Make a wish - aokaga story
3 Kagami.
—Oe, por que demorou? — Daiki questionara assim que botara os pés na quadra. Recebera a resposta de sua mensagem de texto pouco tempo depois de enviá-la, deveriam se encontrar no lugar de sempre, era uma rotina da qual havia se habituado naturalmente. Não era maçante fazer algo que gosta com alguém por quem nutria sentimentos, mesmo que essa pessoa fosse Aomine Daiki. Então se arrumara e caminhara em passos lentos até o local, geralmente era ele quem ficava esperando, então não se importou em apressar o passo. Mas quando chegou ele estranhamente já estava lá, segurando a esfera alaranjada em uma das mãos.
Não deu importância para o olhar raivoso que lhe fora direcionado, largou suas coisas no canto da quadra e começou a se alongar. Estava deveras preguiçoso naquela tarde de domingo, o sol e o calor excessivo em nada contribuíam para que sua sonolência fosse embora. -Vai demorar muito baka? Lento igual uma lesma mesmo, vai me dizer que não dormiu a noite inteira pensando em mim? — O sorriso dele era extremamente provocante. Kagami quase respondera em afirmativa, tinha ficado acordado até tarde para terminar de arrumar o apartamento por completo e obviamente acabara pensando no maldito. Arrumar a casa era uma boa atividade para se fazer quando não se sentia disposto para as pendências da escola, ao menos não estava sendo totalmente improdutivo. Era uma das muitas mentiras que repetia para si em uma tentativa de se acalmar.
Não se dera o trabalho de responder, passara por ele roubando a bola e se encaminhando para efetuar a cesta.
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Não sabia a quantas horas estavam ali, mas sentia a exaustão dos seus músculos a cada passo que dava. Respirou fundo enquanto esperava o maldito tirar a blusa para que retomassem a partida, estava com a posse da bola, precisava fazer uma cesta para que ganhasse, o placar estava favorável para o ruivo. Se ganhasse aquela, estaria a duas partidas de vantagem do moreno. Geralmente, o ruivo é quem ficava para trás, mas o outro estava bem disperso nas últimas semanas. Secou a testa com as costas da mão, já havia retirado a própria regata nos primeiros minutos de embate, o calor se sobrepunha naquele dia e a quadra cimentada parecia intensificar o clima.
Observou ele retornar e se posicionar a sua frente de costas para o garrafão. Começou a quicar a esfera o encarando, foi se aproximando enquanto mantinha a posse de bola. O bastardo intensificou o sorriso quando interpretou sua inclinação corpórea para a direita, acompanhando o movimento em função do bloqueio de sua jogada. Kagami por sua vez tinha outros planos, moveu-se de forma hábil — quando próximo demais do corpo do outro, conseguindo até mesmo sentir a lufada de ar que escapulia pelos lábios do moreno — para a esquerda ganhando passagem livre para cesta.
Daiki se recuperara, mas não a ponto de impedir a enterrada do ruivo que após o salto o olhara sorridente, expondo os caninos como o maldito competidor que era. -Parece que o lento aqui é você aho... — Não se conteve em rir da expressão desgostosa do garoto a sua frente, sabia que se houvesse oportunidade ele o esganaria de raiva, mas não podia negar que apreciava irritá-lo e claro, ganhar.
Ele revirou os olhos e lhe deu as costas indo em direção aos próprios pertences. Estranho, geralmente o azulado faria o seu ouvido doer de tantas ofensas. Pegou a bola que rolava na direção contrária da saída e depois fora em direção a própria bolsa. A partida fora encerrada em sincronia com o início do pôr do sol; iria direto para casa tomar um bom banho, apesar do presente cansaço teria de cozinhar esta noite por estar gastando demais comendo hambúrgueres. Quando se aproximou do outro percebendo a tensão nos ombros deste enquanto arrumava a própria bolsa. Pegou a garrafa de água que havia trago notando-a vazia, gemeu em frustração e assustou-se quando um recipiente de plástico lhe fora ofertado, olhou para o dono dele, mas esse desviou o olhar rapidamente. Fazia dias que sentia que o garoto tentava o afastar a todo custo, isso de certa forma entristecia, queria ficar perto, mesmo que persistissem naquela dinâmica de gato e rato. Devolveu a garrafa para o moreno depois de saciar sua sede, deixou a bola do lado dos outros pertences do mais alto e vestiu sua camiseta, logo murmurando uma despedida e indo em direção da saída. Ouviu-o bufar, não entendia o que estava acontecendo com aquele bastardo, estava a semanas pisando em ovos, uma hora ele agia normalmente — bom, se desse para considerar as ofensas e comentários narcisistas como normais – e na outra ele se fechava por completo, evitando até o contato exigido durante o jogo. Sua mente já estava um turbilhão, não queria ter que se preocupar com mais um nuance daquele desgraçado. Se questionava se um dia teria paz estando ao lado dele.
