Make a wish - aokaga story
4 Aomine.
Notas iniciais
O brilho avermelhado em sua cabeceira chamara sua atenção indicando que mais um minuto houvera passado demarcando o início de madrugada. Seus músculos imploravam por um descanso, mas sua mente insistia em o manter acordado repassando cada momento de seu atrevimento. Prendeu o lábio entre os dentes enquanto encarava o teto branco, não precisava fechar os olhos para conseguir visualizar o enrubescer de Kagami quando mordiscara de leve o pescoço dele. Havia feito por impulso. Passara mais da metade do jogo imaginando o cheiro do rapaz, tinha quase certeza de que seria inebriante para os seus sentidos. Quando deu por si já estava comprovando sua especulação, apesar do suor devido o esforço físico, a colônia masculina almiscarada ainda se mostrava presente e era instigante.
Nunca se imaginou naquela situação, sentindo-se quente com a lembrança do odor de uma fragrância masculina, mas seu cérebro insistia em repetir de que aquele não qualquer cheiro, era o perfume dele. Kagami mexia consigo mais do que desejava admitir. Depois do seu atrevimento fora empurrado pelo ruivo que saíra correndo da quadra; sorriu de canto com a lembrança da vergonha do garoto. Quando desgrudou do pescoço do ruivo ficou esperando por um soco ou um chute em suas partes íntimas, não tinha bem certeza do que deveria aguardar, mas suspeitava que a cena daquele baka correndo de si mais vermelho do que um pimentão não era uma possibilidade real até o momento. Ficou tentado a ir além para saber qual seria a reação, talvez o beijasse.
Beijar Kagami Taiga. Aquilo definitivamente era um caminho sem volta, queria isso? Pior que queria. Não somente beijos, também tinha a esperança de descobrir outras carícias com o mais baixo. Já havia se relacionado com algumas garotas, mas não tinha chego a relações íntimas com todas, ainda tinha muito o que desvendar. Além do mais, sentia que com o garoto tudo fosse diferente, não somente pelo sentimento que cultivava, mas por questões anatômicas. Desde que ele invadira seus pensamentos até mesmo nos momentos em que folheava suas revistas, decidiu ir atrás de conteúdo base para suas fantasias, pois tinha a impressão de que o garoto com quase dois metros de altura, dificilmente se encaixaria nos papéis encenados por suas modelos preferidas. Passara algumas horas assistindo alguns vídeos que torcia para que saíssem logo de seu histórico no computador, não encontrou nada muito diferente do que normalmente assistia, eram as mesmas posições, mas os toques pareciam ser mais afoitos, urgentes. Aquilo o estimulara, eram situações que conseguia imaginar-se praticando com aquele bastardo. Se tocara algumas vezes tentando projetar a imagem dele naquelas cenas, fervilhando quando obtinha sucesso.
Se estava na chuva teria que se molhar! Repetia aquilo como um mantra todas as vezes que queria se aliviar e só conseguia pensar no idiota. Pegou o celular na mesinha de cabeceira, deslizou o dedo sobre a tela logo abrindo o aplicativo de mensagens. Respondeu as conversas que havia deixado para depois, nada muito importante, só sua mãe avisando que esquecera de buscar algumas peças de roupa na lavanderia e questionando se o garoto não poderia fazer tal tarefa. Deu satisfações atrasadas para Satsuki que perguntara durante a tarde onde ele se metera, não tinha como respondê-la já que estava jogando com Kagami quando ela o enviara o texto; torcia para que o assunto não fosse tão urgente. Abriu o chat do ruivo, se apressando em abrir o perfil dele quando a foto for a atualizada. Quase deixou o aparelho cair na própria cara, era a primeira vez desde que passara a gostar do maldito que ele colocara uma foto sorrindo. Estava absurdamente bonito, os olhos parcialmente fechados e os caninos aparecendo. Ampliou a imagem, conseguiu enxergar com perfeição a face do ruivo e reconheceu o parque em que a foto teria sido tirada, tudo parecia ornar em sua percepção.
01:02 AM
Oe, não se acostume bastardo
na próxima vez que nos encontramos irei acabar com você!
A propósito, bela foto.
Uma pena que a sua cara tenha estragado a visão do parque...
