Malditos Sentimentos
55 Cemitérios & Impulsos
Notas iniciais
POV Dallas
Era uma quinta feira silenciosa. Parecia que as pessoas não estavam fazendo mais barulho de antes então eu fiquei me perguntando porque eu imaginava o barulho das pessoas enquanto o mundo estava desmoronando em cima de mim. Pode até parecer clichê e talvez eu peque um pouco dizendo que eu não tenho vida sem ela porque eu tenho vida sem ela. Na verdade, quando eu não tinha uma vida sem ela, tudo era mais fácil. Eu só era um garoto chamado Derek, apaixonado por uma Ally Dawson, odiava Austin Moon e tinha uma mãe que me amava. Eu acho que sinto falta disso. Das coisas serem mais fáceis. Mas não é sempre assim? Você sente falta das coisas que na verdade nem são tão boas assim e talvez ela ter desaparecido temporariamente da minha vida remake de jogos mortais e doce vingança foi bom para nós dois. Eu tava tentando ser maduro em relação a tudo isso e engoli a seco todas as vezes que ela passava no corredor, mas isso doía demais em saber que eu não posso ficar com ela. Porra, será que o meu passado é tão ruim ao ponto de me impedir de ter uma vida feliz com a pessoa que eu amo e o meu filho? Suspirei pesadamente e me dirigir até um lugar que as pessoas realmente costumam odiar então podem me chamar de estranho, mas é um lugar que me traz lembranças. Eu encarei o lugar de longe. Gélido, vazio e apesar de ser só 17:00, escuro. Cheguei mais perto e me arrepiei ao ver túmulos enfileirados e fiquei por um momento perdido e atordoado com tudo aquilo até achá-lo.
"Courtney Marie Centineo.
Nascimento: 19/11/79
Morte: 21/07/2013."
-E ai mãe? -Eu toquei na sua lápide de leve e senti um choque ruim dentro de mim e não demorou muito para as primeiras lágrimas descerem e eu cai no chão. -Cara, tudo que eu mais queria era você aqui, sabia? Eu preciso te contar tanta coisa. Umas que você não vai gostar já que não gosta da Cassidy, mas outras que você vai adorar.
Eu olhei ao redor e continuava tudo vazio. Me senti aliviado por não ter ninguém por perto pensando que era um doido então continuei a falar com ela deixando o meu olho, cada vez mais, vermelho de tanto chorar.
-Bem, eu sei que você gosta de receber as boas notícias primeiro então... Eu ganhei uma bolsa pra Yale, mãe. Medicina, é claro. Como você sempre achava que eu seria e eu tenho que dizer que pela primeira vez, eu não me orgulho de mim. Eu me orgulho de você. Sem você, eu não teria conseguido nada disso então obrigada por ser minha heroína e o motivo dos mesmos resmungos quando eu não queria estudar e você ficava "Derek, vai estudar e pare de ficar vagabundando com os seus amigos." -Disse imitando sua voz fina e minhas lágrimas estavam cada vez mais incontroláveis e eu tentava secá-las e esboçar o melhor sorriso no rosto. Ei, Dona Courtney odiava gente sentimental.
-Bem, mas não foi só faculdade que eu ganhei bolsa, eu também ganhei um filho. Pois é, quem diria? Pai aos 17 anos de idade. Eu acho que você tem muita coisa em comum com a Cassidy porque ela também vai ser mãe aos 17 anos e mãe, ela é mulher da minha vida. Eu até sinto falta dos seus sermões sobre ela então acho que iria brigar muito com você se estivesse viva. -Abaixei um pouco a minha cabeça e toquei na lápide novamente.