—Você vai no tanabata? — Já estava perto do portão de saída quando a voz abafada dele atingira seus sentidos. Ele permanecia no mesmo lugar olhando a própria camiseta como se ela fosse mais interessante que qualquer outra coisa naquele ambiente. Uma aura raivosa o invadira, ele nem ao menos na sua direção olhava, parecia não fazer questão de sua presença, inflou as bochechas com tamanho ódio. -Satsuki apareceu hoje mais cedo lá em casa me convidando, dizendo que Kagami-kun ficaria de confirmar... — Estranhou a entonação dada ao final da frase, aludindo a forma que Momoi o chamava. Daiki era um desgraçado.
Sinceramente, Kagami nem se recordava mais do convite da amiga, ela o havia invitado como pretexto para que as coisas não ficassem tão estranhas entre ela e Kuroko. A garota tinha medo de sua verborragia acabar assustando o menor, então se o tigre os acompanhasse tudo fluiria, ele pressentia o momento de interromper a rosada sem que o clima findasse. Apesar de toda a confusão envolvendo seus sentimentos pelo mais alto, a amizade e apoio da menina lhe era satisfatório; descobriram alguns assuntos em comuns naquele meio tempo, ela amava basquete tanto quanto ele além de se mostrar uma excelente estrategista; se davam bem. -Qual o interesse? – Viu o moreno coçar a parte de trás da cabeça, sabia que ele fazia isso quando se sentia encurralado. Todas as vezes em que assistia os jogos oficiais da equipe de Toou e o via sendo convocado para uma conversa com o técnico, ele repetia aquela ação. Semanas de observação o tornaram capaz de saber coisas para além do esporte, com o fato de Aomine não gostar de ser pressionado.
O azulado agora depositava a atenção em seus movimentos, ele mantinha o olhar tão compenetrado que sentiu suas bochechas arderem, mesmo distante ainda se envergonhara. Mordeu o lábio e apertou a alça da bolsa sobre o seu ombro esquerdo, não deveria ter postergado suas tarefas para que pudesse vê-lo, deveria ter ficado em seu apartamento. -Não queria segurar vela sozinho, você sabe. – Assentiu. Já tinha saído com Kuroko e Satsuki para lancharem, não tinha sido fácil lidar com o recente casal, apesar de conversarem e os dois tentarem incluí-lo, era natural que as coisas se articulassem de modo que os dois ficassem ‘reclusos’ na própria bolha.
—Você vai? – A garota comentara que tentaria o arrastar para o festival porque estava com um pressentimento ruim com o amigo, ele voltara a faltar os treinos e se isolar no próprio quarto. Quando conversaram, o seu coração se comprimiu, quis confortá-la e afastar aquela sensação que se apoderava de seu corpo, por mais que desejasse não poderia aparecer na porta do garoto e questioná-lo a respeito. Então passou a atormentá-lo com mensagens, implicando e de certa forma lembrando-o que apesar de tudo estaria ali por ele, caso necessário fosse. Agora além dos encontros, realmente conversavam, conseguiam manter um diálogo mesmo que trivial e célere.
—Eu ainda não tenho certeza... – Ficara tão preso nos próprios devaneios que não se dera conta da aproximação do mais alto. Estavam a menos de dois passos de distância, o moreno encarava com intensidade. Seu nervosismo agravara com a proximidade, seu coração pulsava com tamanha força que tinha medo de que ele conseguisse acompanhar as batidas.
—Certeza do quê? – As juntas de sua mão estavam esbranquiçadas de tanto pressionar o tecido da alça em seu ombro. Testando uma das leis da física, ele se aproximou, invadindo seu espaço pessoal. O olhou em questionamento, o que estava acontecendo afinal? Mas então o corpo dele inclinou-se para frente e, sem consentimento prévio, arrepiou-se com o contato dos lábios dele na lateral de seu pescoço.
—Se o meu pedido vai ser atendido. – Os olhos dele pareciam flamejar quando concluíra a frase. Instintivamente prendeu a respiração, sentindo seus joelhos fraquejaram minimamente.
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