Malditos Sentimentos
56 Vassouras & Brigas
Notas iniciais
POV Ally
-Kira, você tá fazendo errado. No refrão, você precisa elevar mais o agudo entendeu? -Eu odeio essa garota. Será que ela não aprende nada?
-Tanto faz. -Disse ela olhando uma das revistinhas de fofocas dela. Ai, essa garota me enoja. -Ei, quando o Dallas vai chegar hein?
-E eu sei? O Dallas nunca fala pra onde ele sai. Ele simplesmente vai embora sem dizer nada, por que?
-Ora, eu preciso saber ainda ele está já que provavelmente eu serei a futura Sra. Centineo.
-Ô Kira, você ama se iludir né? Garota, o Dallas não gosta de você. Eu tô falando isso com sinceridade.
-Por que todo mundo me fala isso? -Ela largou a revista, mas sem querer derrubou o copo na minha cozinha. -Foi mal.
-Tudo bem. Agora me ajuda a limpar essa porqueira que você fez. -Eu e ela fomos pegar uma vassoura e uma pá e começamos a varrer os cacos de vidros que havia pela casa.
-Então... Por que você acha isso? -Disse olhando para o chão como se tivesse concentrada em algo não muito importante. Eu estranhei o fato dela não ter voado pra cima de mim ou mostrado sua arrogância de sempre, mas isso era bom.
-Não é obvio? Kira, você é uma garota muito especial para o Dallas. Não tenho dúvidas disso porque toda vez que eu ameaçava te xingar ele te defendia com unhas e dentes.
-E então, viu? Ele me ama.
-É claro que ele te ama, mas não como você pensa. Você é a melhor amiga dele.
-Mas isso não significa que eu não possa ser algo mais...
-Kira, pra isso acontecer, os dois precisam querer e me desculpe, mas o amor que o Dallas sente pela Cassidy é forte demais pra se desmanchar dessa forma.
-Cassidy... -Ela parou de varrer irritada e me encarou furiosa. -O que essa menina tem demais? Ela nem é tão bonita assim....
-O que ela tem demais? Me responda você. -Ela olhou pro chão novamente triste e magoada.
-Eu nunca tinha visto o Dallas assim. O jeito como ele se mostrou louco pela Cassidy foi... eu acho que sempre tive inveja dela por isso. Nem quando ele era apaixonado por você, ele tinha aquele brilho no olhar.
-Viu? -Eu toquei de leve as suas costas e senti lágrimas dela caindo pela minha cozinha. Repito: Minha cozinha limpinha, mas eu ignorei esse fato e a abracei de leve. -Olha Kira, não fica assim. O Dallas tinha razão. Você é uma pessoa incrível.
-Ele disse isso de mim? -Falou limpando as lágrimas e sorrindo.
-Sim, ele disse. E ele disse também que você é a melhor amiga que ele poderia pedir. Além do mais, a pessoa que ele mais gosta de maquiar.
-Obrigada, Ally. Sério. Eu não deveria tá te enchendo por causa disso mas é que aquele babaca do Elliot me encheu por causa disso hoje e...
-Você é amiga do Elliot? -Arqueei as sobrancelhas surpreendida.
-Amiga? Nem se eu reencarnasse eu serei amiga desse estúpido.
-Nossa, quanto ódio. -Sorri mais aliviada porque aquela choradeira dela acabou. Não sou uma das melhores pessoas pra apoiar a outra, mas fico feliz por conseguir.
-Não é ódio e só que se ele morresse agora deixaria meu mundo mais feliz.
-Cuidado pra não parecer como a nossa letra da música.
-hahahaha Ally, muito engraçada você. -Nesse momento, eu senti meu celular vibrando e eu peguei-o e havia uma mensagem do loiro.
"FODEU."
ai você pensa que é "te amo baby" ou algo assim. Nossa, que romântico, Moon.
"Nossa, eu tô surpreendida com o seu romantismo."
"ALLY SOCORRO A TERCEIRA GUERRA VAI COMEÇAR."
"Respira e me conta o que houve."
"JOYCE. ROSS. RYDEL. NÃO TENHO COMO TE EXPLICAR APENAS CORRE AQUI NEGA QUE O BABADO TÁ FORTE."
"ADO-RO BABADO. Me dar 5 minutos que eu vou dispensar a Kira e tô indo pra ai."
"OK, CORRE PERNA FINA."
"Olha o respeito Moon."
"TE AMO."
"melhorou. haha."
-Kira, eu adorei falar com você mas será que a gente podia fazer o ensaio geral pra mais tarde?
-Claro. Eu acho que preciso falar com o Dallas mesmo sobre tudo isso que a gente conversou e tal. Obrigada, Ally.
-De nada. Ah e ver se treina mais os agudos, beleza?
-Pode deixar.
Agora sim... Babado! Uiii.
POV Dallas
Gay. É como eu estou agora. Se eu tivesse um espelho pra me olhar a cada vez que eu passeasse pela rua desse jeito, eu acho que o espelho viraria automaticamente rosa. Eu resolvi ir até o consultório da Cassidy porque eu precisava ver como ela estava e além do mais, era meu filho também e se ela pensa que eu desistir dela, está mais que errada. Eu a amo. No caminho, eu senti uma voz fraca chamando meu nome e então eu virei para atrás.
-Dallas... -Meu coração parou quando eu vi o seu estado. Eu nunca tinha visto ela desse jeito.