Tentou se controlar, mas definitivamente não conseguiria pregar o olho sem que – da sua forma – comentasse a fotografia e claro, o modelo nela. Ficou desnorteado durante a partida com os pensamentos libidinosos que o assombraram e sabia que ele havia notado sua desatenção. Tinha que tranquilizá-lo de alguma maneira, não poderia deixar brechas. Aceitar os próprios sentimentos e o desejo que sentia por ele era muito mais fácil que confrontá-lo e confessar por todas as horas gastas pensando nele. Relatar sua afeição não era uma coisa que surgia na sua mente como urgência, primeiro gostaria de saber se ele seria capaz de o aceitar apesar desse fato, uma coisa era atiça-lo mordendo o pescoço dele ou encarando-o de forma intensa, outra coisa era se expor de uma forma irreversível. A mera suposição de ser cortado por completo do convívio do garoto o atormentava, por isso precisava confirmar em que pé estavam para que não sofresse com as consequências.
01:04 AM
Vou te deixar sonhar mais um pouco.
Você não é invencível Aomine, terei que provar isso quantas vezes? Você subestima muito as minhas habilidades...
Maldito. Agora que estava se preparando para aceitar o sono ele decide o responder. Não deu tanta importância para a provocação, gostavam de desafios, era uma coisa que os unia de certo modo, depois tiraria aquela história a limpo quando estivessem em quadra. De alguma forma o pensamento evocou a lembrança do teste de gramática que teria pela manhã, não havia estudado nada, como deveria realizar uma droga de avaliação no outro dia? Merda, talvez fosse por essa razão que a amiga tentara o encontrar. Sua mãe o deixaria de castigo se suas notas caíssem mais, a situação não era nada agradável, ela já estava o dando avisos sobre suas médias. Não suportaria passar mais um final de semana no intensivo de estudos que ela com orgulho projetara para se distrair enquanto ria da desgraça do próprio filho, sua mãe era um pouco sádica. Sortudo era seu irmão que assistia tudo de longe, o prodígio escolar da família ainda não saíra do fundamental, então se conseguisse escrever o próprio nome já ganhava nota máxima. Quase gemeu com a possibilidade de ter que aturar a mulher mais velha berrando em seus ouvidos, sem contar a própria Satsuki que o alertaria da importância de manter as notas para que não perdesse a vaga no time da escola. Ah, estava tão ferrado.
Se fosse mais responsável, não teria aceito o convite dele, ficando em casa e respondendo as listas de exercícios em sua mesa e por consequência seria alertado a tempo de seu esquecimento. Mas agora estava ali, temendo por uma nota que ainda nem recebera. Estava preocupado sim, só que de forma alguma deixaria o conforto de seu colchão para passar o resto da madrugada tentando conceber um assunto que não conseguiu despertar o seu interesse em dois meses. Olhou para a tela preta do seu celular, acabara esquecendo de responder o ruivo, talvez ele estivesse dormindo agora. Desbloqueou o aparelho, digitou uma resposta e o deixou ao seu lado na cama. Espreguiçou-se para que conseguisse uma posição mais confortável. Considerações a respeito do festival espreitavam sua consciência, tinham alguns dias até a celebração e guardara os papeizinhos deixados pela rosada. Sua falecida avó sempre contara as histórias por detrás dos festivais, o Tanabata ou festival das estrelas comemora o encontro da estrela Orihime e da estrela Hikoboshi. De acordo com o que sua avó falara, o casal fora separado pelo Senhor celestial, pai de Orihime; quando este notou que a paixão dos dois os afastava de suas obrigações. Cada estrela fora posicionada em margens opostas de Amanogawa, rio do céu. Mas quando o Senhor celestial notou o sofrimento de Orihime decidiu lhes conceder um pedido, um encontro anual, sob a condição de que cumprissem com suas tarefas. Desde então, no sétimo dia do sétimo mês pessoas escreviam seus pedidos, desejos, anseios futuros em pequenos pedaços de papel e depois pendurava-os em folhas de bambus decoradas para que sua solicitação fosse atendida pelas estrelas. Sorriu com a ideia que passara por sua mente, talvez tivesse o que pedir e esperava ser correspondido pelos seres celestiais.
01:14 AM
Aquilo foi sorte.
Nos meus sonhos você não joga basquete baka.
Boa noite.
Saíra do aplicativo e colocara o aparelho no silencioso, precisava dar um descanso para sua mente. Ajeitou o fino lençol que cobria sua seminudez e deitou-se em uma posição rotineira, logo sentindo o doce beijo de Morfeu. Aomine não se dera conta da duplicidade de sua resposta, talvez fosse efeito de um cérebro maltratado pela noite em claro, não saberia dizer. Mas uma coisa era certa, nas poucas horas em que lhe restara, a última coisa com a qual sonhou fora com Kagami jogando basquete.
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