavam a par...” Shelby parou por um momento considerando mais isso no seu arsenal de acusações.
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Eu estava chocada.
Shelby Corcoran, a mulher que me gerou, me deu ao nascer, voltou por alguma espécie de chance para nós duas, me largou de novo como seu eu não era o que ela estava procurando e depois de um tempo retorna de novo bagunçando tudo.
Esta me mesma mulher que não queria saber de arriscar algum contato comigo, de querer ter um simples encontro de almoço com uma menina esperançosa de algum contato com sua mãe...
Há essa otária esperançosa como devem saber sou eu, Rachel Berry.
A mulher que praticamente disse com todas as letras não estar interessada em ser minha mãe, simplesmente estava ali na minha frente agindo totalmente ao contrário.
Inacreditável, mas preocupante. Meu coração burro estava querendo dar passagem á intrometida da esperança. E com Shelby eu não queria me arriscar de jeito nenhum, ela era perigosa. Acho que nunca vou parar de recolher os cacos do meu coração.
“Não que seja da sua conta. Mas eu fui convidada a uma festa do pijama improvisado.”
E que festa...
“Com quem?”
“Quinn”
“Seus pais sabem?
“É claro!” Shelby ainda não parecia satisfeita.
“É recorrente você ficar assim sozinha por algum período de tempo? Sem algum tipo de supervisão?”
“Não...” Tentei não vacilar.
Shelby detectou a mentira na hora.
“Rachel...”
Encrespei-me na hora.
“E daí !? Meus pais tem plena convicção no meu senso de responsabilidade. E até mesmo você me disse que eu já era crescida o suficiente. Portanto não compreendo o porque de você estar agindo assim, como se importasse...”
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Shelby agarrou a filha pelos ombros.
“POIS EU ME IMPORTO!!!!!” Eu tentei agarrar algum resquício de controle dentro de mim. Não era assim que pretendia abordar minha filha.
Mas dane-se.
Ficar sabendo que ambos os seus pais saíram para seja lá o que for, e deixaram o meu bebê sozinho para o fim de semana, foi um pouco demais para o meu entendimento.
Acrescente a isso, sua filha desaparecer por dois dias inteiros...
Pode apostar que uns bons dez anos foram roubados de mim.
Rachel parecia feita de pedra sob meus dedos.
“Olha, eu fiquei preocupada. Foi por um acaso que eu descobri que você ficaria sozinha para o fim de semana. Achei que não faria mal dar uma passada e verificar se estava tudo bem por aqui... Então você não estava e não atendia o celular... E... Eu passava por aqui de novo e nada e nem ninguém sabia sobre você...”
Eu não pude evitar começar a sentir novamente aquele sentimento horroroso de desespero tomar conta de mim. O tremor que me sacudiu só de pensar que alguma coisa possa ter acontecido a minha menininha...
Mas ela estava ali bem na sua frente, e sem um arranhão.
Não agüentei e a puxei para os meus braços.
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Meu cérebro tinha virado mingau, só pode! Sem que eu percebesse meus braços a rodearam e timidamente fui correspondendo ao inusitado abraço de minha mãe.
Mas...
Sorrateiramente pequenas lembranças com a potência do pior dos venenos começou a me invadir. Com um arranque me soltei dela. Shelby Corcoran. Não minha mãe, não minha amiga, não minha tutora improvisada. Mas sim a treinadora do Vocal Adrenalina.
A mulher fria e calculista.
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"Rachel, querida."
"Não, não! Você não consegue fazer isso! Você tem Beth, ela linda, e eu sei que você a ama. Ela era o que você queria, não eu"
Eu odiava ser fraca. Eu odiava não conseguir controlar minhas emoções e, acima de tudo, eu odiava que era Shelby, que tem que ver o meu real.
A garota emocionalmente ferida de morte. A garota que ninguem dava a minima se a magoasem.
"Você não me quer. Você passou pelo problema de ter Jesse para me seduzir." Como doeu saber daquilo.
"Isso não fazia parte do plano." Shelby interrompeu furiosamente.
"E ele me convenceu a procurar por você. Eu encontrei você, e você me rejeitou. Você queria uma filha. Só não era eu. Eu não era boa o suficiente. E então ..."
Não chora, não chora. Guarde isso para a sua privacidade.
"Rachel, não é assim."
Levantei a mão para interromper qualquer tentativa de defesa dela.
"E então, quase me quebrou. Eu amo os meus pais. Eu. Mas você é minha mãe, você sabe. Você é minha mãe. E você deixou Lima, com sua filha pequena e perfeita. E agora. Agora, volta e você quer que eu seja bem com isso. Para fingir, passar uma borracha?”
“ Shelby ... você cantou essa música comigo. E ele quebrou meu coração tudo de novo. E então você roubar outra pessoa para longe de mim. O que mais você quer de mim? Você tem Santana, Mercedes... E quem mais você possa por os olhos para o seu coral.”
Shelby estava em lágrimas.
"Rachel. Eu não quero nada de você. Aceitação talvez, mas principalmente perdão. Talvez uma segunda chance. Ouvi dizer que você é boa nisso." Shelby forçou um sorriso.
"Eu não acho que eu posso fazer isso. Não agora... Eu acho.
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Shelby não ia mentir, mas se sentiu magoada com a filha.
Puxando a respiração olhei parcialmente em volta, detive meus olhos sobre algumas fotos na parede. A maioria de Rachel é claro. Olhei para algumas imagens dela enquanto recem nascida...
Doeu.
Ela era exatamente como me lembrava antes que a levaram de mim, ainda na sala de parto. Cabelos espessos e negros adornavam a cabecinha dela, e totalmente selvagens. A boquinha rosada, assim como as bochechas... Os olhos...