-Sinto sua falta. Eu queria que estivesse aqui pra me dizer o que fazer agora. Eu amo tanto ela, mas não posso ficar com ela. Não agora. Eu preciso destruir o meu passado e isso inclui a pessoa que te matou. Perdoa ele por mim, mãe. O Elliot é um filho da puta, mas acredite que existe pessoas bem piores que ele e são nelas que estou preocupado nesse momento. Então perdoa porque eu nunca vou ser capaz de perdoar o que ele fez pra você. Ele me deixou sozinho sem saber o que fazer vivendo de favor com uma pessoa que nem suspeita que eu já recuperei minha memória. Ah sim! Sofri um acidente, mas não se preocupe. Eu tô bem. Só tive um pequeno momento de perda de memória, mas eu estou normal. Não... normal normal, mas o meu normal. Bem... -Disse me levantando rapidamente e olhando para o seu túmulo de novo com o rosto vermelho de tanto chorar. -Eu te amo. Eu espero que você esteja do além escutando tudo isso porque você foi uma puta mãe e uma puta mulher. Não, você não era puta. Ai droga! Você me entendeu. Odeio fazer birra mas eu preciso de você aqui comigo. Por favor, mãe. Eu sou um egoísta por te querer aqui comigo? Acho que sim. Você é uma pessoa tão extraordinária que as pessoas do céu devem está alugando o seu tempo, mas eu sei que você está aqui mesmo que eu não te veja. E eu sei que se eu precisar de você, é só eu lembrar da sua voz na minha cabeça e mais uma vez você estará lá novamente. Obrigada por ter aguentado um filho como eu.
E então eu sai do cemitério beirando a lágrimas e esperando que ninguém tenha visto a minha cena gay agora.
POV Austin
-Bom ensaio, pessoal! -Me virei para os meus amigos enquanto todos assentiram animados. -Acho que o prêmio do concurso já é nosso.
-Concordo! -Exclamou Joyce animada. -Também se eu tivesse na banda, tudo isso ficaria uma merda. Podem falar. -Todos começaram a ri inclusive eu deixando Joyce brava.
-Claro, Joyce. Também pouparia a gente das tuas cenas briguentas, né? -Falou Rocky mexendo no seu cabelo de leve.
-Rockyzito, eu sei que você me ama, mas dar pra esconder um pouco isso? -Ela riu de leve e ele fez um sinal da cruz pra ela como se dissesse "Deus me livre" e eu comecei a ri dessa cena. Eu observei a cena e vi um Ross meio calado olhando para o nada e eu resolvi falar com ele.
-Ross, tudo bom?
-Tô sim, Austin. -Wow! Eu ainda não me costumei com nossa semelhança, só que eu sou bem mais bonito. É claro. -É só... Cadê a Rydel, hein? Eu preciso falar com ela.
-Não sei, ela e o Ratliff saíram agorinha. Devem está na cozinha.
-É talvez. Ela vive saindo com esse tal de Ratliff...-Abaixou a cabeça um pouco. -Eu acho que ela gosta dele.
-Ratliff e Rydel? O que? Nada haver eles dois, cara. O Ratliff tem namorada. Deixa de ciúmes.
-Moon, tudo que eu queria era ter ciúmes dela. -Levantou a cabeça e colocou a mão na nuca nervosamente. -Mas eu não tenho. Eu fiquei mais enciumado com a ceninha da Joyce agora do que com isso.
-Então você tá dizendo que ainda gosta da Joyce? -Encarei ele animado. Eu gostava deles dois juntos e eu sei que a Joyce foi uma cega de não ter percebido que ele gostava dela antes, mas eu acho que tudo tem conserto.
-Eu sei. -Mexeu o cabelo mais nervoso ainda. -Eu não posso gostar dela de novo.
-Sabe Ross? As vezes nem é "de novo". Você pode sempre ter gostado dela e você não percebeu. Qualé, você e a Joyce são perfeitos juntos. Eu amo a Rydel, mas é nítido que você não sente "aquela coisa" que sentia pela Joyce.
-Você pode ter razão, mas ela é tão insuportável. Ô menininha difícil, Moon.
-Acredite, eu tô na mesma situação que a sua. A Ally não para de me mandar sms ciumentos por causa da Joyce. -Eu o encarou rapidamente e ele sorriu. Eu acho que ele já tinha superado todo aquele rolo que aconteceu antigamente.
-Você gosta dela. -Falou por fim animado e eu corei.
-Eu amo ela. Ela é minha louquinha. Eu gosto dela assim mesmo. Me deixando aos nervos com os seus surtos.