-Cassidy, respira tá legal? O que houve? Você tá gelada, você está bem? -Eu tirei minha jaqueta e coloquei sobre os seus ombros procurando esquentá-la um pouco.
-Nosso filho.
-O que tem ele?
-Ele... corre risco de vida. -Nesse momento, meu coração gelou. Parecia que Deus havia ouvido o meu chamado e eu tinha visto uma leve luz indo em minha direção mas eu cai na real que era apenas a iluminação da cidade.
-Calma, como assim? Cassidy Peeples, me fala isso direito. -Tentei manter a calma e tentei fazer com que ela mantesse e também, mas nada resolvia. Ela tremia muito e estava cada vez mais pálida.
-Eu não sei, Dallas. Eu não quero perder ele. Eu não quero.
-O que o médico falou? Cassidy, eu te falei pra não ir sozinha? Você podia pegar um resfriado com esse frio. Você é muito teimosa, garota.
-Desculpa pai. -Reclamou irritada e por um segundo, olhei para aquela boca maravilhosa. A minha vontade de tocá-la era sobrehumana, mas eu precisava me controlar.
-E então, o que o médico falou?
-Falou que os estresses que eu tô tendo estão fazendo mal ao bebê e que eu não posso sofrer desse jeito se não, eu corro risco de perdê-lo. -Nesse momento, meu sangue ferveu e eu comecei a me socar o que deixou Cassidy sem reação.
-O que você tá...
-Eu sou um monstro. É tudo culpa minha.
-Não é culpa sua. Eu escolhi isso. Eu escolhi ficar com você.
-Escolha errada. O amor não é mesmo suficiente para ninguém. Eu te amo, mas do que isso conta? Ao mesmo tempo que eu te amo, eu tô ferrando sua vida. Eu tô deixando você triste e tô acabando com você.
-Nunca mais repita isso. Você foi a melhor coisa que me aconteceu, entendeu? A culpa não é sua.
-Então me fala do que é? Do meu passado? -Dessa vez, eu comecei a ri baixinho. -Será que Deus me pune tanto assim pelo o que um dia eu já fiz? Será que eu mereço ser feliz pelo menos uma vida na minha vida? Será que eu mereço isso?
-Calma Dallas...
-Calma? Eu tô sozinho. As pessoas nem mesmo sabem que eu sou eu. Acho que sempre vou ter que pagar pelo o que eu já fiz e nunca vou ter sossego. Acho que foi uma boa escolha sua se livrar de mim logo de uma vez. Pelo menos, esse filho vai sair saudável e você vai ser mais feliz.
-Como você pode dizer isso? Dallas, você tá louco? Sabe o quanto eu tô mal por não ter você na minha vida? Será que não percebe o valor que tem, garoto? E não, não vou ser feliz. Sabe por que? Porque aquele garotinho de cabelo ruim que mal sabia tocar violão e era ruim em futebol se tornou dono da minha felicidade assim que ele entrou na minha vida. E esse é o seu passado. Então fique feliz porque foi no seu passado que você me conheceu e é nesse passado que você se tornou minha felicidade. Então pare de se lamentar e fraquejar o tempo todo e agradeça pelo o que tem. Você teve uma mãe que te ama e que ainda te ama, você tem amigos, você tem um irmão que te adora e além do mais, você tem e sempre teve a mim. A pessoa que mais te ama nesse mundo.
-Cassidy...
-Quer saber? Quando você parar de se lamentar que nem um pobre coitado por tudo que parece na sua frente, você fala comigo entendeu? Porque esse definitivamente não é o Dallas que eu conheço.
-Você é muito hipócrita, Cassidy. Você resolveu sair da minha vida porque não tava mais aguentando sofrer e agora me diz tudo isso? Eu não te entendo. Se você me amasse mesmo, estaria aqui me apoiando. Mas é como eu falei... O amor nunca é o suficiente. -Cassidy levantou a sua mão e me deu um tapa na minha cara.
-Parabéns, Dallas Centineo. Você virou um covarde e estúpido. Espero que engula cada palavra do que disse e que aprenda a dar valor a quem está ao seu lado o tempo todo.-Eu puxei seu braço por instinto e me aproximei dela lentamente.
-Me desculpa. Eu não quis dizer...
-Tudo bem. Eu posso ter escolhido tentar ser feliz de outro modo, mas em nenhum momento deixei de te amar. E eu te prometo que em nenhum momento vou deixar. -Ela se aproximou mais lentamente de mim e eu não parei de olhar pra sua boca carnuda e viciante.
-Cassidy...
-O que é? -Falou baixinho olhando para os meus lábios também.
-Eu acho que vou te beijar agora.
-Então somos dois. -E por fim, colamos nossos lábios mais uma vez. Eu sabia que teria que sofrer por causa disso, mas eu não podia aguentar ficar longe dela. Eu não podia. Ela era tudo o que eu tinha, esse filho é tudo o que tenho. Eu sei que não dar pra jogar tudo pro alto agora pra ficar com ela e ser feliz, mas ela é a minha fraqueza e eu sabia que meu controle perto dela ia pra puta que pariu. Quando nossos fôlegos estavam faltando, paramos o nosso beijo com selinhos seguidos e nós encostamos nossas testas umas nas outras e optimos pelo silêncio por um bom tempo. Estávamos perdidos.
-Ora, Ora, Ora... Olha quem está de volta. — Percebi uma voz atrás de mim e eu espremi os olhos pesadamente. Era o Elliot.
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