Nunca vou me esquecer deles. Da primeira vez que os ví. Em meio as enfermeiras, minha filhinha abriu suas palpebras pequeninhas e olhou diretamente para mim, e eu olhei para ela. Foi magnético.
Desviei minha atenção para as outras fotografias. Várias em vários estágios de crescimento. Não fiquei surpresa de vê-la com um microfone na mão e um sorriso de mil wats. Em outras ela estava agarrada a seus dois pais, e em outras, apenas com um deles. Não era dificil de se observar a adoração deles para com a sua estrelinha.
Uma em particular me chamou a atenção. Era de Leroy, o moreno alto e musculoso, ele segurava uma Rachel de três anos no colo. Nenhum dos dois olhava para a câmera, eles só tinham olhos um para o outro. A mãozinha de Rachel repousava sobre a lateral do rosto moreno e seu rostinho tinha o sorriso mais largo que uma criança naquela idade poderia ter. Leroy não ficava atrás, seu sorriso idêntico ao da garotinha.
Sempre soube quem era o pai biológico de Rachel, e só um cego não notaria alguns traços de Leroy nela, mas meus genes eram predominantes. Minha respiração engatou ligeiramente. Eu quero tanto ela.
“Só tenho um foto sua, das seletivas mais precisamente.”
"E de quem é a culpa?" Rachel se encolheu na malícia que pingava de suas palavras.
Eu assenti com tristeza.
"Eu assinei um contrato Rachel, você nunca foi minha."
Nos olhamos no que parecia ser horas.
"Eu sei, mas ainda não é motivo para que eu seja odiosa com você" Rachel respondeu tristonha e envergonhada " Foi tão mais fácil culpa-la.”
Meu coração se apertou por ela.
"Eu lhe dei motivos de sobra para me odiar Rachel." Reconheci, ainda mais envergonhada que ela.
"Eu não odeio você." Rachel olhou para Shelby sincero. "Eu nunca fiz."
Sorri tristemente.
"Foi fácil culpar você, porque você não estava lá. E então foi fácil culpá-la porque você estava. Ser a única na escola sem uma mãe. Ser a única com dois pais. Sempre sendo provocada por isso. Na escola primária, as crianças me diziam que eu era a razão pela qual você não estava por perto. Que nenhuma mãe poderia estar, por ter uma filha feia como eu. "
"Oh, Rachel." Puxei ela para meus braços. Estava profundamente revoltada pelo que minha filha passou. Essa maldita cidade de mente estreita.
"No colégio, as pessoas esqueceram a coisa sobre mãe. Em vez disso, substituiram por raspadinhas diárias por causa do que eu usava e do tipo de pessoa que eu era. Eu não sou popular. Eu não sou bonita como Quinn, ou Santana, ou qualquer uma dessas meninas. "
Apertei Rachel ainda mais contra mim. Logo que comecei a trabalhar no Mackinley observei certos comportamentos nos corredores. Figgins, ou era muito obtuso ou enorme avestruz. Era inaceitavel este tipo de conduta em um estabelecimento de ensino.
“Existem valentões em todos os lugares. Eu sei que dói, mas você não pode deixá-los chegar até você. E você está errada. Você é linda, Rachel. Você nunca mereceu nada disso. Sinto muito por tudo que você passou, mas você acha que a minha presença teria parado essas coisas?"
"Não. Mas eu teria a minha mãe para chorar quando eu cheguei em casa."
"Em vez de ter dois pais que a amam."
"Eu nunca disse a eles". Rachel explodiu em lágrimas.
"Rachel. Por que não? Eles poderiam ter ajudado. Você poderia ter ido para uma escola diferente ou algo assim."
"Eu me senti envergonhada. Pensei que o que diziam era verdade, e assim, eu não acho que o meu pais iria querer me ajudar. Eu não acho que eles acreditariam em mim."
Eu deixei minhas próprias lágrimas cair enquanto segurava minha filha quebrada.
"Sinto muito que você sentiu como se você tivesse que passar por tudo isso sozinha Rachel. Eu sinto muito que eu adicionei aos sentimentos de inadequação, deixando-lhe pela segunda vez. Nunca me arrependi tanto. Mas você não está só agora, Rachel. Você está cercada por tantas pessoas que te amam. "
Rachel balançou a cabeça e enxugou as lágrimas. "Eu sei. Eu só dizer-lhe que eu não odeio você. E que era injusto da minha parte culpar você por tudo de errado na minha vida. Você me machucou quando você saiu, mas você voltou. E Parece que você quer batalhar por isso. " Ela disse essa última parte apontando para as fotos na parede.
Eu balançei a cabeça concordando. Sim, queria construir uma vida com minha filha mais velha e a mais nova.
"Mais do que qualquer coisa." Respondi, enxugando minhas lágrimas.
"Então eu gostaria de tentar. Para começar de novo." Rachel respondeu calmamente.
"Eu adoraria isso."
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Quinn chegou em casa pisando nas nuvens. Seu corpo estava no piloto automático. Ela estava tão presa no seu mundinho de arco íris que nem viu sua mãe pelo caminho, a olhando de forma engraçada.
“Quinn?” Chamou Judy.
Caiu em ouvidos surdos
“Quinnnnnnn!” Bufando, a Fabray sênior agarrou a filha pelos ombros para traze-la a realidade.
Quinn piscou surpresa.
“ah, oi mamãe!”
“Como foi seu final de semana?” Judy questionou gentilmente.
Quinn abriu o sorriso mais pateta que sua mãe já viu. E ela tinha um palpite sobre o que era.
“Perfeito!” Ela se inclinou deu um beijo no rosto de sua mãe e se recolheu aos seus aposentos.
Judy Fabray sabia das coisas. E ela tinha certeza absoluta de que o perfeito final de semana, atendia pelo nome de Rachel Berry.
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