-Você tem sorte, Moon. Sorte por achar alguém que realmente você diga "Droga! Eu tô estupidamente apaixonado por ela e por aquela defeito dela." É raro achar isso. Principalmente vindo de você. O cara que nunca se apaixonou na vida.
-É, talvez tenha razão. É até estranho escutar isso vindo de mim e eu queria tanto dizer isso pra minha pequena, mas eu não consigo. É difícil demais expressar sentimentos.
-Talvez você só precisa parar de pensar. Faça. Expresse tudo que sente. E é exatamente isso que eu vou fazer com a Joyce. Parar de pensar. -Se levantou rapidamente me deixando observar a cena com um sorriso no rosto. Ele foi até o cantinho que ela estava conversando vulgo "brigando" com uma menina lá por sentar na cadeira e a agarrou firmemente. Ela, no início, demorou a corresponder, mas logo colocou suas mãos no cabelo dele e retribuiu deixando todos de boca aberta inclusive Rydel e Ratliff que acabavam de chegar da cozinha. Fodeu.
POV Elliot
Eu me despedi de Amanda depois de todo o meu discurso apaixonado por ela e eu tentei procurar a loira em todos os lugares para irmos para a consulta. Não, não sou um galinha. Eu amo as duas, o que eu posso fazer? Na verdade, a volta da Amanda só viu para mexer com os meus sentimentos e eu sabia disso. Pelo menos, eu sei que ela não é uma pessoa como a Cassidy é. E eu queria fugir desses sentimentos mas eu não podia. Eu amava as duas e isso era inevitável. Vasculhei o corredor preocupado até esbarrar em uma pessoa.
-OLHA AQUI,NÃO OLHA PRA ONDE ANDA NÃ... Ah! É você. -Pelo riso sarcástico, dava para pensar nitidamente quem era. Kira Clemmons. Agora mais essa bicha para eu aguentar.
-Você viu a Cassidy? -Perguntei sem dar muita atenção para o sarcasmo dela.
-Essa namoradinha imbecil? Graças a Deus ela não cruzou o meu caminho.
-Por que odeia ela?
-Ainda pergunta? Essa filha da puta quer roubar o Dallas de mim e eu não vou deixar isso acontecer. Cansei de ser boazinha e aguentar os seus ataques de ciumes pra cima de mim, mas agora eu sou a namorada dela e não vou admitir esse tipo de desrespeito pra cima do nosso amor.
-Que amor, Kira? -Dessa vez, eu comecei a ri e ela me encarava irritada. -O Dallas não te ama, garota. Você é cega? Ou só gosta dos restos das outras pessoas?
-Parece que não sou a única por aqui então, não né? -Dessa vez, eu a encarei irritado. Isso não era verdade. Sim, eu sabia que a Cassidy amava o Dallas, mas ela tinha certeza de que ela gostava de mim. O Dallas não mostrou uma merda de sentimento por ela. Isso é nítido.
-Já que o Dallas gosta tanto de você, aonde está ele agora?
-Já saiu do colégio, queridinho. Deve está indo refrescar a mente depois de ver uma figura imbecil como você.
-Ah Kira! Vai comer capim, vai. Pelo menos, é isso que as vacas fazem.
-Idiota.
-Imbecil.
-Espero que você seja corno, seu viado de uma merda.
-Se eu for corno, tenha a certeza que você será também. Porque...
-CALA A BOCA! Ele não gosta mais dela.
-Se ilude que é bom.
-Ótimo.
-Ótimo.
-Tá.
-Tá.
-Adeus. -Falamos uníssomos. Odeio essa garota. Odeio muito. Respirei fundo e desistir de procurá-la. Talvez ela tenha ido com o Dallas mesmo para a consulta. Eu daria tudo pra ver a cara dele quando descobrisse que ela estava grávida e que esse bebê era meu. Pelo menos, eu acho que ela diria isso porque ele perdeu a memória e se assustaria com o fato que na verdade é dele. Encarei o chão por alguns segundos e resolvi chamar o Tyler para sairmos um pouco.
Fale com o autor